domingo, 14 de agosto de 2011

Parte 2 Astrologia chinesa por Peter Marshall


7 Os Quatro Pilares do Destino

Embora o “círculo de animais” (Ming Shu) seja a forma mais conhecida da astrologia chinesa, a astrologia dos Quatro Pilares do Destino (Ssu Chu) é a mais popular em Hong Kong, Taiwan e China Continental. Esta forma de cálculo do destino envolve o lançamento dos "oito sinais" (ba tze) que são baseados nos quatro pilares do ano, mês, dia e hora do nascimento de um indivíduo. Eles imprimem em cada pessoa no momento do seu nascimento um tipo de código cósmico, ou marca elemental.

Diz-se que o ano lunar do nosso nascimento descreve nosso caráter
subjacente; o mês explica nossa direção principal na vida; o dia indica nosso modo de ser e caráter emocional, especialmente nossas atitudes em relação ao amor, sexo e amizade; e a hora (as 12 de um dia chinês) aponta nosso temperamento. O método utiliza os ciclos de dez anos do destino para desenvolver um perfil de personalidade e uma cronologia de vida.

Brotos Celestes e Ramos Terrenos

Este método não é fácil para os ocidentais compreenderem, pois é baseado em um complicado calendário luni-solar. No seu centro estão dois aspectos — os dez "brotos celestes" (t'ien kan) e os 12 "ramos terrenos" (ti chih), que são colocados juntos em pares. É importante que isso seja compreendido, pois eles estão associados a cada um dos Quatro Pilares do Destino.

Em geral, os brotos celestes representam um elemento em seu modo yin ou yang, e os ramos terrenos representam um elemento e um animal. Os astrólogos chineses afirmam que, quando descobrem os componentes dos cinco elementos da sua vida, as regras que governam a interação dos elementos e o padrão de mudança dos elementos através do tempo, eles podem compreender seu caráter e predizer sua vida futura.1

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Os brotos celestes estão associados aos cinco elementos (madeira, fogo, terra, metal e água) e às cinco direções da bússola (Leste, Sul, Centro, Oeste e Norte), e que são alternadamente yang e yin. Os ramos terrenos estão associados aos 12 signos animais do Ming Shu, à astrologia, aos elementos, às direções da bússola e ao yang e yin.



Os dez brotos celestes e os 12 ramos terrenos se combinam alternadamente para formar sessenta combinações e completar um ciclo de sessenta anos. Eles podem ser imaginados como duas engrenagens ajustadas entre si, uma com 12 dentes e outra com sessenta. Elas são representadas por dois caracteres chineses diferentes colocados lado a lado.

Em cada ciclo de sessenta anos, os signos das séries de dez anos dos brotos celestes se repetem seis vezes (par e yin), enquanto as séries de 12 anos dos ramos terrenos se repetem cinco vezes (ímpar e yang). Na numerologia sagrada chinesa 6 é o número que representa o céu e 5 é o número que representa a Terra; os ciclos de brotos e ramos, portanto, revelam a interdependência do céu com a Terra.

Os signos que formam os dez brotos celestes foram encontrados nas inscrições feitas em oráculos de ossos de 3.500 anos atrás e eram usados para contar os dias no período Shang. A contagem de sessenta dias nos ciclos de seis é precisa o suficiente para corresponder aproximadamente ao ano tropical entre os solstícios de inverno ou de verão. O ciclo de sessenta dias, também decomposto em seis períodos de dez dias, corresponde a aproximadamente dois meses lunares.

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Este período de dez dias ainda é utilizado em algumas regiões rurais da China.

Os ideogramas chineses dos brotos celestes são pitorescos e poéticos. O primeiro yang nas séries, conhecido como chia, está associado à madeira, sendo representado por uma forma que representa um broto germinando; o segundo, yi, é yin e representa um broto já germinado. Ambos estão claramente associados à primavera.

Os 12 ramos terrenos não foram encontrados nos textos chineses antes do século V a.C. Eles estão ligados às 12 horas de cada dia, aos 12 meses do ano e a cada um dos 12 anos do ciclo de Júpiter — o período sideral de Júpiter (tempo que ele leva para caminhar em torno das estrelas fixas) é de exatamente 12 anos. Como há somente cinco elementos (madeira, fogo, terra, metal e água), cada um deles é aplicado a dois dos ramos terrenos, e os dois ramos remanescentes são atribuídos ao elemento terra.

Como os brotos celestes, os ramos terrenos se alternam entre yin e yang, e os ideogramas chineses para eles são igualmente pitorescos e poéticos. Por exemplo, o ideograma mao é representado como uma porta aberta que representa o início da primavera, enquanto ch'en, que o segue, é a representação de uma mulher que esconde seu ventre com as mãos — ela está grávida e é tímida. Estes 12 ramos são os aspectos principais para o estudo do ano, meses e horas dos Pilares do Destino.

O ciclo de sessenta anos sempre começa com o broto celeste Chia (associado ao elemento madeira, cor verde, sabor amargo, Leste e yang) combinado com o ramo terreno tzu (associado ao rato, solstício de inverno, Nordeste e yang). O ciclo termina com o broto celeste kuei (água, preto e salgado) e o ramo terreno Hai (javali, início do inverno e Nor-Noroeste). O ciclo então recomeça novamente.

Até o início do século XX, o calendário chinês era medido desta maneira, sendo ainda empregado na astrologia dos Quatro Pilares do Destino. O ano de 1812, por exemplo, foi o ano jen-yu (no qual jen estava associado à água, preto e salgado; e yu ao galo, equinócio do outono e Oeste). Durante todo o ciclo de sessenta anos, a mesma combinação de brotos celestes e ramos terrenos ocorre somente uma vez. O ano 2000, o primeiro ano do novo milênio cristão, foi o ano keng-ch'en: o Ano do Dragão. O broto celeste keng corresponde ao metal e yang, e o ramo terreno ch'em (dragão) à Terra e yang. Juntos, foram considerados altamente auspiciosos e estão associados à sabedoria, magia e generosidade.

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O Pilar Ano

No horóscopo de uma pessoa, o pilar ano, um dos Quatro Pilares do Destino, indica sua aparência geral, a disposição emocional e o padrão de comportamento. Nascido a 23 de agosto de 1946, o meu signo Ming Shu é Cão e o meu elemento é fogo. Meu broto celeste é ping, minha direção da bússola é Sul e meu chi é yang. Meu ramo terreno é hsü e está associado ao elemento terra, a Oés-Noroeste e yang. A relação entre o broto celeste e o ramo terreno dá "Terra do Telhado" e yang.

Terra, o elemento do meu ramo terreno, é a fonte de todos os outros
elementos. Corresponde à tarde, aos "dias de cão" do verão, ao centro da bússola, tanto yin como yang, à cor amarela, ao número 5, ao planeta Saturno, ao sabor doce, ao baço, boca e carne. Juntos, minha personalidade em termos gerais é prudente, prática, confiável e conservadora. Eu me movo com cautela e gosto de ir fundo nas coisas. Meu estado emocional é o do desejo. Minha tez é pálida com traços grossos e costas arredondadas. Infelizmente eu não me reconheço nessa descrição. Não tenho um temperamento saturnino. Minha tendência é ser imprudente, idealista e radical na vida e em minhas opiniões, e não gosto particularmente da cor amarela! Talvez o meu lado terreno surja mais tarde na vida... Se o pilar ano do nascimento define meu padrão de comportamento e estado emocional, deve ser assim também para milhões de outras pessoas nascidas em 1946 e que partilham o mesmo elemento terra.

Por outro lado, sinto que meu signo animal Cão, indicado pelo ramo
terreno para o ano de 1946 é mais receptivo, porém, segundo meu
autoconhecimento, impreciso. Dizem que sou ambicioso, fiel, com uma natureza calorosa e amorosa, mas com tendência à ansiedade e ao pessimismo. Combinado com o meu elemento terra, devo ser reservado, inclinado para a opinião do consenso, embora permaneça fiel às minhas crenças pessoais.2 Novamente não consigo me reconhecer com estas características, exceto por ter uma natureza amorosa.

O Pilar Mês

Enquanto o pilar ano indica nosso estado emocional e padrão de
comportamento, o pilar mês representa nosso destino. É utilizado como ponto de partida para trabalhar a cronologia pessoal, que é dividida em ciclos de dez anos. Diferente da astrologia ocidental, baseia-se na informação derivada do mês lunar e não do solar do nascimento da pessoa.

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É geralmente interpretado com outros aspectos do horóscopo do indivíduo.

No meu caso, o meu pilar mês é o sétimo mês lunar do ano do meu nascimento. Posso simplesmente procurar o mês em uma tabela que converte o calendário solar ocidental para o calendário lunar chinês. Compreender os princípios que estão por trás do calendário luni-solar chinês não é fácil, mas vale o esforço, pois ele esclarece a história da astrologia chinesa, sua sociedade e civilização.

Enquanto os calendários ocidentais lidam somente com as divisões de dias e meses, os chineses fornecem também informações sobre os movimentos do Sol, Lua e Planetas. Mais uma vez, enquanto o calendário ocidental é baseado no ciclo do Sol, o chinês leva em consideração o movimento da Lua.

Na verdade os chineses desenvolveram dois sistemas diferentes de
calendário, um baseado na Lua e outro no Sol, e eles então combinaram os dois para produzir um calendário luni-solar. O que é utilizado tradicionalmente pelo leigo é o calendário lunar, que divide o ano em 12 meses. O calendário solar é usado para contar os dias. É chamado de calendário Hsia, pois tem sido utilizado desde a Dinastia Hsia, há cerca de quatro mil anos.

O calendário Hsia é usado na astrologia e nas previsões porque está intimamente relacionado aos cinco elementos. Cada ano, mês e dia é
expresso por dois ideogramas chineses, cada um representando um dos elementos. Desta maneira, cada momento em particular pode ser expresso em função dos elementos. Ao converter sua data de nascimento — os quatro pilares do ano, mês, dia e hora — para o formato do calendário Hsia, você terá oito ideogramas chineses representando os oito elementos que prevaleciam no momento do seu nascimento.

Os calendários, naturalmente, são cruciais para os astrólogos não
somente para determinar o momento exato do nascimento, mas também para organizar nossas atividades diárias e planejar o futuro. Na antiga China, o imperador tinha de dispor de um calendário confiável para realizar as tarefas essenciais para o bem-estar da nação no momento certo. Na verdade, sua tarefa mais importante — o "mandato do céu" — era estabelecer o calendário. O imperador deveria seguir o curso do Sol passando pelo centro do seu palácio para as direções Oeste, Norte, Leste e Sul, antes de retornar ao centro. Deveria vestir cores diferentes e comer alimentos diferentes; no verão, por exemplo, usaria vermelho e comeria ervilhas e galinha no "Palácio da Claridade". Algumas autoridades dizem que o imperador também deveria visitar os quatro pontos cardeais do
império ou fazer uma peregrinação aos picos das montanhas sagradas dos quatro pontos da bússola. Isto era a garantia de que a ordem reinaria sobre a Terra assim como no céu.

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O Calendário Chinês

Para descobrir mais fatos sobre o desenvolvimento do calendário chinês, fui até o novo Museu Espacial em Hong Kong, próximo do terminal da Barca da Estrela no distrito de Kowloon. Lá encontrei o curador, Dr. Chan Ki Kung, um entusiasta que desenvolveu um programa audiovisual sobre a astrologia chinesa chamado "O Dragão no Céu". Embora o antigo sistema chinês de astronomia tivesse sido abandonado em favor do modelo ocidental, e o calendário solar ocidental oficialmente adotado após a fundação da República Chinesa em 1911, o calendário tradicional ainda era amplamente utilizado no
país pelos astrólogos.

O curador não tinha dúvidas da sua importância: "As maiores realizações na antiga astronomia chinesa estão na formação chinesa dos calendários", declarou com orgulho.

Os antigos calendários eram não somente muito complexos, como
extraordinariamente precisos: o Calendário Chinês do Resíduo da Quarta Parte, que data do século V a.C. designa um ano tropical (solar) com 365,25 dias; sabemos agora que um ano tropical possui 365,2422 dias!

Perguntei ao curador se era verdade que os chineses utilizavam um
calendário lunar em oposição ao baseado no Sol utilizado no Ocidente.

— Penso que — insistiu o curador — o calendário chinês deveria ser
chamado de calendário luni-solar.

Embora o calendário chinês refletisse os movimentos observados do Sol e da Lua nos céus, eles não podiam ser equiparados.

O ano lunar chinês possui 12 luas, e cada lua dura um pouco mais de 29 dias e meio (29,53 dias). Para considerar os dias de cada lua como dias completos, os astrólogos chineses decidiram que um ano seria dividido em seis meses "pequenos", que teriam 29 dias cada, e seis meses "maiores", com 30 dias cada. Isto soma um total de 354 dias, 11 dias a menos do ano solar (em termos exatos, 12 meses lunares somam 354,36 dias, cerca de 10,89 dias menos do ano solar). Portanto, a extensão do ano lunar chinês varia, e pode compreender cinco meses "maiores" e sete meses "menores" (um total de 353 dias), ou algumas vezes cinco meses "pequenos" e sete meses "maiores" (355 dias). O ano lunar é menor que o ano solar em dez ou 12 dias a cada ano. Dois anos lunares são portanto cerca de vinte dias menores que um ano solar, enquanto três anos serão menores quase que um mês. Um mês lunar extra é portanto adicionado quase que a cada intervalo de três anos para harmonizar os calendários solar e lunar. Ele é conhecido como uma lua "intercalada" (também chamado de um "embolismo"). Em um período de 19 anos são necessárias sete luas deste tipo.

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O mesmo sistema de cálculo foi desenvolvido pelos judeus e pelos antigos gregos, sendo conhecido no Ocidente como o ciclo de Meton.

O problema para os antigos astrólogos chineses era onde colocar este mês intercalado. O Curador Chan Ki Kung esclareceu que uma regra muito simples era empregada: "Como dois períodos médios são normalmente separados por 30,44 dias, o que é mais longo do que um mês sinódico de 29,53 dias, ocorrem ocasionalmente meses sem um período. Esses meses se tornam os meses intercalados. Por exemplo, em 1995, o mês após o oitavo mês lunar não teve o período médio, então no lugar do nono mês lunar ele foi considerado como o oitavo mês lunar intercalado."

Na astrologia chinesa, cada mês intercalado não tem personalidade própria e assume o número da lua que o precede. Em 1987, por exemplo, o mês extra foi o mês 6 e seguiu o mês 6 normal. Para unir os aspectos lunar e solar do calendário, foi decidido que o equinócio da primavera deveria cair no segundo mês e o solstício de verão no quinto, o equinócio do outono no oitavo e o solstício de inverno no 11°. Como resultado, o Dia do Ano-novo chinês não é fixo e pode cair em qualquer data entre 21 de janeiro e 20 de fevereiro. Em 2001, o feriado do Ano-novo lunar começou em 24 de janeiro, o dia da Lua Nova.


Os Ciclos do Destino

Os meses lunares do calendário chinês luni-solar formam a base do pilar mês dos Quatro Pilares do Destino. Como o pilar ano, ele também tem um broto celeste e um ramo terreno. Nascido em 23 de agosto de 1946, no sétimo mês lunar do ano, meu broto celeste é o terceiro, ping, o seu elemento é fogo e o meu ramo terreno é o nono, shen, cujo elemento é metal.

Na maioria das formas da astrologia chinesa, como ilustrou meu astrólogo do templo, a vida de uma pessoa é dividida em séries de ciclos de dez anos do destino, começando pelo pilar mês, que são dispostos dentro das 12 casas do destino. Contudo, o ciclo de dez anos nem sempre começa no dia do nascimento da pessoa, e portanto o segundo ciclo pode começar em seu terceiro aniversário
e terminar no 13° e assim por diante.

Descobrir a época do segundo ciclo do destino novamente não é fácil.
Primeiro, considere o número do broto celeste do ano do seu nascimento. Se for ímpar, vale 1; se for par, vale 2. Se a pessoa é do sexo masculino, adicione 1; se for do sexo feminino, adicione 2. No meu caso, o número do broto celeste é 3; como é ímpar, vale 1, e como sou homem, adiciono 1, formando 2!

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Em seguida você tem de consultar o aspecto solar do calendário luni-solar tradicional chinês. Como um mês no calendário chinês corresponde ao mês lunar de cerca de 29 dias, ele também contém períodos "quinzenais" intimamente relacionados à revolução da Terra em torno do Sol. Daí sua natureza "luni-solar". O calendário solar é dividido em 24 períodos (chieh), cada um com cerca de 14 dias de duração. Seus nomes — "Movimento dos Insetos" (começando em 5 de março), "Grão na Orelha" (começando em 6 de junho) ou "Descidas do Gelo" (começando em 23 de outubro) — refletem o momento da natureza agrária da sociedade chinesa em que estas divisões foram feitas.

Eles formam pares com os 12 festivais mensais que geralmente
começam no ponto médio de um dos 12 signos zodiacais ocidentais.
No calendário chinês que comprei em Hong Kong, a cada 15 dias
aproximadamente determinados, termos chineses vêm ao lado das datas que marcam os períodos quinzenais. Os 24 períodos quinzenais em um ano são também subdivididos em 12 seções e 12 meios períodos. Chan Ki Kung explicou: "Exemplos de seções são o Começo da Primavera, Despertar dos Insetos, Claro e Brilhante; enquanto As Chuvas, Equinócio da Primavera, Chuva de Grãos são meios períodos.
Dois meio períodos consecutivos são separados por cerca de trinta dias, portanto cada meio período é equivalente a um mês lunar. O Primeiro Mês Lunar possui o meio período As Chuvas, o Segundo Mês Lunar possui o Equinócio da Primavera, o Terceiro a Chuva de Grão, e assim por diante.

Retornando ao ciclo de dez anos, se o cálculo do pilar ano for ímpar, então você se refere à data chieh (período quinzenal) imediatamente antes do aniversário da pessoa. Se o número for par (como no meu caso), você se refere à data chieh imediatamente depois do aniversário do indivíduo. O número de dias entre o dia de nascimento da pessoa e o chieh escolhido é contado e depois dividido por 3.3 O resultado é a idade que começa o segundo ciclo do destino. O meu astrólogo do templo começou o meu com a idade de quatro anos.

Cada ciclo segue a sequência numérica do broto celeste e do ramo terreno do pilar mês: o meu segundo ciclo é o terceiro broto e o nono ramo; o próximo ciclo de dez anos é o quarto broto e o décimo ramo e assim por diante. Isto significa que elementos diferentes governam a cada ciclo: fogo e metal, depois terra e terra, em seguida terra e água etc.

Quanto as 12 Casas do horóscopo ocidental, a astrologia chinesa emprega as 12 Casas do destino que influenciam as áreas comuns de atuação na vida pessoal. As descrições das 12 Casas do destino refletem, obviamente, os interesses de poucos privilegiados na sociedade feudal chinesa. São elas:
1 —o destino final da pessoa;
2 — a riqueza;
3 — irmãos e parentes (também
emoções e afetos);
4 — terra e habitação (também posses e heranças);
5 —filhos e filhas (também trabalhos de caridade);
6 — servos e escravos (também status social);

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7 — esposas e concubinas;
8 — doença e desgaste;
9— afastamento e mudança (também viagens ao exterior);
10 — vida no mundo e recompensa (também a profissão); — sorte e virtudes (também
oportunidades);
12 — estilo e comportamento.4

Claramente, estas Casas do destino eram definidas pelos astrólogos da corte e não se destinavam aos servos, escravos e concubinas!
Um astrólogo usa o número de ramos terrenos recorrentes do pilar mês para descobrir qual Casa será a mais influente durante cada ciclo de dez anos. Desta maneira, ele pode montar uma cronologia pessoal. Admitindo que o meu segundo ciclo tenha começado com a idade de quatro anos, dos quatro aos 14, a Casa mais influente foi a de número 9, "afastamento e mudança"; dos 14 aos 24, foi a Casa 10, "vida no mundo e recompensa" e também a profissão. Penso que pode ser dito que lancei os fundamentos da minha profissão durante este período, embora não tenha saído em viagem do meu local de nascimento em Bognor Regis na costa de Sussex no ciclo anterior de dez anos. O pilar mês é, contudo, interpretado junto aos outros três pilares do destino para formar um quadro geral da vida e expectativas de uma pessoa.

O Pilar Dia

Segundo Tsu Ping, que viveu em torno do ano 800, o broto celeste do pilar dia (hua) representa o ser. Os outros sete remanescentes dos oito signos (ba tze), cada um deles associado a um elemento, simbolizam parentes e amigos.

Usado com o pilar mês, ele pode ajudar a determinar o padrão dos ciclos de dez anos.

Para examinar se o ser é forte ou fraco entre os outros sete elementos, o astrólogo observará o elemento do ser e sua força sazonal. Por exemplo, o fogo nasce na primavera, prospera no verão, enfraquece no outono e morre no inverno. Estas mudanças sazonais no ciclo dos cinco elementos foram estabelecidas no calendário Hsia.
Com essa informação, a força do ser pode ser determinada. Se o elemento que simboliza o indivíduo é o fogo e a pessoa nasceu no inverno, quando o fogo morre, o ser será fraco. Por outro lado, se a pessoa fogo nasceu no verão, quando o fogo prospera, ela será forte. Porém a força ou fraqueza exatas dependerão do tipo de apoio dado pelos elementos dos outros sete signos.

A filosofia dos Quatro Pilares, como a filosofia chinesa como um todo, é baseada na harmonia e no equilíbrio. Até o nome de Tsu Ping, que
estabeleceu o método dos Quatro Pilares do Destino em sua forma atual, significa "água equilibrada".5 

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O elemento que representa o ser não deve ser nem muito forte nem muito fraco. Se houver um desequilíbrio, uma pessoa pode receber um medicamento sob a forma dos outros elementos para melhorar sua sorte. O método pode também indicar os pontos altos e baixos na vida do indivíduo. Em 1993, a influência que prevalecia era metal e água, por isso uma pessoa com fogo fraco pode ter enfrentado dificuldades durante este ano.

O pilar dia é mais fácil de ser identificado do que o pilar mês — uma tabela fornece o broto celeste e o ramo terreno para cada dia do ano. Os meus, referentes ao dia 23 de agosto, são respectivamente o 5 e o 7, que correspondem aos elementos terra e fogo. O resultado dos eventos que podem ocorrer durante cada ciclo de dez anos indicado pelo pilar mês é interpretado em conjunto com o dia do nascimento.

Isto é feito por meio da exploração da relação, durante o curso de cada período de dez anos, entre os elementos que influenciam o broto celeste do pilar dia e o ramo terreno do pilar mês e sua casa do destino.

Novamente, no meu caso, isto significa uma relação entre os elementos yang fogo e yang fogo no primeiro ciclo. Fogo aumenta fogo, mas os elementos podem permanecer em uma relação positiva, negativa ou neutra entre si. Isto é apresentado, como já vimos, como um ciclo da criação e um ciclo da destruição, dependendo da relação entre os elementos. Por exemplo, o elemento madeira chinês produz fogo, fogo cria terra, terra gera metal, metal corre como água, água nutre madeira. Eles estão em uma relação positiva. Por outro lado,
madeira queima terra, fogo derrete metal, terra absorve água, metal corta madeira e água encharca fogo. Eles estão em uma relação negativa.

Uma relação neutra pode ocorrer quando três elementos cancelam um ao outro: no caso de madeira, terra e metal — madeira queima terra, mas metal corta madeira.

Um astrólogo buscará as relações entre os elementos em cada ciclo de dez anos à medida que ele passa através das 12 Casas do destino. Por exemplo, metal yin na Casa 10 (vida no mundo e recompensa) no segundo ciclo de dez anos tenderá a formar uma pessoa determinada e de opinião, talvez um pouco rígida. E se o elemento do seu pilar dia for água yin, a relação entre os dois é positiva, e um fortalecerá o outro.

O elemento estritamente astrológico no horóscopo chinês envolve também as 28 constelações associadas ao elemento que rege o grupo do seu pilar dia do destino. Elas determinam o fator oportunidade na sua vida. O elo está mais com a Lua do que com o Sol: as constelações são chamadas de mansões ou habitações lunares (sieu), através das quais a Lua passa a cada dia durante
cada mês lunar de 28 dias.6 Cada mansão é regida por uma estrela fixa, e cada estrela fixa está localizada em um dos quatro arcos das constelações nos quatro quadrantes chamados de Dragão Verde, Tigre Branco, Guerreiro Escuro e Pássaro Vermelho. As 28 constelações formam um ciclo de 28 dias que se move em paralelo com o ciclo de sessenta anos.

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Visíveis durante todo o ano, elas foram distribuídas ao longo do equador celeste em torno de 2400 a.C. porém, graças à precessão dos equinócios, não são mais encontradas em suas posições originais.7

Cada constelação do dia, ou mansão lunar, está associada a um animal, sendo considerada auspiciosa ou nefasta. A primeira do ciclo é a auspiciosa Cornucópia, associada ao crocodilo; a 14a, à auspiciosa Parede (porco-espinho); e a 28a, à auspiciosa Biga (minhocas). Na primeira, encontramos estrelas da constelação de Virgem; na 14a, de Pégaso e Andrômeda; e na 28a, do Corvo. Se uma primeira leitura das constelações feita por um astrólogo ou especialista em feng shui for negativa para a época ou para um evento-chave ou enterro, ele pode procurar pelo movimento anual das constelações no almanaque chinês para descobrir um momento mais adequado.

O conceito das mansões lunares foi exportado para o Japão, onde se tornou muito popular. Um outro método utiliza o pilar dia da pessoa para planejar as atividades diárias, fazendo uma referência cruzada entre o pilar dia (hua) e os períodos quinzenais (chieh). Um mapa ajuda na descoberta do período quinzenal mais próximo que precede o dia que será considerado. Em geral, existem 12 indicadores que são consultados para as atividades diárias e conferidos com os períodos quinzenais, dependendo do ramo terreno da pessoa. Pode-se então
destacar os momentos auspiciosos e nefastos para as diferentes atividades, como pagar contas, limpar a casa, organizar eventos sociais (inclusive casamento), realizar viagens a longa distância, conseguir empréstimos, repousar e até iniciar uma dieta.

Enquanto escrevia esta parte no dia 15 de maio, seguindo o ramo terreno do meu pilar dia e conferindo-o em relação ao período quinzenal que ia de 5 a 21 de maio, vi que era uma época auspiciosa para "limpar a casa ou limpar as bases como preparação para o que viria. Não era um bom momento para os negócios nem para a socialização. Deveria cuidar da saúde, boa forma e aparência pessoal".8 Não me dizia que era uma boa época para escrever, mas pelo menos eu estava arrumando minhas pesquisas, colocando-as em ordem para escrever.

O Pilar Hora

Até agora tratamos dos pilares ano, mês e dia dos Quatro Pilares do Destino. Resta o pilar hora (guo). Como vimos anteriormente, o dia chinês é dividido em 12 períodos que correspondem a duas horas do tempo ocidental cada, começando com o período que vai das 23h a lh. Cada período corresponde a dois signos, um para o broto celeste e o outro para o ramo terreno.

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Para uma pessoa nascida fora da China, primeiro é necessário converter a hora do nascimento para o Tempo Universal (TU) — o
mesmo do Tempo Médio de Greenwich (TMG) — e depois adicionar oito horas para convertê-lo para o Tempo Chinês do Litoral (TCL). Eu nasci aproximadamente às 16h30 em agosto (horário de verão inglês), que corresponde às 15h30 (TU) e às 23h30 (TCL). Levando a conversão em consideração, o número do meu ramo terreno é 1, associado ao signo Ming Shu do Rato e ao elemento água yang. O broto celeste do meu pilar hora é 9, também associado à água yang.
Sou realmente aquoso!

Com esta informação nas mãos, posso descobrir a fatia da sorte com a qual nasci. A sorte tem um papel importante na interpretação de um horóscopo chinês. Um dos métodos mais antigos de calcular a parte da sorte é colocar o ramo terreno do pilar hora em uma das quatro imagens do Imperador Huang Ti, o semilendário "Imperador Amarelo" que reinou há uns cinco mil anos.

Cada imagem representa uma estação em particular: primavera, verão, outono e inverno. Nos almanaques chineses as quatro imagens são chamadas de "A Canção das Quatro Estações". Os 12 ramos terrenos são distribuídos em torno do corpo do imperador — cabeça, ombros, ventre, mãos, virilhas, joelhos e pés —, o que é um outro exemplo do microcosmo refletindo o macrocosmo das estações definido pelo movimento da Terra em torno do Sol.

Para descobrir minha parte da sorte no nascimento, verifiquei a estação na qual nasci (outono no ano chinês) e localizei o ramo terreno do meu pilar hora que está nos ombros do Imperador Amarelo. Isto indica: "O Destino melhora com a idade (...) A pessoa pode melhorar seu destino seguindo duas regras gerais: não descansar sobre outra pessoa por qualquer razão e evitar o esmorecimento ao se deparar com obstáculos. Os filhos desta pessoa terão um destino melhor."9 Um conselho muito sábio.

Se o seu ramo terreno estiver no ventre do Imperador Amarelo, você será capaz de conseguir fama e fortuna nas artes ou na música em uma etapa posterior da vida; se for nas mãos, os negócios e o comércio serão suas fontes principais de sorte, e você fará ainda melhor se deixar seu local de nascimento; se cair na virilha, sua riqueza e melhor status estarão assegurados para uma fase posterior da vida; se estiver nos joelhos, você não terá sorte, levando uma vida inquieta e não realizada. Finalmente, se o seu ramo estiver nos pés, você só encontrará felicidade se renunciar a todas as aspirações materiais e mundanas, desenvolvendo seus aspectos intelectual e
espiritual e deixando seu local de nascimento para viver nas florestas,
embora possa ter duas esposas! Eu pareço mais ser um homem dos pés do que qualquer outro.

Uma vez determinado os Quatro Pilares do Destino e trabalhados os ciclos do destino, o astrólogo chinês traça um perfil da personalidade do indivíduo.

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Isto é geralmente feito baseado nos três eventos mais importantes da vida: após o nascimento, antes de se casar e antes de ser enterrado. Com a informação fornecida pelo pilar dia, o perfil pode também ser utilizado para fazer previsões diárias.

Não é fácil para um ocidental apreciar o significado simbólico dos oito
signos (ba tze) formados pelas combinações dos brotos celestes e ramos terrenos que simbolizam os Quatro Pilares do Destino. Cada signo possui seu valor mágico, como um gesto em uma dança ou uma imagem em uma pintura.

Quando os xamãs vestidos como animais dançam e tocam tambores, eles também sabem disso. Sob diferentes apresentações, os signos possuem o poder simbólico dos nomes pessoais.

8 Conhecer Todas as Coisas

Nenhuma superstição é tão comum em todo o reino como a que pertence à observância de determinados dias e horas como sendo bons os maus, auspiciosos ou nefastos, para agir ou impedir a ação porque se supõe que o resultado de tudo o que fazem depende de uma medida do tempo. MATTHEW RICCI

Outro tipo popular de Astrologia se baseia no calendário chinês. Ele
fornece um método para planejar as atividades diárias, sejam mudar de casa, se casar ou conseguir um encontro de negócios. Baseava-se
geralmente no movimento da Lua durante o ano à medida que ela atravessava as 28 constelações das estrelas fixas conhecidas como sieu (mansões lunares).

Este método de previsão utilizava um almanaque editado a cada ano.
O Almanaque Chinês é muito antigo. Na verdade, ele pode ser descrito como a enciclopédia mais antiga no mundo, pois tem sido publicado continuamente desde cerca de 2250 a.C. Era compilado por astrólogos sob as ordens do Imperador Yaw que viu a vantagem, especialmente para os fazendeiros, de fixar as estações. Embora seja revisto a cada ano, a maior parte do texto permanece a mesma, e sua linguagem arcaica é difícil de ser compreendida.

Em Taiwan ele é conhecido como "Almanaque do Fazendeiro";
em Hong Kong como o Tong Sing, "O Livro do Saber de Todas as Coisas".' Um compêndio de informação sobre astrologia, procedimentos divinatórios e crenças tradicionais, ele contém instruções para leitura de rosto e da palma da mão e abarca a sabedoria dos Quatro Pilares do Destino e do feng shui. É basicamente um calendário que reflete a influência dos cinco elementos em um determinado momento no tempo.

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Matthew Ricci, jesuíta do século XVI, desaprovava esses trabalho que eram tão populares na China. "Cada casa possui um suprimento deles
[almanaques]", ele escreveu. "São produzidos sob a forma de panfletos, e neles se encontram orientações sobre o que deve ser Feito e o que deve ser deixado por fazer para cada dia em particular, e qual o momento preciso em que cada coisa deve ser realizada. Desta maneira o ano inteiro é mapeado cuidadosamente em detalhes exatos."2

Perguntei ao curador do Museu do Espaço de Hong Kong, Dr. Chan Ki
Kung, o que ele achava do Almanaque Chinês. Um homem racional, com conhecimento de física e astronomia, ele surpreendentemente não se mostrou cético. Mas confessou: "Eu o consultei há alguns dias. Existem muitos termos astrológicos nele. E muito popular entre os mais velhos, e muitos jovens não conseguem compreender os seus termos. Eles conhecem cada palavra, mas quando elas se juntam, eles não compreendem seu significado porque precisam de uma certa base para interpretá-las.

Ainda é muito consultado pelos pais para descobrir uma boa data para os casamentos. As pessoas se mudam muito em Hong Kong, e ele é também utilizado para se escolher um dia propício para
mudar de casa."

O autor em Hong Kong do Almanaque Chinês, o Tong Sing, é o Sr. Choi Park-lai. Seu escritório ficava no oitavo andar do Edifício Comercial Hillier, no Quarteirão Central. Era um escritório de andar inteiro entulhado de papéis e coberto de aquarelas e desenhos chineses. Meia dúzia de pessoas — homens e mulheres—trabalhava nele. Eles nos ofereceram chá antes de entrarmos em seu pequeno escritório. O Sr. Choi, um octogenário vestido com um terno marrom-avermelhado e gravata vermelha, era especialista em feng shui e
também em fazer calendários chineses. Para manter sua antiga arte, ele se sentava cm uma cadeira grande coberta com um tosão branco defronte de uma grande escrivaninha colocada do lado oposto ao da entrada para o seu escritório. Aparecia com regularidade na televisão e era famoso em toda Hong Kong. Em suas paredes havia fotografias tiradas com várias celebridades ocidentais e chinesas.

Fui visitá-lo acompanhado de uma jovem intérprete chamada Sherman. Ele me disse, por seu intermédio, que a produção dos almanaques tem sido um negócio de família há 120 anos. Seu pai fora seu mestre. Eu tinha lido em um dos prefácios de um dos seus diários: "O conhecimento da família Choi sobre o fung shui (geomancia), o yin e o yang (pesquisa dos princípios positivo e
negativo da natureza), o Ng hang (os cinco elementos primários) e a 'Escolha das Datas' têm sido passado através de três gerações, e tenho praticado profissionalmente estas teorias há várias décadas.**

No mesmo trabalho ele explicou que: "Fung Shui ('vento e água*), nome do sistema chinês de geomancia, por meio do qual são determinados locais para sepulturas, casas e outras construções, e o Almanaque Chinês são métodos antigos que utilizam teorias altamente sofisticadas do *yin e yang* (os princípios positivo e negativo da natureza) e do 'Ng hang' (os cinco elementos primários, i.e., metal, madeira, água, fogo e terra) para ajudar as pessoas a entrar em harmonia com a natureza e buscar a boa sorte e evitar as más influências."

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Perguntei ao Sr. Choi a respeito da ligação entre feng shui e o calendário chinês.

— O feng shui está ligado aos oito caracteres.

Isto eu sabia que era o nome popular para os Quatro Pilares do Destino na astrologia chinesa. Ele pronunciou feng shui no dialeto cantonês, como "fung shoy".

— A localização chinesa dos objetos na casa — traduziu Sherman — está ligada às quatro estações. Envolve o fluxo do chi, a energia. Algumas vezes é boa; outras, nem tanto. E diferente para pessoas diferentes; por isso está ligada aos oito caracteres. A minha tradutora logo começou a transpirar por causa das dificuldades
de sua tarefa. O Sr. Choi permanecia totalmente calmo e brincava com um pequeno ábaco em sua escrivaninha em desordem enquanto falava.

— Os oito caracteres são muito pessoais. Se você nasceu com oito bons caracteres, será muito bem-sucedido e terá uma vida tranquila. Se eles forem ruins» você terá uma vida muito difícil.

— E quanto à sorte. Pode fazer a diferença?

— O seu destino é aquilo com o que você nasceu. Mas a sorte é" o que você faz dele. A sorte pode aumentar a prosperidade. Se você nasceu com um bom destino e tem boa sorte, sua vida será ainda melhor.

— E se a pessoa tiver um mau destino?

— Mesmo assim a boa sorte ainda poderá ajudá-la.

— Qual o papel do feng shui em tudo isso?

— O feng shui funciona como a sorte. Elo equilibra ambos os lados. Um bom feng shui pode ajudar um mau destino. Se você tem um bom destino, o feng shui pode torná-lo ainda melhor. O feng shui oferece um remédio para sua vida. Pode multiplicar os seus ganhos, talvez em até dez vezes. É bom para a sua saúde e para os seus relacionamentos.

— E se a pessoa não aplicar o feng shui?

— Se ela não aplicar, simplesmente seguirá seu destino. Mas com o feng shui, ela poderá melhorar sua vida. Você pode não somente evitar o mal, como ampliar seu potencial. Pode trazer a sorte para mais perto de você.

— O que quer dizer com mal?

— Um mau caminho. O feng shui diz para a pessoa evitar um mau
caminho. Em termos bem gerais.

— Como o senhor faz isso?

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— Pela posição e pelo momento. Neste escritório, uma posição é má; outra é boa. Se eu não usar aquele canto, isto ajudará a evitar o mal. Podemos usar peças de decoração para anular o mal.

Eu tinha notado que havia uma bússola de feng shui, conhecida como
bússola Lo Pan, em seu escritório e perguntei se era importante.

— É o mais importante. Um mestre de feng shui não pode julgar com o olho desarmado. Existem 24 direções diferentes segundo a época do ano, e interpretações diferentes para os 360°; algumas boas, outras más. Existem também ciclos de vinte anos, nove anos e um ano. Em 2004, por exemplo, estaremos no fim de um ciclo de vinte anos. Haverá uma mudança muito grande.

— Que tipo de mudança?

— O feng shui não faz previsões sobre tendências mundiais, somente para um país ou lugar.

— O quanto são confiáveis?

— A bússola é somente uma ferramenta que faz os cálculos. As interpretações são feitas pelo seres humanos — respondeu ele sorrindo astuciosamente. Então eu me voltei para o que fizera do Sr. Choi um nome renomado em Hong Kong — seu almanaque. Perguntei se era baseado no Sol ou na Lua.

— As pessoas do observatório utilizam o calendário solar. Nos tempos
antigos, os fazendeiros chineses usavam a Lua, mas ela não é muito precisa. Devemos usar o solar.

Perguntei como o almanaque funcionava.

— O almanaque chinês possui 365 dias. Alguns dias são bons, outros, são maus. Em um mau dia as pessoas devem evitar fazer certas coisas, coisas do dia-a-dia como iniciar um negócio, mudar de casa ou viajar.

— Como o senhor decide se um dia é bom ou mau?

— Segundo os meus cálculos. A cada sessenta anos completa-se um ciclo e a cada 180 anos um grande ciclo. Isto modifica os dias em anos diferentes. Ele estava claramente se referindo ao chamado Grande Ano no calendário chinês.

— Existe uma entrada para cada dia. Ela lhe diz os sins e os nãos,
dependendo dos seus oito caracteres.

— E possível uma pessoa interpretar para si própria?

— Claro, basta consultar o livro!

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O Diário da Boa Sorte

Além do seu almanaque bem colorido e ilustrado em chinês, o Sr. Choi me deu um "Diário da Boa Sorte", que resumia em chinês e inglês vários elementos do Almanaque Chinês. Muitas pessoas o levam a sério, até em detalhes como o melhor dia para lavar os cabelos. Os chineses consideram o início de qualquer evento como se fosse seu aniversário.

Como já foi explicado, no calendário chinês existe um total de 22
ideogramas, consistindo de dez brotos celestes e 12 ramos terrenos. Estes estão ligados um ao outro por relações harmoniosas ou beligerantes. A primeira regra para selecionar uma data para um evento importante é não usar os dias em que o ramo terreno se chocar com o ramo do mês; por exemplo, você não deve escolher um dia em que o ramo terreno seja metal yin num mês madeira yin, pois metal, segundo o ciclo da destruição, corta madeira. Da mesma forma, deve ser evitado um relacionamento conflitante entre os anos de nascimento das pessoas envolvidas.

O "Diário da Boa Sorte" marca os dias propícios com um ponto vermelho, um dia razoável com um círculo vermelho e um dia ruim com um ponto preto. As boas épocas são também destacadas em vermelho. São também atribuídos dois símbolos para cada dia: um para o signo animal e outro para um tabu de uma atividade em particular. Se o seu signo animal aparecer em determinado dia, você não deverá fazer qualquer coisa importante e evitar em particular o
tabu do dia. As boas horas durante o dia também deverão ser consultadas.

Naturalmente, se houver uma coisa muito importante a ser feita, como um casamento, enterro ou contrato, é aconselhável consultar um especialista para que ele determine o dia e o momento mais auspiciosos. Embora escrito em Hong Kong para habitantes citadinos, as atividades refletem a natureza agrícola da antiga civilização chinesa. Estas incluem: casamento, ir para longe do lugar de origem, lavrar a terra, comprar uma propriedade, lançar um navio ao mar, cavar um esgoto, consertar uma porta, construir um forno, remover uma cama, aprofundar um poço, fermentar o vinho, fazer um ninho, cortar o cabelo, pleitear em juízo, fazer uma cerimônia de abertura, lançar uma pedra fundamental, construir uma casa, mudar de
casa, abrir uma loja, fazer comércio, encontrar um amigo, entrar em uma escola, fazer tratamento médico, caçar, adorar os ancestrais, confeccionar roupas, iniciar um trabalho, limpar a casa e enterrar um morto.

Além disso, o diário registra as fases da Lua, os solstícios e equinócios, os períodos quinzenais, os brotos celestes e os ramos terrenos. Embora primordialmente baseado no moderno calendário solar, contem também detalhes lunares e informações do calendário chinês utilizado na astrologia dos tempos antigos.

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Notei que em 2001, o meu aniversário, 23 de agosto, coincidia com o período quinzenal de "Término do calor**, que marca o fim do verão. Era um dia auspicioso assinalado com o ponto vermelho, particularmente de lh-3h às 5h- 21h. Quanto aos tabus, aqueles que fossem do signo do Rato não deveriam comprar uma propriedade naquele dia.

Segundo o seu diário e o almanaque, havia encontrado o Sr. Choi num bom dia, porém cm um momento não auspicioso. No fim da nossa entrevista, Sherman, a jovem tradutora, disse que estava indo a Temple Street em Kowloon para fazer uma "leitura de rosto”. Ela certamente precisava relaxar depois de todos os esforços para traduzir as palavras enigmáticas de uma figura tão famosa como o autor do Almanaque Chinês. Claramente no coração de Hong Kong a astrologia, o feng shui e outras práticas divinatórias estão vivos e passam bem, apesar do comunismo ateu da nação chinesa e do
capitalismo materialista da ilha.

9 Vento e Água

A energia do dragão será dissipada pelo vento e será detida no limite da água. O LIVRO DOS ENTERROS

Os quatro pilares astrológicos dão forma ao nosso destino, porém o Feng shui pode influenciar nossa sorte, que, por sua vez, pode afetar o cumprimento do nosso destino. Como dizem os cantoneses: "O destino vem em primeiro lugar, em segundo a sorte e em terceiro o feng shui." E, como me explicou o autor do Almanaque Chinês, um bom feng shui pode melhorar um destino ruim e fazer de um bom ficar melhor ainda.

O feng shui complementa de várias maneiras a astrologia tradicional.
Ambos confirmam a antiga crença chinesa de que tudo no universo
repercute em todo o restante e que existe uma ligação íntima entre o céu, a Terra e a humanidade. Os Quatro Pilares mostram que os céus influenciam nossas vidas e o feng shui mostra como a Terra afeta a maneira que vivemos. Embora não possamos modificar a primeira, pois ela é formada pelas forças naturais dos elementos, podemos alterar a última. É aí que se encontra nossa área de liberdade. O feng shui é uma maneira de manipular nossa sorte.'
Os Princípios do Feng Shui

Então, o que é exatamente o feng shui? Feng shui (em mandarim pronunciasse como se escreve e cm cantonês diz-se "fung shoy", significa literalmente "vento e água". O termo parece ter se originado de um clássico chinês chamado O livro dos enterros, que oferece orientações para a escolha de um local próspero da terra para os ancestrais.

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Esses locais eram chamados de "toca dos dragões", onde ficava acumulada a energia do dragão da montanha. Claramente a energia do dragão será soprada pelo vento, daí a necessidade de um ponto bem abrigado. O limite da água era interpretado não somente como o fluxo da água, mas como o espaço aberto e livre.

O feng shui é algumas vezes traduzido como geomancia, mas ele e mais amplo que a geomancia ocidental, e não se preocupa apenas com a Terra, mas também canaliza as forças cósmicas.2 É a antiga arte e ciência de adaptar as moradias dos seres vivos e dos mortos, a fim de harmonizá-las com a energia do ambiente mais próximo. Tornou-se o estudo do ambiente vivo. Seus princípios fundamentais são baseados na filosofia do yin-yang, na teoria dos cinco elementos e nos oito trigramas que estão no coração da astrologia chinesa.

Considera também o "tempo do destino" do chefe da casa. A má localização das tumbas dos ancestrais pode levar a perturbações de
suas almas e má sorte para os seus descendentes. Por outro lado, um bom local auxiliará no bem-estar e prosperidade do todos. De modo similar, uma habitação com um bom feng shui favorecerá a saúde, a prosperidade e a felicidade dos seus habitantes. A forma das casas, aldeias, palácios, cidades e cemitérios chineses foram todos influenciados pelo feng shui.

Beijing em particular está protegida das más influências do Norte pelas montanhas e está situada em uma suave planície onde pode desfrutar das influências benignas do Sul.

Os primeiros comentaristas ocidentais tenderam a desvalorizar o feng
shui como uma superstição. No século XVI, o Jesuíta Matthew Ricci o
chamou de "rito supersticioso". No século XIX, Ernest Eitel lamentou como o "sistema de superstição" era um obstáculo ao "progresso", pois os mestres do feng shui objetavam a implantação das linhas telegráficas, a construção de estradas, a abertura de minas e a construção de ferrovias. Até Joseph Needham, que apreciava a influência estética do cenário chinês, o chamou de pseudociência, uma forma de divinação e um "sistema grosseiramente supersticioso".1 

Sem dúvida refletindo o crescimento da sua popularidade, os intérpretes ocidentais mais recentes têm se mostrado mais simpatizantes, assegurando que ele é um "modo astro-biológico de pensamento" ou uma forma de "astro-ecologia".4 

Pode ser ainda mais bem descrito como um tipo de "eco-astrologia", pois reconhece a ligação íntima entre o microcosmo e o macrocosmo (a pessoa e o universo) e a ampla correspondência entre os céus e a Terra (assim como é em cima, é embaixo). Além disso, ele oferece um modelo do cosmo na Terra.

Sob vários aspectos, o feng shui é simplesmente bom senso. Todos nós já passamos pela experiência de perceber que alguns lugares são inspiradores, enquanto outros são distintamente horripilantes.

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Uma casa sobre um solo úmido e com pouca inclinação provavelmente propiciará doenças e inundações, enquanto uma casa voltada para o Sul e com uma bela vista passará um sentido de segurança e bem-estar.

Ao estudar a maneira como o vento e a água moldam um cenário, o feng shui simplesmente desenvolveu essas intuições em um sistema baseado num pragmatismo bem fundamentado e encarna os princípios fundamentais da ecologia.5

Mesmo antes de ter encontrado o feng shui, eu praticava instintivamente seus princípios. Quando acampava com meus filhos, dedicava bom tempo para escolher um bom local considerando as características topográficas gerais e depois caminhando pela redondeza até sentir que tinha encontrado o "lugar certo" para ficar.

Os nômades e os cães fazem o mesmo. Os princípios são muito antigos e os construtores que utilizaram megálitos em todo o mundo claramente os conheceram. Existem evidências de que na Dinastia Shang (1800-1200 a.C.) o estabelecimento das povoações era "um
evento deliberado, planejado" e que tomava a forma de um cercado murado alinhado com as quatro direções cardinais.6 Os princípios têm sido registrados na China desde o século IV a.C. e consolidados cm um sistema do período dos Três Reinos. A base teórica do feng shui é encontrada no I Ching, porém a primeira referência à disciplina está em uma bibliografia de Artes Práticas no trabalho chamado História anterior da dinastia Han, de Pan Ku (32-92). Ele
menciona dois trabalhos perdidos chamados O livro de ouro dageomancia Conformações terrestres para as habitações entre outros sobre astrologia e os calendários.

Enciclopédia imperial se refere a um texto do século V conhecido como Clássico de habitação do Imperador Amarelo, de Wang Wei, que discute as habitações yin para os mortos e yang para os vivos. Declara: "Uma boa terra dará brotos exuberantes; uma casa com boa sorte trará prosperidade."7 No período T'ang, o interessante título Ching Nang Ao Chih {Princípios misteriosos da bolsa azul) foi atribuído ao famoso praticante de feng shui Yang Yün-Sung. Só para esclarecer, a Bolsa Azul era o Universo!

Após a Dinastia Sung (960-1292), cresceram duas escolas principais de feng shui. A primeira foi a Escola da Forma, que assumiu uma posição mais intuitiva para determinar uma construção.

Posteriormente surgiu a Escola da Bússola, dita ter sido desenvolvida por Wang Chi, que é mais analítica e baseada nas relações entre os cinco elementos, os oito trigramas, os brotos celestes, os ramos terrenos e a constelações.

Pude observar um exemplo clássico de feng shui na Tumba Ming próximo a Beijing. A localização da tumba do primeiro imperador é bem protegida por montanhas por todos os lados, com um lago defronte da tumba, criando desta forma uma perfeita toca do dragão. Contudo, os imperadores posteriores da dinastia foram enterrados cada vez mais longe do local original e não ficaram mais abrigados pelas montanhas ou de frente para o lago.

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O 13° e último imperador Ming, que perdeu seu país para os manchus do Norte, encontra-se na posição menos favorável, como se todo o conhecimento do feng shui tivesse sido esquecido. Alguns mestres consideram isto como uma explicação metafísica da queda da dinastia: eles não sabiam mais como canalizar as energias do céu e da Terra em favor da humanidade.

Tanto a energia de um lugar, quanto a energia das pessoas que ali vivem mudam com o tempo, um especialista em feng shui precisa ser um conhecedor da filosofia natural chinesa (yin e yang e os cinco elementos) e um mestre do calendário. A base teórica do feng shui é o conceito do chi. Os seres humanos, tanto mortos quanto vivos, estão sob o controle da energia ativa do chi que prevalece no céu e na Terra. Ela flui sob a superfície da Terra em condutos conhecidos como veias do dragão, como os caminhos do sangue nas artérias e veias dos seres humanos- Está particularmente concentrada nas montanhas, cursos de água e na vegetação. Em geral, é
responsável pelo crescimento e mudanças no mundo natural.
O chi varia não somente no espaço, mas também no tempo de maneira cíclica, oscilando entre o yin e o yang em locais diferentes durante todo o ano e o grande ciclo de sessenta anos. Este conhecimento fez surgir o que é tido como o feng shui da "estrela cadente", no qual as estrelas cadentes indicam como o chi muda continuamente no tempo e se move no espaço, afetando nosso bem-estar nas diferentes direções.8

Existem o chi da Terra no ambiente, chi do céu no ciclo anual das
estações e o chi que flui nos cursos de água. Sua contraparte negativa é sha (não confundir com a mesma palavra para eminências locais), que sopra do Norte, exaure a energia, viaja ao longo das linhas retas, penetra nas aberturas e se esconde em poças estagnadas.

Em um local ideal, o chi do céu e o chi da Terra se unem, acumulam e interagem. Como diz o Chão T'ing-tung: “A habitação terrena e a
constelação celeste devem estar em um relacionamento produtivo ou em harmonia."9 As características mais importantes e proveitosas para o chi são a orientação do local, a topografia dos arredores, o projeto da construção, o tempo e os ocupantes.

Cada local na Terra possui características especiais que modificam a
influencia local dos diferentes tipos de energia ou chi. As influências
naturais mais importantes são feitas pelas formas das colinas e cursos de água, que são moldados pelo vento e pela água (daí o nome feng shui). As alturas, formatos e orientação das construções e a direção das estradas e pontes também desempenham seu papel. Como o fluxo do chi cm localidades diferentes é influenciado pelas posições dos corpos celestes, a astrologia tradicional também é levada em consideração.

Embora um bom local seja o fator mais importante, existem remédios
para um mau feng shui, como cavar esgotos e túneis, criar lagos ou
reorientar a direção dos cursos de água.

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A água corrente adjacente a uma casa é invariavelmente boa; pedras
isoladas são ruins. Nada deve impedir o fluxo suave do chi: ele não deve correr muito rápido, como em uma escarpa, nem estagnar, como em um pântano. As más influencias que afetam uma casa que já foi construída também podem ser contrabalançadas com dispositivos como espelhos, sinos de vento, tridentes e talismãs.
O local ideal assume a forma de um "sofá" protegido nos três lados por montanhas ou colinas, e aberto para o Sul com um curso de água defronte.

Aqui o chi terreno pode ascender e o chi celeste descer, encontrando-se e unindo-se na "toca do dragão" da habitação. A tumba, casa ou aldeia estará então protegida como por um abraço.

As duas correntes principais do chi doador de vida na Terra são o yin e o yang, simbolizados pelo Dragão Verde e pelo Tigre Branco, que estão associados aos quadrantes oriental e ocidental do céu. A força do Dragão yang e o yin do Tigre devem se equilibrar entre si. Em geral, as escarpas altas são consideradas yang e as elevações arredondadas e a água yin (o simbolismo sexual é óbvio). O ideal é que o local contenha três quintos de yang e dois quintos de yin. Nos locais urbanos, as estradas podem tomar o lugar dos cursos de água, e outras construções podem ser consideradas como montanhas.

A característica mais importante em um cenário é o dragão; ele é linear e liga todas as outras formas. Dependendo da sua natureza, pode aumentar ou destruir a sorte humana. As cristas das colinas e montanhas são as veias e artérias do seu corpo.

Mais que impor uma rede artificial sobre o cenário, os chineses preferem estradas, muralhas e construções ventosas que sigam os contornos naturais da Terra. Pude verificar isto cm locais de antigas fazendas, casas e aldeias durante as minhas viagens pela China. Na verdade, o movimento dos jardins geométricos do período neoclássico na Europa, como Versalhes, aos jardins delicados e pitorescos da era romântica podem ter sido influenciados pelo
gosto chinês trazido pelos jesuítas.10

As montanhas evitam que o chi se disperse, acalmando o vento, enquanto os cursos de água bloqueiam seu movimento e evitam que ele se disperse. Se houver canais cm excesso, o chi se dissipará. A "toca do dragão", por outro lado, é onde o chi exerce sua influência positiva e poderosa. Deve ser encontrado um bom lugar aberto para o Sul e protegido nos três lados pelas montanhas. A "Montanha do Dragão" traz harmonia e a "Água do Dragão" a prosperidade.

Os cinco planetas são utilizados para descrever os diferentes formatos de terra e estão associados aos cinco elementos. Mercúrio é considerado como a Estrela da Água; Vênus, a Estrela do Metal; Marte, a Estrela do Fogo; Júpiter, a Estrela da Madeira; e Saturno, a Estrela da Terra. Se uma montanha no Leste é a Estrela do Metal e uma no Sul a Estrela do Fogo, isto será desfavorável porque Fogo destrói Metal.

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O ideal seria ter Água (um platô irregular) no Norte; com Madeira (término abrupto) no Leste; um formato de terra associado ao Fogo (três picos) no Su! e Metal (curvado) no Oeste.

O objetivo final do feng shui é descobrir uma maneira de viver
harmoniosamente com o mundo natural, sem dominá-lo ou conquistá-lo. Ele fornece um meio para equilibrar as energias da Terra e dos céus, e como tal pode ser visto como a ciência aplicada da cosmologia chinesa. Na verdade, uma habitação favorável para os chineses não é somente um símbolo do ser, é nada menos que um imago mundi — uma imagem do universo.

A Bússola Lo Pan

O principal instrumento para o especialista em feng shui fazer seus cálculos é a bússola Lo Pan. Para alinhar corretamente uma habitação com as forças cósmicas da Terra e dos céus, o especialista em feng shui faz uso da informação gravada em uma série de anéis concêntricos em torno da bússola magnética central. Isto inclui as direções, os trigramas e os hexagramas do /Ching, e os brotos celestes e os ramos terrenos do ciclo de sessenta anos do calendário chinês.

Um protótipo da bússola Lo Pan, que reflete a ligação íntima entre o feng shui e a astrologia do momento, foi a tábua do divinador conhecida como shih. Datando aproximadamente do século II a.C. era formada por duas tábuas, a superior com o formato de um disco, representando o céu, e a inferior quadrada, correspondendo à Terra.
Adquiri uma bússola Lo Pan em Hong Kong. Sua base quadrada contém vários anéis concêntricos em torno da agulha da bússola central que flutua em óleo — conhecida como Piscina do Céu. Notei que quando a coloquei próxima ao meu computador, ela vibrou suavemente, captando o forte campo magnético e sem dúvida a irradiação do meu equipamento.

As bússolas Lo Pan podem ter 38 anéis, porém as mais simples têm nove. Como representam os hexagramas, os elementos das estrelas, elas mostram como a astrologia e o feng shui se unem para descobrir uma habitação auspiciosa para os vivos ou para os mortos. A bússola engloba os três aspectos essenciais do universo — céu. Terra e humanidade —, que devem trabalhar juntos para manter a harmonia essencial a prosperidade e ao bemestar.

O primeiro anel representa os oito trigramas da primeira arrumação
conhecida como "A Primeira Seqü.ncia Celeste", cuja descoberta é
atribuída a Fu Hsi. Eles representam as direções da bússola, com o yang em sua altura maior ( ) no Sul e o yin ( ) no Norte. Os trigramas também simbolizam os fenômenos naturais: céu, lago, fogo, trovão, vento, água, montanha e terra.

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Como símbolos das forças naturais, acredita-se que protegem a agulha magnética. O segundo anel contém nove estrelas móveis, que se acredita serem as sete estrelas da Ursa Maior, mais duas estrelas próximas, que são espelhadas por formas específicas no cenário. Seus nomes revelam seu contexto histórico: Lobo Ganancioso, Grande Portão, Salário Preservado, Pureza e Castidade, Exército Destruidor. As duas estrelas extras são conhecidas como Reforço Esquerdo e Assistente Direito. Representam as formas favorável e desfavorável no cenário."

O terceiro anel abarca as 24 "montanhas" compostas de setores com 15°, que são pontos direcionais similares aos da bússola do marinheiro. A escola San-ho de feng shui, que enfatiza a harmonia entre o céu, a Terra e os homens, possui três anéis de 24 montanhas, mas a escola San-yüany que enfatiza a influencia do ciclo do tempo do ambiente, possui somente um. As montanhas correspondem aos quatro hexagramas da Seqü.ncia Celeste
Posterior, oito brotos celestes e 12 ramos terrenos. Os brotos celestes Mou e Chi não estão presentes porque correspondem à Terra no centro. O anel é utilizado para estabelecer a direção das habitações e para medir o cenário e a amplitude das montanhas.

O quarto anel contém oito estrelas principais do sistema da astrologia de Tzu Wei (Mestre Wei). Tzu Wei é o nome do deus que cuida daquilo que é chamado por vários nomes como Estrela Púrpura, Planeta Púrpura ou Estrela Polar. E o centro do calendário astrológico. A duração de vida dos seres humanos é simbolizada pela Ursa Maior e Ursa Menor (ou Mergulhador), as duas constelações mais próximas e que também são chamadas de Dimensões Norte e Sul. Na Dimensão Sul vive o deus do nascimento e na Dimensão Norte o deus da morte.

Os dois anéis seguintes — o quinto e o sexto — listam os 64 hexagramas (kua) do I Ching. Os hexagramas no quinto anel oferecem uma leitura para  presente e no sexto, uma leitura para o futuro. Alguns mestres de feng shui associam direções diferentes da bússola com números kua para representar os oito períodos de vinte anos no ciclo de 160 anos. Ao selecionar um local auspicioso para um enterro, eles assegurarão que a energia positiva — "o Dragão da entrada" — virá de um número e direção kua próspera.


O sétimo anel possui 24 termos ou "períodos quinzenais" (chieh) do
calendário solar Hsia, cada um correspondendo a 15° medidos na longitude, do movimento do Sol na eclíptica. No calendário eles ocorrem a cada 15 ou 16 dias. Cada termo define uma atividade no ano agrícola: os períodos chi (tais conto "Insetos Excitados" e "Orvalho Frio") marcam períodos de crescimento e diminuição, enquanto os períodos quinzenais (como o início da primavera ou o
equinócio da primavera) mostram as mudanças no ciclo anual.
O oitavo anel encerra as 28 constelações que são utilizadas para
determinar a posição e o momento de um enterro.

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São divididas em setores associados aos símbolos das quatro direções: o setor do Dragão Verde, nas constelações orientais; o setor da Tartaruga Negra (também conhecida como Guerreiro Escuro), nas constelações setentrionais; o setor do Tigre Branco, nas constelações ocidentais; e o setor do Pássaro Vermelho, nas constelações meridionais. Elas formam paralelos com a Terra, e em uma casa auspiciosa assumem suas posições corretas nas quatro direções cardinais.

O ciclo externo da bússola de nove anéis é dividido em 360°. A bússola chinesa original era dividida em 365,25°, mas ela mudou após a chegada dos jesuítas no século XVI com seus telescópios e medidas exatas.

Existem outras bússolas Lo Pan com arrumações diferentes de anéis que fornecem outras informações. A bússola de 38 anéis contém um anel de astrologia que é utilizado para conferir o equilíbrio dos elementos, yin e yang, os brotos celestes e os ramos e os hexagramas para traçar um horóscopo da pessoa em relação a um lugar.12 Existe também um Anel da Estrela da Vida usado para descobrir a Estrela da Vida ou constelação dos mortos. O chamado
Anel do Palácio do Cavalo traça a posição da Estrela do Cavalo viajante em relação à sepultura para assegurar que a alma do morto ficará contente e não vagará. Isto é importante, pois a paz e a felicidade do morto afetarão a sorte dos membros vivos da família.

Os três métodos principais na Escola da Bússola são o San-ho, San-yüan Chiu-hsing. San-ho examina o local do feng shui do ponto de vista da hora: o dragão (a principal cadeia de montanhas situada no fundo do local), o ponto do feng shui (hsüeh), as eminências locais (sha) e os cursos de água. O método San-yüan examina a situação dentro do ciclo de sessenta anos que combina os dez brotos celestes e ramos terrenos baseado nos hexagramas do J Ching. O
método Chiu-hsing considera principalmente a relação direcional das construções da casa e seus elementos.

A orientação auspiciosa da casa dependerá do "destino da vida" do dono da casa. Seus Quatro Pilares do Destino devem, portanto, ser levados em consideração. As direções benéficas dependerão da idade da casa (no qual o período de vinte anos que foi construída dentro do ciclo de 160 anos) e também a idade do dono da casa e o estágio particular que ele ou ela se encontra no ciclo de dez anos. O sistema Pa Che, por exemplo, utiliza uma bússola pessoal para determinar se uma pessoa tem uma "vida oriental ou ocidental", dependendo do ano do seu nascimento. A bússola indica os elementos que podem trazer harmonia ou conflito na sua vida e quais as cores e números que lhe são mais apropriados.13 Aponta também as direções favoráveis e nefastas da bússola para cada indivíduo. No meu caso, tenho uma "vida ocidental", meu elemento é ouro e meu número é 6. A sorte virá do Oeste (vitalidade), Noroeste (vida), Sudoeste (longevidade) e Nordeste (boa sorte). As outras direções são desfavoráveis.

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O Quadrado Lo Shu 

O Diário da Boa Sorte

Além do seu almanaque bem colorido e ilustrado em chinês, o Sr. Choi me deu um "Diário da Boa Sorte", que resumia em chinês e inglês vários elementos do Almanaque Chinês. Muitas pessoas o levam a sério, até em detalhes como o melhor dia para lavar os cabelos. Os chineses consideram o início de qualquer evento como se fosse seu aniversário.

Como já foi explicado, no calendário chinês existe um total de 22
ideogramas, consistindo de dez brotos celestes e 12 ramos terrenos. Estes estão ligados um ao outro por relações harmoniosas ou beligerantes. A primeira regra para selecionar uma data para um evento importante é não usar os dias em que o ramo terreno se chocar com o ramo do mês; por exemplo, você não deve escolher um dia em que o ramo terreno seja metal yin num mês madeira yin, pois metal, segundo o ciclo da destruição, corta madeira. Da mesma forma, deve ser evitado um relacionamento conflitante entre os anos de nascimento das pessoas envolvidas.

O "Diário da Boa Sorte" marca os dias propícios com um ponto vermelho, um dia razoável com um círculo vermelho e um dia ruim com um ponto preto. As boas épocas são também destacadas em vermelho. São também atribuídos dois símbolos para cada dia: um para o signo animal e outro para um tabu de uma atividade em particular. Se o seu signo animal aparecer em determinado dia, você não deverá fazer qualquer coisa importante e evitar em particular o
tabu do dia. As boas horas durante o dia também deverão ser consultadas.

Naturalmente, se houver uma coisa muito importante a ser feita, como um casamento, enterro ou contrato, é aconselhável consultar um especialista para que ele determine o dia e o momento mais auspiciosos. Embora escrito em Hong Kong para habitantes citadinos, as atividades refletem a natureza agrícola da antiga civilização chinesa. Estas incluem: casamento, ir para longe do lugar de origem, lavrar a terra, comprar uma propriedade, lançar um navio ao mar, cavar um esgoto, consertar uma porta, construir um forno, remover uma cama, aprofundar um poço, fermentar o vinho, fazer um ninho, cortar o cabelo, pleitear em juízo, fazer uma cerimônia de abertura, lançar uma pedra fundamental, construir uma casa, mudar de
casa, abrir uma loja, fazer comércio, encontrar um amigo, entrar em uma escola, fazer tratamento médico, caçar, adorar os ancestrais, confeccionar roupas, iniciar um trabalho, limpar a casa e enterrar um morto.

Além disso, o diário registra as fases da Lua, os solstícios e equinócios, os períodos quinzenais, os brotos celestes e os ramos terrenos. Embora primordialmente baseado no moderno calendário solar, contem também detalhes lunares e informações do calendário chinês utilizado na astrologia dos tempos antigos.

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Notei que em 2001, o meu aniversário, 23 de agosto, coincidia com o período quinzenal de "Término do calor**, que marca o fim do verão. Era um dia auspicioso assinalado com o ponto vermelho, particularmente de lh-3h às 5h- 21h. Quanto aos tabus, aqueles que fossem do signo do Rato não deveriam comprar uma propriedade naquele dia.

Segundo o seu diário e o almanaque, havia encontrado o Sr. Choi num bom dia, porém cm um momento não auspicioso. No fim da nossa entrevista, Sherman, a jovem tradutora, disse que estava indo a Temple Street em Kowloon para fazer uma "leitura de rosto”. Ela certamente precisava relaxar depois de todos os esforços para traduzir as palavras enigmáticas de uma figura tão famosa como o autor do Almanaque Chinês. Claramente no coração de Hong Kong a astrologia, o feng shui e outras práticas divinatórias estão vivos e passam bem, apesar do comunismo ateu da nação chinesa e do
capitalismo materialista da ilha.

9 Vento e Água

A energia do dragão será dissipada pelo vento e será detida no limite da água. O LIVRO DOS ENTERROS

Os quatro pilares astrológicos dão forma ao nosso destino, porém o Feng shui pode influenciar nossa sorte, que, por sua vez, pode afetar o cumprimento do nosso destino. Como dizem os cantoneses: "O destino vem em primeiro lugar, em segundo a sorte e em terceiro o feng shui." E, como me explicou o autor do Almanaque Chinês, um bom feng shui pode melhorar um destino ruim e fazer de um bom ficar melhor ainda.

O feng shui complementa de várias maneiras a astrologia tradicional.
Ambos confirmam a antiga crença chinesa de que tudo no universo
repercute em todo o restante e que existe uma ligação íntima entre o céu, a Terra e a humanidade. Os Quatro Pilares mostram que os céus influenciam nossas vidas e o feng shui mostra como a Terra afeta a maneira que vivemos. Embora não possamos modificar a primeira, pois ela é formada pelas forças naturais dos elementos, podemos alterar a última. É aí que se encontra nossa área de liberdade. O feng shui é uma maneira de manipular nossa sorte.'
Os Princípios do Feng Shui

Então, o que é exatamente o feng shui? Feng shui (em mandarim pronunciasse como se escreve e cm cantonês diz-se "fung shoy", significa literalmente "vento e água". O termo parece ter se originado de um clássico chinês chamado O livro dos enterros, que oferece orientações para a escolha de um local próspero da terra para os ancestrais.

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Esses locais eram chamados de "toca dos dragões", onde ficava acumulada a energia do dragão da montanha. Claramente a energia do dragão será soprada pelo vento, daí a necessidade de um ponto bem abrigado. O limite da água era interpretado não somente como o fluxo da água, mas como o espaço aberto e livre.

O feng shui é algumas vezes traduzido como geomancia, mas ele e mais amplo que a geomancia ocidental, e não se preocupa apenas com a Terra, mas também canaliza as forças cósmicas.2 É a antiga arte e ciência de adaptar as moradias dos seres vivos e dos mortos, a fim de harmonizá-las com a energia do ambiente mais próximo. Tornou-se o estudo do ambiente vivo. Seus princípios fundamentais são baseados na filosofia do yin-yang, na teoria dos cinco elementos e nos oito trigramas que estão no coração da astrologia chinesa.

Considera também o "tempo do destino" do chefe da casa. A má localização das tumbas dos ancestrais pode levar a perturbações de
suas almas e má sorte para os seus descendentes. Por outro lado, um bom local auxiliará no bem-estar e prosperidade do todos. De modo similar, uma habitação com um bom feng shui favorecerá a saúde, a prosperidade e a felicidade dos seus habitantes. A forma das casas, aldeias, palácios, cidades e cemitérios chineses foram todos influenciados pelo feng shui.

Beijing em particular está protegida das más influências do Norte pelas montanhas e está situada em uma suave planície onde pode desfrutar das influências benignas do Sul.

Os primeiros comentaristas ocidentais tenderam a desvalorizar o feng
shui como uma superstição. No século XVI, o Jesuíta Matthew Ricci o
chamou de "rito supersticioso". No século XIX, Ernest Eitel lamentou como o "sistema de superstição" era um obstáculo ao "progresso", pois os mestres do feng shui objetavam a implantação das linhas telegráficas, a construção de estradas, a abertura de minas e a construção de ferrovias. Até Joseph Needham, que apreciava a influência estética do cenário chinês, o chamou de pseudociência, uma forma de divinação e um "sistema grosseiramente supersticioso".1 

Sem dúvida refletindo o crescimento da sua popularidade, os intérpretes ocidentais mais recentes têm se mostrado mais simpatizantes, assegurando que ele é um "modo astro-biológico de pensamento" ou uma forma de "astro-ecologia".4 

Pode ser ainda mais bem descrito como um tipo de "eco-astrologia", pois reconhece a ligação íntima entre o microcosmo e o macrocosmo (a pessoa e o universo) e a ampla correspondência entre os céus e a Terra (assim como é em cima, é embaixo). Além disso, ele oferece um modelo do cosmo na Terra.

Sob vários aspectos, o feng shui é simplesmente bom senso. Todos nós já passamos pela experiência de perceber que alguns lugares são inspiradores, enquanto outros são distintamente horripilantes.

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Uma casa sobre um solo úmido e com pouca inclinação provavelmente propiciará doenças e inundações, enquanto uma casa voltada para o Sul e com uma bela vista passará um sentido de segurança e bem-estar.

Ao estudar a maneira como o vento e a água moldam um cenário, o feng shui simplesmente desenvolveu essas intuições em um sistema baseado num pragmatismo bem fundamentado e encarna os princípios fundamentais da ecologia.5

Mesmo antes de ter encontrado o feng shui, eu praticava instintivamente seus princípios. Quando acampava com meus filhos, dedicava bom tempo para escolher um bom local considerando as características topográficas gerais e depois caminhando pela redondeza até sentir que tinha encontrado o "lugar certo" para ficar.

Os nômades e os cães fazem o mesmo. Os princípios são muito antigos e os construtores que utilizaram megálitos em todo o mundo claramente os conheceram. Existem evidências de que na Dinastia Shang (1800-1200 a.C.) o estabelecimento das povoações era "um
evento deliberado, planejado" e que tomava a forma de um cercado murado alinhado com as quatro direções cardinais.6 Os princípios têm sido registrados na China desde o século IV a.C. e consolidados cm um sistema do período dos Três Reinos. A base teórica do feng shui é encontrada no I Ching, porém a primeira referência à disciplina está em uma bibliografia de Artes Práticas no trabalho chamado História anterior da dinastia Han, de Pan Ku (32-92). Ele
menciona dois trabalhos perdidos chamados O livro de ouro dageomancia Conformações terrestres para as habitações entre outros sobre astrologia e os calendários.

Enciclopédia imperial se refere a um texto do século V conhecido como Clássico de habitação do Imperador Amarelo, de Wang Wei, que discute as habitações yin para os mortos e yang para os vivos. Declara: "Uma boa terra dará brotos exuberantes; uma casa com boa sorte trará prosperidade."7 No período T'ang, o interessante título Ching Nang Ao Chih {Princípios misteriosos da bolsa azul) foi atribuído ao famoso praticante de feng shui Yang Yün-Sung. Só para esclarecer, a Bolsa Azul era o Universo!

Após a Dinastia Sung (960-1292), cresceram duas escolas principais de feng shui. A primeira foi a Escola da Forma, que assumiu uma posição mais intuitiva para determinar uma construção.

Posteriormente surgiu a Escola da Bússola, dita ter sido desenvolvida por Wang Chi, que é mais analítica e baseada nas relações entre os cinco elementos, os oito trigramas, os brotos celestes, os ramos terrenos e a constelações.

Pude observar um exemplo clássico de feng shui na Tumba Ming próximo a Beijing. A localização da tumba do primeiro imperador é bem protegida por montanhas por todos os lados, com um lago defronte da tumba, criando desta forma uma perfeita toca do dragão. Contudo, os imperadores posteriores da dinastia foram enterrados cada vez mais longe do local original e não ficaram mais abrigados pelas montanhas ou de frente para o lago.

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O 13° e último imperador Ming, que perdeu seu país para os manchus do Norte, encontra-se na posição menos favorável, como se todo o conhecimento do feng shui tivesse sido esquecido. Alguns mestres consideram isto como uma explicação metafísica da queda da dinastia: eles não sabiam mais como canalizar as energias do céu e da Terra em favor da humanidade.

Tanto a energia de um lugar, quanto a energia das pessoas que ali vivem mudam com o tempo, um especialista em feng shui precisa ser um conhecedor da filosofia natural chinesa (yin e yang e os cinco elementos) e um mestre do calendário. A base teórica do feng shui é o conceito do chi. Os seres humanos, tanto mortos quanto vivos, estão sob o controle da energia ativa do chi que prevalece no céu e na Terra. Ela flui sob a superfície da Terra em condutos conhecidos como veias do dragão, como os caminhos do sangue nas artérias e veias dos seres humanos- Está particularmente concentrada nas montanhas, cursos de água e na vegetação. Em geral, é
responsável pelo crescimento e mudanças no mundo natural.
O chi varia não somente no espaço, mas também no tempo de maneira cíclica, oscilando entre o yin e o yang em locais diferentes durante todo o ano e o grande ciclo de sessenta anos. Este conhecimento fez surgir o que é tido como o feng shui da "estrela cadente", no qual as estrelas cadentes indicam como o chi muda continuamente no tempo e se move no espaço, afetando nosso bem-estar nas diferentes direções.8

Existem o chi da Terra no ambiente, chi do céu no ciclo anual das
estações e o chi que flui nos cursos de água. Sua contraparte negativa é sha (não confundir com a mesma palavra para eminências locais), que sopra do Norte, exaure a energia, viaja ao longo das linhas retas, penetra nas aberturas e se esconde em poças estagnadas.

Em um local ideal, o chi do céu e o chi da Terra se unem, acumulam e interagem. Como diz o Chão T'ing-tung: “A habitação terrena e a
constelação celeste devem estar em um relacionamento produtivo ou em harmonia."9 As características mais importantes e proveitosas para o chi são a orientação do local, a topografia dos arredores, o projeto da construção, o tempo e os ocupantes.

Cada local na Terra possui características especiais que modificam a
influencia local dos diferentes tipos de energia ou chi. As influências
naturais mais importantes são feitas pelas formas das colinas e cursos de água, que são moldados pelo vento e pela água (daí o nome feng shui). As alturas, formatos e orientação das construções e a direção das estradas e pontes também desempenham seu papel. Como o fluxo do chi cm localidades diferentes é influenciado pelas posições dos corpos celestes, a astrologia tradicional também é levada em consideração.

Embora um bom local seja o fator mais importante, existem remédios
para um mau feng shui, como cavar esgotos e túneis, criar lagos ou
reorientar a direção dos cursos de água.

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A água corrente adjacente a uma casa é invariavelmente boa; pedras
isoladas são ruins. Nada deve impedir o fluxo suave do chi: ele não deve correr muito rápido, como em uma escarpa, nem estagnar, como em um pântano. As más influencias que afetam uma casa que já foi construída também podem ser contrabalançadas com dispositivos como espelhos, sinos de vento, tridentes e talismãs.
O local ideal assume a forma de um "sofá" protegido nos três lados por montanhas ou colinas, e aberto para o Sul com um curso de água defronte.

Aqui o chi terreno pode ascender e o chi celeste descer, encontrando-se e unindo-se na "toca do dragão" da habitação. A tumba, casa ou aldeia estará então protegida como por um abraço.

As duas correntes principais do chi doador de vida na Terra são o yin e o yang, simbolizados pelo Dragão Verde e pelo Tigre Branco, que estão associados aos quadrantes oriental e ocidental do céu. A força do Dragão yang e o yin do Tigre devem se equilibrar entre si. Em geral, as escarpas altas são consideradas yang e as elevações arredondadas e a água yin (o simbolismo sexual é óbvio). O ideal é que o local contenha três quintos de yang e dois quintos de yin. Nos locais urbanos, as estradas podem tomar o lugar dos cursos de água, e outras construções podem ser consideradas como montanhas.

A característica mais importante em um cenário é o dragão; ele é linear e liga todas as outras formas. Dependendo da sua natureza, pode aumentar ou destruir a sorte humana. As cristas das colinas e montanhas são as veias e artérias do seu corpo.

Mais que impor uma rede artificial sobre o cenário, os chineses preferem estradas, muralhas e construções ventosas que sigam os contornos naturais da Terra. Pude verificar isto cm locais de antigas fazendas, casas e aldeias durante as minhas viagens pela China. Na verdade, o movimento dos jardins geométricos do período neoclássico na Europa, como Versalhes, aos jardins delicados e pitorescos da era romântica podem ter sido influenciados pelo
gosto chinês trazido pelos jesuítas.10

As montanhas evitam que o chi se disperse, acalmando o vento, enquanto os cursos de água bloqueiam seu movimento e evitam que ele se disperse. Se houver canais cm excesso, o chi se dissipará. A "toca do dragão", por outro lado, é onde o chi exerce sua influência positiva e poderosa. Deve ser encontrado um bom lugar aberto para o Sul e protegido nos três lados pelas montanhas. A "Montanha do Dragão" traz harmonia e a "Água do Dragão" a prosperidade.

Os cinco planetas são utilizados para descrever os diferentes formatos de terra e estão associados aos cinco elementos. Mercúrio é considerado como a Estrela da Água; Vênus, a Estrela do Metal; Marte, a Estrela do Fogo; Júpiter, a Estrela da Madeira; e Saturno, a Estrela da Terra. Se uma montanha no Leste é a Estrela do Metal e uma no Sul a Estrela do Fogo, isto será desfavorável porque Fogo destrói Metal.

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O ideal seria ter Água (um platô irregular) no Norte; com Madeira (término abrupto) no Leste; um formato de terra associado ao Fogo (três picos) no Su! e Metal (curvado) no Oeste.

O objetivo final do feng shui é descobrir uma maneira de viver
harmoniosamente com o mundo natural, sem dominá-lo ou conquistá-lo. Ele fornece um meio para equilibrar as energias da Terra e dos céus, e como tal pode ser visto como a ciência aplicada da cosmologia chinesa. Na verdade, uma habitação favorável para os chineses não é somente um símbolo do ser, é nada menos que um imago mundi — uma imagem do universo.

A Bússola Lo Pan

O principal instrumento para o especialista em feng shui fazer seus cálculos é a bússola Lo Pan. Para alinhar corretamente uma habitação com as forças cósmicas da Terra e dos céus, o especialista em feng shui faz uso da informação gravada em uma série de anéis concêntricos em torno da bússola magnética central. Isto inclui as direções, os trigramas e os hexagramas do /Ching, e os brotos celestes e os ramos terrenos do ciclo de sessenta anos do calendário chinês.

Um protótipo da bússola Lo Pan, que reflete a ligação íntima entre o feng shui e a astrologia do momento, foi a tábua do divinador conhecida como shih. Datando aproximadamente do século II a.C. era formada por duas tábuas, a superior com o formato de um disco, representando o céu, e a inferior quadrada, correspondendo à Terra.
Adquiri uma bússola Lo Pan em Hong Kong. Sua base quadrada contém vários anéis concêntricos em torno da agulha da bússola central que flutua em óleo — conhecida como Piscina do Céu. Notei que quando a coloquei próxima ao meu computador, ela vibrou suavemente, captando o forte campo magnético e sem dúvida a irradiação do meu equipamento.

As bússolas Lo Pan podem ter 38 anéis, porém as mais simples têm nove. Como representam os hexagramas, os elementos das estrelas, elas mostram como a astrologia e o feng shui se unem para descobrir uma habitação auspiciosa para os vivos ou para os mortos. A bússola engloba os três aspectos essenciais do universo — céu. Terra e humanidade —, que devem trabalhar juntos para manter a harmonia essencial a prosperidade e ao bemestar.

O primeiro anel representa os oito trigramas da primeira arrumação
conhecida como "A Primeira Seqü.ncia Celeste", cuja descoberta é
atribuída a Fu Hsi. Eles representam as direções da bússola, com o yang em sua altura maior ( ) no Sul e o yin ( ) no Norte. Os trigramas também simbolizam os fenômenos naturais: céu, lago, fogo, trovão, vento, água, montanha e terra.

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Como símbolos das forças naturais, acredita-se que protegem a agulha magnética. O segundo anel contém nove estrelas móveis, que se acredita serem as sete estrelas da Ursa Maior, mais duas estrelas próximas, que são espelhadas por formas específicas no cenário. Seus nomes revelam seu contexto histórico: Lobo Ganancioso, Grande Portão, Salário Preservado, Pureza e Castidade, Exército Destruidor. As duas estrelas extras são conhecidas como Reforço Esquerdo e Assistente Direito. Representam as formas favorável e desfavorável no cenário."

O terceiro anel abarca as 24 "montanhas" compostas de setores com 15°, que são pontos direcionais similares aos da bússola do marinheiro. A escola San-ho de feng shui, que enfatiza a harmonia entre o céu, a Terra e os homens, possui três anéis de 24 montanhas, mas a escola San-yüany que enfatiza a influencia do ciclo do tempo do ambiente, possui somente um. As montanhas correspondem aos quatro hexagramas da Seqü.ncia Celeste
Posterior, oito brotos celestes e 12 ramos terrenos. Os brotos celestes Mou e Chi não estão presentes porque correspondem à Terra no centro. O anel é utilizado para estabelecer a direção das habitações e para medir o cenário e a amplitude das montanhas.

O quarto anel contém oito estrelas principais do sistema da astrologia de Tzu Wei (Mestre Wei). Tzu Wei é o nome do deus que cuida daquilo que é chamado por vários nomes como Estrela Púrpura, Planeta Púrpura ou Estrela Polar. E o centro do calendário astrológico. A duração de vida dos seres humanos é simbolizada pela Ursa Maior e Ursa Menor (ou Mergulhador), as duas constelações mais próximas e que também são chamadas de Dimensões Norte e Sul. Na Dimensão Sul vive o deus do nascimento e na Dimensão Norte o deus da morte.

Os dois anéis seguintes — o quinto e o sexto — listam os 64 hexagramas (kua) do I Ching. Os hexagramas no quinto anel oferecem uma leitura para  presente e no sexto, uma leitura para o futuro. Alguns mestres de feng shui associam direções diferentes da bússola com números kua para representar os oito períodos de vinte anos no ciclo de 160 anos. Ao selecionar um local auspicioso para um enterro, eles assegurarão que a energia positiva — "o Dragão da entrada" — virá de um número e direção kua próspera.


O sétimo anel possui 24 termos ou "períodos quinzenais" (chieh) do
calendário solar Hsia, cada um correspondendo a 15° medidos na longitude, do movimento do Sol na eclíptica. No calendário eles ocorrem a cada 15 ou 16 dias. Cada termo define uma atividade no ano agrícola: os períodos chi (tais conto "Insetos Excitados" e "Orvalho Frio") marcam períodos de crescimento e diminuição, enquanto os períodos quinzenais (como o início da primavera ou o
equinócio da primavera) mostram as mudanças no ciclo anual.
O oitavo anel encerra as 28 constelações que são utilizadas para
determinar a posição e o momento de um enterro.

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São divididas em setores associados aos símbolos das quatro direções: o setor do Dragão Verde, nas constelações orientais; o setor da Tartaruga Negra (também conhecida como Guerreiro Escuro), nas constelações setentrionais; o setor do Tigre Branco, nas constelações ocidentais; e o setor do Pássaro Vermelho, nas constelações meridionais. Elas formam paralelos com a Terra, e em uma casa auspiciosa assumem suas posições corretas nas quatro direções cardinais.

O ciclo externo da bússola de nove anéis é dividido em 360°. A bússola chinesa original era dividida em 365,25°, mas ela mudou após a chegada dos jesuítas no século XVI com seus telescópios e medidas exatas.

Existem outras bússolas Lo Pan com arrumações diferentes de anéis que fornecem outras informações. A bússola de 38 anéis contém um anel de astrologia que é utilizado para conferir o equilíbrio dos elementos, yin e yang, os brotos celestes e os ramos e os hexagramas para traçar um horóscopo da pessoa em relação a um lugar.12 Existe também um Anel da Estrela da Vida usado para descobrir a Estrela da Vida ou constelação dos mortos. O chamado
Anel do Palácio do Cavalo traça a posição da Estrela do Cavalo viajante em relação à sepultura para assegurar que a alma do morto ficará contente e não vagará. Isto é importante, pois a paz e a felicidade do morto afetarão a sorte dos membros vivos da família.

Os três métodos principais na Escola da Bússola são o San-ho, San-yüan Chiu-hsing. San-ho examina o local do feng shui do ponto de vista da hora: o dragão (a principal cadeia de montanhas situada no fundo do local), o ponto do feng shui (hsüeh), as eminências locais (sha) e os cursos de água. O método San-yüan examina a situação dentro do ciclo de sessenta anos que combina os dez brotos celestes e ramos terrenos baseado nos hexagramas do J Ching. O
método Chiu-hsing considera principalmente a relação direcional das construções da casa e seus elementos.

A orientação auspiciosa da casa dependerá do "destino da vida" do dono da casa. Seus Quatro Pilares do Destino devem, portanto, ser levados em consideração. As direções benéficas dependerão da idade da casa (no qual o período de vinte anos que foi construída dentro do ciclo de 160 anos) e também a idade do dono da casa e o estágio particular que ele ou ela se encontra no ciclo de dez anos. O sistema Pa Che, por exemplo, utiliza uma bússola pessoal para determinar se uma pessoa tem uma "vida oriental ou ocidental", dependendo do ano do seu nascimento. A bússola indica os elementos que podem trazer harmonia ou conflito na sua vida e quais as cores e números que lhe são mais apropriados.13 Aponta também as direções favoráveis e nefastas da bússola para cada indivíduo. No meu caso, tenho uma "vida ocidental", meu elemento é ouro e meu número é 6. A sorte virá do Oeste (vitalidade), Noroeste (vida), Sudoeste (longevidade) e Nordeste (boa sorte). As outras direções são desfavoráveis.

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O Quadrado Lo Shu



Outro instrumento utilizado pelo mestre do feng shui para fazer seus cálculos é o quadrado Lo Shu, que consiste de nove quadrados dentro de um quadrado.

As plantas das cidades, palácios e templos na China eram tradicionalmente baseados nesse quadrado. Até as províncias do império possuíam um padrão similar, com o imperador vivendo no quadrado do meio. Na época feudal, o dono da terra que podia ter nove quartos adotava o esquema, mudando de um quarto para outro de acordo com as estações. A Cidade Proibida em Beijing é baseada nesse quadrado. Enquanto fazia a pesquisa, fiz uma descoberta extraordinária de que a planta da minha casa em North Wales, projetada pelo arquiteto de Cambridge, Keith Garbett, na década de 1960, era baseada no mesmo modelo. As quatro paredes externas estão exatamente alinhadas com as quatro direções da bússola. Eu estou sentado escrevendo no quadrado Sudoeste, de frente para o Oeste, num vale formado por uma colina coberta por carvalhos e uma montanha irregular.

Diz-se que o quadrado Lo Shu foi revelado ao lendário Imperador Yu por uma tartaruga que emergiu do Rio Lo trazendo a figura desenhada no seu casco. O imperador é celebrado como o primeiro homem a controlar a inundação do grande rio, ao abrir um túnel através da Montanha do Portão do Dragão. O próprio Imperador de Jade o recompensou com um pergaminho com os 64 hexagramas, uma tábua de jade com 12 unidades, que representam as 12 divisões do dia e do ano, e o casco da tartaruga com o desenho do quadrado mágico. A deidade suprema disse: "Os hexagramas no pergaminho o
auxiliarão a prever os anos auspiciosos para o seu povo, a tábua de jade lhe dará autoridade para governar com sabedoria, as inscrições no casco da tartaruga lhe darão habilidade para planejar em."14 

Estas ainda são as ferramentas principais do moderno astrólogo e mestre de feng shui na China. A natureza mágica do quadrado é revelada em sua propriedade especial de combinar número e forma.


114 * Peter Marshall
Os números ímpares, masculinos e yang são distribuídos nos quatro pontos cardeais e no centro, enquanto os números pares, femininos e yin são colocados nos cantos do quadrado. O número de maior valor, 9, fica no alto; o de menor valor, o número 1, no fundo, como deve ser. Acredita-se que o 1 e o 9 são os mais auspiciosos porque o 1 é o início de todas as coisas e o 9 representa sua conclusão. O número no centro é o 5, o meio físico e matemático, e o mais poderoso. É traduzido por um em chinês, e não é coincidência que os ideogramas para o "meio-dia" e "ser" também sejam wu.
Se você somar os números em qualquer linha reta, incluindo as diagonais, o total será 15.

Os quatro quartos simbolizam as quatro estações. Na verdade, os números na direção dos ponteiros do relógio mostram a proporção do yang e yin no ciclo anual, o yang estando mais baixo no inverno quando o yin está mais alto e vice-versa. Os quatro quartos também representam os elementos, com Terra no centro. E o quadrado também arruma os trigramas da Sequência Posterior do Céu com as direções e elementos.

De onde vem o quadrado mágico de Lo Shu? Ninguém sabe. Os números podem ter se desenvolvido das divisões da contagem nos dedos, com o dedo mínimo em sequência até o polegar epresentando os números ímpares e os espaços entre os dedos, os números pares. Certamente, ele não ficou confinado na China. Os pitagóricos o utilizaram para demonstrar que o número 5 significava mediação. Os alquimistas árabes também sentiram que ele revelava a natureza última do universo; Jabir ibn Hayyan até escreveu um tratado sobre o quadrado.15 

Várias cidades e templos na Índia, no Egito e
até na Irlanda são projetados de acordo com os seus princípios.

10 Casa Estelar

Li a respeito de Raymond Lo no dia da minha chegada a Hong Kong em um artigo no South China Daily Post, onde era apresentado segurando uma bússola Lo Pan e agarrado a arranha-céus de metrópoles como Hong Kong.

Tendo trabalhado para a Companhia Chinesa de Luz e Energia, cujo nome é bem apropriado, decidiu se tornar um praticante em horário integral de feng shui em 1o de julho de 1997, o dia em que Hong Kong voltou oficialmente a pertencer à China Continental. Ele não somente deu cursos em Miami, Melbourne, Singapura, Londres e na Universidade de Hong Kong, como também se tornou um erudito em língua inglesa na mídia mundial, participando de programas na CNN, no Good Morning America da ABC e no Whicker's World da BBC.
Vivia no continente, no distrito de Kowloon (literalmente, "nove dragões").

Peguei uma das famosas "barcas da estrela", na ilha principal de Hong Kong, e segui até o escritório de Raymond Lo na Star House oposta ao terminal. Ficava no oitavo andar, apenas um andar abaixo de uma companhia chamada Oracle Sourcing and Development (Fonte de Informação e Desenvolvimento do Oráculo). O nome Fung Shui and Destiny Consultam (Consultor de Feng Shui e do Destino) estava pendurado acima da porta de vidro. Ele gostava de ser conhecido como Fung Shui Lo, pronunciado como em cantonês — "fung shoy". Seu escritório era pintado de cinza-claro e branco.

Embora tivesse o mínimo em móveis, havia várias figuras de leões e tartarugas e também miniaturas de esfinges e pirâmides trazidas como lembranças do Egito. Sua escrivaninhaestava posicionada lateralmente junto a uma janela comprida que dava para o
Leste. As costas de sua cadeira ficavam contra a parede, que o protegia e lhe dava apoio. A entrada ficava a Sudoeste. A energia positiva vinha de ambas as direções.

Meu Consultor do Destino era um homem gorducho e baixo, vestido com uma camisa verde-escura e calças pretas. Os olhos, pequenos e sorridentes, e a boca oval enfeitavam o rosto redondo. Tinha acabado de voltar do Egito e estava sofrendo do jet lag, e o estômago ainda estava revirado.

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— Tenho de tomar uma boa erva chinesa para curar isso! — brincou ele, sem levar o problema muito a sério. Explicou que o escritório era pintado de cinza e branco porque precisava de mais elementos metal e água em sua vida.

Era o ano de 2001, e a véspera do Ano-novo chinês tinha sido em 25 de janeiro, quando a primeira Lua Nova do ano surgiu no céu. Ela marcava o início de um festival de duas semanas que durava da Lua Nova até a Cheia.

As várias festividades incluíam a dança do dragão, a limpeza da casa (para afastar a má sorte), a decoração com flores, festas, desfiles de lanternas, bombinhas, "bolos da sorte" e "rolos vermelhos da boa  sorte" pendurados nas paredes.

Entretanto, Lo insistiu que o 4 de fevereiro tinha sido o início da
primavera e o verdadeiro primeiro dia do Ano da Serpente:

— As pessoas usam o calendário lunar, mas o calendário verdadeiro é o solar. Os fazendeiros utilizam este calendário Hsia que deveria ser usado para o almanaque e para os dias auspiciosos.

Ele estava, naturalmente, se referindo ao calendário desenvolvido
durante a Dinastia Hsia, da época de 2205-1766 a.C.

— Estamos na boca do dragão — anunciou. — A cauda do dragão está no Noroeste. A energia do dragão da China passa por baixo das montanhas centrais para o Sudeste e pára no mar. As montanhas abrigam e protegem a energia na baía. Por isso Hong Kong é um lugar tão auspicioso.

— Existem outras fontes de energia que nos afetam? — perguntei.

— Existem três tipos de influência: a Terra, o céu e o homem. A maior parte da energia vem do céu, porém a energia da Terra influencia todo o ambiente. A energia do céu muda de tempos em tempos, mas no ambiente não ocorrem mudanças por milhões de anos.

— O que determina o caráter e destino de uma pessoa, então?

— Existem três aspectos. O primeiro é o destino, a qualidade inata da sua personalidade, que não muda. É fixado pela sua data de nascimento. Chamamos isto de Quatro Pilares do Destino.

— É a isso que chamam de horóscopo chinês?

— Sim, é. O segundo é a sorte. Após você nascer, a sorte influencia sua experiência e passagem pela vida. Não é ao acaso, mas determinada. Ela lhe fornece as oportunidades.

Eu sabia que joss, que significava sorte, é a palavra mais importante no vocabulário religioso chinês. Como não pode ser deixada ao acaso, os deuses devem ser agradados e os maus espíritos e os fantasmas famintos dispersados. Para atrair a sorte, as pessoas vão aos templos e queimam incenso, doam presentes e dizem preces para os deuses e imortais.

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— O terceiro aspecto é o feng shui — prosseguiu Lo. — Ele mostra como um ambiente positivo pode afetar seu destino e sua sorte, e como você pode se reajustar.

— Podemos mudar nosso destino?

— Usamos a palavra melhorar e não mudar.

— Isso significa que nosso destino é predeterminado?

— Não exatamente. É como uma qualidade inata de um artista. No caso de um banqueiro, se trabalhar com afinco e tomar boas decisões, ele poderá minimizar as dificuldades e melhorar sua sorte.

— Então podemos afetar a direção da nossa vida?


— A sua situação nesta vida é como a de um peixe. Ele pode desfrutar da sua liberdade para nadar, porém a contracorrente vai para o mar.

— Então, mesmo que nademos contra a corrente, iremos para a mesma direção como um rio que corre para o mar?

— Sim. Um outro exemplo é como dirigir um carro. O seu destino é o
carro; ele pode ser luxuoso ou velho e desconfortável. A sua sorte é a estrada na qual você está viajando; ela pode ser uma boa auto-estrada ou uma estrada de pedras. Mesmo que o carro seja excelente, se a estrada for ruim, sua viagem não será confortável!

Lo explicou que nós temos "pilares da sorte" derivados do pilar mês dos Quatro Pilares do Destino. Cada um representará um período de dez anos no qual você ficará sob a influência de dois elementos em cada pilar da sorte.

Para ter muita sorte você precisará de um bom grupo de pilares do destino e também de boa sorte.

— E como o feng shui influencia tudo isso?

— O feng shui consiste das suas habilidades para dirigir e das peças que você precisará para o carro. -— Ele riu com a resposta, apreciando sua analogia. Sua abordagem em termos gerais se aproximava da antiga visão taoísta de que uma pessoa sábia não se oporá ao fluxo da natureza, mas fluirá com ela.

Perguntei a Lo como ele lidava com alguém que vinha a ele com um
problema.

— Eu tenho três métodos: a análise do destino utilizando os Quatro
Pilares baseado na data do nascimento do meu cliente, o feng shui para melhorar a sua situação e o I Ching para ajudá-lo se precisar fazer uma escolha em particular.

Ele não considerou o sistema popular do "Círculo de Animais", que é
geralmente usado no Ocidente como astrologia chinesa:

— São como os signos solares do zodíaco ocidental. São muito superficiais e tratam somente de um aspecto.

Ele insistiu que a verdadeira astrologia deveria ser baseada no calendário solar-lunar e não no lunar associado ao Círculo de Animais.

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— É um conceito totalmente errôneo dizer que os chineses trabalham
com o sistema lunar. Ele é muito artificial, pois os dias do ano somam 359, e para os outros dias que excedem você tem de criar ocasionalmente um 13° mês. Prefiro o calendário Hsia baseado no Sol e que é utilizado pelos fazendeiros. Hoje, 4 de fevereiro, é o verdadeiro Ano-novo. É o início da primavera, exatamente um mês e meio antes do equinócio da primavera.


— O que você acha do feng shui que está sendo praticado no Ocidente?

— Boa parte dele é falso. Um imperador na Dinastia T'ang produziu um livro falso de feng shui para o povo. É muito simples e noventa por cento falso. Foi chamado de Morte dos bárbaros para os estrangeiros tolos. Para ser um especialista você precisa aprender com um mestre, não em livros. A maioria deles é superficial e errado.

— Quando o feng shui começou na China?

— Ele é muito antigo. Os símbolos do feng shui de um dragão à direita e um tigre à esquerda foram encontrados em tumbas de ancestrais de aproximadamente seis mil anos. A filosofia do yin e yang e o I Ching surgiram por volta de 4500 a.C. As carapaças de tartarugas eram utilizadas como oráculos; sua forma talvez tenha originado a idéia dos trigramas. O Imperador Amarelo menciona uma bússola de feng shui em torno de 2000 a.C. O primeiro livro foi escrito por Ko Po em 250 d.C. Era um livro para enterros, sobre como escolher o lugar certo. A preocupação era originalmente com os mortos e apenas mais tarde passou também para os vivos. Não
somente se preocupava com as direções físicas de uma habitação, mas também com a influência do tempo.

Eu tinha vindo a Hong Kong porque achava que as práticas, como a
astrologia e o feng shui, eram consideradas crenças irracionais do passado na China Continental comunista. Eu estava certo.

— Elas não foram banidas da China Continental — disse Lo —, mas os
antigos praticantes morreram. Somente os de Hong Kong e de Taiwan continuaram a praticá-las.

— Quando você olha o seu cliente, o que faz em seguida? — perguntei.

— Eu o aconselho a respeito do local da sua construção: onde as energias do céu e da Terra se encontram. É preciso descobrir um ponto propício.

Sugiro a disposição da decoração no seu escritório — onde o chefe deve ficar, as salas de comércio e de conferências, a entrada.

Aconselho também sobre o projeto interior: onde colocar os móveis, quais as cores, que tipo de plantas e de objetos devem ser usados e onde colocá-los. A idéia é melhorar o fluxo de energia e tornar o negócio próspero.
A prosperidade era claramente o objetivo principal do feng shui para os administradores de negócios. Lo tinha escrito um livro específico para eles.

Perguntei-me a respeito dessa aceitação pouco exigente do capitalismo. O objetivo original do feng shui era atingir a harmonia com o ambiente e o bem-estar para os vivos e os mortos.
A astrologia no mundo

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Ele explicou que existem duas escolas principais de feng shui. A escola da "forma" física trabalha somente com a visão, enquanto a escola da "bússola" trabalha com as direções e o tempo. Em ambas, os símbolos são os mesmos.

Uma montanha, por exemplo, representa a harmonia humana, enquanto a água simboliza a prosperidade.

— Em Hong Kong, o dragão da montanha é fraco e o dragão da água é forte. Temos muito dinheiro, mas pouca harmonia familiar. Mas isso mudará.

Lo não foi cuidadoso ao fazer generalizações amplas a respeito dos ciclos da história e da direção do futuro. No ano 2000, por exemplo, os dois elementos, metal e terra, estavam em harmonia e havia um clima relativamente pacífico.

Tudo dependia de os elementos se chocarem ou apoiarem um ao outro. Quanto ao ano de 2001, Lo declarou:

— Agora que entramos no ano da Serpente, cujo elemento é fogo, ela se chocará com o Javali, cujo elemento é água. Portanto, haverá mais desastres e mais acidentes no ar e no mar. Fogo, por outro lado, é propício para a atividade econômica, mas a nova economia é metal, que não anda muito bem porque fogo ataca o metal. Contudo, a energia mudará em 2005, que será o início de um novo ciclo de vinte anos.

Foi o suficiente para aquela vez. Lo estava visivelmente se encolhendo; seu chi estava baixo. A comida egípcia e o fato de cruzar o mundo em um pássaro de metal estavam cobrando seu tributo. Concordamos em nos encontrar mais tarde naquela mesma semana.
Lo me deu alguns livros para ler, antes de nos encontrarmos novamente:

Feng shui: os pilares do destino, Feng shui e destino para administradores Feng shui e destino para as famílias. O último ensinava como "escolher um parceiro compatível para a vida, proteger e melhorar a saúde da família, detectar e encorajar os talentos dos filhos e criar um lar harmonioso e feliz".


— tudo que a maioria do seres humanos busca!

Ele afirmou que o nosso ser verdadeiro está refletido "nos elementos que constituem nosso corpo e nossa alma".1 Confirmou que os Quatro Pilares é um sistema baseado nas cinco forças diretrizes básicas — os elementos — no universo e nos princípios do yin e do yang. Embora os elementos mudem com o tempo, eles interagem entre si para formar os dois ciclos que o meu vidente do templo tinha me mostrado primeiro: o Ciclo da Criação e o Ciclo da Destruição.

O calendário chinês traz informações sobre os cinco elementos e indica qual vai prevalecer durante determinado tempo.

Após ter trabalhado os seus Pilares do Destino, você poderá então trabalhar seus "pilares da sorte" — os pares de elementos que afetam sua jornada pela vida para cada período de dez anos. Portanto, eles representam as mudanças cíclicas na sua vida.
Os diferentes pilares representam suas diferentes relações: o pilar hora, seus filhos; o pilar dia, seu ser (broto celeste) e marido/mulher (ramo terreno); o pilar mês, seu pai e sua mãe; e o seu pilar ano, seus avós. Os elementos de cada pilar indicarão como lidar

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com eles de acordo com os Ciclos da Criação e da Destruição. Se o pilar dia for madeira (o ser) e o pilar mês for metal (pai), isto indica que o meu pai tentará me dominar (metal destrói madeira). Se o ramo terreno do pilar dia (marido/mulher) for água, então ele ou ela apoiará sua madeira.

Os Quatro Pilares podem ajudá-lo a encontrar o parceiro certo, verificando se os elementos são compatíveis entre vocês. A regra básica é encontrar alguns elementos exaustivos — se o ser é muito forte — e alguns elementos de apoio — se o ser for fraco. A época para encontrar um parceiro ou se casar pode ser indicada pelo pilar sorte dos ciclos de dez anos. Embora o signo animal tenha uma tradição firmemente enraizada na escolha chinesa do companheiro, Lo argumenta que a "astrologia do signo animal" é "tão ilógica quanto a astrologia dos jornais no Ocidente". Ela se refere ao ramo terreno do pilar ano, fornecendo portanto somente um oitavo da informação necessária a ser encontrada nos oito signos dos Quatro Pilares do Destino. Lo fala sem rodeios: "É contrário ao bom senso acreditar que toda a população humana possui somente 12 tipos de destino!"2


Os Três Períodos e as Nove Idades
Ao ler os livros de Lo, notei que ele definia o feng shui como "o poder de abstrair as energias que entram em contato com o ambiente físico próximo". Embora essas energias sejam governadas pelo yin e yang e pelos Ciclos da Criação e da Destruição dos cinco elementos, elas também mudam com o tempo e têm um padrão fixo e previsível conhecido como os "Três Períodos e as Nove Idades". Este padrão retirou seu nome da divisão do ciclo chinês tradicional de 180 anos em três períodos de sessenta anos, que são então divididos em três eras de vinte anos. Cada uma das nove eras recebe um número de 1 a 9, traz o significado de um dos trigramas do I Ching.

Esse livro foi publicado na Era do Sete, que durou de 1984 a 2004. O
trigrama para a Era representa o poder feminino, a boca, a tecnologia e o Oeste. Para Lo, isto explica por que várias líderes femininas se destacaram e por que foram desenvolvidos sistemas mundiais de comunicação como a Internet. Segundo Lo, o trigrama para a Era do Oito — o jovem filho, a mão e o Nordeste — significa que os jovens entrarão no poder, a maquinaria e os robôs serão desenvolvidos e a China crescerá em força.

O conceito dos Três Períodos e o uso do quadrado Lo Shu adicionam a
dimensão do tempo na escola da "Estrela Voadora" do feng shui, à qual Lo pertence.

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No fim de cada Era de vinte anos, o número da nova Era é colocado no centro do quadrado. Todos os números no quadrado então, conseqüentemente, mudam, como na brincadeira do jogo das cadeiras. O significado dos números, à medida que eles se movem no quadrado, muda com o tempo, pois o número da Era em questão será sempre o mais próspero. Como estamos na Era do Sete,*
qualquer número abaixo de sete é desfavorável, e um quadrado representando uma sala numa construção com este número não deverá ser usado para algo importante.

Duas "estrelas voadoras" são distribuídas em cada quadrado, de acordo com um método estabelecido. Elas são representadas pelos nove primeiros dígitos e simbolizam os elementos expressos nos trigramas. As do lado esquerdo de cada quadrado são as calmas "estrelas da montanha", que representam a harmonia, e as do lado direito, as ativas "estrelas da água", que simbolizam a prosperidade.

Como os números no quadrado Lo Shu, as estrelas voadoras mudam seguindo um padrão previsível. As salas devem ser arrumadas de acordo com o uso que terão: uma sala de estar será melhor com
uma ativa estrela da água e um quarto de dormir com uma calma estrela da montanha. As estrelas voadoras trazem com elas os elementos que podem ser reforçados ou enfraquecidos por objetos e cores apropriados. Como a "estrela da água" 8 traz o elemento terra, ela pode, por exemplo, ser reforçada pelos tons amarelos. Já a "estrela voadora" 2 é terra e simboliza a doença, mas pode ser restringida com talismãs, como uma corrente com seis moedas de metal.

Um sino de vento neutraliza a influência de uma estrela 5 nefasta.
A cozinha, o quarto de dormir principal e a sala de estar são considerados os ambientes mais importantes numa casa. O último toque do feng shui em uma casa é a disposição da mobília, objetos de decoração e plantas para ampliar a energia positiva e minimizar os efeitos negativos da má energia. O alto do canto esquerdo da sala de estar, por exemplo, é considerado o local da prosperidade e uma planta saudável e que ainda está crescendo colocada ali a fortalecerá muito. Uma mesa ficará melhor se colocada no canto diagonalmente oposto à entrada, contra a parede, formando um ângulo reto com um dos lados, com as costas da pessoa que a utiliza contra a parede. A
melhor posição para uma cama é semelhante a da mesa, mas deve ser evitado dormir debaixo de uma viga. Mais uma vez, parte disso parece seguir o bom senso. Mas é fascinante vê-lo confirmado nos trabalhos de Lo, que se destinam a uma audiência moderna e urbana.

*À época em que o livro foi escrito, estávamos na Era do Sete, agora estamos na Era do Oito. (N.do E.)

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Lo estava totalmente recuperado quando Elizabeth e eu fomos vê-lo alguns dias depois. A medicina fitoterápica chinesa tinha restaurado o equilíbrio no seu corpo depois do ataque egípcio de envenenamento alimentar. Desta vez ele usava uma camisa branca sem colarinho, um suéter preto e calças pretas. O verde cedera espaço para o preto.

Eu tinha lido em um de seus livros que os cinco elementos são expressos em cores: metal (branco, ouro, prata, cores brilhantes), madeira (verde, azul, marrom-escuro), água (preto, cinza), fogo (vermelho, púrpura, rosa), terra (amarelo, bege, marrom-claro). Assumi que quando o encontrei na primeira vez ele precisava de mais madeira e agora era a vez de água.

Eu disse a Lo que tinha descoberto que minha casa em North Wales estava baseada no quadrado mágico de Lo Shu e perguntei a ele a respeito da arrumação dos ambientes. Na época eu escrevia no canto Sudoeste e dormia no Sudeste. A entrada era no Sul.

Como um expoente da Escola da Estrela Voadora de feng shui, ele argumentou que o feng shui de uma casa muda com o tempo. Era portanto essencial considerar a idade da casa e sua localização no ciclo de 180 anos. No caso da construção da casa, ela fora levantada no início da década de 1960, durante a Era do Cinco. Após cálculos cuidadosos, ele concluiu que eu estava trabalhando no local errado e que seria melhor dormir ali. Eu deveria trabalhar no quadrado Noroeste, que tinha sido anteriormente a área onde eu fazia as refeições. A entrada, infelizmente, fixada para sempre no concreto no
meio do quadrado Sul, deveria ser no Sudoeste. Ele avisou que a energia da Era do Sete estava diminuindo no fim do ciclo de vinte anos e que, quando entrássemos na Era do Oito, em 2005, a energia também mudaria e seria aconselhável mudar novamente o tipo de utilização dos cômodos.

Pedi então a Lo que trabalhasse o meu horóscopo segundo o seu sistema dos Quatro Pilares do Destino. Disse que tinha nascido por volta das quatro horas da tarde de 23 de agosto de 1946. Lo diminuiu uma hora para ajustá-la ao horário de Greenwich, ou Tempo Universal, mas não pareceu adicionar as oito horas como fazem alguns puristas para converter para o Horário Chinês da Costa. Obviamente, esse horário daria um horóscopo bem diferente.

Ele então fez uma tabela para a hora, dia, mês e ano (os quatro pilares), casando-os com os elementos apropriados. O resultado representou o meu destino, as qualidades com as quais nasci e que carregaria durante toda a minha vida. Os brotos celestes e os ramos terrenos estão apresentados a seguir:

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Eu era, Lo explicou, principalmente "yin terra", que representa a amizade.
Isso era bom para uma pessoa que aprecia os amigos.

— Você nasceu em agosto, quando é outono para os chineses — disse ele.

— Como metal domina terra, sua energia é um pouco fraca, e portanto você precisa de fogo para sustentá-lo e reforçá-lo.

"Você possui três signos de fogo, mas no outono fogo não é forte. Precisa de mais terra e mais fogo, e madeira é bom para você. Isto representa os amigos, recursos e poder. Negativo para você são água e metal, que representam dinheiro e inteligência. Você tem um pouco de metal, porém pouca água..."

Que destino! Eu estava fadado a ser inteligente, mas pobre. E quanto à minha sorte durante minha jornada pela vida?

Como o meu vidente no templo Wong Tai Sin, Lo destacou um elemento para cada dez anos da minha vida, começando com a idade de cinco anos e prosseguindo até os 85. Olhando para trás, declarou que dos 25 aos 35 houve tensão entre terra e água, o que me levou a lutar pela vida. Dos 35 aos 45, metal e água estavam em oposição, eu tivera tido uma vida cheia de exigências e recursos limitados. Declarou que dos 45 aos 55 havia sido e continuava sendo um período de metal e de terra, durante o qual terra me dera algum apoio e as coisas tinham melhorado...

Eu não tinha certeza disso tudo. Os primeiros cinco anos do ciclo de dez anos tinham se mostrado como a época mais difícil da minha vida. Eu atravessara uma separação e divórcio e a perda de uma casa muito querida nas montanhas do País de Gales. E parecia que não haveria retorno. Lo declarou:

— A sua sorte vai melhorar e deverá permanecer até o fim da sua vida, com água apoiando madeira dos 55 aos 65 anos e madeira alimentando fogo. Aos 85, você também (p. 124) terá madeira e fogo. Fogo representa os recursos, terra os amigos, madeira o
poder, metal a inteligência e água o dinheiro.

— Algum conselho?

— Como uma pessoa de terra fraca, você precisa de um clima mais quente e cores quentes como o vermelho, rosa ou púrpura e nenhum preto ou branco para aumentar seu nível de energia.

— Cada um dos elementos — continuou Lo — tem seu significado. Fogo fornece apoio, força e recursos, e representa o conhecimento abstrato e a educação. Representa a casa, as roupas e sua mãe.

Terra simboliza os amigos e as pessoas à sua volta. Madeira é o elemento do poder; conquista terra. Esta é sua posição, seu dever. Você não tem madeira, o que significa que não tem poder social; não nasceu para ser político. Metal é seu lado criativo e produtivo,
sua inteligência e habilidade.

— O que revelam os meus signos em relação ao meu trabalho?

— Metal duplo em você significa que é erudito e conservador. Poderia ter uma profissão como arquitete ou médico. Você mostra ter conhecimento.

Na verdade eu era um estudioso, porém na época feudal da China um
estudioso confuciano seria parte do serviço civil e um apoio ao status quo, e eu estava longe de ser conservador na minha vida e nas minhas opiniões.

— E a minha saúde?

— O seu fogo é fraco. O seu estômago é fraco. Você precisa refazer sua energia e não esfriar.

Novamente, este não era o caso, pois minha tendência era a pressão alta, um sinal de excesso de fogo yang.

— Os seus filhos são metal e você é terra. Eles são muito agressivos e o exaurem. Não o ouvem como um professor.

Este certamente não era o caso.

Ele então se voltou para Elizabeth e traçou os seus Quatro Pilares do
Destino, baseando-se na data e hora do seu nascimento — 20 de julho de 1950, às 21h. Anunciou:

— Você é uma senhora fina. Possui três elementos fogo; é fogo yang. É calorosa e direta, com a mente aberta. Mas tem somente um elemento madeira; precisa de mais madeira e água. Tem mais tino comercial do que Peter; o seu fogo pode apoiar Peter. Foi uma luta para você a partir dos 34 anos, mas a sorte está voltando. Se prestar atenção, será capaz de aumentar sua boa sorte. A partir dos 64 será melhor, com mais água, e a partir dos 74 anos você será totalmente água! No fim da sua vida, terá um problema ligado a terra. Precisará de madeira e deverá usar verde.

Antes de sairmos, perguntei se a astrologia dos Quatro Pilares era muito popular em Hong Kong.

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— É muito importante para os casais, pois os chineses geralmente não se divorciam como no Ocidente. Muitas pessoas verificam nascimento do seu filho. Elas tentam escolhem o momento certo. É muito importante, pois o destino do filho afeta o dos pais.

— Quem o procura mais?

— Tenho mais clientes mulheres do que homens, até para o feng shui.

— Você utiliza o I Ching?

— Sim, é uma ferramenta muito útil. Ele preenche os vazios. Os Quatro Pilares do Destino e o feng shui não podem responder a perguntas. O I Ching pode auxiliá-los nas suas escolhas, na tomada de uma decisão se duas coisas parecerem igualmente positivas.

Ciência ou Superstição?

Antes de ir embora, perguntei a Lo se a astrologia era uma ciência ou uma superstição. Ele foi inflexível em sua resposta: "É totalmente objetiva e científica, não intuitiva. Eu leio somente os signos."
Eu não tinha certeza. Não pode haver dúvida de que a astronomia e a
astrologia da China possuem a mesma raiz na observação cuidadosa dos processos da natureza.

Além disso, sua astrologia é baseada em uma metafísica persuasiva e em uma profunda compreensão da natureza humana. A visão de mundo dinâmica e orgânica que escora a astrologia chinesa, inspirada pelo taoísmo e personificada no I Ching, não somente coincide com as descobertas da física moderna como antecipa o melhor da teoria Gaia. Existe indubitavelmente, como reivindicam todos os astrólogos, uma íntima correspondência entre o céu e a Terra. E se nós somos
influenciados pelo nosso ambiente terrestre, não é descabido acreditar que o ambiente celeste deve também exercer algum efeito sobre nós.

A astrologia chinesa não segue a causalidade mecânica de grande parte da ciência ocidental, mas reconhece uma variedade ativa de influências.

Enquanto boa parte do pensamento científico no Ocidente se contenta em isolar, pesar, medir e classificar, a mente chinesa acredita que os eventos no céu e na Terra andam juntos. Eles vêem ingredientes incontáveis que interagem, sendo envolvidos em um evento num momento em particular.

Nisto eles reconhecem algo parecido com a "sincronicidade" de Carl Jung, um princípio que não é casual e que assume a coincidência dos eventos no tempo e espaço com um significado maior que o puro acaso. Essas coincidências possuem uma "interdependência peculiar dos eventos objetivos entre eles mesmos e também com os estados subjetivos (psíquicos) do observador ou observadores".3 Minha própria experiência sugere que aquilo que parece uma "coincidência" é muitas vezes bem significativa e possui um padrão subjacente.

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A astrologia chinesa pode não ser uma ciência no sentido ocidental
convencional, mas se você assumir a ciência em seu significado original como sciencia, conhecimento adquirido pelo estudo, então a astrologia sem dúvida oferece uma sabedoria a respeito da nossa condição e lugar dentro do universo. Na verdade, seus vários insights podem bem ser os remanescentes disfarçados de uma "ciência sagrada" perdida.

A astrologia chinesa, como a metafísica chinesa, assume que tudo no
universo (simbolizado pelos cinco elementos e sua configuração expressa nos 64 hexagramas) segue na verdade certas tendências (a oscilação entre o yin e o yang e os Ciclos da Criação e da Destruição). Quando compreendemos estas regras, é possível ter uma compreensão melhor do nosso destino.

Entretanto, para os chineses o destino nunca é completamente intocável; se fosse, não haveria tanto interesse pela divinação e pelo jogo. A astrologia chinesa é baseada na visão taoista de que é melhor seguir com o fluxo da natureza do que contra ele. Se seguirmos com o fluxo, seremos mais eficazes e atingiremos nosso objetivo. Se seguirmos à deriva, seremos levados para o mar, mas também poderemos remar contra a maré, se for necessário, e atingir o porto da nossa escolha. De qualquer maneira, saber a direção da corrente principal sempre ajuda bastante.

Como acontece na astrologia ocidental, quaisquer elementos "negativos" aparentes na leitura dos Quatro Pilares do Destino não são de fato negativos. Nenhum mapa é totalmente bom ou ruim, mas simplesmente um guia para o seu potencial. Se a sua vida é boa ou má, a responsabilidade é sua. No mínimo, essas indicações podem ser uma ajuda positiva. Ao ficarmos conscientes das dificuldades em potencial, será mais fácil lidar com elas para enfim superá-las. Na verdade, a conscientização das dificuldades em potencial poderá nos auxiliar fornecendo um ímpeto para fazer as escolhas e realizar as mudanças.

Para astrólogos como Raymond Lo, o objetivo final é melhorar nosso destino ao obter uma visão mais clara do nosso futuro, embora ele admita que a astrologia dos Quatro Pilares do Destino não seja de todo precisa. Ela é meramente uma entre as várias equações que podem lançar um pouco de luz sobre o destino humano. Existem outras variáveis que afetam nosso destino, como o "feng shui, a sorte da terra, o esforço individual e, naturalmente, o livre-arbítrio".4 Ao permitir que o esforço individual e o livre-arbítrio entrem no cenário, ele está naturalmente reconhecendo que os seres humanos são pelo menos em parte responsáveis por seus atos.

Podemos ser produtos dos nossos ambientes terrestre e celeste, mas também podemos ser agentes ativos para moldar nosso futuro. Embora o método dos Quatro Pilares do Destino possa indicar nossas qualidades

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e potencial inatos e predizer os altos e baixos nas diferentes fases da nossa vida, não pode prever os detalhes do que acontecerá. Aí está nossa liberdade.

Para os chineses tudo se encontra no estado de fluxo, tudo está em mudança. O horóscopo natal não é, portanto, um tipo de fotografia que fornece uma imagem estática do nosso caráter e destino. Nem mesmo oferece os elementos de um composto complexo, mas "as forças da ação e interação que estão indissoluvelmente ligadas a todas as energias do universo".5 Quando conseguimos compreendê-las, nossa vontade se torna capaz de utilizar estas forças e de fazê-las agir em nosso benefício. Na verdade, de acordo com a divinação chinesa, embora nossas circunstâncias familiares e traços de personalidade sejam determinados no nascimento, nosso destino não é fixo. "Você continua a moldar sua sorte pelos atos que realiza durante sua vida", escreveu Man-Ho Kwok, "e, portanto, a versão final da nossa vida permanece finalmente em nossas mãos."6

Nascemos em uma determinada situação, com determinadas qualidades e potencial — física, intelectual e emocional. O ambiente mais amplo, tanto terreno quanto celeste, influencia sem dúvida nossa formação e os estágios em nossa jornada de vida. Mas eu acredito que pelo fato de termos consciência e de sermos capazes de fazer escolhas conscientes podemos, em termos finais, moldar nosso futuro. As configurações das estrelas e os elementos podem nos inclinar em direção a determinado curso de ação, mas não nos arrasta para ele. Como escreveu o astrólogo e alquimista do século IV Ko Hung: "A duração da vida cabe a mim, não ao céu."7

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