sábado, 13 de agosto de 2011

Índice, Glossário, Introdução a Astrologia no Mundo de Peter Marshall


Uma visão histórica para entender melhora personalidade humana

Tradução de ANGELA MACHADO
Título original inglês:
WORLD ASTROLOGY
Copyright © 2004 by Peter Marshall

Para Skipper Atman uma estrela cadente

(...) Ou deixem que a minha lamparina na hora da meia-noite
Seja vista em alguma torre alta e solitária
Onde poderei observar a Grande Ursa,
Com o três vezes grande Hermes, ou alcançar
O espírito de Platão para desvelar
Quais mundos, ou quais vastas regiões encerram
A mente imortal que previu
A sua mansão neste abrigo carnal;
E sobre aqueles demônios que são encontrados
No fogo, no ar, nas enchentes ou debaixo da terra,
Cujos poderes têm a aquiescência
De um planeta ou elemento.
JOHN MILTONIl Penseroso (cerca de1631)

Sumário
Capa - Orelha - Contracapa
Encarte de Ilustrações, 466
Agradecimentos, 13
Glossário, 15
Introdução, 29

PRIMEIRA PARTE
Pilares do Destino: China
1 Dentro da Boca do Dragão, 37
2 O Cão e o Tigre, 45
3 O Caminho e a sua Virtude, 53
4 Observando o Infinito, 63
5 Assim como É em Cima, E Embaixo, 73
6 O Templo do Céu, 79
7 Os Quatro Pilares do Destino, 85
8 Conhecer Todas as Coisas, 99
9 Vento e Água, 105
10 Casa Estelar, 115

SEGUNDA PARTE
O Senhor da Luz: Índia
11 A Sabedoria dos Céus, 131
12 Olhos que Vêem Longe, 141
13 A Roda da Vida, 153

10 

14 A Família dos Planetas, 163
15 Mansões Lunares, 179
16 Yogastrologia, 189
17 Crise e Salvação, 197

TERCEIRA FARTE
Mistérios do Deserto: Mesopotâmia e Egito
18 Nas Águas da Babilônia, 207
19 Faça-se a Luz, 219
20 A Imagem do Céu, 229
21 O Retorno da Fênix, 239
22 O Horóscopo da Eternidade, 249

QUARTA PARTE
Estrelas Cadentes: Impérios Grego, Romano e Islâmico
23 A Harmonia das Esferas, 261
24 A Imagem Mutante da Eternidade, 269
25 O Mundo Helênico, 279
26 A Poesia das Estrelas, 289
27 O Ambiente, 299
28 Miriogênese, 307
29 Os Astrólogos do Oriente Médio, 315

QUARTA PARTE
A Via Láctea: Europa
30 No Início da Luz, 331
31 Renascimento, 345
32 A Nova Astronomia, 359
33 A Nova Astrologia, 367

11

34 A Psicologia da Antigüidade, 373
35 Ciência ou Superstição? 387
36 Questões não Resolvidas, 401
37 Juntando os Fios, 409
38 A Era de Aquário, 421
Notas, 425
Bibliografia Selecionada, 447
Índice Remissivo, 457

Glossário
ASTROLOGIA CHINESA
Chi: energia cósmica.
Ch'ien: trigrama criativo associado ao verão, ao Sul, ao fogo e ao céu.
Elementos: são cinco elementos, cada um regido por um planeta visível: água
(Mercúrio), metal (Vênus), fogo (Marte), madeira (Júpiter) e terra (Saturno).
Feng shui: literalmente, "vento e água". A arte ciência de criar um local de
habitação no cenário para os vivos os mortos. Arruma o ambiente para ampliar o
fluxo do chi.
H'sun: trigrama do vento gentil associado ao fim do verão, ao Sudoeste e à madeira.
I Ching: O livro das mutações, texto de divinação muito antigo e respeitado.
K'an: trigrama perigoso associado ao outono, ao Oeste, ao metal e à Lua.
Ken: trigrama da montanha associado ao início do inverno, ao Noroeste e à calmaria.
K'un: trigrama receptivo associado ao inverno, ao Norte, à água e à criação.
Li: trigrama aderente associado à primavera, ao Leste, à madeira e ao Sol.
Lo Pan: bússola utilizada pelos praticantes de astrologia e feng shui.
Lo Shun: quadrado mágico, diz-se que foi descoberto no casco de uma tartaruga.
Sha: chi não saudável, literalmente "vapor nocivo".
T'ai Chi: O Grande Final.
Tao: indefinível. O mais próximo seria "O Caminho". O Tao se divide nas forças
complementares do yin e yang, são encontradas em todos os seres.
Trigrama: figura fundamental formada por três linhas utilizada para formar os
hexagramas octogonais que dizem ser os blocos de construção de todas as coisas.
Utilizada no I Ching, o livro das divinações. A linha superior do trigrama representa o céu; a do
meio, a humanidade; e a linha inferior, a terra.

16

Tui: trigrama do lago associado ao início do verão, ao Sudeste, ao metal, à alegria.
Yang: uma das duas forças opostas, porém complementares, que formam o universo.
Associada à luz, é positiva, criativa, e representa a energia masculina.
Yin: associada à escuridão, é negativa, receptiva, e representa a energia feminina.

ASTROLOGIA INDIANA
Artha: propósito ou objetivo na vida.
Atmã: Self na filosofia hindu.
Ayanamsha: a "parte do movimento"; a diferença em graus causada pela precessão
dos equinócios entre a posição de 0° de Áries nos sistemas zodiacais sideral (indiano) e
tropical (ocidental). Também conhecido como Distância Precedente.
Ayurveda: a antiga ciência védica da medicina ainda praticada na Índia.
Bhava: literalmente, uma "maneira de ser"; a casa de uni mapa astrológico.
Brahma: o primeiro deus da trindade hindu, que personifica o poder da criação. Os
outros são Vishnu, o Preservador, e Shiva, o Destruidor.
Buddhi: o intelecto.
Carma: "ações". Na religião e filosofia hindus: as ações passadas que influenciam o
destino da pessoa no presente ou no futuro.
Chacra: "roda"; nome para o mapa de nascimento.
Chacras: centros de energia no corpo.
Chandra: o "Refulgente"; a Lua.
Chandra lagna: mapa mostrando a Lua como ascendente.
Dashas: direções, períodos planetários.
Dharma: intraduzível; descrito de várias maneiras como lei cósmica, reta conduta,
religião, a maneira como as coisas são, modo de vida.
Gochara: trânsitos dos planetas.

17

Graha: literalmente, "aquele que agarra, que se apodera"; palavra sânscrita usada
geralmente para um planeta.
Gunas: "tendências" ou "qualidades", os três aspectos fundamentais da mente e da
existência consistindo de sattva, bondade, pureza, verdade; rajas, paixão, ação; e
tatnas, apegos, escuridão.
Jyotish: nome sânscrito para a astrologia védica. Originalmente, o estudo dos corpos
celestes abarcando a astrologia, a astronomia e a matemática.
Kalapurusa: "Homem-tempo", ser cósmico cujo corpo é representado pelos signos do
zodíaco e cujas emoções são simbolizadas pelos planetas.
Kali Yuga: a era atual, quarta era, equivalente à Era do Ferro dos gregos.
Kama: paixão ou desejo.
Karaka: indicador.
Kendra: casas cardinais.
Ketu: nodo sul da Lua.
Kundalini: energia poderosa dentro de nós simbolizada por uma serpente enrolada.
Lagna: "aquilo que encontra"; entre várias traduções, o momento do nascimento, o
Ascendente, o horóscopo.
Manas: a mente.
Mantra: som sagrado repetido na meditação.
Manuyuga: seqü.ncia de quatro yugas, avaliada em 311.040.000 anos. Quatorze
Manuyugas formam o ciclo completo equivalente a um dia na vida de Brahma.
Moksha: liberação, iluminação.
Mooltrikona: "triângulo raiz", uma posição em que os planetas ficam fortes.
Nakshatra: mansão lunar, isto é, uma das 27 ou 28 constelações que a Lua parece
atravessar a cada mês lunar.
Navamsha: a nona divisão de um signo do zodíaco; nono mapa divisional.
Prana: energia solar.
Rahu: nodo norte da Lua.
Rajas: paixão, ação.

18

Rishis: videntes ou sábios a quem os Vedas foram presumivelmente revelados. Os Sete
Rishis são identificados com as estrelas da Ursa Maior.
Sastra: ramo do aprendizado, ciência.
Sattva: bondade, pureza, verdade.
Shiva: um dos principais componentes da trindade hindu de deuses personificando o
poder da destruição e da transformação.
Surya: o Sol.
Tamas: apegos, escuridão.
Tantra: "tessitura", "fio"; um caminho espiritual que trabalha com todas as partes de
um ser — mente, corpo e espírito —, transformando-as mais do que as rejeitando.
Vargas: divisões, especialmente as do zodíaco.
Yogas: combinações planetárias.
Yuga: uma das quatro eras do universo que formam o Manuyuga.

ASTROLOGIA OCIDENTAL
Afinidade: ver regência.
Angulo: os dois eixos de um mapa duplo circular formam quatro ângulos
dentro dele. O ponto alto do eixo vertical é chamado de Meio do Céu (MC,
Médium Coeli) e o ponto baixo é o Fundo do Céu (IC, Imum Coeli). Eles
formam o ponto de encontro da eclíptica com o meridiano local. No lado
esquerdo do eixo horizontal está o Ascendente e no ponto do lado direto está o
Descendente. Eles formam o ponto de encontro da eclíptica com o horizonte
local. São as cúspides das casas angulares 1, 4, 7 e 10. Os planetas localizados
dentro de alguns graus destes pontos são considerados particularmente
significativos em um horóscopo.
Ano solar: período de tempo no qual a Terra completa uma volta em torno do
Sol, medido entre dois equinócios vernais sucessivos (igual a 365.242,19 dias).
Também chamado de ano tropical.
Ano tropical: ver ano solar.

19

Ascendente: grau ou signo do zodíaco que está subindo no horizonte oriental no
momento do nascimento. Também o ponto no qual o horizonte oriental intercepta a
eclíptica. Cada grau leva cerca de quatro minutos para subir, formando 360° em um dia
de 24 horas. O Ascendente é a cúspide da Casa 1. O signo do zodíaco que está subindo
no horizonte oriental é chamado de signo ascendente. Diz-se que o Ascendente
representa as qualidades ocultas de uma pessoa.
Aspecto: ângulo formado entre duas linhas imaginárias que ligam dois corpos ou
pontos celestes com a Terra. O arco entre os dois é medido em graus em torno da
circunferência do mapa do nascimento. A influência dos aspectos pode ser de caráter
positivo ou negativo, e de força poderosa, forte, moderada ou fraca.
Asteróides: um cinturão de um vasto número de fragmentos, que se acredita ser um
planeta desintegrado, entre as órbitas de Marte e de Júpiter. Alguns astrólogos
integraram parte desses fragmentos em seus sistemas.
Astrologia horária: horóscopo para um determinado momento e local a respeito
do qual foi formulada uma pergunta ao astrólogo.
Astrologia mundana: a primeira forma de astrologia aplicada aos eventos do
mundo, política e nações.
Cardinais (Pontos Cardinais): o Ascendente, o Meio do Céu (MC), o Descendente
e o Fundo do Céu (IC).
Casas (Casas Mundanas): uma das 12 divisões feitas no ciclo da rotação diária da Terra. Cada Casa representa um período de cerca de duas horas durante as quais um signo do zodíaco parece passar acima do horizonte. Cada quadrante do horóscopo é dividido em três partes para produzir 12 Casas que representam as diferentes áreas de atuação na vida, como o lar, o trabalho, os relacionamentos. A Casa 1 começa na linha do Ascendente e as demais seguem no sentido inverso ao dos ponteiros do relógio no círculo do mapa. Existem métodos diferentes para determinar sua extensão, porém o sistema de Casas com 30° cada é popular e fácil. A Tabela das Casas, publicada para as várias latitudes geográficas, lista os graus que surgem com o Ascendente e culminam no Meio do Céu, bem como as cúspides das Casas intermediárias, com um intervalo de quatro minutos no ciclo diurno de 24 horas. Na astrologia antiga, as Casas referiam-se às Casas zodiacais dos planetas, ou seja, aos signos regidos por eles, enquanto as Casas Mundanas modernas eram chamadas de Pontos.

Casas Mundanas: ver Casas.

20

Cronoatores: os "Formadores do Tempo", Júpiter e Saturno. As conjunções a
cada 20 anos de Júpiter-Saturno permanecem em torno de 200 anos no mesmo
elemento, formando um ciclo zodiacal de 800 anos. Diz-se que os ciclos marcam o espírito das idades.
Conjunção: quando dois ou mais planetas ocupam o mesmo ponto no céu.
Cúspide: o ponto no zodíaco que separa uma casa da outra em um horóscopo.
Existem 12 cúspides, uma relativa a cada Casa, quatro delas formando os
Ângulos. O Ascendente é a cúspide da Casa 1. Não é correto dizer "Eu estou na
cúspide entre Leão e Virgem". Nasce-se no signo de Leão ou de Virgem.
Decanos: a divisão de 30° de um signo do zodíaco em três seções de 10°.
Adaptado do sistema egípcio de medir o tempo, os decanos são geralmente
atribuídos a diferentes planetas.
Decumbente: um mapa traçado para o momento do aparecimento da doença e
utilizado como prognóstico.
Descendente: o ponto no qual o horizonte ocidental intercepta a eclíptica. No
mapa natal ele aparece oposto ao Ascendente. Também chamado de Cúspide da
Casa 7.
Detrimento: a influência de um planeta fica enfraquecida (em detrimento)
quando ele se encontra no seu signo polar, isto é, oposto ao signo zodiacal que ele rege.
Dignidade: diz-se que os planetas estão em dignidade quando se encontram nos
signos que eles regem, ou nos quais estão exaltados, onde sua influência fica
reforçada. Estão em debilidade e enfraquecidos em signos opostos aos que regem
(detrimento) ou opostos à sua exaltação (queda).
Direções: métodos para datar os eventos movendo (direcionando) planetas e
outros fatores para novas posições e aspectos no horóscopo. O movimento pode
ser derivado de uma rotação diurna da Terra e do céu nas horas após o
nascimento (Direções Primárias), ou de movimentos planetários ao longo da
eclíptica nos dias após ou antes do nascimento (Direções Secundárias ou
Progressões). Este último tornou-se o método principal na prática
contemporânea.
Dodecamórios: 12 partes, originalmente referindo-se às 12 divisões do zodíaco e depois às 12 partes dentro dos signos, ou partes menores atribuídas aos planetas.
Eclíptica: movimento aparente do Sol em torno da Terra. O plano da órbita da
Terra em torno do Sol propagado no espaço para encontrar a esfera celeste.
A astrologia no mundo * 21
Efeméride: tabela com as posições precisas do Sol, da Lua e dos planetas em
base diária num determinado ano. Contém também as informações necessárias para traçar um horóscopo, como latitude, declinação e tempo sideral.
Elementos: na Índia, Oriente Médio e Ocidente, quatro elementos são
considerados como princípios fundamentais da natureza: fogo, terra, ar e água.
Alguns gregos adicionaram o éter, algumas vezes traduzido como espaço. Na
astrologia ocidental, eles representam a natureza fundamental dos 12 signos
do zodíaco. Os signos de fogo são: Áries, Leão e Sagitário; os de terra são
Touro, Virgem e Capricórnio; os signos de ar são Gêmeos, Libra e Aquário; e os
de água são Câncer, Escorpião e Peixes. Uma contagem da distribuição dos
sete planetas tradicionais entre os elementos indica o equilíbrio dos elementos
no horóscopo. Tradicionalmente os quatro elementos estavam associados aos
quatro humores: fogo ao colérico (impulsivo e direcionado); terra ao
melancólico (retraído e prático); ar ao sangü.neo (otimista e inquieto) e água
ao fleumático (sensível e reflexivo).
Elevação: a distância acima do horizonte de um planeta. Diz-se que o planeta
mais próximo do Meio do Céu está elevado.
Epiciclo: um círculo com um centro movendo-se em torno da circunferência de
um círculo maior.
Equinócio vernal: a interseção do plano da eclíptica com a esfera celeste.
Esta interseção ocorre uma vez ao ano na primavera no Hemisfério Norte no
momento em que o Sol cruza o equador celeste, movendo-se de Sul para Norte.
O equinócio vernal ocorria a 0de Áries, cerca de 2.000 anos atrás; desde
então, ele tem se afastado gradualmente, graças à precessão dos equinócios.
Equinócios: os dois dias do ano na primavera e no outono em que o Sol
atravessa o equador e o dia e a noite têm durações iguais. Nessas épocas o
plano da eclíptica intercepta o equador celeste.
Exaltação: a influência de um planeta fica mais forte quando ele está em
exaltação ou exaltado em determinado signo. Tradicionalmente, o Sol fica
exaltado em Áries; a Lua, em Touro; Mercúrio, em Virgem; e Vênus em Peixes;
Marte, em Capricórnio; Júpiter, em Câncer; e Saturno em Libra. Entre os
planetas descobertos mais recentemente, diz-se que Urano está exaltado em
Escorpião; Netuno, em Leão; Plutão, em Virgem.
Fundo do Céu: (IC, do latim Imum Coeli), ponto de encontro da eclíptica com
o meridiano local, diretamente abaixo do observador. É o oposto do Meio do
Céu no horóscopo. Também conhecido como Nadir e chamado de cúspide da
Casa 4.

22

Genetliologia: astrologia natal.
Grande Ano: extensão de tempo que os planetas levam para retornar à
mesma posição em relação a cada um, calculada de 1.000 a 30 mil anos.
Horóscopo: (do grego horóscopos, observando o tempo) um mapa das posições
dos planetas nos céus no local momento exatos do nascimento de uma pessoa.
Ele cobre todo o céu, e dentro do círculo de 360° mostra os signos do zodíaco, os
planetas, os signos ascendentes angulares as 12 Casas. Outro nome para o
mapa natal.
Imum Coeli (IC): ver Fundo do Céu.
Katarche: astrologia das iniciativas, incluindo a horária, decumbentes,
escolhas e começos. São mapas traçados para um momento diferente daquele
do nascimento que pretendem descobrir qual a melhor decisão a ser tomada
numa situação.
Longitude: na Terra, a distância de qualquer lugar a Leste ou Oeste de
Greenwich; nos céus, a distância de qualquer corpo do primeiro ponto do
zodíaco (0de Áries), medido sobre a eclíptica.
Lotes: posições teóricas no zodíaco produzidas por uma equação que envolve
três fatores significativos em um horóscopo, um dos quais é geralmente uma
cúspide. Também conhecido como Partes. Ver Parte da Fortuna.
Luminares: o Sol a Lua.
Meio do Céu: (MC, do latim Médium Coeli) ponto onde o meridiano intercepta
a eclíptica. Seu oposto no horóscopo é o Fundo do Céu (IC).
Meio-ponto: ponto médio medido em graus entre quaisquer fatores
significativos no horóscopo, como dois planetas, dois ângulos ou um planeta e
um ângulo. Acredita-se que os meios-pontos expressam suas energias. A
técnica, chamada de cosmobiologia ou método Ebertin, suprime as Casas
intermediárias os signos do zodíaco. Utilizado em mapas de sinastria.
Meridiano: um grande círculo na esfera celeste que passa pelos pontos Norte
Sul do horizonte o zênite, que está diretamente acima do observador. Em
um mapa natal, meridiano é a linha que liga o Meio do Céu (MC) com o
Fundo do Céu (IC), seccionando o círculo em duas partes.
Nadir: ver Fundo do Céu.
Nodos: os dois pontos de interseção da órbita de um planeta através da
eclíptica, um quando ele se move para o Norte e o outro quando se move para o
Sul. 

23

Atualmente, tende-se a usar somente os nodos da Lua; o Nodo Lunar Norte é chamado de Cabeça do Dragão; o Nodo Lunar Sul é conhecido como Cauda do Dragão. Os eclipses solares e lunares ocorrem em razão do alinhamento de um nodo com a Terra, o Sol e a Lua no plano da eclíptica. Diz-se que o Nodo Norte favorece o sucesso e o Nodo Sul acentua os problemas.
Oposição: um aspecto que representa um ângulo de 180° entre dois planetas.
Como resultado, ficam de frente um para o outro na roda do zodíaco e no mapa
natal.
Orbe: o número de graus permitido em cada lado de um aspecto exato para
este continuar ainda em vigor. Em geral considera-se 15°. O trígono, por
exemplo, possui um orbe de exatidão de 8em cada lado.
Ordem Caldaica: a ordem dos planetas como é vista da Terra em suas
distâncias e velocidades aparentes. Refere-se somente aos sete visíveis
tradicionais: Lua, Mercúrio, Vênus, Sol, Marte, Júpiter e Saturno.
Paranatellonta: estrelas que nascem e morrem no momento em que cruzam a
eclíptica, porém ao Norte ou ao Sul delas.
Parte da Fortuna: posição teórica no zodíaco calculada pelas posições do
Ascendente e da Lua, sem o Sol. Outras equações dão outras Partes, ou Lotes,
utilizadas pelos astrólogos romanos e muçulmanos, como a Parte do
Casamento e a Parte da Morte. Seu símbolo astrológico é o mesmo usado para
a Terra, uma cruz dentro de um círculo.*
Planetas: tradicionalmente, os cinco planetas visíveis: Mercúrio, Vênus,
Marte, Júpiter e Saturno, e os três recentemente descobertos Urano, Netuno e
Plutão.
Polaridade: cada signo do zodíaco tem o seu oposto no mapa com o qual está
em polaridade e possui uma relação especial. Também cada signo é
considerado positivo ou negativo e, como tal, masculino ou feminino,
extrovertido ou introvertido, objetivo ou subjetivo.
Precessão dos Equinócios: o desvio gradual do movimento retrógrado dos
signos do zodíaco contra o fundo das estrelas em longos períodos de tempo em
razão da oscilação da Terra sobre o seu eixo. A retrogradação dos pontos
equinociais quando vista contra as constelações significa que o primeiro ponto
de Áries é agora realmente visto em Peixes. O fenômeno deu origem à idéia das
"Eras". A astrologia indiana considera a Precessão dos Equinócios, a astrologia
ocidental, não.
* Também conhecida em português como Roda da Fortuna. (N. do T.)

24

Progressões: para compreender os eventos passados e fazer observações sobre
o futuro, os astrólogos "progridem" um mapa natal para representar um
período futuro no tempo não momento do nascimento. O meio mais popular
é considerar um dia no mapa como um ano na vida; se alguém está com 46
anos, os planetas deverão ser posicionados no mapa onde deveriam estar 46
dias após o nascimento.
Quadrantes: os quatro quartos de um mapa natal. De qualquer posição de um
observador na Terra, os céus podem ser divididos em quatro quadrantes
(horizonte oriental para o meridiano superior até o horizonte ocidental, com
dois quadrantes iguais abaixo do horizonte).
Quadruplicidades: ver qualidades.
Qualidades: a cada um dos signos do zodíaco é atribuída uma das três
qualidades que refletem o seu modo de atividade: cardinais (dizem que
estimulam a ação), fixos (resistem às mudanças) ou mutáveis (são adaptáveis).
Áries, Câncer, Libra e Capricórnio são os signos cardinais; Touro, Leão,
Escorpião e Aquário são os signos fixos; e Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes
são os signos mutáveis. Uma predominância de planetas numa das qualidades
em um mapa natal denomina-se de cruz porque eles formam quadraturas e
oposições.
Queda: a influência de um planeta fica enfraquecida quando ele está em
queda, isto é, quando está no signo oposto ao qual fica exaltado.
Quíron: um planetóide, possivelmente um cometa aprisionado entre as órbitas
de Saturno de Urano. Alguns astrólogos o assumem como símbolo do curador
ferido.
Regente: diz-se que cada signo do zodíaco tem uma afinidade ou é "regido" por
um planeta. O planeta regente do signo ascendente é chamado de regente do
horóscopo.
Retificação: correção do suposto momento do nascimento para descobrir o
momento verdadeiro, geralmente deduzido dos eventos da vida da pessoa
envolvida.
Relocação: quando o horóscopo é traçado novamente para qualquer lugar
significativo, a fim de mostrar o potencial da pessoa naquele ponto.
Retornos: o retorno de qualquer planeta para a posição que ele ocupava no
zodíaco no momento do nascimento.
Retrogradação: movimento retrógrado aparente dos planetas através do
zodíaco visto de um observador na Terra. É uma ilusão produzida pela
velocidade relativa dos planetas em suas órbitas. Um planeta em
retrogradação é chamado de retrógrado.

25

Sideral: refere-se às estrelas. Um mês sideral é o período de tempo que a
Lua leva para fazer uma revolução completa em torno da Terra, medido
entre duas conjunções sucessivas com uma estrela em particular
(aproximadamente 27 dias, 7 horas, 43 minutos e 11 segundos). Um ano
sideral é o período de tempo durante o qual a Terra completa uma revolução
em torno do Sol, medido entre duas conjunções sucessivas de uma estrela em
particular (igual a 365.256,36 dias).
Signo Nascente: ver Ascendente.
Signos cardinais: ver quadruplicidade.
Signos solares: os 12 signos tradicionais do zodíaco, através dos quais o Sol
parece atravessar em um ano solar. Acredita-se atualmente que o signo solar
no mapa natal de uma pessoa representa sua imagem pública.
Sinastria: comparação entre dois ou mais mapas para verificar sua
compatibilidade. Um mapa composto de um relacionamento entre duas
pessoas pode ser formado por meios-pontos de fatores comuns em seus
horóscopos.
Sinódico: refere-se a uma conjunção ou a duas conjunções sucessivas da
mesma estrela ou planeta. Um mês sinódico é um mês lunar, o período de
tempo que a Lua leva para completar uma volta em torno da Terra, medido
entre duas luas novas sucessivas (aproximadamente 29 dias, 12 horas, 44
minutos e 3 segundos).
Solstícios: dois dias do ano no verão e no inverno em que o Sol encontra-se
em seu ângulo máximo de declinação com o equador, resultando nos dias
mais curtos e mais longos.
Stellium: um grupo de três ou mais planetas em conjunção, que se acredita
ter uma influência muito poderosa.
Subida helíaca: primeiro surgimento de uma estrela após o seu período de
invisibilidade causado pela conjunção com o Sol.
Trânsito: movimento de um planeta através de um signo ou Casa. Os
astrólogos usam freqüentemente os trânsitos comparando as posições dos
planetas no momento presente com as do mapa natal para interpretar
tendências e possibilidades futuras.
Trígono: grupo de três signos do zodíaco, com 120° de distância entre si
formando um triângulo.
Triplicidade: um dos quatro grupos fixos de signos, contendo cada um três
planetas. Relaciona-se aos quatro elementos: terra, ar, fogo e água. Ver
também elementos.

26

Zênite: ponto mais elevado no meridiano diretamente acima do observador.
Zodíaco: faixa do céu com 18° de largura ao longo da eclíptica. É dividido em
12 partes, cada uma com 30°, que representam os 12 signos do zodíaco. O Sol
leva um ano para atravessar todos os signos. A astrologia indiana utiliza o
zodíaco sideral, que está relacionado às constelações das estrelas fixas.

27

ASPECTOS
Aspectos Principais (Ptolomaicos)
Aspectos Menores
Aspecto Símbolo Grau Orbe Significado
Semiquadratura 45° 2 desconfortável
Sesquiquadratura 135° 2 desconfortável
Semi-sextil 0° 2 útil
Quincúncio 150° 2 tenso

CASAS
1 vida, constituição, expressão da
2 finanças, posses e sentimentos
3 irmãos e parentes, comunicação
4 lar, família, responsabilidade
5 filhos, criatividade, jogos
6 saúde, trabalho e servir ao outro
7 relacionamentos
8 sentimentos profundos, morte
9 viagens, educação, religião
10 posição no mundo, carreira
11 amigos, heterodoxia
12 inimigos, limitações, valores

Aspecto Símbolo Grau Orbe Significado

Conjunção 0° 8 intensifica,
Oposição 180° 8 muito prejudicial,
Trígono 120° 8 muito útil,
Quadratura 􀀬 90° 6/4 prejudicial, luta
Sextil 60° 8 pouco útil,

28

PLANETAS
Planeta Símbolo Significado
Sol Q propósito, criatividade
Lua W adaptação, receptividade
Mercúrio E comunicação, intelecto
Vênus R valorização, relacionamento
Marte T exercício, energia
Júpiter Y expansão, melhora
Saturno U estrutura, limitação
Urano I desvio, heterodoxia
Netuno O refinamento, sensibilidade
Plutão P transcendência, mudança

SIGNOS
Signo Símbolo Significado Afinidade Qualidade Polaridade Elemento
Áries iniciar Marte cardinal fogo
Touro manter Vênus fixo - terra
Gêmeos transmitir Mercúrio mutável + ar
Câncer conter Lua cardinal - água
Leão mostrar Sol fixo + fogo
Virgem analisar Mercúrio mutável - terra
Libra relacionar Vênus cardinal + ar
Escorpião investigar Marte / Plutão fixo - água
Sagitário ampliar Júpiter mutável + fogo
Capricórnio construir Saturno cardinal - terra
Aquário inovar Saturno/ Urano fixo + ar
Peixes fundir-se Júpiter/ Netuno mutável - água



Introdução
O que vocês acham da astrologia? Na minha opinião, é uma senhora notável, muito bela, que vem de um tempo tão distante que não poderia deixar de me atingir com seu encantamento. Não consigo encontrar qualquer refinamento ou elegância no mundo puramente físico que esteja à sua altura. Além disso, a mim me parece que ela está de posse de um dos mais elevados mistérios do mundo. É uma pena que, pelo menos para os incultos, uma prostituta tenha sido
entronizada em seu lugar. ANDRÉ BRETON

Por que os namorados comferem seus mapas natais para verificar se eles são compatíveis? Por que homens e mulheres aparentemente racionais adiam
suas ações em virtude da posição dos planetas? Por que presidentes e líderes militares consultam astrólogos antes de tomar decisões cruciais que afetarão o curso da história? O mundo foi atingido pelas estrelas? Apesar da desaprovação oficial da religião e da ciência estabelecidas, a astrologia passou recentemente por um renascimento extraordinário.

Astrologia é o estudo das estrelas e planetas e do seu efeito sobre o
comportamento humano. Ela assume que existe uma correspondência entre o
céu e a Terra, expressa pela frase "assim como é em cima, é embaixo*', e que a
posição dos corpos celestes influencia personalidades, eventos e assuntos neste
planeta. Acredita também que o microcosmo dos seres humanos espelha o
macrocosmo do universo, isto é, "assim como é do lado de dentro, é do lado de
fora". Nascida da magia e do augúrio, a astrologia reflete um impulso
primordial para prever o futuro e faz parte da antiga procura pelo
autoconhecimento. Desde a Antigüidade, ela tem oferecido um caminho para
atingir uma forma superior de consciência, uma visão mística do real. As
estrelas há muito são vistas como portas para um outro mundo, e até como
portões do céu.

30

A astrologia é mais antiga que a civilização, e continua amplamente popular em todo o mundo. Ela expande a ciência e a arte e conecta astronomia, matemática, medicina, filosofia, religião, psicologia, mitologia e simbolismo. Permeia todos os níveis da sociedade. É parte tão integrante da cultura diária que todos nós falamos sobre a juventude "que tem o brilho das estrelas no olhar", de um projeto "não aprovado pelos céus" ou do ser amado "enviado pelas estrelas". Poucos são aqueles que nunca ouviram falar da "Era de Aquário" e das profecias de Nostradamus.

Muitos teólogos e cientistas, porém, rejeitam a astrologia com uma
hostilidade irracional que lembra a fúria. Como a alquimia e a magia, ela é
vista como parte do submundo sinistro do oculto. Para Santo Agostinho, ela
envolvia um "acordo com os demônios", enquanto para o Papa Paulo II era
pecado. Se fosse reconhecida pelos cientistas modernos, seria considerada um
"estudo" primitivo dos corpos celestes que serviu para formar a base da
astronomia moderna. É posta de lado como um pensamento insano, rejeitada
no mínimo como uma superstição ingênua e no máximo como uma heresia
perigosa. O Astrônomo Real Harold Spencer Jones a repudiou como "absoluta
tolice".Tem sido chamada de a "alucinação mais persistente que obcecou o
cérebro humano".2

Estavam tão preocupados com sua crescente popularidade que 186 cientistas, incluindo 19 ganhadores do Prêmio Nobel, assinaram um manifesto em 1976 chamado "Objeções à Astrologia". Aventurando-se imprudentemente fora de suas áreas de atuação, declararam que "não existia fundamento científico em seus princípios" e desprezaram os astrólogos como meros charlatães.Mais recentemente, o zoólogo Richard Dawkins, que "detesta" astrólogos, descreveu o assunto como uma "afronta estética" cujos "respingos pré-copernicanos aviltam e depreciam a astronomia".Esta nova Inquisição não tem alcançado mais sucesso em esmagar a astrologia do que os esforços desesperados dos primeiros papas e imperadores.

Como a alquimia e a magia, a astrologia se recusa a morrer. Presidentes tão
diferentes como Charles de Gaulle e Ronald Reagan consultaram astrólogos.
Políticos, generais e diplomatas na Índia e no Egito não se movem sem
consultar seus astrólogos pessoais. Enquanto isso, a astrologia chinesa está
ressurgindo após a Revolução Cultural, apesar da desaprovação oficial. Nos
lares mais humildes e nos grandes palácios, nos corredores do poder político e
nas amplas salas de companhias internacionais a astrologia está viva e passa
bem. Os astrólogos são consultados não somente para os casos do coração e do
lar, mas para o mercado financeiro e as corridas de cavalo; não somente para a
carreira e perspectivas financeiras, como para o curso da história e o destino
das nações. Milhões de pessoas lêem regularmente seus horóscopos nos jornais.

31

Os poetas W. B. Yeats e Ted Hughes tiveram um grande interesse pelo
assunto. A astrologia inspirou a sinfonia de Holst, The Planeis, e o bale de
Constant Lambert, The Horoscope, como também álbuns do soberbo jazz de
John Coltrane. Independentemente do que o astrônomo real tenha dito, Platão,
Santo Tomás de Aquino, Dante, Marsilio Ficino, Goethe, André Breton e Henry
Miller, todos levaram a astrologia a sério. Visto que grandes pensadores,
poetas, escritores, artistas e músicos beberam fundo na fonte da astrologia,
talvez haja de fato "algo" contido nela.

As palavras astrologia (estudo das estrelas) e astronomia (lei das estrelas)
foram utilizadas indiferentemente até a Revolução Científica no século XVII. A
forma antiga grega para astrônomo era astrólogos. Embora as raízes da
astrologia ocidental repousem na divinação mágica da Mesopotâmia e na
religião das estrelas do Egito, Platão forneceu a estrutura filosófica de toda a
astrologia ocidental posterior. Ptolomeu, em geral considerado o pai da
astronomia, prosseguiu para lançar os princípios astrológicos fundamentais
que pouco foram modificados nos últimos dois mil anos.

Após o colapso dos Impérios Romano e Grego, o centro da astrologia
deslocou-se para o Império Islâmico e retornou à Europa somente na Idade
Média, por intermédio dos mouros na Espanha e na Itália. Ela permaneceu
como parte integrante da astronomia. Os principais envolvidos na Revolução
Científica estiveram profundamente engajados no assunto. Tycho Brahe foi um
mestre astrólogo. Johannes Kepler confessou sua "relutante descrença" e
insistiu que ninguém "deveria agir precipitadamente".O interesse de Galileu,
o fundador da moderna astronomia, durou sua vida inteira. Quando um
astrônomo criticou Isaac Newton por seu interesse pela astrologia, diz-se que o
alquimista teórico e autor do Principia Mathematica respondeu: "Senhor, eu a
estudei, o senhor, não."O mesmo não pode ser dito dos cientistas modernos,
que objetam com ardor a astrologia.

A astrologia trouxe enorme contribuição para a história da ciência, não
somente para a astronomia e a matemática, como também para a medicina e a
psicologia. Hipócrates, pai da medicina, declarou reconhecidamente que: "Um
médico sem o conhecimento da astrologia não tem o direito de chamar a si
mesmo de médico."O psicanalista Carl Jung viu corretamente a astrologia
como a psicologia da Antigüidade. Os signos do zodíaco são "imagens
arquetípicas" ou manifestações do inconsciente coletivo.Isto sem dúvida
explica o poder extraordinário do simbolismo astrológico que desperta a
imaginação.

32

Foi nos principais centros de tradição na astrologia — China, Índia,
Mesopotâmia, Egito, Oriente Médio e Europa — que surgiu o primeiro
movimento para que a previsão astrológica se estendesse também ao indivíduo,
não ficando apenas restrita ao destino das nações. Quando a astrologia
ocidental se separou da astronomia após a Revolução Científica, a exploração
da psique tomou a dianteira. A ênfase se desviou da delineação da maquinaria
do destino para a interpretação do caráter humano de prever catástrofes
naturais para indicar o potencial de uma vida individual. Apesar do seu
declínio durante os séculos XVIII e XIX, a astrologia ressurgiu como uma fênix,
como a grande iluminadora da psique na aurora do terceiro milênio. Na Era de
Aquário, ela sem dúvida terá um papel central na visão de mundo orgânica e
holística que está emergindo.

Existem inúmeras correntes no rio da astrologia. No início, esse rio se dividiu
em astrologia natural e astrologia judicial. A primeira prediz o movimento dos
planetas e foi amplamente absorvida pela astronomia; a última, interpreta o
significado da sua influência na Terra. As correntes mais importantes da
astrologia judicial são a astrologia mundana, que lida com o destino das
nações, e a astrologia genetlíaca, a arte de traçar os horóscopos dos indivíduos.
A mais popular atualmente é a última, que se subdivide ainda em astrologia
natal, o mapa natal e suas influências na futura personalidade; astrologia
horária, o horóscopo traçado para responder a uma questão específica
concernente a um determinado momento e lugar; e astrologia eletiva, o
horóscopo traçado para escolher o momento certo para uma atividade ou
empreendimento. Depois temos a astrologia médica, que relaciona os órgãos do
corpo aos planetas nos céus e associa a determinados planetas o poder curativo
das plantas.

Em meio ao número excessivo de escolas, sociedades e praticantes
astrológicos, quatro correntes principais emergiram no século XXI. A primeira
interpreta os fatores mais simples na astrologia em termos da psicologia
popular, utilizando os signos solares da astrologia ocidental e os signos animais
da astrologia chinesa como pontos principais no horóscopo. Este tipo enche os
jornais, revistas e "almanaques" astrológicos. É a mais superficial, embora
ainda assim ajude as pessoas a interpretar suas sensações e a esclarecer seus
objetivos na vida.

A segunda corrente é uma tentativa de examinar a astrologia em uma base
estatística para dar a ela um caráter "científico" e torná-la mais aceitável à
comunidade acadêmica. Mas, como a astrologia envolve forças invisíveis, é
virtualmente impossível dentro do estado atual do conhecimento científico
explicar por que e como ela funciona.

33

A terceira corrente reconhece a natureza simbólica da astrologia e a utiliza
como uma técnica poderosa para compreender o caráter e o destino dos seres
humanos e seu lugar no universo. Os astrólogos antigos se referiam aos planetas
como deuses, e os astrólogos clássicos deram a eles nomes míticos. A maioria dos astrólogos modernos os vê como símbolos, não se referindo a objetos em
particular, mas apontando para uma realidade mais impalpável no inconsciente
coletivo. Na verdade, como linguagem simbólica, a astrologia fornece um grande
mythos que pode inspirar as pessoas a realizar todo o seu potencial como seres
sociais, psicológicos e espirituais.

Os astrólogos que trabalham nesta área são em geral psicólogos e terapeutas.
Sua tendência é oferecer generalidades para cobrir todas as situações ou
focalizar sutilmente suas interpretações, de acordo com seu conhecimento a
respeito do cliente. Um bom astrólogo acessa o caráter do seu cliente, reconhece
seus problemas e depois os adapta ao horóscopo. As previsões extrapoladas são
muitas vezes sábios conselhos do que pode ser feito no contexto da sua vida.
Obviamente, a validade desta abordagem depende amplamente da intuição e da
experiência do astrólogo.

A quarta corrente na moderna astrologia delineia seus insights esotéricos e
significados escondidos. Esta abordagem vê a disciplina como a oferta de um
processo de iniciação, um guia ao longo do caminho da gnose que conduz à
iluminação da mente por meio do conhecimento. Como tal, fala particularmente
àqueles que se perguntam o que a Era de Aquário trará, que acreditam em anjos
e espíritos e que vêem as energias planetárias em seus corpos, como também nos
céus. Esses indivíduos podem viver sob o clarão das cidades, mas estão
continuamente olhando para as estrelas.

Como veremos, não existe uma astrologia, mas várias — chinesa, indiana e do
Oriente Médio, assim como a ocidental. E assim como existem várias tendências
principais na astrologia, há inúmeras tradições. Até astrólogos da mesma escola
farão interpretações diferentes dos mesmos dados. Mas eles não precisam ser
exclusivos, e vários astrólogos trabalham em vários níveis ao mesmo tempo.

É lógico que a astrologia teve seus charlatães, assim como a medicina teve os
seus curandeiros. Porém, no seu melhor aspecto, a astrologia indubitavelmente
pode ajudar as pessoas a fazer escolhas conscientes a respeito de preocupações
centrais da vida — trabalho, amor e saúde. Desde a Antigüidade ela tem sido
um veículo para o autoconhecimento e oferece a possibilidade da compreensão
pessoal e da concepção de vida. Formula questões primordiais, como: "Por que
estou aqui?", "Qual o propósito da minha vida?", "Como devo agir?".

34 

Sustenta um espelho no qual as pessoas podem se ver e se tornar conscientes do seu potencial. Pode despertar e transformar o ser. Sua linguagem simbólica não somente personifica antigos mitos e símbolos, como também aponta para níveis escondidos da consciência. Toca fortemente o coração e a alma, a intuição e a imaginação. Daí a atração perene que exerce sobre músicos, artistas, escritores e poetas.

A astrologia também levanta várias questões controversas. Como os corpos celestes influenciam a personalidade de uma pessoa no momento do nascimento? O horóscopo prevê realmente um mapa da psique? A previsão de eventos futuros é possível? O determinismo implícito é incompatível com a noção do livre-arbítrio? Como a descoberta relativamente recente de três novos planetas — Urano, Netuno e Plutão — altera a teoria e a prática da astrologia? Acima de tudo, o que a persistência da astrologia diz sobre nossa condição eexperiência?

Empreendi uma pesquisa mundial para responder a estas perguntas.

Embora um tanto cético a princípio, minhas pesquisas e viagens me levaram a
suspeitar que a astrologia contém, sob disfarce, a ciência sagrada do mundo
antigo que ainda hoje é altamente relevante. Transmite não apenas importantes
verdades sobre a estrutura do universo, o caráter dos seres humanos e o curso
da história, como lança uma luz sobre o nosso lugar legítimo dentro do cosmo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário