quarta-feira, 6 de julho de 2011

Julgamento das Doenças de Nicholas Culpeper tradução Marcos Monteiro

tradução de Marcos Monteiro


O “Julgamento das Doenças" aumentado, de Nicholas Culpeper

Abraham Avenezra, sobre os Dias Críticos.

LIVRO I

É uma verdade palpável e aparente que Deus leva os homens ao princípio da Graça pelo Livro das Criaturas; pois este começo de Abraham Avenezra, um médico árabe, e um astrólogo singular (a quem os Sacerdotes de nosso tempo chamam de Pagão) tem o entendimento de coisas muito além do paganismo; pois neste Tratado sobre os Dias Críticos, ele começa assim:

Eu rogo ao Senhor Deus que ilumine meu coração com sua luz e verdade, enquanto meu Espírito permanecer em mim, pois sua luz é deleitosa e boa para ser vista pela minha alma; pois, desta forma, a noite será tão iluminada para mim como o dia, sem que mesmo as nuvens a escureçam; ela não é como a luz do Sol de dia, porque ela não é impedida pelas nuvens; nem como a luz da Lua, porque ela nunca é diminuída como o luar o é[i]. Deus fez estas luzes como fez o homem, e designou que a luz maior regeria o dia e a menor, a noite. Assim, parece que o Sol foi feito para reger o dia, e não apenas para iluminá-lo, como afirmam os Sacerdotes; e a Lua para reger a noite, e não apenas iluminá-la, como aparece em Gênesis 1, porque ela não tem luz para dar; além disso, Ele fez todo o exército do Céu, as estrelas fixas e os planetas, e lhes concedeu virtudes, junto com os luminares; mas suas virtudes não são tão grandes como a dos Luminares; nem a virtude da Lua é tão grande quanto a virtude do Sol, porque ela toma emprestada sua luz do Sol; além disso, o exército inteiro do Céu, ou seja, as estrelas fixas, movem-se todas na mesma esfera e, portanto, a sua distância é sempre a mesma uma da outra, e a sua latitude é sempre a mesma; mas isso não é assim com os planetas, pois seu curso é variado, assim como sua distância uns dos outros e sua latitude; algumas vezes eles estão sobre a Eclíptica, algumas vezes ao norte, outras ao sul, às vezes retrógrados, às vezes diretos, às vezes em conjunção uns com os outros, às vezes em oposição, às vezes em outros aspectos; a razão disto é que a esfera de um é inferior à do outro e, quanto mais inferior a esfera for, mais rápido eles completam sua revolução.

O planeta mais próximo da Terra, entre todos, é a Lua, e, portanto, o seu trajeto é o mais rápido; além da sua diferença em longitude e latitude, acontecem outros acidentes a ela que não são visíveis para os outros planetas, pois às vezes ela aumenta, às vezes diminui, e às vezes ela está invisível ou sem luz; a razão pela qual os planetas não aparecem com chifres no Céu, como a Lua, é por estarem a maior distância de nós; todos os planetas parecem maiores quando estão em uma maior distância do Sol, ou quando estão mais próximos da Terra, de acordo com Copérnico; também, às vezes a Lua está ecplisada, mas não da mesma forma que o Sol; porque o Sol nunca perde sua luz, mas é simplesmente ensombrecido, para um povo ou um local em especial, pelo corpo da Lua; mas a Lua, quando eclipsada, perde totalmente a sua luz; e a razão é que a luz do Sol é sua, mas a da Lua é emprestada.

Uma vez que estas premissas tenham sido postas, considera que todas as coisas sob a Lua, de forma geral, sejam homens, bestas ou plantas, mudam, e nunca permanecem no mesmo estado, nem são seus pensamentos e ações os mesmos; aconselha-te com tua cabeça, e ela te certificará que o que falo é verdade, e que eles mudam de acordo com os diversos trajetos e disposições dos planetas; olha para tua própria gênese, e deves encontrar teus pensamentos movidos à cólera, normalmente, quando a Lua transita pelo local onde o corpo ou aspecto de Marte estava na sua genitura, e à melancolia quando ela faz o mesmo com Saturno; a razão é que a Lua está associada ao corpo do homem; sua virtude, assim como sua luz, aumenta e diminui; ela traz as virtudes dos outros planetas para as criaturas e para o homem, se ele vive sobre a terra.

O Sol causa calor e frio, dia e noite, inverno e verão. Quando ele chega na casa de sua honra ou exaltação, ou seja, Áries, então as árvores se expandem; as criaturas vivas são confortadas, os pássaros cantam, toda a criação se rejubila, e as doenças nos corpos apresentam-se nas suas próprias cores; da mesma forma, quando ele chega na sua queda, em Libra, as folhas das árvores caem, todas as criaturas ficam inertes e como que de luto, como as árvores em Outubro.

Outro fato notável é que normalmente as pessoas doentes sofrem um certo alívio entre a meia-noite e o meio-dia, porque o Sol então está na parte ascendente do Céu; mas são mais perturbadas quando ele está descendendo, ou seja, entre o meio-dia e a meia-noite.

O trajeto da Lua deve ser observado em muitas operações tanto no mar, nos rios, vegetais, animais marinhos, quanto nos ossos e medula dos homens, e em todas as criaturas; também as sementes semeadas na Lua minguante ou não crescem, ou crescem e se tornam plantas sem serventia.

Homens sábios também nos legaram suas experiências sobre as diversas virtudes das estrelas à posteridade; e médicos nos tempos antigos (quando eles se inclinavam à honestidade) descobriam as mudanças e términos das doenças pelo trajeto da Lua: é por isso que os dias 7, 14, 20, ou 21, 27, 28, ou 29, das doenças, são chamados de Dias Críticos, os quais não podem ser conhecidos a não ser pelo trajeto da Lua; não deixes teu cérebro repousar no número dos dias, porque a Lua às vezes é mais rápida, às vezes mais lenta.

Para as doenças que não se encerram em um mês (eu quero dizer um mês lunar), ou seja, o tempo que a Lua passa por todo o Zodíaco, que é de 27 dias e algumas horas e alguns poucos minutos, deves julgá-las pelo trajeto do Sol. Não se chama o dia de crítico porque ele é o sétimo dia a partir da decumbitura, como se sua virtude estivesse no número 7, mas porque a Lua se aplica em quartil ao local que ela estava na decumbitura, aconteça isso um dia antes ou depois.

Quando ela faz uma oposição ao local onde estava no dia da decumbitura, produz uma nova Crise; a terceira ocorre quando ela chega ao segundo quartil, e a quarta quando ela retorna ao local que estava na decumbitura, e já é suficiente que ela produza esse número de crises.

A razão da diferença do movimento da Lua é a diferença da sua distância da Terra; quando o centro do seu círculo está mais perto do centro da Terra, ela está mais rápida; e assim pode ocorrer que ela às vezes se mova mais de 15 graus em 24 horas, e às vezes menos de 12. Portanto, se ela estiver rápida, ela chega ao seu próprio quartil em seis dias; se estiver lenta, nem em sete; portanto, deves julgar de acordo com o movimento da Lua, e não de acordo com o número dos dias.

Em um dia crítico, se a Lua estiver em um bom aspecto com bons planetas, tudo irá bem para o doente; se com maus planetas, tudo irá mal; mas eu sei que gostarias de ver elucidado o seguinte: se a crise depende do movimento da Lua, e do seu aspecto aos planetas, qual é o motivo de dois homens caírem doentes ao mesmo tempo, e no entanto a crise de um terminar bem, e não a do outro?

Eu respondo: a virtude em ação é modificada de acordo com a diversidade da virtude que recebe; pois todos sabeis que o Sol torna o barro duro e a cera mole; ele torna a roupa branca, e a face negra; da mesma forma, se um for uma criança, cuja natureza é quente e úmida, e o outro um homem jovem, e o terceiro um homem idoso, a crise age diferentemente neles, porque suas idades são diferentes.

Em segundo lugar, o momento do ano tem uma grande participação neste negócio; se ele estiver na primavera, as doenças serão mais perniciosas a uma criança, porque sua natureza é quente e úmida; uma doença age de forma mais violenta em um homem colérico no verão; em um homem melancólico, no outono; em um homem fleumático, devido à sua idade ou à sua compleição, no inverno.

Em terceiro lugar, eu acrescento, suponhamos que no início de uma doença a Lua estivesse no local de Marte natal, cuja natureza é quente e seca, se a doença for de calor, isso a agravará muito, mas não se ela for de frio; e não deves normalmente encontrar dois homens que tenham Marte no mesmo lugar no seu mapa natal, que adoeçam ao mesmo tempo, e que a doença seja diferente no meio ou no fim.

Pergunta: 1. Para o caso de a idade das pessoas, e a estação do ano ser a mesma, e a doença ser a mesma, a crise será a mesma ou não?

Eu respondo: suas compleições podem ser diferentes, uma quente e seca, a outra fria e úmida; se as doenças forem quentes e secas, o efeito não será tão violento em um corpo frio e úmido quanto em um corpo quente e seco; o fogo tomará primeiro o que é quente e seco, em vez do que é frio e úmido.

2. Imaginemos que as compleições sejam as mesmas em ambas as pessoas. Eu respondo: isso é impossível, deve haver alguma diferença nas compleições; pois, embora eles possam ser os mesmos no universal, no entanto, nos particulares, deve haver alguma diferença, devido a dietas, exercícios ou climas diferentes, a menos que eles tenham nascido e crescido na mesma latitude.

3. Imaginemos que eles sejam iguais, mas coisas diferentes intervenham e alterem a crise; suas natividades podem não concordar; por exemplo, se a Lua estiver no local de Saturno ou Marte na natividade, a doença é perigosa; mas não se ela estiver no local onde Júpiter ou Vênus estavam; ou é possível que Júpiter ou Vênus possam prejudicar em natividades nas quais os ascendentes sejam seus inimigos, ou nas quais eles estejam posicionados na sexta ou oitava casas.

4. Mais uma vez, se Saturno for o Senhor de uma natividade, e não da outra, ele pode prejudicar um e não o outro, cuja natividade ele for o Senhor, porque o Diabo não machuca os seus; a mesma coisa com Marte.

Inumeráveis outras coisas podem ser acrescentadas, por exemplo, que um deles pode se precaver previamente contra a doença e o outro não, mas isso não é necessário.

Objeção: Mas então, dirias que não há certeza alguma com relação à crise?

Eu respondo: os astrólogos julgam as doenças de duas formas.

À primeira chamaremos de universal, e, desta forma, Saturno rege a tuberculose, Marte, as febres, Vênus as mulheres, Mercúrio os eruditos, etc.

A segunda é a particular; a sétima casa rege as mulheres, a nona os eruditos, etc.

Nenhum particular pode destruir um universal; por exemplo, se Vênus estiver mal localizada em uma natividade, e o Senhor da sétima bem localizado, dizemos que o nativo normalmente receberá o mal das mulheres, embora algum bem particular possa vir delas; do mesmo modo, julga neste caso pelos significadores gerais de doenças, por exemplo, Saturno e Marte.

No entanto, em segundo lugar, se puderes de algum modo conseguir as natividades, não irás errar; e agora, por favor dá-me espaço para citar um experimento meu. Se as natividades forem exatamente iguais, a crise será exatamente a mesma; por exemplo, sei de três crianças nascidas no mesmo momento (como demonstrou o evento) que aos cinco anos de idade tiveram, as três, convulsões, causa de todas terem ficado coxas de uma perna, os meninos da perna direita e a menina da esquerda; aos 14 anos de idade eles finalmente morreram, no mesmo dia, de varíola.

Em terceiro lugar, se a natividade não puder ser obtida, vê a urina, e abre um mapa celeste do momento em que a vistes, e, se tiveres a decumbitura, compara-a com o mapa celeste do exame visual da urina e julgarás com clareza a Crise.

Para prosseguir com o assunto, se a Lua estiver forte quando chegar ao seu quartil, ou à oposição do local em que estava na decumbitura, ou seja, estiver no seu domicílio ou exaltação, o doente se recuperará, se ela não aspectar nenhum planeta.

Julga a mesma coisa sobre o Sol em doenças crônicas, mas julga o contrário se algum deles estiver em detrimento ou queda; pois há tanta diferença entre eles quanto há entre o zênite e o nadir; a Lua vazia de curso no início de uma doença não é um sinal nem bom nem ruim. Olha então para o signo ascendente no início da doença e deixa a Lua em paz desta vez.

Se a Lua estiver angular na decumbitura, e no ascendente, julga somente por ela, e não uses nenhum outro significador; se ela não estiver desta forma, usa também o Senhor do Ascendente junto com ela no teu julgamento.

É muito perigoso quando a Lua está eclipsada no momento em que chega no seu quartil ou oposição ao local em que estava na decumbitura, pois, normalmente, neste momento a morte se torna o médico.

No início de uma doença, se a Lua estiver em um signo móvel, a doença logo se move a um fim, de uma forma ou de outra; em signos fixos ela prolonga a doença, e em signos comuns ela paralisa o cérebro mais sábio do mundo.

Isso também é uma regra certa, tão certa quanto o Sol estar no alto ao meio-dia: as doenças de plenitude são muito perigosas quando um homem cai doente na Lua cheia.
Doenças de jejum ou vazio são mais perigosas quando um homem cai doente na Lua nova. Devo rogar-te que administre remédios para uma doença de esvaziamento quando ela estiver perto de se tornar cheia e para doenças de plenitude quando a Lua tiver perdido sua luz.

Diminui um humor quando a lua diminuir em luz; aumenta quando ela aumentar sua luz: o fleuma se opõe à cólera, a melancolia se opõe ao sangue; aumentar a fleuma não é dos piores modos de se diminuir a cólera; para bom entendedor, meia palavra basta.
É muito ruim quando, no início de uma doença, a Lua está num signo da natureza do humor prejudicado.

Naturalmente, a Lua em um signo ígneo é bom para uma doença de fleuma; mas, se a cólera abundar, é muito bom que ela esteja em um signo de água; podes saber pela semente como será o fruto.

Se a Lua estiver em conjunção ou aspecto com qualquer planeta, e nenhum deles possuir latitude, a crise será firme; se eles tiverem latitudes bem diferentes, a crise será fraca.

A Lua em conjunção com Saturno na decumbitura mostra doenças prolongadas; se Saturno estiver lento, tanto pior (neste caso, ruim é a melhor opção) em todas as vezes que isso acontecer.

Se Saturno estiver retrógrado quando fizer uma oposição com o Sol, acautela-te contra uma recaída.

Se Saturno tiver Latitude Norte, estejas certo que o doente está muito mal de corpo. Se a Lua estiver unida a um planeta retrógrado, o doente vomitará seu remédio.

Vênus ajuda mais nas doenças de homens e mulheres jovens do que em idosos.

Se a doença vem do calor, Vênus ajuda mais do que Júpiter; se a doença vem mais do frio, Júpiter ajuda mais do que Vênus. Se a doença vem do Amor, não há planeta mais pestilento nos Céus do que Vênus; neste caso, pede a ajuda de Júpiter; em perseguições de Religião, Júpiter é pouco melhor do que o Diabo; pede a ajuda de Vênus, neste caso.
Mercúrio ocidental e forte é um bom sinal em doenças.

Se Marte causar a doença, Vênus ajuda mais do que Júpiter; se Saturno, então Júpiter ajuda mais do que Vênus.

Se, no início de uma doença, a Lua estiver em conjunção com qualquer estrela fixa da primeira magnitude, cuja latitude com relação à eclíptica for pouca, podes julgar com segurança as doenças pela natureza desta estrela com a qual ela está unida; suponhamos que ela seja da natureza de um planeta bom ou mau; deves seguir de acordo com sua natureza.

Quando a Lua estiver unida a qualquer planeta por corpo ou aspecto, no início de qualquer doença, se ela aspectar este planeta quando estiver no seu quartil ou oposição ao seu local inicial, a Crise será firme e estável, e não se moverá mais rápido do que uma casa, e não se alterará, para o bem ou para o mal.

Mas se, quando ela chegar ao quartil ou à oposição, ela encontrar com outro planeta, estejas certo de que a doença muda ou para melhor ou para pior, de acordo com a natureza da estrela com a qual ela se encontra.

Isso ficará aparente na pessoa doente, ou no médico, ou no decurso da doença.

Vê de que casa os planetas com quem ela se encontra na Crise são os Regentes, na decumbitura, e julga da forma apropriada; desta forma, pode acontecer que uma pessoa doente tenha mais juízo do que um médico velho e apaixonado pela arte.

Se o caso for de uma estrela fixa de natureza diferente da estrela fixa com a qual ela estava na decumbitura, a alteração não será grande, ou ao menos não será uma alteração universal da doença; e meus motivos são que as estrelas fixas estão muito longe da Terra. E a última coisa é:

Tudo o que foi dito sobre a Lua em doenças agudas vale inteiramente para o Sol em doenças crônicas.

LIVRO II

Julgamento astrológico das doenças, ou
Um modo metódico de descobrir a causa, a natureza, os sintomas e as mudanças de uma doença, bem como as partes afligidas, o instante exato da recuperação ou das dissoluções usando a Decumbitura; amplificado por exemplos.

A Base da história foi emprestada de Noel Duret, cosmógrafo do Rei da França, e do mais excelente Cardeal, o Duque de Richelieu.

Devo confessar que em alguns lugares eu o abreviei e em outros o corrigi; deixemos que outro faça o mesmo comigo: o que fiz, fiz, e não tenho vergonha de que o mundo o veja.

Pela misericórdia de Deus, que nunca falta, eu tive em minhas mãos a oportunidade de terminar esta obra tão desejada e esperada por tanto tempo; se houver qualquer fraqueza nela, é minha; se houver qualquer excelência nela, dá a Deus a Glória.

Àquele que escreve ignomínias, pelas costas, sobre o livro de um outro homem, sem apresentar nenhum de sua autoria, que o nome da ignomínia seja marcada a ferro, em vez de talhada, sobre o seu sepulcro.

Eu gostaria de ver os profetas do mijo[ii] deste tempo produzir um julgamento das doenças pela Urina como apresentado aqui; aquele que conseguir, Erit mihi magnus Apollo. Porque me preocuparia eu com Médicos cuja cobiça ou preguiça, ou ambas, ou algo pior, não os deixarão estudar as Artes que são essenciais para a sua atividade monopolizada? Eu, no entanto, permanecerei em silêncio, porque sua queda está se aproximando, devido ao seu orgulho; se aquele que escreveu que “o orgulho precede a queda, e que uma mente arrogante precede a destruição” disse a verdade. Meu gênio é embotado demais para recomendar meu autor, ou para louvá-lo um milésimo do que lhe é devido. Eu desejo ser censurado pela Dra. Experiência, que julgará sem parcialidade; e espero que não cause descrédito ao Monsieur Duret eu divulgar sua obra na minha própria língua.

CAPÍTULO I

A definição da palavra crise, o seu uso, causa, tipos, divisões e diferenças.

Uma crise, de acordo com Galen, é uma mudança abrupta e rápida em qualquer doença, pela qual o doente ou se recupera, ou morre; e um homem doente não pode mudar para nenhum outro estado, a menos que o transformes de homem em besta. Para qualquer mudança rápida e abrupta que ocorra, seja da Lua ou do ar, ou do corpo doente, Galen age como um homem e bravamente a chama de crise, e seu julgamento sobre se o homem pode viver ou morrer é feito a partir desta crise.

A palavra Crise é uma palavra derivada do grego (Από το κρίνω[iii]), que significa julgar ou discernir, ou emitir sentença sobre uma coisa; portanto, os dias críticos são somente os dias nos quais um homem pode avaliar uma doença, ou emitir um parecer sobre ela, seja bom ou mau, não importa; essa metáfora é tomada da Corte Judicial para a Arte da Medicina, porque de certo modo, advogar em um processo de um homem que lhe custe a vida é parecido com trabalhar penosamente durante uma doença para ser atacado por acusadores inimigos perante o juiz, e correr o risco de perder a vida devido a uma doença cruel e hostil. Além disso, há três coisas necessárias a uma Corte judicial, o acusador, o réu e o juiz. Da mesma forma, há três coisas necessárias pelas quais a arte da medicina é constituída, e pela qual todas as curas são obtidas: 1 – a doença; 2 - a natureza e o médico que é o servo da natureza, ou pelo menos, devia ser; e 3 - os acidentes que manifestam o que a doença é, e que servem como testemunhas[iv].

A causa da crise é dupla, interna e externa; a causa interna se descobre do seu próprio princípio, se crermos em Hipócrates, e que ela é dupla, porque ou a natureza trabalha para expulsar o humor que causa a doença, ou o humor, por si próprio, se desloca para algum lugar, e não estando apropriado para excreção, por seu próprio peso ou qualidade, se torna um fardo para a natureza e, portanto, é expelido. Hipócrates era somente um homem, e mais que isso não sou; um homem, ele diz, está em perigo quando tem febre; os sinais são horror, tremores, agitação de um lado para o outro do microcosmo; isso é a primeira causa interna.

A segunda causa interna

Pode haver outros, não importa quem, que atribuem a causa eficiente da crise à própria natureza; se a natureza for forte, é uma boa médica para todas as doenças; digere o humor que causa a doença, separa o que é bom do que é mau e, após ter feito isso, prepara o que causa o incômodo para a excreção e por fim o expele.

A causa externa da crise é a alteração do ar, pelo qual se altera o que um homem inspira, de frio para quente, de seco para úmido, ou o contrário em ambos os casos.

O próprio Hipócrates nos seus seis Aforismos e no seu Tratado de natureza humana menciona expressamente, em linguagem clara, que o calor e a umidade no corpo aceleram a crise; quanto às doenças, ele diz, algumas vêm de uma dieta ruim, outras pelo ar que respiramos.

Desta forma, a dieta, por gerar tais e tais humores no corpo, é interna, mas o ar que respiramos é a causa externa da crise.

Agora dá-me a liberdade de me livrar do meu autor por um momento, se bem que não o esquecerei de forma alguma. O Senhor Eterno, no começo, quando fez a criação, a fez de uma composição de contrários; a discordância faz a harmonia, como na música; se o mundo é composto de uma composição de contrários, as disposições da vida do homem são forçosamente variadas; assim, surgem no corpo do homem, às vezes saúde, às vezes doença, às vezes melancolia, às vezes cólera, e feliz é o homem que conhece a si mesmo.

Como estas qualidades são alteradas, no homem, pelas diversas influências das estrelas, com a esfera de uma tendo uma velocidade maior do que a esfera de outra, a disposição do corpo do homem deve ser variada.

Os luminares possuem a maior força nos céus, assim como, no Estado, têm força os com mandato para governar; e não há dúvidas quanto a isso para ninguém, se considerares que o som de um tambor ou trombeta incita um homem ao valor, e o som da rabeca à dança. Além disso, outros efeitos manifestos dos luminares aparecem aos nossos olhos. Quem é que faz as horas e os dias, e as estações do ano? Não é o Sol que altera o ar, as plantas e as criaturas vivas? Qual é a razão das ostras serem mais cheias na Lua cheia do que na nova? Junte-se os caranguejos e as lagostas às ostras; mais, junte-se a eles a medula no corpo do homem; não é a Lua a razão? Um homem, se quiser, pode dizer que sua mão direita é sua esquerda, e um padre tagarela pode pregar o que for do seu agrado; deixa que a Dra. Experiência julgue o assunto.

Agora chegamos a este ponto, de que a causa universal da crise é a influência dos céus; pois os corpos celestiais, por seu calor, luz, movimento, aspecto, configuração, ou por todos estes fatores, ou por alguns deles, agem não só nos quatro elementos, mas nos corpos elementares; porque, se eles agem em um, devem forçosamente agir no outro, e consequentemente no homem, que é composto pelos elementos.

A Terra é uma grande massa de poeira reunida e suspensa por um único e sábio Deus no Ar; as estrelas não são mais que isso, nem a Lua; somente de qual matéria é feito o Sol eu não sei.

Se os corpos dos homens são elementares, compostos de Fogo, Ar, Terra e Água, eles forçosamente participam, em alguma medida, de todos estes elementos. Como os elementos são contrários uns aos outros, eles não podem sempre concordar; daí vem a causa de às vezes haver saúde, às vezes doença, às vezes a própria morte; e Aristóteles tinha em parte a mesma opinião, quando escreveu estas palavras: da chuva e do orvalho do céu tanto as coisas boas quanto as más florescem.

Tipos de Crise

Os tipos de crise são dois: um ocorre nas doenças agudas, que devem ser julgadas pela Lua; o outro nas doenças longas e duradouras, ou crônicas, que devem ser julgadas pelo Sol. As crises que vêm do seu próprio princípio, dependem, com relação à sua causa interna, somente dos movimentos da Lua e da suas configurações e aspectos ao local no qual ela estava na decumbitura.

Mas deves notar que, nas doenças agudas, os aspectos ou irradiações da Lua, ou seja, seu quartil e sua oposição, não são tomados da conjunção da Lua ao Sol, como são mostradas em almanaques ou em Efemérides, que são a mãe dos almanaques, mas do local no qual a Lua foi vista na Decumbitura, como ficará mais claro com alguns exemplos posteriores.

Existem doenças agudas e crônicas.

Sobre as doenças agudas, algumas são simplesmente agudas, outras são peragudas, outras são muito agudas, per-peragudas, ou extremamente agudas.

As doenças que são simplesmente agudas terminam em 8, 10, 11, 14, 20 ou 21 dias, e elas são chamadas de doenças mensais por alguns, e lunares por outras, e nenhum destes estão entre os maiores tolos; elas se extinguem no momento em que a Lua passa pelos 12 Signos Celestiais do Zodíaco, o que acontece em 27 dias, algumas horas e alguns minutos.

As doenças agudas que sofrem mudanças ou se degeneram devem ser julgadas de um modo imperfeito; porque, às vezes elas se agravam, às vezes elas se atenuam; elas são tão inconstantes quanto um cata-vento, conforme a Lua se encontra com os raios dos planetas bons ou maus; e este não é o único truque que elas têm, pois algumas vezes elas passam de doenças agudas a crônicas; assim, uma febre continuada pode mudar para uma febre tuberculosa; ou uma febre intermitente pode virar uma febre contínua; e estas doenças terminam em quarenta dias; as doenças muito agudas são as que terminam em 5, 6, 7 ou 8 dias, entre as quais está a doença que os gregos chamavam de περιπνευμονία[v], uma inflamação dos pulmões.

Doenças extremamente agudas são as que terminam em três ou quatro dias no máximo, como as pestilências, as apoplexias, etc.

As doenças crônicas seguem o movimento do Sol, e a primeira crise aparece em noventa dias; pois, durante este tempo, o Sol se move até o quartil com relação ao local em que ele estava na decumbitura, como ocorre nas febres tuberculosas e na hidropisia; mas quando ele chega ao aspecto de sextil ou trígono ao local em que ele estava na Decumbitura, algum movimento aparece, pelo qual um homem, se tiver alguma massa no seu cérebro, pode avaliar a crise que virá.

É bom se o Sol estiver bem aspectado pelos bons planetas; e é ruim se ele estiver aspectado com os maus planetas; e isso é verdade, se considerares a natividade, durante o percurso inteiro da vida de um homem, se a Dra. Experiência diz a verdade.

Além disso, sobre as crises, algumas são perfeitas, outras são imperfeitas.

Uma crise perfeita é quando a doença aparece por inteiro, e pode ser julgada de forma perfeita; e isso às vezes isso concede esperança, em outras desespero. Esperança, quando há grande probabilidade de saúde; desespero, quando há sinais palpáveis de morte.

Uma crise imperfeita é quando a doença muda a cada ocasião leve; se Marte for o autor da doença, em um signo bicorpóreo, digo por minha vida que não falharás; a crise virá; acertarás como se fosses um cata-vento prevendo a direção dos ventos.

O modo mais seguro, então, de julgares a doença é pelos aspectos da Lua aos planetas; quando a Lua se encontra com os raios inimigos ou hostis de Saturno ou Marte, cuida do teu paciente; se sabes o que prejudica, pelo mesmo motivo sabes o que ajuda. Os médicos dos tempos antigos, quando eram sábios, e tinham o bem comum em mente em vez do seu próprio ganho, classificavam as crises das doenças desta forma:

Algumas eram seguras, outras duvidosas; algumas próprias para julgamento, outras impróprias.

A crise segura é a que vem sem aspectos grandes e perniciosos.

Ela é duvidosa, suspeita, eu quase disse perigosa, quando vem com grandes aspectos perniciosos.

A doença é própria para ser julgada quando os sinais de digestão dos humores vêm no quarto dia; Neste caso, certamente a crise irá aparecer no nono. A Lua não se move com a mesma velocidade sempre; portanto, deves confiar antes no seu movimento do que nos dias.

O Sol domina nas doenças crônicas, a Lua nas agudas; se fores um homem sábio, teu julgamento será tão certo quanto o Sol, e ele nunca falha, a não ser por milagre.

Nos tempos de outrora, quando o conhecimento era raro, os homens suplicavam por ele; quando conseguiram conhecimento, o monopolizaram. Alguns vislumbres da felicidade de Adão no paraíso, cuja felicidade todo o mundo tem procurado desde então.

Eles sabem muito bem que a Lua se move tantos graus em tantos dias; um anjo mau (eu quase havia dito o Diabo), percebendo que havia falta de conhecimento no mundo, vai e se transforma em um anjo de luz, e ensina aos homens a contar o tempo pelos dias; não me maravilha mais os egípcios adorarem o alho e as cebolas como deuses do que nós divinizarmos o dia do Natal, mesmo que esteja nublado.

O que disse, o fiz somente para mostrar que é o movimento do Sol e da Lua que produz a crise nas doenças, e não o número de dias.

Devo retornar ao local que era minha intenção inicial; com relação aos dias, alguns são chamados por seu próprio nome, dias críticos; outros são chamados de dias judiciais, e são chamados assim porque, durante eles, a dama Natureza e sua filha, Dra. Razão, manifestam o que é a doença, e Dra. Experiência me diz que isso é verdadeiro.

Outro tempo é chamado de intercadente, que é o tempo que cai entre os dias judiciais e críticos. Durante estes dias intercadentes, a doença é normalmente atenuada; quando isso ocorrer, uma boa crise pode ser esperada; se não, deve-se esperar uma crise má.

Vou explicar estes termos antes de avançar; um homem cai doente; a primeira crise acontece; seja a causa da doença qual te aprouver mais; quando a Lua chegar ao mesmo grau do signo seguinte ao que estava na decumbitura, começam os dias judiciais, pois, neste momento, a doença mostra a si mesma em suas próprias cores, suas malas e toda a bagagem. Quando a Lua chega ao sextil, ela produz o dia intercadente, e a doença deve se abrandar; se isso não ocorrer, ela está em aspecto com planetas maus, e se ela estiver aspectada com planetas ruins, uma crise ruim deve ser esperada; no caso contrário, o contrário ocorre; e nunca verás isso falhar.

CAPÍTULO II

O modo de encontrar os dias críticos, além da decumbitura, de acordo com autores antigos e modernos.

Os médicos antigos, porque eram ignorantes sobre o movimento da Lua, embora não da sua operação, como muito dos nossos médicos modernos são, realizavam seus cálculos pelo número de dias e, agindo assim, erravam de forma completa: embora Duret, meu autor, cite a opinião desses médicos, eu não considero que valha a pena recitar os fracassos dos homens; mas, sobre o termo certo, ou sobre o momento no qual os dias críticos começam, eu devo citar estas poucas palavras.

Quando uma doença notável aparece, se quiseres discernir se ela tende à saúde, à morte, à mutação ou à continuação, é necessário que comeces no primeiro instante da invasão da doença. Esse momento Galen diz que é muito difícil, se não impossível, descobrir; considera-se pro confesso que pode se saber com facilidade quando um homem toma seu leito na doença, mas quando é o começo da doença, esta é a questão: porque um homem vigoroso e robusto suporta durante mais tempo a doença e cai de cama mais tarde do que um homem doentio, fraco e franzino; a mera suspeita de uma doença manda um homem de coração fraco para a cama; podes persuadi-lo de que ele está doente, esteja ele de verdade ou não.

No entanto, isso é o mais certo: nas doenças mais agudas, como também em muitas outras doenças, como a epilepsia, paralisias, apoplexias, pleurisias, etc., é fácil descobrir o começo, ou o momento preciso de invasão da doença.

A opinião comum dos versados em astrologia, e eu me declaro de acordo com ela, é que o momento a ser considerado como o início da doença é o no qual o homem sente dor ou sofrimento no corpo; por exemplo, quando um homem está com febre, normalmente sua cabeça dói alguns dias antes; isto não é a febre, mas um mensageiro ou prenunciador da febre; o começo verdadeiro da febre é quando a doença aparece de forma sensível, ou quando algum horror ou tremor invade o doente, como ocorre normalmente no início de uma febre; isso é o começo da doença, quando a doença se manifesta aos nossos sentidos; isso era o que pensava Hipócrates, um dos mais honestos entre os médicos; e deves sempre encontrar isso, de que quanto mais aguda é uma doença, mais manifesto é o seu começo para os sentidos; tão manifesto, por vezes, que é quase impossível que o começo possa se esconder de qualquer pessoa, mesmo as sem razão, se tiverem pelo menos os sentidos.

CAPÍTULO III

Sobre a simpatia e a antipatia entre os signos e os planetas

Antes de entrar no prognóstico, devemos saber que há uma simpatia entre os corpos celestes e terrestres; o que será fácil de observar, se considerarmos que a criação inteira é um corpo inteiro e unido, composto pelo poder de um Deus todo sábio, de uma composição de discordantes.

Também há amizade e ódio entre um signo do Zodíaco e outro; signos ígneos são contrários aos signos de água, e os noturnos aos diurnos, etc.

Os planetas também são amigos e inimigos uns dos outros; mas sobre sua amizade e inimizade, qualquer que seja o assunto, não posso concordar nem com os escritores novos nem com os antigos; e, quando não posso concordar com eles, vôo até a Dra. Razão para me aconselhar; eles sustentam que Marte e Vênus sejam amigos. Qual deva ser tua opinião sobre todo o resto, vais encontrar na introdução do sr. Lilly; minha própria opinião, fundamentada na razão, é essa: há duas causas de amizade e inimizade entre os planetas, essencial e acidental; os planetas são essencialmente inimigos de três formas.

Em primeiro lugar, quando seus domicílios ou exaltações são opostos um ao outro; assim, Saturno é inimigo de ambos os luminares, Júpiter de Mercúrio, e et contra, Marte de Vênus.

Dois; os planetas são inimigos um do outro quando suas temperaturas ou qualidades são opostas, e desta forma Júpiter é inimigo de Saturno, ele sendo quente e úmido e Saturno, frio e seco; assim, Marte é inimigo de Vênus, ele sendo quente e seco, ela fria e úmida.

Três; os planetas são inimigos quando suas condições são diferentes; assim, há inimizade entre o Sol e Saturno, porque um ama a Corte, o outro o Interior; Júpiter é inimigo de Marte, porque ele ama a paz e a justiça e Marte, a violência e as opressões; Marte é inimigo de Vênus, porque ele se rejubila no campo[vi], ela na cama; ele ama ser público, ela tem pouca parte na luta. Desta forma vês, por todos os aspectos, que coisa difícil é fazer, de forma racional, Marte e Vênus amigos.

A inimizade acidental dos planetas é quando eles estão em quadratura ou oposição, etc., um com o outro. Também deve haver inimizade entre os signos; pois, se o frio e o calor, a umidade e a secura não duram quando estão juntos no mesmo lugar - como teus olhos te dirão, se pegares uma panela de água e jogares ao fogo - eles não podem estar no mesmo lugar nos céus. E se isso é verdade, como é, então os signos devem ser, alguns frios, alguns quentes e alguns úmidos[vii]; um signo deve forçosamente estimar mais uma qualidade do que outra; e vendo que as primeiras qualidades são adversas uma à outra, há uma necessidade, a que algumas vezes se deve ceder, e que em outras se deve superar; e esta é a razão da corrupção, geração e vicissitude das coisas.

Além disso, a Lua, quando está em um signo, normalmente recebe a natureza do signo no qual está; por exemplo, se estiver num signo ígneo, ela agita a cólera, etc.

Também, como todo elemento tem duas qualidades, da mesma forma é cada signo celeste; os signos aéreos são quentes e úmidos, os de terra frios e secos, os ígneos quentes e secos e os de água frios e úmidos; e, desta forma, vês como esses concordantes são feitos dos discordantes, pois os signos aéreos estão unidos aos ígneos pelo calor, e pelos de água pela umidade; estes, aos de terra pelo frio; os de terra estão unidos aos de água pelo frio, e aos ígneos pela secura; esta é uma máxima antiga e verdadeira entre os filósofos, contra os quais não serei, neste momento, implicante.

Além disso, o concurso e a configuração dos planetas e das estrelas fixas devem ser analisados diligentemente; entre estes, alguns são desagradáveis e odiosos; o quartil e a oposição, como também a conjunção com os planetas ruins; outras são saudáveis, como o sextil e o trígono, e a conjunção com planetas bons; na verdade, a parte mais importante da astrologia consiste na observação diligente das configurações, pois devido a elas aparecem as alterações nas coisas abaixo[viii], tanto para melhor quanto para pior, de acordo com a natureza dos planetas ou estrelas que as significam; porque quando duas estrelas estão unidas, ou fazem aspecto um com a outra, elas determinam alguma coisa nos corpos sublunares de acordo com sua própria natureza; se houver dissensão entre as estrelas, o esperma se torna malicioso e destrutivo e tumultuoso; da mesma forma que a oposição entre os ventos, especialmente os ventos Norte e Sul, produzem o trovão, o relâmpago e os vapores pestilentos; e isso sabemos que nunca falha, se o vento Sul prevalece e se a Lua e Mercúrio se observam.

Aqui tens uma razão, se sabes o que é uma razão ou pelo menos já ouviste falar que exista algo assim, pela qual as doenças no corpo do homem são agravadas ou atenuadas de acordo com o encontro bom ou mau dos planetas.

Com relação aos aspectos, a oposição é a pior de todas, não por causa de qualquer contrariedade ou diversidade de natureza entre os signos no qual as oposições caem, mas por causa dos próprios planetas que se opõem, que, por estarem à maior distância possível, são os mais inimigos entres si, estando em posição de confrontar um ao outro, e esta é a causa principal da inimizade.

Um quartil é inimigo, porque as estrelas em um aspecto destes estão em signos de natureza contrária, como Sol em Áries, Lua em Câncer; o aspecto é odioso, porque Áries é quente e seco e Câncer frio e úmido; Áries é masculino, Câncer feminino; Áries diurno, Câncer noturno.

E agora, com a devida vênia ao meu autor, e também ao próprio grande Ptolomeu, e a todos os filhos desta Arte vivos neste dia, que constroem seu conhecimento sobre a Dra. Tradição, e não sobre os princípios sólidos da Dra. Razão; se esta é a origem da inimizade de uma quadratura, como por todo os lados se afirma:

então, porque se sustenta que um quartil em signos de ascensão longa é equivalente a um trígono, e um trígono em signos de ascensão curta é tão pernicioso quanto uma quadratura?
Faz um embrulho junto com o resto do nonsense e então olha para ele por um certo tempo; depois de teres olhado um pouco, conta-me, te rogo; as ascensões longas ou curtas acrescentam ou retiram alguma coisa da qualidade dos Signos?

Não é este o modo, o único modo, de levar a Arte a um labirinto, se não a uma confusão? Na verdade, minha opinião é essa. Isso eu afirmo, e dou meu motivo para isso após tê-lo feito: um quartil não é tão ruim quanto o outro; o quartil de Áries e Câncer é pior do que de Câncer a Libra, porque os signos Câncer e Libra estão em maior harmonia, concordando nas qualidades passivas, ou seja, na umidade, enquanto Áries e Câncer discordam completamente. Por esta regra descobrirás o resto.

Eu também sustento o seguinte, e o provarei após o ter dito: alguns semissextis são piores do que alguns quartis; Peixes é mais inimigo de Áries do que Capricórnio, em primeiro lugar porque ele é o décimo-segundo signo a partir dele; em segundo lugar, porque eles discordam mais em suas qualidades.

Um aspecto sextil é bom, porque os Signos que estão em sextil um ao outro são ambos da mesma qualidade ativa, ambos do mesmo sexo, ambos da mesma parte do dia; por exemplo, Áries e Gêmeos são ambos masculinos, ambos diurnos; Touro e Câncer são ambos frios, ambos femininos, ambos noturnos; mas, porque eles diferem nas qualidades passivas, o sextil não é, no fim das contas, tão amigável quando o trígono, porque este consiste, enfim, de signos da mesma natureza, sexo, qualidade e hora do dia, e são correspondentes um ao outro de todas as maneiras.

Uma conjunção ou sínodo é o mais forte de todos, e não pode ser chamado adequadamente de aspecto. Uma conjunção de bons planetas com bons é boa, é muito boa, é boa no mais alto grau; uma conjunção com maus planetas com maus é tão má quanto a anterior é boa; uma conjunção de bons planetas com maus planetas não é recomendável de forma alguma. Eu ressalto agora, se fores gentil o suficiente para notar, que a conjunção de todos os planetas com o Sol é ruim, porque o Sol, que os dá sua eficácia, a retira nestas ocasiões. Eu poderia ser mais incisivo neste ponto, mas me absterei por agora.

CAPÍTULO IV

O modo de encontrar os dias críticos e judiciais por uma figura de oito casas.

Este é o método de Hipócrates, e dele fazia uso Galen; ele deve ser feito desta maneira:
  1. Faz teu Mapa com oito partes iguais.
  2. Procura o signo, grau e minuto no qual a Lua estava no início da doença.
  3. Põe o signo, grau e minuto no qual a Lua estava no início da doença na cúspide da primeira casa, como se ela estivesse ascendendo no momento.
  4. Acrescenta quarenta e cinco graus a isto; não precisas levar em consideração a latitude da região, que não tem utilidade nenhuma nos Mapas Críticos, mas toma os graus diretamente da eclíptica, quando tiveres adicionado quarenta e cinco graus ao local da Lua na decumbitura; o ponto do Zodíaco que estiver lá deve ser a cúspide da segunda casa;
  5. Mais quarenta e cinco graus acrescentados te trarão a cúspide da terceira casa; quando a Lua chegar nela, fará um quartil ao local em que estava na decumbitura, e isso consistirá na primeira crise.
  6. Quarenta e cinco graus a mais acrescentados a isso fazem a quarta casa; mais 45 graus adicionados a isto mostram o local da oposição verdadeira da Lua ao local em que estava na decumbitura, e isto produz a segunda crise. O segundo quartil da Lua ao seu próprio local na decumbitura produz a terceira crise; a quarta é quando ela volta ao mesmo signo, grau e minuto em que estava na decumbitura.

Os períodos, ou as casas apontadas, entre as crises são chamados de períodos judiciais; são os momentos nos quais o homem pode julgar o que a doença é, ou o que ela será; lembra-te disto sempre nestes tipos de julgamento; e não esqueças de não contar o tempo por dias, como os antigos faziam, pois eles ignoravam ou desprezavam o trajeto da Lua; pois a Lua às vezes chega nos dias judiciais ou críticos mais cedo, às vezes mais tarde, uma vez que ela está ou mais rápida ou mais lenta no seu movimento.

Agora, o período chamado de crítico é sempre ruim, por causa da contrariedade do signo no qual a Lua está ao signo em que ela estava antes, ou por causa da contrariedade da sua natureza ao local oposto; neste período, uma controvérsia, ou batalha, por assim dizer, ocorre entre a doença e a natureza; é a Lua que mantém a natureza nas doenças agudas; e agora tens a razão pela qual, se ela estiver afligida em um dia crítico pelo corpo ou pelos raios maus de Saturno ou Marte, ou pelo Senhor da Morte (que sempre é o senhor da casa oito; às vezes Senhor da casa quatro desempenha este papel, se ele for malévolo, porque ele significa a tumba), a doença se agrava, e às vezes o doente morre; mas se a Lua no momento da crise observar o Senhor do Ascendente ou as fortunas de uma forma boa, a saúde sobrevém; pois a doença foi derrotada e destroçada no conflito.

Se a doença não terminou na primeira crise, vê como a Lua está configurada na segunda crise, e julga então, pelas mesmas regras.

Se ela não terminou em nenhuma das duas, como algumas vezes acontece, vê a terceira crise, e julga da mesma forma; se teu julgamento, equilibrado pela razão e pelas regras anteriores, te certifica de que a doença não terminará de um jeito nem de outro, nem em saúde nem em morte; vê o que podes dizer sobre a Lua quando ela retornar ao local em que estava na decumbitura, que ocorre mais ou menos vinte e sete dias e oito horas e alguns poucos minutos; e vê como a Lua está, e com quais planetas ela está configurada; e isso forçosamente deve ser o fim de todas as doenças agudas.

Assim, vês que uma doença aguda pode durar quase um mês, no máximo; menos de uma em cem dura este tempo, e nem uma em 20 dura metade dele.

Se a doença não termina então, a doença aguda se torna doença crônica; e todas as doenças crônicas devem ser julgadas pelo Sol. As regras de julgamento de doenças crônicas pelo Sol são as mesmas pelas quais julgamos doenças agudas pela Lua.

Com relação aos dias judiciais, que caem entre os dias críticos, eu devo passar por cima deles por enquanto, porque não os julgo com um Mapa de oito casas; mas eu não os esquecerei e deles me lembrarei neste tratado.

CAPÍTULO V
As regras anteriores ilustradas por um exemplo.

Um certo homem caiu doente de uma doença aguda, em Paris, França, Anno 1641, 12 de janeiro, por volta das oito horas da tarde, quando a Lua estava em 10º19' de Aquário.

Aí pus o ascendente.

A estes 10º19' de Aquário acrescentei quarenta e cinco graus; o produto é 25º19' de Peixes, que passa a ser o primeiro momento judicial;

A isso adicionei mais quarenta e cinco graus, que te levará a 10º19’ de Touro, aonde a Lua chegará quando ela fizer um quartil exato com o local onde estava na decumbitura, e será a primeira Crise.

Acrescenta quarenta e cinco graus a isto e produzirás 25º19’ de Gêmeos, que é o segundo momento judicial.

Para conheceres então quando vem a segunda crise, adiciona 45 graus a isto, e terás como resultado 10º19' de Leão; esse é exatamente o local oposto à Lua na decumbitura.
Os restantes são encontrados da mesma forma.

Quando tiveres feito isso, restará apenas o seguinte:

Em primeiro lugar, procura o momento no qual a Lua chega a 10º19 de Touro, e deves encontrar que ela o faz em 19 de janeiro, por volta das oito horas da noite. Em segundo lugar, vê primeiro a face do Céu, depois a posição e a configuração dos planetas uns com os outros no mesmo momento.

Sinopse ou visão global do Cálculo
Dias críticos
Movimento da Lua
Momento da Incidência
Estado lunar de acordo com a decumbitura, seus aspectos e os aspectos naturais dos planetas.
Decumbitura
1ºde Janeiro
D. H. M
Lua sextil Marte, apl. Vênus e Saturno; conjunção Sol, Júpiter,  Mercúrio; quadratura Sol Marte

10º19’ Aquário
12.8.0 PM
Lua vazia, sem expectativa de boa crise
1º Judicial
25º19’ Peixes
16.5.43 AM

1ª Crise
10º19’ Touro
19.8.0 PM
Quad. Marte e Lua, Lua Vazia
2º Judicial
25º10’ Gêmeos[ix]
23.2.36 PM
Lua trígono Saturno, ameaça de crise ruim.
2ª Crise
10º19’ Leão
27.5.50 AM
Lua vazia, crise ruim.
3º Judicial
25º19’ Virgem
30.3.44 PM
Lua trígono Júpiter. Se espera uma boa crise.
3ª Crise
10º19’ Escorpião
2.9.1 PM
Lua em trígono Vênus, ele se recupera.
4º Judicial
25º19’ Sagitário


4ª Crise
10º19’ Aquário




A história desta observação é de uma certa pessoa, que, por motivo de grande desgaste em uma viagem, foi surpreendida com uma febre no momento acima mencionado; junto com sua febre, ele teve tosse e pleurite: a febre passou a uma τριταιοφυἶς[x]. Eu nunca havia lido este nome em Galen, se bem me lembro; penso, tanto pela descrição de Monsieur Durats quanto pelo Mapa Celeste, que seja a mesma doença que Galen chama de καΰσος[xi].

A origem desta doença é cólera apodrecida com sangue nas veias, e é a mais violenta de todas as febres. Na noite após a decumbitura, a febre apareceu, e, embora ainda no terceiro dia todo o tremor o tenha deixado, o paciente não sentiu nenhuma interrupção da doença, estando a Lua em 10º19’ de Aquário, este sendo um signo de enfermidade, a Lua estando em sextil com Marte, se aplicando a Vênus e Saturno, Marte afligindo o Sol com um quartil, como também Júpiter e Mercúrio, que estavam em combustão.

No dia 16 do mesmo mês de janeiro, a doença aumentou, no momento em que a Lua fez uma semiquadratura, chegando ao primeiro momento judicial. Não tendo feito nenhum aspecto, a Crise esperada só poderia ser duvidosa e infeliz.

No dia 19 do mesmo mês, às oito horas da tarde, a primeira crise começou, com o pouco suadouro que a doença tinha. Se posso ousar pedir licença a meu autor por um instante, peço-te que leias os presságios de Hipócrates, que deves encontrar na parte final deste livro.

As palavras são estas: é muito auspicioso quando um homem doente de febre sua durante um dia crítico; no entanto, meu autor afirma que tanto sua tosse quanto a dor no lado do corpo deixaram o paciente, embora a febre continuasse, aliás aumentasse, devido ao quartil de Marte e Vênus ao mesmo tempo, Mercúrio sendo o Senhor do Ascendente na decumbitura. Também vale a pena notar que a Lua estava em Aquário na decumbitura e foi para Touro na primeira crise; tanto Touro quanto Aquário são signos de enfermidade; mas podes ver que a pleurite o deixou, a lua estando forte em sua exaltação, embora vazia de curso.

Eu concordo quando às enfermidades e em outras coisas com meu autor.

23 de janeiro. Quando a Lua, por trânsito, entrou no segundo momento judicial, ela estava aflita por um trígono de Saturno, que prognosticava causas suficientes para temer a segunda crise.

27 de janeiro às 5:50 da manhã, a Lua chegou à oposição verdadeira ao lugar onde estava na decumbitura, ela estando sem nenhum aspecto, bom ou mau; isso levou embora todas as esperanças de que o doente  se curasse neste momento; e, na verdade, ele estava neste momento muito ruim; sim, tão ruim que seu médico tinha dúvidas se ele ia viver ou morrer.

30 de Janeiro às 3:44 da tarde, chega o terceiro momento judicial, quando a Lua fez um trígono com Júpiter, que concede fortes esperanças que uma crise saudável e propícia iria ocorrer, o que aconteceu, pois em

2 de fevereiro às nove horas da noite, com a Lua chegando a 10º9’ de Escorpião, quando fez o segundo quartil ao lugar em que estava na decumbitura - a terceira crise - ela se aplicou a um trígono com a bela Vênus, e sua febre começou a deixá-lo, e ele começou a recuperar sua antiga saúde.

Por este único exemplo podes ver a harmonia e a concordância maravilhosas das doenças com o movimento dos Céus; para que ela apareça de forma mais clara, e de forma visível para todos, a menos para os que são tão cegos que não verão, meu autor adiciona uma figura racional da decumbitura, e dá o seu julgamento baseado nela.

Uma figura racional da decumbitura.




Um julgamento astrológico sobre a face dos Céus na decumbitura.

Os significadores principais desta figura são o Ascendente e Mercúrio, seu Senhor, retrógrado em Capricórnio, um signo móvel, na quinta casa celeste e no domicílio de Saturno.

A sexta casa está em Aquário e seu Senhor, Saturno, está na sexta casa, forte e poderoso.

A Lua está na cúspide da sexta casa; o Sol na quinta casa com o Senhor da oitava aflito por uma quadratura de Marte em um signo de fogo; tudo isso mostra de forma clara uma doença de cólera.

Júpiter, que rege o estômago, o fígado e os lados, num signo móvel na quinta casa, combusto e em quadratura a Marte, agitou uma pleurite; Mercúrio, aflito, apresentou uma tosse seca. Assim, parece que Monsieur Duret não era médico; pois se ele o fosse, saberia que uma pleurite sempre vem acompanhada de uma tosse seca; os mais excelentes entre os homens têm suas falhas.

A Lua, em Aquário, se aplicando a Saturno no começo da doença, mostra que a moléstia foi causada pela fadiga, de acordo com as doutrinas tanto de Hipócrates quanto de Hermes; mas aqui surge uma outra questão, sobre se a doença será longa ou curta. Isso pode ser respondido desta forma: o signo fixo sobre a cúspide da sexta casa aponta para a duração da doença.

Saturno na sexta casa não indica outra coisa, mas conta a mesma história.

Além disso, Saturno, Senhor da sexta, mais forte que o Senhor do ascendente, mostra um aumento violento da doença.

Vendo que Marte em um signo ígneo aflige ambos os luminares, o Sol por uma quadratura e a Lua por um sextil, podemos dizer com segurança que Saturno e Marte são os autores da doença e dividir as participações entre eles; um tornou a doença violenta, o outro a tornou continuada.

Dá-me por pouco tempo a liberdade de dar meu julgamento sobre esta Figura; quando eu a vi pela primeira vez, de relance, eu me admirei de que o homem pudesse viver, estando o Senhor do Ascendente combusto e se aplicando ao Sol, Marte se aplicando por anstiscion ao Sol, a Lua na cúspide da sexta, cum multis aliis; os únicos testemunhos que encontrei de vida foram os seguintes:
1 – Saturno e Marte estão ambos fortes; nenhum deles é o Senhor da Morte, embora ambos se apresentem como inimigos poderosos, capazes de ferir seus desafetos, mas desdenhando fazê-lo; embora sejam inimigos da vida, são inimigos honrados, porque estão fortes.

2 – A Lua não se aplica imediatamente a Saturno, mas ao corpo de Vênus, que é a Senhora da décima casa, o que mostra que a doença pode ser curada pelo médico, se houver um médico sábio à mão.
3 – Há uma recepção entre o Sol e Marte, o que amarra a espada de Marte e evita que ele mate.
4 – Vênus embeleza a significação da sexta casa, quase tanto quanto Saturno a deforma.
5 – Nem Saturno nem Marte observam o Ascendente, o que é bom.
6 – A doença surgiu porque o próprio paciente se desencaminhou, porque o Senhor da décima-segunda e do Ascendente estão juntos.
7- A Lua se aplica a uma fortuna que tem triplicidade no Ascendente, embora em uma casa má.
8- Tenho confiança de que o homem viajará mais uma vez assim que melhorar; primeiro, porque Marte, o senhor do fim, está perto da casa das viagens na decumbitura; em segundo, porque a Lua se aplica à Senhora da terceira Casa na decumbitura, que é Vênus.



[i] Provavelmente a citação de Ibn Ezra termina aqui.
[ii] Não é erro tipográfico. No original, “piss prophets”.
[iii] Transcrevi o mais parecido que consegui. No entanto, não entendo grego, o original está muito ruim e as versões que encontrei na internet não mencionam a expressão original.
[iv] A analogia está, obviamente, mal formulada.
[v] Pneumonia.
[vi] de batalha.
[vii] e alguns são secos, é claro..
[viii] ou seja, nas coisas da Terra.
[ix] Provavelmente, um erro tipográfico. O certo seria 25º19’ de Gêmeos.
[x] Provavelmente, τριταιοφυής, relacionado à febre terçã, de acordo com o trecho abaixo. Agradeço ao astrólogo Peter Stockinger pela ajuda com esse termo.
[xi] Um tipo de febre ardente.

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