quarta-feira, 6 de julho de 2011

zodíaco sideral e tropical por Ciril Fagan


Vou fazer meus comentários em azul.
Este rico texto de Cyril Fagan ilumina um debate antigo entre a origem do zodíaco sideral (das constelações) e o zodíaco tropical (dos signos).
A Astrologia que nos estudamos, chamada de Astrologia tropical ocidental trabalha com os signos zodiacais, que partem do ponto vernal do equinócio de primavera para o hemisfério norte. Este ponto é determinado pela relação Sol – Terra, e tem um movimento de retrogradação em relação as constelações ou as estrelas fixas.
A Astrologia sideral trabalha com as constelações zodiacais que foram definidas pelos primeiros astrólogos mesopotâmicos e egípcios em torno do ano 2 mil a. C. Ninguém tem a mínima idéia de onde eles definiram esta divisão da faixa zodiacal sideral.
Cyril Fagan defende o uso do zodíaco sideral, enquanto muitos astrólogos defendem o zodíaco tropical. A maioria dos astrólogos brasileiros usa o zodíaco tropical.
Como Fagan explica no final de seu artigo é muito fácil passar um mapa tropical para sideral considerando o ayanamsa. Todos os programas de astrologia fazem.
Mas adiante depois que estudemos os signos vamos entrar um pouco mais no zodíaco sideral.
O importantíssimo texto Tetrabiblos de Ptolomeu que o Cyril Fagan menciona tanto no seu artigo o temos no blog de textos e artigos de astrologia
Vale a pena ler. Daqui a duas semanas vamos falar muito nele.

Cap II O zodíaco sideral
De Cyril Fagan, traduzido por Adriana Feitosa e comentado por Hector Othon

Todo astrólogo sabe que o Tetrabiblos (“quatro livros”), atribuído a Cláudio Ptolomeu (nascido em Ptolemaica, no Egito, em data desconhecida) escrito entre 100 e 178 d.C., provavelmente em 139 d.C, é ainda hoje a ‘bíblia’ da astrologia no mundo ocidental. Quase todas as regras e aforismos astrológicos consolidados provêm ou derivam dele. O livro foi dedicado pelo autor a uma pessoa, Sirius, que ninguém parece saber quem tenha sido. Na época que o Tetrabiblos foi escrito, a astrologia já vinha florescendo na Grécia, em Roma e no mundo helênico por alguns séculos.
Antes de Ptolomeu, havia muito poucos autores gregos e romanos, tais como Vettius Valens, autor de Antologia; Manetho (nascido em 28 de maio de 80d.C.), autor de Apotelesmática; Bilbillus e Antígono de Nicácia, Aristides e Criodemo, isto sem mencionar o legendário Petosiris e Nequepso. Enquanto isso, em Roma, encontramos Manitius escrevendo o seu Astronomicon durante o reinado do Imperador Tibério.

Ptolomeu diz em Tetrabiblos (1,10):
“por esta razão, apesar de não haver um começo natural para o zodíaco, por ser um círculo, eles presumem que o signo que começa com o equinócio vernal seja o seu ponto inicial.”
O pronome eles nesta citação parece se referir a Posidônio de Apaméia (discípulo de Hiparco) e sua escola que, de acordo com Bouche-Leclerq, foram os primeiros a inventar a versão moderna do zodíaco tropical com o ponto vernal equinocial permanente e fixado no começo de Áries, em 0 Áries.
Discípulo de Hiparco, Posidônio parece ter nascido em 130 a.C. , morrendo em 51 d.C. Filósofo estoico e autoridade em etnologia astrológica, ele foi um grande viajante e o autor de cerca de 50 trabalhos, que cobriram uma vasta gama de assuntos científicos, além de ter contado com Geminus e Cícero como seus discípulos.
O tratado de Hiparco, acerca da precessão (metaptose) dos equinócios – não sobreviveu ao tempo – foi discutido por Ptolomeu em Almagest (grande trabalho), livro 2, capítulo 2 e livro 7 capítulos 1,2 e 3. Muitos astrônomos, por exemplo, Montuela, Bailly, Delambre, Vince, Woodhouse, Whewell, Martin, Ball, Newcomb, Young e Berry tomaram o título do tratado ao pé da letra, ou seja, que Hiparco realmente descobriu a precessão dos equinócios. Porém outros, como o próprio Ptolomeu, Copérnico, Riccioli, Gregório, Waidler, Laplace, Lalande, Long, Narrien, Arago, Hoeffer, Flammarion e Wolf concluíram, não obstante o título do tratado, que Hiparco e Ptolomeu estavam totalmente convencidos que eram as estrelas fixas que precedem e não o ponto equinocial que retrograda e, num discurso brilhante lido  diante da sociedade real de Dublin em 13 de maio de 1901, Maxwel Close demonstrou que a última afirmação estava indubitavelmente correta. O título do tratado não é mais literalmente preciso do que o de um astrônomo que escreve um tratado sobre o cálculo do nascer do sol, mesmo sabendo muito bem que a ascensão do sol é apenas aparente e que o verdadeiro movimento é o da rotação para baixo do horizonte oriental.
Este assunto é de suma importância para o nosso estudo da evolução do zodíaco moderno. Uma vez que o ponto vernal perpetuamente ascendia no leste e descendia no oeste, no ponto onde os gregos chamaram de oitava esfera ou esfera rotativa, os antigos (ligados ao ponto vernal) estavam convencidos, ainda mais depois do descobrimento do fenômeno da precessão – que os pontos equinociais e solsticiais eram os únicos pontos fixos no firmamento, daí nenhum zodíaco poderia ser válido a menos que se fixasse em um deles. E esta convicção mantida até Copérnico, no século 17, expõe o que é agora conhecido como o sistema Copérnico, em contraposição ao sistema ptolomaico, quando ele descobriu que era a terra que gira em torno do sol e não o contrário.
Consequentemente, portanto, são os pontos equinociais e solsticiais que estão regredindo, e não as estrelas fixas precedendo. Esta descoberta que marcou época soou como a morte do sistema tropical, mas poucos astrólogos aceitaram o seu fim.
Apesar de mais de dois terços dos quase 180 horóscopos gregos que sobreviveram até hoje serem anteriores à época ptolomaica, e o outro terço ter vindo aos dois séculos subsequentes, quase nenhum deles foi computado como pertencente ao zodíaco de Ptolomeu ou Posidônio. Pelo contrário, virtualmente todos eram computados em termos do que hoje é conhecido pelos cientistas como sistema A e sistema B. Apesar de originariamente sideral, ambos estes zodíacos eram tropicais. De fato todos os zodíacos gregos, e havia muitos deles, eram tropicais. Porém no sistema A, o ponto vernal era fixado em 10 áries, enquanto que no sistema B, ele era fixado em 8 Áries. O mais popular de todos os zodíacos gregos era o sistema B, e de acordo com o professor Otto Neugebauer, “ele floresceu...na idade média”. Antes da inauguração desses sistemas, havia um zodíaco tropical cujo ponto vernal era fixado em 12 Áries e outro ainda em 15 da constelação de Áries. Aquiles Tatius escreveu (no terceiro século d.C.):
“alguns colocam os trópicos no começo, outros, no oitavo grau, aproximadamente, outros, no décimo segundo, outros ainda no décimo quinto da constelação de Áries” (isag 23)oHoHh
Então por que havia tantos zodíacos tropicais na Grécia antiga competindo entre si por popularidade? Como eles surgiram? De acordo com J.K. Fotheringham, leitor de astronomia e cronologia antiga na universidade de Oxford,  o grande evento no desenvolvimento da astronomia exata na Grécia foi o envio de tábuas babilônicas de observação por Calistenes, a pedido de seu tio, Aristóteles. Como a babilônia caiu nas mãos de Alexandre em 331 a.C. e Calístenes foi executado em 327 a.c., a data deste evento é conhecida com exatidão (observatório, outubro de 1928).
Entre aquelas e outras tábuas babilônicas descobertas subsequentemente, havia tábuas soli-lunares atribuídas aos astrônomos babilônicos e naburianos (naburiannu). Aqui o ponto vernal foi colocado em 10 Áries, enquanto que as de inedas (kidinnu) mostram-no em 8 Áries. Como Naburianos e Cidenas figuravam, e ainda o fazem, dentre os maiores astrônomos de todos os tempos, os gregos avidamente aceitaram estas tábuas , desenhando  zodíacos cujo ponto do equinócio vernal se fixavam entre 10 ou 8 de Áries , de acordo com sua preferência por Naburianos ou Cidenas.  Sabe-se que as tábuas de Naburianos datam de 508 a.c. Época em que o ponto vernal do equinócio  estava de fato em 10 áries do zodíaco fixo ou sideral (a ser discutido ) e que as tábuas de Cidenas datam de 373a.c.,  data em que a longitude sideral do ponto vernal estava de fato a 8 de Áries. Acreditando piamente que o ponto vernal do equinócio estava absolutamente fixado nos céus, os astrônomos gregos se confrontavam com um problema, pois em sua opinião Naburanos e Cidenas não poderiam, ambos, estar corretos. A maioria dos astrônomos e astrólogos gregos favoreceram a opinião de Cidenas, que corresponde ao sistema B cujo ponto vernal está fixado absolutamente em 8 Áries. Este era o zodíaco de Manetho, Manillius, Firmicus, Matemus, Vettius Valens, dentre muitos outros.

Zodíaco de Denderah
Este também foi o sistema empregado pelos famosos zodíacos circulares e retangulares dos templos egipto-romanos em Denderah e calculado para 17 de abril em 17 d.C.

Tabuas cuneiformes
Ao final do século 19 e início do 20, uma grande coleção de tábuas cuneiformes babilônicas foram escavadas da magnífica biblioteca astrológica de ashur-bani-pal (668-626 a.c.) em Nineveh, enquanto que muitas outras foram encontradas em outros sítios onde na região da antiga mesopotâmia. Tratam-se tábuas de observação, de previsão e tábuas lunares, além de tábuas de Júpiter e de estrelas fixas, almanaques babilônicos, efemérides e afins, muitos deles datados de 3.000 a.c.,que passaram pelo crivo de estudiosos e cientistas internacionalmente  conhecidos do calibre de Epping, Kugler, Weidner, Shaumberger, Rehm,  Schoch, Neugebauer, Ssachs, van der Waerden, e muitos outros. Na verdade a literatura sobre este assunto é considerável e pode apenas ser tocada de leve aqui.

Os antigos egípcios e mesopotâmicos usavam o zodíaco sideral
Estudando estas tábuas descobriu-se que as longitudes como dadas nas tábuas não tinham sido calculadas a partir dos equinócios e dos solstícios. Em outras palavras, elas não eram tropicais, e sim calculadas a partir de estrelas fixas. Portanto os zodíacos dos antigos babilônicos como também os dos egípcios – uma vez que as tábuas demóticas de Stabart e o papiro de Berlim p8279 estão nesta mesma categoria – eram essencialmente siderais ou  “estelares”, o que equivale dizer que o zodíaco foi calculado a partir de estrelas fixas e não de pontos equinociais em constante movimento.
Quando todas as longitudes foram reduzidas à época 101 a.c. (-100 a.c), viu-se que o ayanamsa médio, ou seja, a diferença em longitude entre os zodíacos tropicais e siderais modernos, para aquela época, era de 4.3º,  sendo que o erro médio para uma observação simples era de 0.6. Porém, com a posterior descoberta de mais material, esta margem de erro foi bastante reduzida. Isto prova que os egípcios e os babilônios mediam suas longitudes a partir das plêiades em 5º de Touro, Aldebaran em 15º Touro, Regulus em 5º Leão, Spica em 29º virgem e antares em 5º de Escorpião.  Estas estrelas de referência ficaram conhecidas como “fiduciais”.
Os astrônomos tem grande admiração pela surpreendente exatidão dos cálculos e tabelas babilônicas.
“posso dizer sobre que os babilônios, persistentes observadores do crescente por 3.000 anos, que, não apenas suas observações, como também no cômputo de suas efemérides , são admiráveis. (carl Schoch, as tábuas de vênus de Ammizaduga.
Outros dizem o mesmo. Ainda que o cálculo dos equinócios e dos solstícios estavam errados em o equivalente a 5 dias! (veja em “a tabela de solstícios de Uruk” de o. Neugebauer  em jornal de estudos cuneiformes, 1, 1947) a razão para isso é que, diferente dos gregos, que davam muita importância para a exata determinação de suas datas, os babilônios consideravam as estimativas de tempo de importância secundária,  meramente utilizando-as para calcular a duração do dia (alvorecer e crepúsculo), onde um calculo aproximado bastava. Este fato, por si só, prova que o zodíaco babilônico não poderia ter sido tropical.

Primeiro zodíaco, o zodíaco babilônico sideral
A prova de que o zodíaco babilônio era o zodíaco astrológico sideral original foi estabelecida em 14 de maio de 1949, quando o mistério da origem dos graus da exaltação tradicional dos planetas (hipsomata) foi resolvido. Estas figuras provaram ser siderais e as longitudes dos planetas em sua ascendência e descendência heliacal para o ano lunar de 786 a.C. Quando o valor médio de ayanamsa era de 14.5 graus. Isto, reduzido para a época (-100) 101 a.C. Igualava-se a 4.6, concordando, portanto, com o que foi determinado nos escritos egípcios e babilônicos. (Vide Fagan’s zodiac, old and new, 1950 e the astrologer’s zodiac in search, outono 1959). O simples fato de que o ayanamsa  para o hipsomata tenha concordado com aquele dos escritos antigos, confere um selo de autenticidade à descoberta de um zodíaco sideral de referencia que se manteve no tempo.

Primeiros horóscopos existentes no mundo
Apesar do horóscopo mais antigo existente no mundo, em termos de zodíaco sideral, ser o da inauguração da era sótica , 16 de julho de 2767 a.c. em Heliópolis , Egito, no ascendente heliacal de Sirius ( vide “the symbolism of the constellations, Morey series n. 6 pág. 42), os mais velhos horóscopos natais existentes são as seis cartas natais babilônicas examinadas pelo professor A. Sachs,  na Brown University, em Providence, Rhode  Island. (vide horóscopos babilônicos , jornal de estudos cuneiformes vol. Vi n. 02) o mais antigo desses seis horóscopo tem data de 29 de abril de 410 a.c.  E o  último é de 1 de março de 142 a.C. Quando comparados com os cálculos das tábuas modernas, percebeu-se que as longitudes dos planetas registradas, estavam de acordo com o zodíaco sideral (vide “American Astrology, janeiro , 1956).
Coincidentemente, o “horóscopo” grego mais antigo foi o da coroação de Antiochus I de Commagene. Ele toma a forma de uma colossal projeção de um leão no cume de Nimrod Dagh, a 7 mil pés acima do nível do mar na latitude de touro. Ao lado das 19 estrelas fixas de leão também estão representados Lua, Júpiter, Mercúrio e Marte. O professor Otto Neugebauer mostra que tal agrupamento corresponde à conjunção de Júpiter, Marte, Mercúrio e a Lua que ocorreu em leão, de acordo com:
“ as normas eudóxias ou mesopotâmicas (babilônicas) para o signo de leão (vide “greek horoscopes de  o. Neugebauer e H.B.Van Hoesen, 1959)
Considerando-se a localização, não precisamos hesitar em acreditar que se tratou da última.

Continuando as argumentações que levam ao primeiro zodíaco sideral padrão.
Será útil aqui, fornecer a longitude média sideral do ponto vernal para os seguintes séculos:
Ano                  Áries
-100                  4° 27’
0                  3° 04’
100 d.C.         1° 41’
200d.C         0° 18’
Os estudiosos estimam que o Almagest e Tetrabiblos tenham sido escritos por volta de 139 d.C., no período em que a longitude média sideral do ponto vernal era 1 Áries 09. Porém Vogt determinou que a longitude do ponto vernal de Ptolomeu estaria errada em 1°15’ (vide versuch einer wiederherstellung von hipparchs fixsternverzeichnis de vogt, 1925). Isto significa que quando o Tetrabiblos foi escrito, havia apenas uma insignificante diferença de  -0°6’ entre o zodíaco sideral e o de Ptolomeu. Então para todos os efeitos e propósitos, o zodíaco do Tetrabiblos é completamente sideral! Muitos capítulos podem ser citados para dar suporte a esta argumentação, tais como II, 3; II 7; III, 16; IV, 5; IV 9, onde os signos zodiacais e as constelações zodiacais são consideradas juntas. Ptolomeu fala sobre os efeitos de “... partes posteriores de Áries e leão, o aguadeiro, a face de capricórnio, a cabeça de Górgona em Perseu, Cepheus e Andrômeda, etc. Como estas constelações se moveram, devido à precessão, longe da posição que ocupavam no zodíaco tropical nos dias de Ptolomeu, fica claro que este astrônomo antigo, nunca contemplou tal eventualidade, de outra forma ele teria dado instruções para as futuras localizações. Ele estava pensando apenas em termos de zodíaco sideral.
Há uma passagem que nos traz isto: ele diz que o sistema de casas é da seguinte natureza:
Determinação da regência do signo de Leão e Caranguejo
Dos doze signos, os mais ao norte – os mais perto do zênite do que os outros e, portanto os mais produtivos em termos de calor – são caranguejo e leão. Eles designaram estes para os maiores e mais poderosos dos corpos celestes, isto é, para os luminares, como “casas”. Leão, que é masculino, para o sol e caranguejo, que é feminino, para a lua. (Tetrabiblos I 17)
De volta ao zodíaco tropical, as constelações de caranguejo e leão, tomados como um par nunca foram as mais ao norte (no solstício de verão) das 12 constelações, ou as mais próximos do nosso zênite, e nem o são agora. No hemisfério norte, o sol se encontra mais ao norte, mais próximo do zênite, quando está a 30º do signo de gêmeos ou zero de caranguejo – que quer dizer a mesma coisa.  Daí, no zodíaco tropical, gêmeos e caranguejo são os signos mais ao norte e sempre o serão neste zodíaco.
Ptolomeu era um astrônomo grande demais para cometer um erro como este, ele não poderia, absolutamente, estar se referindo ao zodíaco tropical. De fato é incerto que ele soubesse de tal zodíaco, apesar da sua afirmação de que o zodíaco começava pelo equinócio vernal em Áries, especialmente porque, em sua época, o zodíaco sideral também começava com o equinócio vernal, no início de Áries. Na época de Ptolomeu o ponto zero do zodíaco sideral coincidia com o ponto zero do zodíaco sideral. Então nos devemos concluir que, se não estava se referindo ao zodíaco tropical, ele deve ter se referido ao sideral.
No zodíaco sideral, caranguejo e leão eram as constelações mais ao norte e os mais próximos ao zênite (no momento do solstício de verão) em 1955 a.C. – no começo da era de Áries, quando o solstício de verão ocorreu com o sol no último grau da constelação de leão. Nesta conexão, nota-se que Ptolomeu especificamente diz “eles presumem”, mas não informa quem eram “eles”. “Eles”  podem não ter sido Hiparco, Posidônio ou Geminus, já que estes astrônomos vieram mais tarde. Tampouco podem ter sido os sombrios Nequepso ou Petosiris, mencionados pelos estudiosos com sendo dos séculos IV ou V a.C. “Eles” portanto, devem ter sido os astrólogos que floresceram no segundo milênio a.c.  Tal inferência teria condições de fornecer uma pista quanto a data da formação das regências relativas às doze constelações zodiacais, a menos , é claro, que as regências tenham sido delineadas em retrospectiva.
Parece copiosamente evidente pelo que se coloca à nossa frente, que Cláudio Ptolomeu foi um astrólogo sideral e que o Tetrabiblos foi uma obra sobre astrologia sideral. Foi uma tragédia de grandes proporções que suas palavras a respeito do início do zodíaco tenham sido mal interpretadas nos séculos que se seguiram. O Almagest e o Tetrabiblos são as únicas autoridades para o zodíaco tropical moderno, agora infelizmente, o zodíaco padrão para o mundo ocidental.

Proposta de Cyril Fagan de adotar o zodíaco sideral
O propósito dos cálculos incorporados neste livreto é tornar possível que o leitor retifique este infeliz erro de interpretação eliminando toda a precessão que foi acumulada desde o “ano zero” de 221 d.C.  de forma a restaurar os signos do zodíaco ao seu lugar corretos dentre as estrelas fixas. Muitos astrólogos descobriram sozinhos que a data dos trânsitos torna-se precisa apenas quando a precessão que foi acumulada desde a data base é eliminada.
Mas esta é uma prática parcial e matematicamente questionável, já que a precessão é inerente ao zodíaco tropical e, sofrer tal expurgo, mesmo que parcial é inadmissível. Além disso, tais expurgos tornam-se cada vez mais desnecessários quando se opera num zodíaco sideral ex-precessional. É, no entanto, no cálculo das revoluções solar e lunar que os efeitos da precessão tornam-se aparente. Por exemplo, quando se faz um cálculo do mapa de um homem de 60 anos , a diferença em tempo entre o retorno do sol e o lugar que ele ocupava no momento do nascimento tanto no zodíaco tropical e sideral pode ser equivalente a aproximadamente 21 horas,  com uma consequente diferença na longitude da Lua e nas posição dos planetas nas casas. Numa proporção menor, o mesmo acontece com a diferença em tempo entre o retorno sideral e tropical da Lua.
Foi durante o ano de 1957 que Garth Allen, o astrólogo brilhante e astrônomo amador dos EUA, fazendo experiências com o ingresso solar e lunar nas constelações ‘cardinais’ siderais, descobriu que estas tabelas, de forma surpreendente e convincente, explicavam as maiores calamidades que tinham ocorrido na sua operação. Terremotos, incêndios, acidentes, naufrágios, etc.  Mas, quando ele progrediu para as datas das calamidades, achou tudo levemente inexato - o erro médio era equivalente a um aumento de 0°06’05” na longitude sideral então adotada do ponto vernal,  determinado a partir de Spica a 29 Virgem considerando o movimento apropriado. Em suma, para a época  1950. Ele propôs como longitude média do ponto vernal, 335° 57’28.64” desconsiderando o movimento apropriado. Este novo ponto fiducial foi nomeado por ele como o ‘Ponto Vernal Sinético’( S.V.P  Synetic Vernal Point, em inglês) e, desde então vem sido adotado por sideralistas. (vide American Astrology, maio de 1957)

Capítulo III
Conversão do Mapa Tropical em Sideral
A vasta maioria dos horóscopos calculados no mundo ocidental parte da versão moderna do zodíaco tropical.
Catálogo estelar de Hiparco -139 a.C. Surgimento do zodíaco tropical
Hiparco, quando calculou o seu catálogo estelar desenhou a posição das estrelas fixas a partir dos pontos equinociais e solsticiais para o ano de 139 a.C. aproximadamente, e Posidônio aparentemente melhorou esta ideia fazendo o  zodíaco, como um todo, começar com um ponto vernal fixo a 0 Áries. Este foi o nascimento do horóscopo tropical.

Hipótesis de Cyril Fagan de erro de Ptolomeu
Antes de Hiparco, isto não existia, o zodíaco tropical foi uma inovação grega. Como já explicado, no momento em que o Tetrabiblos foi escrito, o ponto vernal tinha retrogradado para o começo antigo do zodíaco fixo egípcio - babilônio. Então Claudio Ptolomeu, muito naturalmente e bastante exato para o seu tempo, no segundo século a.C., afirmou que o zodíaco começava pelo ponto equinocial. Infelizmente os seus seguidores e tradutores, não entendendo a real situação, tomaram a afirmação de Ptolomeu erroneamente e fizeram com que o zodíaco de Posidônio (zodíaco tropical) se tornasse mais popular.
O zodíaco tropical começa pelo ponto vernal equinocial (primavera) que tem movimento retrógrado ao longo da eclíptica a razão de 1° de longitude a cada 71,5 anos. Como o ponto vernal da primavera é retrógrado, assim também é retrógrado o zodíaco tropical, como um todo. Este movimento é conhecido como a precessão (ou, mais corretamente, regressão) dos equinócios. Por isso o zodíaco tropical ficou conhecido como o zodíaco móvel, porque está se movendo constantemente contrário à ordem das constelações zodiacais. Ele também é reconhecido como o zodíaco precessional.
Zodíaco sideral
Por outro lado, o zodíaco sideral “estelar” que, desde tempos remotos foi o zodíaco dos Egípcios, dos Babilônicos, dos Assírios e dos Caldeus, para todos os efeitos, se apoiava nas estrelas fixas, e consequentemente, não se move e não segue a precessão.
Aproximadamente no ano de 221 d.C., quando o zodíaco tropical tinha retrogradado para a precisa conjunção com a sua contraparte sideral, os dois zodíacos se correspondiam, ou seja, não havia diferença entre eles.

Movimento do ponto vernal até a atualidade. Ayanamsa.
“Porém, desde o ‘ano zero’, o zodíaco tropical continuou a se mover no sentido contrário ao das estrelas fixas, de tal forma que no ano de 1963, a divergência entre eles era de 24°13’10”. Tal divergência, ou diferença entre o começo dos dois zodíacos, é tecnicamente conhecida pela palavra sânscrita ayanamsa.
As longitudes do Sol, Lua, planetas e estrelas fixas, etc, no zodíaco tropical, são conhecidas como longitudes tropicais, enquanto que no zodíaco estelar, são chamadas de longitudes siderais.
A ayanamsa de uma data é calculada subtraindo a longitude sideral do ponto vernal para a mesma data, de 360 o SVP de Garth Allen – Escola de Astrologia Sideral Ocidental Fagan-Bradley)
O Ponto Vernal Sideral SVP é a longitude sideral do 0º de Áries tropical ou do ponto vernal.
Incidentalmente, deve-se lembrar de que a longitude tropical do SVP é sempre 0 Áries. Do ano de 221 d.C. em diante o ayanamsa pode ser encontrado simplesmente subtraindo-se o valor numérico do  SVP de 30°. Por exemplo, para a 0 hora U.T de 1 de janeiro de 1963 a longitude sideral do SVP era 5°46’49,62” da constelação de Peixes. Vamos subtrair de 3o.
+30 00 00,00
 -05 46 49,62
                        =       24 13 10,38  Ayanamsa

Para acertar a longitude sideral, simplesmente subtraia a ayanamsa da longitude tropical. Assim a efeméride tropical para 1963 dá a longitude do Sol à 0 hora U.T. de 1 de janeiro de 1963 como 8° Capricórnio 49’ 21”. Agora vamos encontrar o equivalente sideral:

Longitude tropical do Sol:    Capricórnio   08 49 21
Subtrair ayanamsa 1/1/1936:                    - 24 13 10
                                                                        = 14 36 11  de Sagitário
Uma forma mais rápida de adicionar o valor numérico do SVP é mentalmente reduzir um signo (30°)
Longitude tropical do Sol       Capricórnio   08 49 21
Adicionar o valor SVP                    +                 05 46 50
Deduzir um signo                  =  Sagitário         14 36 11
(note que aqui omitimos os decimais de um segundo)
O SVP também pode ser encontrado em muitas efemérides.
Para se converter um mapa astral tropical em sideral, o ayanamsa para a data do horóscopo deve ser deduzido de TODAS as longitudes, incluindo as cúspides das 12 casas. A precessão é sempre negativa, o que acontece é que se subtraindo o ayanamsa ou adicionando o SVP, estamos cancelando do horóscopo tropical, toda a precessão acumulada desde 221 d.C.

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