de Peter Marshall
Tradução Angela Machado
Índia Segunda Parte do livro.
O Senhor da Luz, Índia.
11 A Sabedoria dos Céus
Os tolos obedecem aos planetas, enquanto os homens sábios os controlam. B. V. RAMAN
Em uma manhã fria e enevoada de janeiro, pouco antes do amanhecer, eu me juntei à multidão que descia correndo pelas ruas estreitas de Varanasi no Nordeste da Índia em direção às águas tranquilas do Ganges. As pessoas se acomodavam nos degraus das escadarias, que se estendem por quilômetros ao longo das margens do rio que corre embaixo dos palácios decadentes dos rajás. Como a noite estava para terminar, os devotos se voltavam para o Leste. Quando o Sol surgiu, eles se lavaram com as águas frias do rio sagrado para se purificarem dos seus pecados. Depois, os homens santos se sentaram para meditar enquanto os raios do Sol começavam a dissipar a névoa da manhã.
O Ganges é também o local da maior peregrinação conhecida no mundo. Vinte e dois milhões de devotos se comprimiram em 24 de janeiro de 2001 na confluência dos rios Yamuna e Ganges, próximo a Allahabad. Segundo os astrólogos hindus, seria a configuração planetária mais auspiciosa em 144 anos. O festival começou assim que o Sol entrou em Aquário para se unir a Júpiter. Incontáveis sadhus — homens sagrados que andam nus — vaguearam pela multidão e gurus pregaram em meio à cidade formada por tendas.
No final do festival, conhecido como Kumbh Mela — kumbh significa um pote que se acredita conter o amhrit, o néctar da imortalidade —, a maioria dos peregrinos já tinha usado as águas sagradas do Ganges para retirar seus pecados, suas preces haviam sido atendidas e eles se preparavam para a próxima jornada após a morte.
As peregrinações diárias e a anual ao Ganges demonstram a antiga correspondência entre o céu e a Terra, e a profunda espiritualidade no cerne da astrologia indiana.
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Diferente do Ocidente, a astrologia indiana continua a desfrutar de alta consideração tanto da elite educada quanto do público em geral. O exprimeiro-ministro da Índia, Nehru, escreveu à sua irmã referindo-se ao nascimento do seu primeiro neto em 1944: "Em minha carta a Hindu sugeri a ela que pedisse a você para conseguir um horóscopo feito por uma pessoa competente. Estes registros permanentes da data e hora do nascimento são desejáveis. Quanto à hora, suponho que a hora solar apropriada deve ser mencionada e não a hora artificial que tem sido usada agora. O horário da guerra está pelo menos uma hora à frente do horário normal."1
A tradição continua: a última Primeira-ministra, Indira Gandhi, era famosa por confiar nos astrólogos. Não só a astrologia é oficialmente aprovada pelo governo indiano, como existem reivindicações para que ela faça parte do currículo acadêmico. A Comissão da Universidade Grants convidou universidades indianas para estabelecerem departamentos de astrologia védica com grau de doutorado.
A circular estabelecia: "Existe uma necessidade urgente de rejuvenescer a ciência da astrologia védica na Índia para permitir que este conhecimento científico atinja amplamente a sociedade e forneça oportunidades para que esta importante ciência seja exportada para o mundo."2
A astrologia na Índia é tradicionalmente utilizada para ajudar a atingir os quatro objetivos principais da vida: dharma (trabalho e mérito religioso), artha (adquirir riqueza), kama (prazer mundano) e moksha (libertação).
Os pais consultam um astrólogo no nascimento dos filhos não tanto pelas questões materiais de riqueza, casamento e sucesso no mundo, mas para compreender seu destino a fim de que eles possam auxiliar os filhos a realizarem seu potencial.
A astrologia também pode ser utilizada para promover a boa saúde, sendo parte integrante da tradicional medicina ayurvédica da Índia.
Onde quer que a astrologia se desenvolva, ela reflete inevitavelmente os valores sociais e culturais e as preocupações da sociedade na qual floresce.
Em vários aspectos a Índia é um país conservador, e a astrologia indiana espelha a estrutura social e as preocupações da Índia tradicional. Isto fica particularmente evidente nos horóscopos das mulheres. A maioria dos astrólogos admite, bem como suas clientes do sexo feminino, que uma vida realizada consiste em encontrar um marido compatível, ter vários filhos do sexo masculino e viver uma vida de modéstia e serviço.
Várias mulheres, apesar da tendência contrária, ainda esperam morrer antes do marido. Quanto ao público em geral, 95 por cento dos casamentos indianos seguem as considerações astrológicas. As últimas páginas da maioria dos seus diários são dedicadas à astrologia. Os pais publicam nos anúncios classificados os horóscopos de suas filhas e filhos em idade de se casar. Os casais que pretendem se unir devem se certificar de que seus horóscopos são compatíveis e se casar em uma data auspiciosa.
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Cada aspecto da vida familiar e do trabalho, desde o momento de construir uma casa até o de conceber filhos, possui uma dimensão astrológica. Um website oferece 15 mil nomes disponíveis para os filhos.
Os indianos acreditam que existem 16 funções importantes em suas vidas (shodasa karmas), como receber educação, se casar, ter filhos, e os astrólogos usam seus mapas natais e também os trânsitos dos planetas para se certificarem de que estas funções sejam realizadas no momento mais propício.
Os astrólogos védicos estão preparados para predizer a época da sua morte, auxiliando-o desta forma na preparação para a viagem ao próximo renascimento. Podem até sugerir de que mundo você veio na sua vida anterior e para qual mundo você estará rumando na próxima.
Com uma população de mais de um bilhão de pessoas, os astrólogos indianos têm seu trabalho bem delimitado.
O conhecido astrólogo indiano B. Y Raman, na 9a reimpressão da 26a
edição da sua Astrology for Beginners, editada pela primeira vez em 1998, admite que alguns impostores macularam o nome da astrologia, porém argumenta que ela deve ser colocada entre as ciências exatas.
Na verdade, como a ciência que registra a influência dos planetas sobre os fenômenos terrestres, ele insiste que: “Ela lança uma luz sobre os recessos escuros do futuro nebuloso. Tenta prever a história futura do homem, o destino das nações, impérios, reinos, guerras, revolução e outros fenômenos terrestres. Ela nos fala destes assuntos não por meio de suposições ou gestos vagos, mas da base inexorável de cálculos matemáticos puros. Por meio da observação, da erudição e, o mais importante, da indução, o astrólogo realmente descobriu uma correspondência entre o movimento dos planetas e os
eventos na vida de cada indivíduo.”
Raman baseia seu exemplo no determinismo universal (cada causa deve produzir um efeito), na circulação da energia no universo, nas ondas gravitacionais descritas na teoria da relatividade e no fato de o homem ser o microcosmo do macrocosmo do universo.
Embora Raman se destaque ao enfatizar a natureza científica da astrologia, todos os astrólogos indianos admitem que as energias que vêm do Sol, Lua, dos planetas e das estrelas (cada um com seu próprio campo magnético e gravitacional) afetam o estado físico, ambiental, mental e espiritual dos seres na Terra. Como cada um é um microcosmo do macrocosmo, cada indivíduo possui uma constituição planetária que o dota de uma personalidade e potencial únicos. A natureza exata dessa constituição depende do momento e local específicos do nascimento.
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Jyotish
Apesar da longa associação dos ingleses com a Índia, somente nos últimos tempos as complexidades técnicas e o profundo envolvimento espiritual da astrologia indiana foram passados para o Ocidente. Na verdade, ela tem sido praticada na sua forma atual há pelo menos 1.500 anos e provavelmente esteve evoluindo por alguns milhares de anos antes. Embora suas raízes estejam na antiga civilização védica, a astrologia indiana assimilou vários aspectos dos gregos (que por sua vez foram influenciados pelos babilônios) após a conquista da Índia por Alexandre, o Grande.
Ela utiliza os mesmos signos do zodíaco do Ocidente, embora algumas constelações sejam vistas como padrões diferentes no céu. Novamente, embora empregue um sistema similar de Casas (cada Casa lida com uma área particular de vida), os campos de ação de algumas Casas não são os mesmos.
As principais diferenças são que o horóscopo reflete mais
precisamente a realidade dos céus e que a Lua desempenha um papel mais importante. Acima de tudo, o objetivo final não é tanto o sucesso exterior no mundo, mas a realização pessoal e a iluminação espiritual.
Ela ensina como viver em harmonia com o Ser Único. Na verdade, tem sido argumentado que a astrologia indiana oferece uma das formas mais elevadas de empreendimento humano — o sadhana, "um caminho espiritual que pode transformar sua vida".5
Não é por acaso que Ganesha, o deus hindu com cabeça de elefante, é a deidade da astrologia. Ganesha é o deus da sabedoria e do sucesso que pode nos guiar no caminho para a iluminação. Muitas vezes eu o vi ser adorado nos templos hindus dedicados a Shiva, o deus da destruição e do renascimento.
Jyotish, Sabedoria dos Céu
A palavra indiana para astrologia é Jyotish. Ela veio do sânscrito, a antiga língua da Índia. Tem duas raízes: jyoti, que significa luz, e Isha, que significa Senhor ou Deus. Como tal, pode ser traduzida como "Senhor da Luz" ou "Sabedoria dos Céus".6
Significa também chama da vela, luz que bane a escuridão. Um renomado astrólogo costumava dizer: "Quando você vê a jyoti [luz], então se torna jyotishi [astrólogo]."7 Em hindi moderno, um astrólogo é
chamado de josis.
Jyotish se refere originalmente à astronomia e também à astrologia. Na verdade, os dois assuntos, somente há pouco tempo separados, eram considerados inseparáveis. Jyotish é também parte intrínseca da experiência cultural e religiosa da Índia. Ela tem sua fonte escrita nos antigos textos sagrados conhecidos como Vedas, considerados em geral como a fonte principal do hinduísmo.
Alguns chamam Jyotish simplesmente de astrologia védica ou hindu, mas como é também praticada por jainistas, siques, budistas e cristãos, prefiro chamá-la de astrologia indiana.
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Carma e o Ser
A astrologia indiana não pode ser compreendida sem a apreensão da noção de carma. O carma admite que tudo no universo está interligado com o espaço e o tempo. Isto se aplica não somente ao céu e à Terra, mas também ao passado, presente e futuro. O carma ainda assume a crença na reencarnação, ou na transmigração da alma. No Bhagavad Gita (A canção do senhor) a idéia é expressa em uma imagem familiar: "Assim como o home deixa uma veste antiga e coloca outra que é nova, o Espírito deixa seu corpo mortal e assume um outro, novo."8
O carma tem sido chamado de lei universal de causa e efeito, sendo bem similar à famosa Terceira Lei do Movimento de Newton: "Para cada ação existe uma reação igual e oposta." Em termos menos abstratos, carma implica em colhermos invariavelmente aquilo que plantamos. Todos os nossos atos possuem um efeito de retorno, como as ondulações formadas por um seixo lançado em um lago. As ações de nossas vidas passadas (carma) influenciam nossas ações presentes (dharma), o que por sua vez afeta nossas vidas futuras. A vida na Terra é vista como somente uma entre várias vidas, como um estágio em uma longa jornada da alma em direção à iluminação.
O nosso planeta é chamado de mrityisthana ou "o local da morte", pois tudo que vive na Terra deve morrer. Em um sentido bem real, todos nascemos destinados a ir para o túmulo. Mas se nos tornarmos suficientemente iluminados, poderemos ser capazes de escapar do ciclo de nascimento e morte e de todo o sofrimento a ele vinculado.
Como a astrologia indiana se adapta a este esquema? Já que a vida na
Terra é uma entre várias, todos nós trazemos para este mundo certa consciência moldada por nossas vidas anteriores. Ao delinear nosso caráter e potencial, ao revelar a natureza de nosso carma passado, a astrologia pode nos auxiliar a desenvolver medidas para contrabalançar as influências negativas e finalmente nos liberar dos apegos e reviravoltas do mundo.
Em seu melhor aspecto, ela oferece uma viagem à descoberta de si que vincula o desdobramento progressivo e a realização do próprio potencial.
Os astrólogos indianos reconhecem três formas principais de carma.
A primeira, sanchita ("acumulado") karma — a soma total das ações passadas (tanto conscientes como inconscientes) que herdamos de vidas anteriores no nascimento. Não podemos mudar este carma, assim como não podemos mexer na cor dos nossos olhos.
O segundo, prarabdha karma, é o tipo de carma que iremos nos deparar na Terra, gostemos ou não. Ele surge como a forma do destino pessoal e assume que é impossível mudar o tipo de experiência que iremos ter, como nascer cego ou incapaz de gerar filhos.
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As experiências podem ser tanto positivas, quanto negativas. Os desastres ou acidentes naturais, assim como os sucessos inesperados, se encaixam nesta categoria.
Mas isso significa que estamos totalmente enredados nas garras do carma passado e nas circunstâncias atuais? Na interminável cadeia cármica de causas e efeitos não somos diferentes de uma bola de bilhar que é atingida por outros milhares de bolas? Não totalmente. Existe um carma fixo e um carma mutável, e nossa vida é uma interação dinâmica entre os dois.
Nossa liberdade está na terceira forma de carma, conhecida como kriyamana karma, os efeitos criados pelas nossas ações atuais que se tornarão causas em nosso futuro. Este é o tipo de carma que nos possibilita escolher entre os diferentes cursos de ação que nos são apresentados e que respondem aos diferentes eventos em nossas vidas.
É equivalente à noção ocidental do "livre-arbítrio".
Existe também o agama karma, ações que imaginamos realizar, mesmo não as colocando em prática. Isto está presente em qualquer forma de planejamento. Para ser eficaz e bem-sucedido, faz sentido planejar nosso trabalho (agama karma) e realizar este plano (kriyamana karma).
Ao desenvolver nossa consciência, planejar o futuro e fazer as escolhas certas, melhoramos nosso prarabdha karma e construímos um sanchita karma. Desta maneira, é possível assumir nosso passado e nos lançar para o futuro. Quanto mais compreendermos a nós mesmos e ao carma que herdamos, mais fácil será realizar nosso potencial e transformar nossas vidas.
A Jyotish não é fundamentalmente fatalista. Até B. V. Raman, que afirma que tudo no universo, incluindo a humanidade, está sujeito às leis matemáticas, não admite que sejamos meras vítimas passivas destas leis: "Os tolos obedecem aos planetas", declarou, "enquanto os homens sábios os controlam."
Outro astrólogo contemporâneo observou que "não é o homem sendo controlado pelas estrelas, mas o homem usando as estrelas para melhorar sua vida".9
Além desta noção de carma e da orientação espiritual geral, a astrologia indiana difere da ocidental em dois detalhes importantes. Enquanto a astrologia ocidental destaca o nosso signo solar (a localização do Sol em determinado signo do zodíaco no momento do nascimento), os astrólogos indianos, como os chineses, dão atenção especial também ao ciclo da Lua.
O calendário religioso indiano sempre foi solar-lunar. Os rituais são realizados em determinado dia do mês lunar, particularmente após a Lua Nova ou Cheia. Os antigos astrólogos fizeram um estudo cuidadoso do ritmo da Lua, e logo descobriram que ela leva quase 19 anos solares para completar seu ciclo inteiro, caminhando de Sul para Norte e voltando novamente, com paradas maiores e menores pelo caminho.
É um conceito errôneo comum pensar que a Jyotish é uma astrologia puramente lunar. Foi o movimento do Sol que inspirou os primeiros astrólogos indianos a usar as 12 constelações (signos) do zodíaco e as 12 Casas e as unidades de tempo do dia.
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Ao mesmo tempo, foi o movimento mensal da Lua ao longo do seu caminho pelas constelações nos céus que inspirou o uso das 27 ou 28
"mansões lunares" conhecidas como nakshatras.
A astrologia indiana trata os nodos norte e sul da Lua (no Ocidente são
algumas vezes chamados de Cabeça de Dragão e Cauda do Dragão) como se fossem "planetas sombrios".10 Chamados respectivamente de Rahu e Ketu, são considerados tão importantes quanto os planetas visíveis. Nenhum dos dois é benéfico: Rahu é considerado maléfico e feminino, e está associado à corrupção e à renúncia, enquanto Ketu é maléfico e hermafrodita, associado ao egoísmo e às forças escuras. Na verdade, eles não têm existência física alguma. Rahu é a interseção norte e Ketu a interseção sul da órbita da Lua no plano orbital Terra-Sol da eclíptica. Contudo, os eclipses solar e lunar ocorrem graças a um alinhamento do nodo com a Terra-Sol-Lua no plano da eclíptica.
Outra característica distinta é que a astrologia indiana utiliza tradicionalmente somente o Sol (uma estrela), a Lua (o satélite da Terra) e cinco planetas (chamados em sânscrito de grahas) que são visíveis a olho nu: Mercúrio, Marte, Vênus, Júpiter e Saturno. Ignora os planetas que foram descobertos a partir do século XVIII com o uso do telescópio: Urano, Netuno e Plutão. Eles são considerados por muitos como não exercendo qualquer efeito sobre os afazeres humanos.
O termo da Jyotish para planeta é graha, que é utilizado no sentido de um corpo celeste (ou ponto no caso dos nodos) que tem a propriedade de atração.
Em sânscrito, graha significa, literalmente, "aquele que se apodera"; seu efeito é nos prender em seu poder. Acredita-se que os planetas correspondem a todos os aspectos da vida na Terra, e suas energias afetam sutilmente nossas percepções. Na verdade, cada um representa um dos "sete níveis da consciência que revestem a alma".12
Quando benéficos, encorajam uma consciência mais elevada; quando maléficos, reprimem o fluxo da energia. Estudar a influência dos planetas é, portanto, tornar-se consciente do seu potencial, das suas forças e das suas fraquezas como foram herdadas em seu nascimento.
Os astrólogos recomendam uma variedade de tratamentos (conhecidos em sânscrito como upayas) para corrigir o impacto negativo dos planetas e também o carma passado. Alguns templos são dedicados aos planetas e a adoração deles auxilia o devoto. Dietas, jejuns e atos específicos de caridade podem ser eficazes. O uso de pedras preciosas é comum, como o diamante para corrigir uma influência excessiva de Vênus. Repetir mantras é muitas vezes recomendado; cada planeta possui um bija mantra (som semente) que, quando repetido, pode criar a energia de um planeta na consciência.
Os próprios astrólogos muitas vezes adoram um istha devata, uma deidade pessoal que representa o Absoluto para reduzir os efeitos venenosos de determinadas combinações em seu trabalho.
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Os efeitos perturbadores de certos planetas podem causar um desequilíbrio das energias no corpo, o que, por sua vez, resulta em uma saúde precária. Segundo o Ayurveda, existem sete tecidos do corpo que podem ser influenciados pelos planetas: o Sol influencia a consciência e os olhos; a Lua, a mente; Mercúrio, o intelecto; e Júpiter supervisiona o conhecimento. Marte influencia o sangue e o fígado; Saturno, os sistemas neuro-musculares. Vênus governa o sistema reprodutor. Os médicos ayurvédicos, como os astrólogos, recomendam tratamentos como jejum, meditação, rituais e mantras e também o uso de determinadas rochas, pedras preciosas, cristais e metais para restaurar a harmonia natural da boa saúde. Ao reconhecer a importância da astrologia para a medicina, um especialista ayurvédico chamou a Jyotish de "uma maravilhosa ciência da cura" que compreende o ser humano por completo.13
Os Ramos da Astrologia Indiana
Atualmente, o elemento principal da forma mais popular de astrologia na Índia é o mapa natal, conhecido como jataka, que considera o momento e o local do nascimento, quando se acredita que a alma penetra no novo corpo e o ego individual é formado. Como tal, ele oferece um mapa dos céus no momento do nascimento, que se acredita revelar o carma fixo herdado de vidas anteriores e o lote de qualidades e possibilidades para esta vida.
Ao compreender nossa formação com a ajuda de um astrólogo, o mapa natal pode nos auxiliar encontrar nossa direção na vida e a realizar nosso potencial.
Dentro da corrente principal da astrologia indiana existem outros quatro ramos fundamentais. Prashna (astrologia horária) explora a relação entre os planetas em determinado momento que o cliente formula uma determinada pergunta. Existe pouca coisa escrita a respeito deste tipo de astrologia, e os astrólogos com freqüência consideram muitas variáveis antes de dar uma resposta, como a maneira que a pergunta é feita, quais as partes do corpo que o questionador toca e qual a direção da bússola que ele está ao fazer a pergunta.
Até as palavras pronunciadas, a primeira letra do nome ou o valor numérico do nome completo do cliente são levados em consideração. Estes fatores são algumas vezes utilizados para reconstruir o horóscopo de uma pessoa que não sabe o momento ou a data do seu nascimento, uma situação ainda comum em várias partes rurais da Índia.
Muhurta (momento "certo") é uma forma de astrologia eletiva que maximiza os efeitos dos tratamentos (upayas) e calcula o momento astronômico certo para os rituais religiosos e sociais a serem realizados.
Este foi provavelmente o primeiro tipo de jyotish a ser desenvolvido pelos antigos e a razão de ser chamado de "olho" pelos Vedas.14
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Até o momento da independência do atual Estado da Índia, em 1947, foi decidido após uma consulta a astrólogos muhurta. A muhurta ainda desempenha um papel importante no cálculo do melhor momento para as principais funções e celebrações da vida. Vihaha ("casamento") é uma das formas mais populares de astrologia indiana, especialmente para arranjar os casamentos, o que ainda é comum. A vihaha contém aspectos da jataka e da muhurta: são decididos não somente se os mapas natais dos possíveis noivos, após serem comparados e verificados, são compatíveis, como também o momento mais auspicioso para o casamento.
Menos em voga hoje, a astrologia varshaphala (previsão) busca
antecipar os eventos futuros. Yatra ("campanha") preocupa-se com o destino militar das nações e foi amplamente praticada quando a Índia era governada por dinastias e reinos rivais.
A indiana Jyotish com freqüência complementa todas essas abordagens
com quiromancia, numerologia e outras formas de divinação como a ciência dos presságios (nimitta). Lembro-me bem de quando visitei o "astrólogo da família" de um amigo no Sri Lanka e o velho sábio leu a palma das minhas mãos e também meu mapa natal para chegar às suas conclusões a respeito do meu passado e do meu futuro. Eu tinha trinta e poucos anos na época, e era cético. Ao revê-las, confirmei que ele tinha sido extraordinariamente preciso, prevendo que aos quarenta e poucos anos eu chegaria ao sucesso "literário", romperia o relacionamento com minha esposa e encontraria o segundo grande amor da minha vida.
Espero confirmar sua previsão de que viverei até os 84 anos!
Cada ramo da astrologia possui outras subdivisões. A jataka (astrologia natal), por exemplo, possui 16 sodas vargas ou mapas divisionais (cada um representando uma área de vida, como destino, educação e casamento), que são usados para traçar um perfil da personalidade.
Existem também regras definidas para determinação das forças e fraquezas relativas das diferentes posições planetárias e suas relações entre si (conhecidas como yogas).
As duas sodas vargas mais comumente utilizadas são o mapa do signo(rasicakra) e o mapa da casa (bhavacakra), empregadas para delinear a personalidade em termos gerais de um indivíduo ao nascer. Enquanto alguns mapas são mais voltados para assuntos mais mundanos como a habilidade de adquirir riqueza, encontrar um bom parceiro ou ter filhos, o mapa vimsamacakra trata do potencial espiritual. Este é considerado o mais importante de todos, e é essencial para alguém que deseja escapar do ciclo de nascimento e morte e atingir a iluminação e liberação (moksha).
Outro ramo importante da astrologia indiana é a Jyotish tântrica. Sua origem exata é desconhecida, mas o tantra neste contexto implica uma abordagem mística e intuitiva da Jyotish. Tantra, que significa "tecendo", envolve a transformação dos desejos físicos e não da sua repressão na busca da iluminação espiritual.
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Os tântricos reconhecem a correspondência íntima entre o corpo e o universo: "Assim como é no corpo, é no universo" (Yatha pinde tatha Brahmande, literalmente: "Assim como é nofragmento, é no ovo de Brahma").15
As contrapartes dos planetas, signos e casas astrológicas são encontradas no corpo humano: o poder divino do universo é encontrado dentro de tudo. Os astrólogos tântricos utilizam técnicas como leitura de presságios, respiração especial, clarividência e até viagem astral para receber informação e inspiração dos seres etéreos. Os tântricos parecem ter sido os principais responsáveis por fazer que os nodos invisíveis Sul e Norte da Lua ao cruzarem a eclíptica — Rahu e Ketu — tivessem o mesmo peso dos planetas visíveis em um horóscopo.
O culto tântrico dos planetas recebeu sua expressão suprema no Templo do Sol de Konarak, em Orissa. Construído para o Rei Narasimhadeva (1238-1264), o colossal templo foi edificado no formato de uma carruagem e dedicado ao deus sol Surya. Agora em ruínas, a carruagem tinha 12 rodas enormes esculpidas em torno da sua base e era puxada por sete cavalos gigantescos.
Todos os luminares: Sol, Lua, os cinco planetas e os "planetas invisíveis" — Rahu e Ketu — estão representados, num total de nove figuras ao todo, simbolizando as oito direções (o cardinal e os pontos intermediários da bússola) e o centro. Os tântricos realizam um sexo ritualizado para espelhar a união dos aspectos masculino e feminino do universo, Shiva e Shakti, e, condizente com seu padrão tântrico, o Templo do Sol em Orissa é decorado com cenas alegres e delicadas do ato de amor.
Embora existam textos antigos e modernos sobre astrologia, os astrólogos indianos argumentam que é impossível aprender os meandros do assunto simplesmente por meio da leitura. Todos os textos insistem na necessidade de orientação e bênção de um guru que consegue interpretar seu significado.
Desta maneira, a sabedoria acumulada da tradição é passada oralmente de mestre para discípulo. Um Jyotishi tem uma grande responsabilidade, e deve ser, além de devotado, habilidoso. Ele ou ela não deve se preocupar com o ganho escasso, mas com "o propósito da adoração dos Deuses, os votos religiosos e o jejum".16
Assim como acontece com a alquimia, o significado interior da astrologia indiana é cuidadosamente guardado em segredo. Ninguém pode, portanto, esperar compreendê-lo sem a orientação de um guru.
12 Olhos que Vêem Longe
Um rei sem astrólogo é como um menino sem pai. ATHARVA VEDA
Em Jaipur existe um notável observatório cujos instrumentos são de pedra. O Samrat Yantra, que age como um relógio de sol gigante, possui um gnômon de aproximadamente trinta metros de altura. O belo
Yantra Raj é um instrumento antigo utilizado para determinar a altitude e a posição dos corpos celestes. Representa cada aspecto da eclíptica e é ideal para a leitura do Ascendente (Lagna), a parte da eclíptica que está surgindo no Leste. Pode ser corrigido subtraindo-se o número requerido de graus para encontrar o primeiro grau de Áries (Aswini).
O observatório foi construído pelo Marajá Sawai Jai Singh II (1688-1743), em Jaipur. Outros menores foram erigidos em Délhi, Ujjain (o Greenwich da Índia), Benares e Mathura. Modelos das construções astronômicas de Ujjain podem ser vistos no Museu da Ciência em Londres.
Tendo encontrado erros nas tabelas do astrônomo português De La Hire, e sentindo-se insatisfeito com os instrumentos de Ulugh Beg, do astrônomo de Samarkand e com aqueles que eram utilizados pelos astrônomos turcos, o Marajá Sawai Jai Singh II decidiu desenvolver as suas. Em 1723, ele publicou as tabelas Zeech Mohammed shahi (Movimentos dos corpos celestes).
Sawai Jai Singh foi um homem excepcional. Não só construiu observatórios, como hospedarias para os viajantes em vários pontos dos seus domínios. Teve uma vida de luxo e um grande amor pela música e pelas mulheres, com 31 esposas e numerosas concubinas. Um indiano inflexível, favoreceu particularmente aos jainistas que praticava a forma mais extrema de ahimsa (não-violência), recusando-se a matar até uma mosca.
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Achei muito esclarecedor que o autor do guia oficial do observatório de
Jaipur, B. L. Dhama, ex-superintendente do Levantamento Arqueológico da Índia, declarasse abertamente sua fé na astrologia: "A vida de todas as criaturas, vegetais ou seres vivos que nasceram na face da Terra através dos corpos celestes é composta dos cinco Tatvas ou elementos, a saber: (1) fogo, (2) ar, (3) água, (4) terra e (5) céu, e seus atos, auspiciosos ou nefastos, são governados por eles, que são determinados na medida correta do tempo do movimento dos corpos celestes através dos 12 signos do zodíaco."1
Ele fornece também o horóscopo de Sawai Jai Singh II. Seu gosto pelo luxo e apreço pelas mulheres, bem como o seu interesse pelos trabalhos astronômicos, é explicado por ter o signo de Aquário na Casa 5. Seu amor pelas mulheres é também indicado por Escorpião na Casa 2. O fato de ter nascido em Tula, ou Libra, Rashi lhe justifica as seguintes características: "Natureza generosa, facilmente influenciado pelas mulheres, inclinado a extravagâncias, perspicaz em assuntos de negócios, mutável e irrequieto, gentil e amigável, natureza severa (sic), apreciador de viagens, virtuoso, respeitado pelos colegas, sensível e entusiástico, alegre, inteligente, amor à boa vida, influenciado pela bajulação das mulheres, tendências religiosas sinceras e favorecido pelas pessoas de classes superiores."2 A estrutura da personalidade, com contradições ocasionais, mostra uma qualidade vivida das leituras astrológicas indianas.
As descobertas de Copérnico e de Galileu ainda não tinham chegado a
Sawai Jai Singh, pois ele acreditava que a Terra estava no centro de uma enorme esfera oca, na superfície interna da qual estavam situadas as estrelas. A esfera celeste inteira girava sobre o seu eixo, que passava pelos pólos uma vez ao dia. Isto justificava o movimento diário das estrelas nascendo no Leste e se pondo no Oeste.
A própria Terra era vista como uma esfera, fixada de maneira imóvel no centro do universo. Os astros (Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, o Sol e a Lua) percorriam suas órbitas em torno da Terra. As estrelas fixas estavam contidas em uma oitava órbita ou esfera, e além dela estava a nona e última órbita, que era de dimensão infinita. O céu inteiro, incluindo todas as órbitas, girava diariamente em torno da Terra de Leste para Oeste, causando o nascer e o pôr das estrelas. Esta ainda é a visão de mundo mantida pelos astrólogos praticantes na Índia.
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As Raízes da Astrologia Indiana
O Observatório de Jaipur representou o zênite da astrologia indiana, mas de onde ele veio? A astrologia indiana é tão antiga quanto à própria civilização indiana. Suas raízes são obscuras, mas elas sem dúvida se desenvolveram de modo independente da China e do Oriente Médio.
Diz-se que os dados do texto astrológico e astronômico mais famoso, o Surya Siddhanta, data de mais de dois milhões de anos (precisamente 2.163.102 a.C), embora a idéia principal atual é de que o texto seja em sua maior parte do século VI da nossa era.3
Novamente, argumenta-se que o texto astrológico conhecido como Paitamahasiddhanta remonta a 3000 a.C. porém pesquisas recentes têm sugerido que talvez seja de uma data bem posterior.4
Certamente a astrologia indiana lida com vastos períodos de tempo. A era atual da história, a Kali Yuga (Era do Ferro) teve início em 18 de fevereiro de 3.102 a.C., em Ujjain, na Índia Central. Ela durará 432 mil anos. A Era do Bronze, que a precedeu, durou duas vezes mais; e a Era da Prata, anterior a esta, foi três vezes mais longa; e a Era Dourada, onde os seres humanos viviam 400 anos, foi quatro vezes mais longa. A era atual da Kali Yuga corresponde somente a um décimo da mahayuga, e mil mahayugas formam um kalpa, no fim do qual o mundo é destruído pelo fogo e depois recriado.5 Ainda nos resta algum tempo.
As primeiras fontes escritas da astrologia indiana estão contidas em uma série de hinos conhecidos como Os Vedas. São os textos indianos mais antigos, sendo amplamente aceito que tenham sido escritos há cerca de três mil anos e indubitavelmente transmitidos pela tradição oral em tempos bem anteriores. Escritos em sânscrito, diz-se que contêm o conhecimento sagrado revelado por antigos sábios e videntes chamados Rishis. Diz-se que eram adeptos e clarividentes a tal ponto que eram capazes de traçar horóscopos de indivíduos que ainda não tinham nascido! Ainda é muito aceito que os Rishis, com sua consciência superior, sabiam as respostas de todos os problemas da vida, que a ciência moderna, com o seu conhecimento limitado, ainda tenta em vão resolver.6
Os deuses, alarmados com o poder dos Rishis, enviaram um grande fogo para destruir seus mapas natais, porém alguns sobreviveram e foram passados para os Nadis (que significa "destinado" em tâmil), uma escola de astrólogos que ainda guarda seus segredos e que nomeia seus membros com nomes de deuses, sábios e planetas. Escrita em folhas de palmeira, a astrologia Nadi é praticada principalmente no Sul da Índia.
Essas folhas são guardadas por determinadas famílias que as interpretam através da impressão do polegar ou pela leitura da palma da mão e do mapa natal.
Os Vedas não somente descrevem os poderes dos corpos celestes, como também dão grande ênfase a determinados momentos para a realização de determinados rituais parte essencial de toda a astrologia subseqüente.
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Eles revelam um profundo assombro e reverência pelas forças da natureza. Suas deidades mais importantes estão ligadas de alguma maneira aos céus ou à Terra. Todos os planetas são representados como deuses ou semideuses, e possuem seus mitos próprios, nos quais são representados com a forma humana e com todas as suas forças e fraquezas. Os Vedas são personificados como um ser humano e a arte do Jyotish é considerada como sendo os seus olhos de visão de longo alcance.
O início da astrologia indiana foi também conhecido como jyotshi vedanga, um dos "membros dos Vedas".
Não somente os deuses são considerados como estrelas, mas também os Sete Sábios (Rishis), os fundadores míticos da astrologia, eram as Sete Estrelas da Ursa Maior (Grande Mergulhador), que se destacavam no céu noturno do hemisfério norte.7
A brilhante estrela Canopo era também identificada como o sábio Agastya, a quem se credita a propagação dos ensinamentos védicos para o Sul da Índia, onde eles cresceram. Por outro lado, eles achavam que algumas estrelas pareciam humanas. Qualquer mudança na aparência das estrelas era encarada como presságio, antecipando o tempo atmosférico ou epidemias.
O conhecimento sagrado da astrologia era um segredo guardado com
muito cuidado e passado oralmente de mestre para discípulo. O Maharishi ("Grande Rishi") Parashara, um dos fundadores da Jyotish, declara no fim de um dos seus trabalhos: "O conhecimento que lhes passo é a mesma ciência da Jyotish que o Senhor Brahma [o Criador] passou a Narada [o Mensageiro Divino], e que Narada passou a Shaunaka e outros sábios, dos quais eu recebi. Eu o narrei a vocês como o aprendi deles."8
O astrólogo do século IV Minaraja também iniciou seu poema clássico em sânscrito sobre a astrologia natal com as seguintes palavras:
Glorifico-o, Shiva, Criador dos Mundos, imperecível através dos tempos da Origem, Permanência e Destruição: perpetuamente presente em todas as coisas, Sol sem manchas que contém os três Vedas.
Minaraja
Esse ensinamento da astrologia em dez mil versos que os sábios da
Antigüidade ditaram a Maya, Minaraja estudou com afinco e pela sua própria inteligência o resumiu em somente oito mil versos.
Esse destino, realizado pelo poder das ações em vidas passadas [carma], que está escrito na testa de cada um pelo Criador, a astrologia, como uma lâmpada na escuridão, revela a forma das coisas.9 Em sua forma atual, o tratado contém 97 capítulos com mais de dois mil versos sobre astrologia natal.
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Os estudiosos acreditam que ele data provavelmente do século IV d.C., mas não têm certeza de que tenha sido escrito antes ou depois de o astrólogo da corte Varahamihira ter trabalhado para o celebrado Imperador Chandragupta II. Como acontece com todos os textos principais da Jyotish, está escrito em sânscrito.
Várias lendas explicam a criação dos céus estrelados. O Bhagavata
Purana, por exemplo, diz como o virtuoso Príncipe Dhruva foi escolhido pelos deuses para ser a Estrela Polar. Sua virtude particular foi ter permanecido imóvel sobre uma pena por mais de um mês. Foi, então, dito:
"As estrelas, e seus representantes, e também os planetas devem girar à sua volta." Ele ascendeu ao pólo mais elevado, "ao exaltado assento de Vishnu, em torno do qual as esferas estreladas vagueiam para sempre, como o eixo vertical do moinho de milho circundado sem fim pelos bois trabalhadores".10
Os recém-casados, ainda são encorajados até hoje, a observar juntos à Estrela Polar, para serem inspirados a permanecer constantes como o Príncipe Dhruva.
Os Vedas mencionam um "fogo" para descrever o grande círculo que se estende do Pólo Norte na esfera celeste ao Pólo Sul. No Rig Veda (Veda dos hinos), que é primordialmente ligado ao conhecimento metafísico, está escrito de maneira enigmática: "Agni! Como o aro de madeira, os seus raios rodeiam os deuses."11 Agni é o deus do "fogo", os deuses são as estrelas, enquanto o aro é o aro da roda no qual os raios estão presos. Agni possui três mães, que correspondem aos três locais de nascimento: no céu, na Terra e nas águas.
O filho de Agni, Skanda, é o planeta Marte, nascido de Krittika, as Plêiades. Além disso, Agni oferece o que muitos buscam obter da astrologia: "Que possa obter através de Agni riqueza e bem-estar dia após dia, o que trará a glória e grande bem-aventurança da valiosa prole."12
Os Vedas declaram que o deus sol Surya, é o "deus entre os deuses, a mais elevada luz":
Tu te elevas entre as hostes de deuses
Em direção à raça dos homens: em direção a todos,
Para que eles possam ver a luz celestial.13
A deusa Noite
Os antigos astrólogos observavam a glória dos céus sem a poluição luminosa das cidades modernas. Sentiam-se unidos ao universo durante o dia e a noite. Na verdade, a noite não era um período a ser temido, porém reverenciado. A Noite (Ratri) não era um personagem da escuridão, mas uma deusa brilhante coberta com as glórias das estrelas e planetas: "A deusa Noite se aproximou, observando os vários lados com os seus olhos. Ela vestiu todas as suas glórias. A deusa imortal preencheu o vasto espaço, as profundezas e as alturas. Ela acabou com a escuridão com sua luz."14
O Atharva Veda (Veda dos encantamentos), que é particularmente ligado à medicina e à ciência, afirma que os bastões de fogo pertencem a skambha.
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A palavra em sânscrito significa "apoio" ou "pilar", e se refere ao eixo do mundo, à estrutura do universo. Um hino no Atharva Veda é dedicado a skambha:
"Em quem a Terra, a atmosfera, em quem o céu estão firmados, onde o fogo, a Lua, o Sol, o vento permanecem fixados, esse Skambha diz..."15
Uma das principais tarefas da Jyotish era calcular os momentos certos para os rituais e sacrifícios. Um suplemento posterior ao Atharva Veda declara: "Um rei sem astrólogo é como um menino sem pai."16
Era essencial descobrir tão precisamente quanto fosse possível as datas dos equinócios e solstícios para os sacrifícios védicos. Os meses védicos eram meses sinódicos, contados de uma Lua Cheia até a seguinte.
A observação dos sacrifícios sazonais levou os astrólogos a notar determinadas mudanças causadas pela precessão dos equinócios. O solstício de inverno ocorria quando a Lua estava Cheia na constelação de Maghâs, da qual, em torno de 2344 a.C. a principal estrela era Regulus. O asterismo deu seu nome ao mês de Magha, que a princípio significava fugir da Lua Cheia em conjunção com Regulus. Contudo, graças à precessão dos equinócios, tornou-se necessário contá-lo da Lua Nova precedente para manter o mês próximo do seu asterismo.
Parece também que na época védica os indianos podiam calcular o retorno periódico dos eclipses em partes diferentes do zodíaco. O moderno estudioso R. Shama Sastry, por exemplo, fez uma interpretação do mito de Rohita e dos hinos Sunhahsepa. Aditi (Unidade), a mãe dos deuses, representa o ciclo do eclipse 58, enquanto Rohita torna-se um eclipse de cor avermelhada acontecendo em mil dias. A maldição de Visvamitra de cinqüenta de seus 101 filhos, codifica o fato de cinqüenta dos 101 eclipses num ciclo de vinte anos serem invisíveis a partir de qualquer lugar determinado.17
Desde cedo os astrólogos indianos dividiram o círculo do zodíaco em 27 ou 28 asterismos conhecidos como nakshatras (mansões lunares), por meio das quais eles mediam a passagem mensal da Lua. A primeira referência conhecida para os asterismos como um grupo completo está no Atharva Veda. Neste ponto, todos os asterismos são auspiciosos, e foi somente mais tarde que a influência de alguns se tornou maléfica.
Os Upanishads
Outro grande texto da antiga astrologia indiana, os Upanishads, foi escrito em torno de 600 a.C. mas datam de bem antes disto. Upan significa "sentar-se próximo" e shad "destruição".
Os Upanishads preocupam-se com a destruição da ignorância, o desenvolvimento da consciência e a liberação da alma. Diferente de Os Vedas, com seus cânticos para determinadas forças da natureza, os Upanishads focalizam o tema do ser antes de toda a existência.
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Não separam os humanos do restante da criação e enfatizam a íntima correspondência entre o microcosmo (humanidade) e o macrocosmo (universo). Na verdade, na reivindicação que "no princípio deste mundo havia somente o Ser sob a forma de uma Pessoa", a humanidade é vista como parte de um organismo gigantesco.18
Como o ser individual se relaciona com o universo? O ponto central nos
Upanishads são as noções do atman, o ser pessoal, e Brahman, o Absoluto todo-permeante ou Ser Universal. Os dois não são separados, pois o Absoluto se manifesta em cada ser individual. A natureza exata de Brahman é obscura; ele é descrito como "escondido em todos os seres, todo-permeante, o ser dentro de todos os seres, governando todas as ações, habitando em todos os seres, a testemunha, o observador, o único, livre de todas as qualidades. É o único regente de vários que não age; ele faz da semente única, várias".19 O que une a vasta diversidade das coisas e dos seres no mundo é o prana, que é similar à noção chinesa do chi todo-permeante. Esta energia liga o animado ao inanimado. Em sua forma externa, é o Sol; na interna, é a consciência.
O prana sustenta a vida, a evolução e revela a si mesmo em nossos desejos e pensamentos. Os Upanishads construíram em torno da noção do prana uma teoria da vida inconsútil: O Self perguntou a si mesmo: "O que fazme ir, se vai e fica, se permanece?" Então ele criou o prana, e dele o Desejo; e do desejo ele fez o espaço, o ar, o fogo, a água, a terra, os sentidos, a mente...20
A astrologia é um dos vários métodos desenvolvidos na antiga Índia paranajudar o ser a conhecer a si mesmo e compreender o ser-dentro-do-Ser — isto é, o atman em Brahman. Acima de tudo, ela nos capacita o reconhecimento da realidade última como a morada do ser puro (sat), da consciência pura (cit) e da bem-aventurança pura (ananda). Envolve a liberação alegre do sofrimento imposto pelo nosso ego por meio da ignorância.
Isto pode ser atingido pela canalização das paixões, e não da sua repressão; pelo direcionamento dos pensamentos, e não pela sua supressão.
Uma vez atingida a unidade com Brahman, os rituais se tornam supérfluos, a morte perde sua pungência e a mente fica calma, saciada e livre. Somente aqueles que compreendem quem são e o que querem, encontram a liberação.
Como resultado, todo o ser é transformado. Na verdade, os Upanishads reivindicam que o conhecedor de Brahman possui uma face reluzente, se sente saudável e até seu odor é bom!
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Purusha e Prakriti
Enquanto Os Vedas e os Upanishads fornecem uma base metafísica, a astrologia indiana também personifica uma psicologia largamente baseada no sistema de filosofia Samkhya, de Kapila, que foi desenvolvido no século VII a.C. Ele ensina que existe uma Realidade Absoluta, além do tempo, espaço e causalidade, conhecida como Brahman. O próprio cosmo resulta da união de Purusha e Prakriti, que em termos abrangentes poderiam ser chamados de "consciência" e "natureza".
Embora completo em si mesmo, Purusha deseja a experiência de si mesmo. Este desejo faz surgir Prakriti. O cosmo que habitamos é portanto o resultado do encontro de Purusha e Prakriti, os princípios masculino e feminino. Enquanto o primeiro é incognoscível, o último produz o mundo conhecido.
A conscientização da separatividade (buddhi) no reino de Prakriti produz ahankara, literalmente o "Eu-criador". Este é o nosso sentido de ser um indivíduo em separado. Faz surgir o ego pessoal que é responsável pelos atos que formam o nosso carma. Em uma imagem chocante no Srimad
Bhagavata, buddhi, a faculdade da discriminação, é equiparada a um charreteiro, manas (a mente) às rédeas e os sentidos aos cavalos. Por trás do charreteiro, dirigindo os seus atos, está a alma individual (atman).
Existem três atributos de ahankara e três princípios de Prakriti conhecidos como gunas. São elas: sattva (essência da inteligência), rajas (essência da energia) e tantas (essência da matéria). No início do ciclo cósmico elas estavam em equilíbrio perfeito, até serem perturbadas por Purusha. Então elas se combinaram em proporções diferentes para produzir toda a diversidade do mundo e a variedade do caráter humano.
Cada indivíduo é formado pelas três gunas. A combinação exata em qualquer pessoa é simbolizada pela relação entre os planetas em seu nascimento. Cada planeta, Casa e signo está associado a uma guna em particular.21
Quando eu estava em Varanasi, na Índia, o Vaidya (Dr.) J. S. Shukla, na Universidade Samparnanand de Sânscrito me explicou sua própria compreensão das três gunas e a maneira como as aplicou na medicina ayurvédica:
Sattva representa a boa vontade e as idéias, rajas é a vitalidade dinâmica e tantas significa estagnação. Todos os aspectos são
onipresentes em um indivíduo. A combinação de sattva e rajas faz
surgir os cinco órgãos dos sentidos, enquanto a combinação de rajas e tantas resulta nos cinco órgãos fisiológicos. A mente é o órgão mais refinado nos humanos. Embora repouse em nossos órgãos fisiológicos e dos sentidos, é muito refinada e muito rápida. Se ela não envia uma ordem através do seu corpo, você não é capaz de mover sequer o seu dedo!
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Sattva produz a mente {manas) e os sentidos. Sat significa "ser puro" e va "onde ele habita". Em geral, ela representa a moral e as qualidades espirituais. Está associada ao equilíbrio, à verdade e à pureza.
As pessoas sátvicas buscam a iluminação, causam um mínimo de dano e desejam ajudar os outros. São calmas, destemidas e generosas. Não estão interessadas em fama e fortuna, e pouca coisa perturba sua paz mental. Podem se tornar ascetas. O alimento sátvico é puro e trivial.22
Rajas representa a qualidade de agir e está associada à busca incessante.
Pode ser traduzida como o "pólen das flores". O ego possui tendências rajásicas, especialmente quando está constantemente lutando e se apoderando.
As pessoas rajásicas tendem a desejar o sucesso material e podem facilmente ficar desapontadas ou se distrair. Podem perder a paz mental porque nem sempre sabem o que desejam.
Tamas faz surgir os cinco atributos dos sentidos — som, textura, forma, sabor e odor. Pode ser traduzida como "ignorância". É considerada como o reino físico da escuridão.
As pessoas tamásicas são geralmente dirigidas pelos seus desejos físicos e tendem a ser materialistas e sensuais. Gostam de alimentos quentes e condimentados.
Na astrologia indiana, as qualidades das três gunas são atribuídas a diferentes planetas, signos e nakshatras (mansões lunares). Embora a personalidade de cada pessoa seja o resultado de uma combinação das gunas, em geral uma das qualidades tende a ser a dominante. Mas ela não precisa permanecer com a característica que define a pessoa. Se você é uma pessoa sátvica, por exemplo, isto não significa que atingirá automaticamente a consciência superior, assim como uma pessoa tamásica não será sempre ignorante, materialista e sensual. Um mapa natal é um mapa da sua psique ao nascimento; não é uma desculpa para nada na vida.
Os astrólogos indianos insistem que podemos sempre transcender as características herdadas das vidas anteriores e realizar todo o nosso potencial.
A Conexão Grega
É claro que a astrologia se desenvolveu bem cedo na Índia. Alguns indianos até reivindicam que a ciência da astronomia e astrologia foi realmente descoberta na Índia e dali viajou para outros países via Arábia. 23 Mas a Índia teve grandes elos de comércio, especialmente com o Oriente Médio, e foi sugerido que houve uma primeira influência da Babilônia, particularmente durante o período após a conquista persa em 539 a.C.
Ambas as civilizações parecem ter tido um nível similar de conhecimento científico e um interesse partilhado pelos ciclos do calendário. Porém as origens da astrologia indiana estão indubitavelmente na Índia, em especial na sua preocupação com as mansões lunares que não são encontradas no início da astrologia babilônica.24
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O caso da influência grega é mais definida. Enquanto Os Vedas
demonstram um refinado interesse no movimento do Sol, da Lua e das estrelas, existe pouca alusão a respeito dos planetas. O início da astrologia indiana foi primordialmente um sistema para regular o calendário e interpretar os presságios, a fim de estabelecer os momentos favoráveis para os principais rituais dentro da comunidade. A importância dada aos planetas e aos horóscopos individuais nos trabalhos posteriores de astrologia parece ter sido uma influência direta da astrologia grega, que atingiu o subcontinente após a chegada de Alexandre, o Grande, no século IV a.C..
Não somente os astrólogos indianos começaram a utilizar um zodíaco similar e os mesmos regentes planetários dos gregos, como também tomaram emprestado deles vários termos técnicos. Eles chamaram os primeiros textos de astrologia natal de Yavanajataka — yavana significa literalmente "jônicos", o termo indiano para identificar os gregos.
O mais antigo trabalho que sobreviveu sobre astrologia natal feito por Sphujidhvaja data da Era Saka (269-70 d.C.), mas o autor reivindica ter transformado em versos um texto traduzido 120 anos antes por um Yavanesvara, "Senhor dos Gregos". Yavanesvara, que era sem dúvida membro da comunidade grega estabelecida na Índia Ocidental naquela época, reivindica ter recebido seu conhecimento de Surya, o deus sol, que o recebeu dos Asvins, que o aprenderam do deus criador Prajapati.25
O trabalho contém muito material indiano e também uma cobertura grega.
Vários termos técnicos foram tirados diretamente do grego: lipta para
minutos, trikona para trígono, jamitra para diâmetro (ou oposição),
panaphara para ascendente. Até a arte de traçar um horóscopo é chamada de hora, palavra grega para hora. O Romaka Siddhanta cita a extensão do ano tropical com os mesmos números dados por Hiparco, astrônomo grego do século II a.C., que é geralmente considerado como o primeiro a descobrir a precessão dos equinócios. Os números para a precessão dados no Surya Siddhanta (datando principalmente do século VI) são mais precisos que os do alexandrino do século II, Cláudio Ptolomeu, chamado de "pai da astronomia" e maior autoridade da astrologia ocidental.
O texto indiano dá 54' por ano contra os 36' de Ptolomeu. A cifra correta atualmente é 50,2’.26 Parece provável que os indianos tenham tomado emprestado dos gregos os signos do zodíaco. Isto é confirmado pela existência de dois grupos de nomes, um deles uma transliteração do grego, provavelmente antes dos significados exatos serem conhecidos, e o outro uma tradução para o sânscrito. O nome grego para Áries, por exemplo, era escrito em sânscrito como Kriya, e recebeu o nome sânscrito de Mesha, que significa Carneiro.27
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Entretanto, mais que qualquer outro povo, os indianos usaram cada um dos 12 nomes do zodíaco para descrever um arco de 30° em qualquer círculo e não somente ao longo da eclíptica.
Toda a estrutura fundamental da astrologia indiana como praticada atualmente, pode ser encontrada no Vrddhayavanajataka (Grande, ou Antiga Astrologia Grega), escrito no século IV por Minaraja.
Varahamihira é considerado a maior autoridade, tendo sido provavelmente o astrólogo da corte do Imperador Chandragupta II,
cerca de 376-415, que foi um grande patrono das artes e das ciências.
Entre os seus vários escritos astrológicos (que incluem teorias astronômicas, correspondências, presságios, astrologia militar e casamento), seu trabalho sobre astrologia natal, Brhajjataka, tornou-se inspiração para a literatura sânscrita bem posterior sobre o assunto.
Apesar da influência da astrologia grega do período heleno-romano, resumidos no trabalho de Ptolomeu, os indianos continuaram a adaptá-la à sua própria tradição. A cosmologia indiana foi a que imaginou primeiramente uma Terra achatada com o Sol, a Lua e os planetas orbitando uma vasta montanha chamada monte Meru, porém o ímpeto das novas idéias do Oriente Médio conduziram ao abandono da antiga visão de mundo em favor de uma Terra esférica. Isto explicou com mais convicção as diferenças nas estrelas visíveis em Alexandria, no Egito, e no Norte e no Sul da Índia. A bola-Terra era então imaginada como pendendo no centro do mundo-ovo.
O grande astrônomo do século V, Aryabhta, sugeriu grosseiramente que era a Terra que revolvia enquanto os céus permaneciam estacionários, assim como para um marinheiro num barco a terra parece estar se movendo para trás. Achava que o Pólo Norte celeste, o eixo em torno do qual as estrelas revolviam, era o Monte Meru, a montanha sagrada no centro do mundo.
0º de Aries
A Jyotishi escolheu Ujjayini (a atual Ujjain em Madhya Pradesh) como sua longitude 0º, que eles achavam que passava pelo Sri Lanka com o seu "Pico de Adão" onde o primeiro homem pisou na Terra.
Embora os indianos tivessem adotado o zodíaco grego de 12 signos, também mantiveram seu sistema mais antigo das mansões lunares.
Encontraram maneiras de ligar os dois, computando ambos os círculos a partir de 0º de Áries, que no método grego coincidia com a posição do Sol no equinócio vernal da epoca. O círculo das mansões lunares começava com Asvini (β e γ Arietis), que era na época mais próxima do ponto.
Porém, apesar de sua inclinação pelo zodíaco grego "tropical" no qual o ano era medido pela passagem do Sol, os astrólogos indianos logo o deixaram em favor de seu zodíaco "sideral" mais tradicional, que media a eclíptica a partir de um determinado ponto entre as estrelas.
Como resultado, os dois sistemas foram se afastando numa proporção de 1º a cada 72 anos. O grau O de Áries (equinócio vernal) no sistema ocidental está agora próximo de 7° de Peixes no sistema indiano.
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Como conseqüência, o zodíaco indiano reflete com mais precisão a posição das estrelas no céu.
Quando as civilizações se encontram, as influências viajam em ambas as direções, e durante a Idade Média o conhecimento indiano chegou à Europa levado pelos muçulmanos que ocuparam a Espanha e o Sul da Itália. O sistema arábico das mansões lunares foi provavelmente adotado da Índia e passado para a Europa. Durante o Renascimento, os astrólogos europeus utilizaram a palavra sânscrita ucca (ponto elevado), latinizado como aux, para descrever a "exaltação" de um planeta, quando ele atinge seu ponto mais elevado nos céus.
Embora tenham transmitido aspectos da astrologia indiana para a
Europa, os árabes também influenciaram por sua vez a astrologia indiana.
A Tajika Jyotish é um desenvolvimento posterior (entre os séculos XIII e XVIII) inspirada pela astrologia árabe (Tazig é um nome iraniano para árabes). Ela possui uma raiz comum com a astrologia ocidental e se baseia no ano solar. Uma de suas principais características é o cálculo dos mapas de aniversário, ou "retornos solares", descritos em sânscrito como varsaphala, "frutos do ano".
A continuidade da tradição oral da astrologia indiana é ilustrada pelo
Tenente-coronel John Warren, que encontrou um astrólogo e criador de calendários em Pondicherry em 1825.2 O astrólogo calculou para ele, sem usar qualquer livro, o momento de um eclipse aguardado dispondo conchas na terra. Seu método de trabalho mostrou que aquilo lhe havia sido transmitido dos trabalhos de Yarahamihira no século VI. A tradição oral ainda existe até hoje, formando uma linha contínua desde a época de Os Vedas, pelo menos 3.000 anos atrás. E os ensinamentos dos lendários Nadis nas folhas de palmeira podem ser acessados via Internet.29
13 A Roda da Vida
Assim como a Astrologia ocidental, a Jyotish reconhece o zodíaco como uma faixa larga nos céus que se estende cerca de 8° em ambos os lados da eclíptica. Em Os Vedas, a eclíptica é chamada de Sudarshan chakra, a roda na mão do Senhor Vishnu, o Criador do universo. Ela é dividida em 12 seções, ou rashis, cada uma com 30°.
Cada rashi representa um signo do zodíaco, que consiste das 12 constelações nos céus, e também cada Casa do mapa natal.
Embora os rashis tenham os mesmos nomes dos signos da astrologia ocidental, é importante lembrar que eles representam constelações, isto é, grupos de estrelas. A maneira como um planeta age no horóscopo depende da natureza e do significado da constelação em que está localizado.
Assim como no Ocidente, o zodíaco indiano começa com Mesha (Áries) e termina em Meena (Peixes). Cada signo possui suas próprias características.
O meu signo Simha (Leão), por exemplo, é "fixo, ímpar, masculino, cruel, ígneo, de longa ascensão, estéril, regido pela cabeça".' Por outro lado, o signo da minha parceira, Kataka (Câncer), é "par, móvel, feminino, suave, água, de longa ascensão, regido pela parte traseira e frutífero" — claramente o meu oposto, exceto pela "longa ascensão"!
Os astrólogos indianos marcam também a eclíptica com 27 constelações
(algumas vezes 28) ou pontos estelares, que são medidos a intervalos de 13,33° de longitude ao longo da eclíptica. Cada constelação é então subdividida em quatro quartos: cada quarto é igual a 3,33° de longitude na eclíptica. Os signos e as constelações são medidos a partir do mesmo ponto, 0° de longitude do signo de Mesha (Áries) e da constelação Aswini.
Embora os 12 signos do zodíaco recebam os mesmos nomes na astrologia ocidental, a forma de alguns deles é diferente nas constelações nos céus.
Mithun (Gêmeos), por exemplo, é um casal masculino-feminino; Makara
(Capricórnio) é uma besta mítica que lembra um crocodilo com uma tromba de elefante; e Kumbha (Aquário) é um pote de água. Nos mapas são utilizados os nomes sânscritos para os rashis, e não os símbolos do Ocidente.
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O mesmo acontece com os planetas. Por outro lado, os regentes planetários dos 12 signos do zodíaco seguem o padrão ocidental tradicional:
Marte para Áries, Vênus para Touro, Mercúrio para Gêmeos, Lua para
Câncer, Sol para Leão e assim por diante.
Os signos cardinais são Áries, Câncer, Libra e Capricórnio, que são positivos e voltados para a ação. Os signos fixos são Touro, Leão, Escorpião e Aquário, que são pensativos e estáveis.
Os signos mutáveis são Gêmeos, Virgem, Sagitário e Peixes, que são negativos e mutáveis.
Os signos masculinos são os de numeração ímpar: Áries, Gêmeos, Leão, Libra, Sagitário e Aquário. São descritos na literatura védica como "cruéis"; são voltados para a ação e sociáveis.
Os signos femininos são os de numeração par: Touro, Câncer, Virgem, Escorpião, Capricórnio e Peixes.
Cada signo assume também a qualidade de um dos elementos: fogo, terra, ar e água.
Os signos de fogo são: Áries, Leão e Sagitário. As pessoas nascidas sob esses signos tendem a ser dinâmicas e determinadas.
Os signos de terra são: Touro, Virgem e Capricórnio. São pessoas práticas e confiáveis.
Os signos de ar são: Gêmeos, Libra e Aquário. São comunicativas
e criativas.
Os signos de água são: Câncer, Escorpião e Peixes. São intuitivas e solícitas.
Ayanamsha ou Distância Precessional
Apesar do significado e do uso similar dos signos do zodíaco, dos planetas e das Casas na astrologia indiana, existe uma diferença fundamental do sistema ocidental que produz resultados bem diferentes em um horóscopo.
Se você é Leão na Inglaterra, na Índia você poderá ser Caranguejo! O motivo disto é que a astrologia ocidental utiliza o ano solar ou
"tropical", isto é, o tempo que a Terra leva para completar uma volta ao redor do Sol. O tempo é medido entre dois equinócios vernais (da primavera) sucessivos, sendo igual a 365,24219 dias. A astrologia indiana, por outro lado, utiliza o ano "sideral", durante o qual a Terra completa uma volta ao redor do Sol, medida entre duas conjunções sucessivas de uma determinada estrela. Ele é maior, igual a 365,25636 dias.
Os astrólogos ocidentais utilizam o equinócio vernal como o início do zodíaco — o primeiro grau do signo de Áries. Contudo, este ponto não é fixo, falando em termos exatos. Por causa de uma inclinação no eixo da Terra, que a faz oscilar, quando o Sol retorna ao equinócio vernal sua posição está afastada cerca de 27°50' de longitude. O resultado é que o ponto equinocial em relação ao fundo das constelações está gradualmente movendo-se para trás, de Leste para Oeste.
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Este processo é chamado de precessão dos equinócios. O "primeiro grau de Áries" aparece agora na constelação de Peixes (cerca de 7º). A permanência em cada constelação é de 2.160 anos, o que forma uma Era Astrológica — estamos na Era de Peixes desde 150 a.C. e vamos nos aproximando da Era de Aquário (que terá início em 2010). É preciso também um total de 25.920 anos para atravessar todos os 12 signos e retornar ao primeiro grau de Áries, formando o Grande Ano Astrológico.
Os astrólogos ocidentais não estão muito perturbados com essa diferença entre os signos do zodíaco "tropical" e a posição atual das estrelas no céu (o zodíaco astronômico). Eles dizem que os nossos signos solares estão harmonizados com as mudanças sazonais e mensais da Terra. O astrólogo indiano, entretanto, acredita que a precessão dos equinócios deve ser levada em consideração no cálculo do horóscopo de uma pessoa.
Os zodíacos tropical e sideral coincidiram em 285 d.C, mas agora existe uma diferença de cerca de 24,5° de longitude. A diferença é chamada de Ayanamsha, ou Distância Precessional. O cálculo não é difícil, mas para montar um mapa indiano todos os planetas do mapa ocidental são movidos para trás.2 Logicamente, isto produzirá uma interpretação bem diferente, porém demonstravelmente mais próxima do estado real dos assuntos nos céus. Quando o Sol atravessa as constelações é dito que ele amplia as emanações das estrelas que afetam nossa energia na Terra.
Rashis: os Signos do Zodíaco
O ciclo do zodíaco — a Roda da Vida — descreve a jornada da alma pelo
mundo.3 Como todo mapa contém os 12 signos, somos afetados por eles em diferentes extensões.
Com Mesha (Áries), o primeiro signo do zodíaco, existe um novo começo, cheio de promessas, mas com ele vem o perigo de um excesso de impulsividade. É masculino e rajásico. Seu regente é Marte, que dá força e coragem. O Sol está exaltado em Áries.
Vrishibha (Touro) representa o potencial criativo a nível prático; seu símbolo, o Touro (Nandi, o animal de Shiva), sugere o poder da procriação. É andrógino e contém as três gunas (sattva, rajas e tamas). Regido pelo sensual planeta Vênus, aprecia as coisas requintadas da vida. A Lua está exaltada em Vrishibha.
Mithun (Gêmeos) representa o nascimento do intelecto. Seu emblema, os gêmeos, simboliza a junção do espiritual com o físico para fazer nascer o ego pessoal (ahamkara). As pessoas de Mithun tendem a ser intelectuais, porém, como sugere o seu signo, apresentam muitas vezes uma natureza dual e ambivalente. Mercúrio, o planeta da comunicação, rege Mithun. Como Vrishibha, Mithun é andrógino e contém as três gunas.
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Kartaka (Caranguejo) representa o próximo estágio no desenvolvimento da alma. Seu símbolo, o caranguejo, vive na água (consciência universal), mas também anda na terra (realidade diária). Suas dez patas representam os dez órgãos do sentido do corpo humano, externos e internos. Dez é um número perfeito; os nascidos em Kartaka buscam a perfeição. Sendo sátvicos, são idealistas, mas podem também ser bem práticos. Como Kartaka é regido pela Lua, que cresce e mingua, eles estão sujeitos a mudanças de humor.
Simha (Leão) expressa à individualidade da pessoa. Tendo o leão como símbolo, ele sugere poder e força. É sátvico e, portanto, idealista, mas pode colocar os ideais em ação. Regido pelo Sol e o seu elemento sendo o fogo, as pessoas de Simha são independentes e rejeitam qualquer restrição.
Kanya (Virgem) é a Virgem, o feminino imaculado. As pessoas de Kanya são profundamente envolvidas com o mundo prático, muitas vezes com sucesso material considerável, porém à custa do seu ser interior. Como o envolvimento com o mundo pode ser um obstáculo para o desenvolvimento espiritual, elas podem ficar ocasionalmente frustradas e descontentes.
Kanya é um signo tamásico, associado aos apegos terrenos e à escuridão. Mercúrio, o planeta do intelecto e da comunicação, rege Kanya, o que torna as pessoas pertencentes a este signo bons planejadores.
Na metade do zodíaco, Tula (Libra) marca o ponto onde o Sol pode deixar a escuridão dos apegos mundanos e se mover em direção à luz espiritual. Ele oferece um equilíbrio apurado (seu símbolo é uma balança) de se desfrutar a vida material sem se apegar muito a ela. Por outro lado, as pessoas de Tula têm dificuldade para decidir, pois vêem ambos os lados de uma questão, e muitas vezes balançam entre eles. Embora seja o signo dos relacionamentos, elas podem parecer distantes em sua busca pelo equilíbrio. Tula é rajásico, preocupado com a ação e a busca. É regido por Vênus que, segundo Os Vedas, informou os demônios de que haviam perdido sua posição na busca espiritual. O melancólico Saturno, que auxilia a liberação, está exaltado em Tula.
Os astrólogos indianos vêem Vrishchika (Escorpião) como um signo difícil e complexo. Signo de água, deseja fluir, mas, como um signo fixo, existe o perigo de ficar estagnado. Ketu está exaltado e Rahu debilitado em Vrishchika, a cauda e a cabeça da serpente Vasuki Narga. Assim como a serpente agita os oceanos com sua cauda, Vrishchika agita nossas emoções.
O símbolo de Vrishchika é um escorpião, criatura que vive em uma toca e pode picar com sua cauda. Possui a energia Kundalini que pode tanto destruir como conduzir à iluminação. Após o acasalamento, o escorpião fêmea mata o macho; isto implica que tendo embarcado em nosso caminho espiritual, devemos morrer para o mundo. O nosso velho ser deve morrer para que possamos ser novamente criados. Marte rege Vrishchika, oferecendo coragem e força para superar os desejos mundanos de riqueza e poder.
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Em seguida vem Dhanus (Sagitário), o Centauro, com o arco e a flecha.
Metade cavalo, metade homem, ele ilustra o estágio da nossa jornada em que podemos começar a deixar nossos apetites animais para trás e nos tornar um ser verdadeiramente espiritual. É preciso ser um guerreio cósmico e almejar a retidão. A autodisciplina e o desprendimento auxiliarão nesta luta. O grande mestre Júpiter rege Dhanus, representando a expansão e a boa sorte.
Orientado para o místico, não surpreende o fato de ser sátvico.
Makara (Capricórnio) é uma ponte entre o humano e o sobre-humano. É um signo feminino, cardinal e pertence ao elemento terra. É o signo do dever, do trabalho duro e da responsabilidade. As pessoas de Makara são sérias no empenho pela sua salvação, mas devem enfrentar as conseqü.ncias das suas ações passadas se desejam transcendê-las. É regido por Saturno, o planeta do carma, o que traz a certeza de que não será uma tarefa fácil. O símbolo de Makara é o crocodilo. Bem apropriado, é o oposto de Kartaka (Caranguejo) na roda do zodíaco.
Enquanto o caranguejo vive na água (consciência universal) e se aventura na terra, o crocodilo vive na terra, mas mergulha na água.
Representa o estágio de transição entre o céu e a Terra. Entre os dois mundos, ele é tamásico.
Kumbha (Aquário) é um signo de ar. Seu nome sânscrito está associado a kumbhaka, uma técnica de controle da respiração. Ao controlar a respiração no yoga, aprendemos a retirar a energia do alento universal chamado prana. O emblema de Kumbha é um cântaro vertendo água. Ela dá a vida e a purifica e, como tal, simboliza a consciência universal. Os aguadeiros Kumbha transportam aquilo que estão buscando. Mas, para mergulharem nas águas da consciência universal, eles precisam primeiro quebrar o cântaro de seus egos individuais. Seu objetivo é o mais elevado da iluminação e liberação, por isso o signo é tamásico. O caminho contém dificuldades e perigo. Os que nascem em Kumbha tendem a trabalhar mais com a cabeça do que com o coração. Saturno rege Kumbha, assegurando que terão de encarar grande responsabilidade em seu trabalho pelos outros.
O 12° signo, Mina (Peixes), completa a roda da vida. Ele marca o último estágio na jornada da alma, quando o indivíduo se torna parte do todon universal, quando o atman se funde em Brahman. Mina é simbolizado por dois peixes, um na direção oposta ao outro. Os que nascem em Mina nadam com facilidade no oceano do Ser; podem mergulhar nas profundezas frias e calmas abaixo da superfície agitada das ondas. Como seu signo é feminino e mutável, podem se mover livremente, porém com o risco de serem engolidos pelos outros. São sátvicos, preocupados com a pureza e a verdade. O grande mestre
Júpiter rege Mina, trazendo expansão e sabedoria, enquanto Vênus está exaltada neste signo simbolizando o desejo por uma vida nova, pois a antiga chegou ao seu fim.
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Vargas: as Divisões dos Signos
Além dos rasbis ou signos do zodíaco, os astrólogos indianos utilizam pelo menos outras cinco divisões ou vargas do círculo da eclíptica. As mais populares são: hora, a metade do signo; drekkana, o decano (a divisão do signo em três segmentos de 10° cada); navamsha, nosso signo (a divisão do signo em nove segmentos); dwadashamsha, o 12° signo (a divisão do signo em 12 segmentos); e trimsamsa, ou grau. Como os rashis, cada um deles possui seu próprio regente planetário.
Os vargas preenchem os detalhes do horóscopo e mostram de maneira mais sutil como os planetas atuam no mapa. Os mapas varga revelam a força verdadeira dos planetas, se estão exaltados ou exilados em suas posições.4
A hora é produzida pela divisão dos signos em suas metades solar e lunarde 15° cada. As divisões simples simbolizam as energias masculina e feminina. Nos signos masculinos, a primeira hora pertence ao Sol e a
segunda à Lua, e vice-versa nos signos femininos. Desta maneira, as horas percorrem o zodíaco como Sol, Lua, Lua, Sol e assim por diante. Existem 24 horas em um círculo inteiro do zodíaco, correspondendo a cada hora do dia, que revelam se você é uma pessoa ativa ou passiva, e sua facilidade de adquirir riquezas.
Embora a hora não seja utilizada normalmente na astrologia ocidental, o
drekkana, ou decano, possui uma longa história em ambas as tradições.
O termo vem do grego dekanos, que significa uma divisão de 10°, o que por sua vez deriva da astrologia egípcia, que destina uma deidade para cada um deles. O mapa drekkana ajuda a fornecer os detalhes da Casa 3, que se refere aos irmãos e amigos.
Cada decano possui um regente planetário. A fórmula mais popular para sua distribuição é a seguinte: os três decanos de cada signo correspondem em ordem ao próprio signo e aos dois outros signos da mesma triplicidade. Os três decanos de Áries, por exemplo, serão: 1. Áries, regido por Marte; 2. Leão, regido pelo Sol; e 3. Sagitário, regido por Júpiter.
Cada decano está associado a um símbolo. Um texto do século VI de
Varahamihira descreve o primeiro de Áries como:
Um homem negro feroz, capaz de proteger [muitos], de olhos avermelhados, usando um pano branco em torno da cintura, segura um machado erguido. A forma do decano do meio de Áries como foi ensinado por Yavana [os gregos] é uma mulher de corpo arredondado, com rosto de cavalo, vestida de vermelho, que aprecia ornamentos e comida, erguida sobre um pé. O terceiro decano de Áries é descrito como um homem, cruel, hábil nas artes, avermelhado, que busca agir mas é frustrado em suas tentativas, zangado, que segura um bastão erguido, vestido de vermelho.5
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Algumas das imagens são chocantes. O segundo decano de Câncer é "uma mulher pouco comportada, com a cabeça enfeitada com flores de lótus, o corpo enlaçado por uma cobra"; enquanto o primeiro de Escorpião é uma "bela mulher, nua e sem ornamentos, surgindo na praia vinda do oceano, com uma cobra enrolada nas pernas". O terceiro decano de Leão, relevante para o meu aniversário a 23 de agosto, é "um homem com o rosto parecido com um urso e os movimentos de um macaco, com uma barba e os cabelos encaracolados, armado com um cajado e que leva carnes e frutas".
Entre as outras cinco divisões, a mais importante depois do próprio signo é navamsha, ou nono signo, que se estende por 3°20', sendo conhecida no Ocidente como "subdecanato". Os 108 navamshas correspondem aos signos do zodíaco repetidos nove vezes.
O primeiro corresponde a Áries, o segundo a Touro e assim por diante. Eles preenchem um papel importante na reconciliação das 12 divisões do zodíaco com as 27 divisões das mansões lunares (nakshatras).
Tradicionalmente, os astrólogos indianos marcam as posições dos planetas em signos e navamshas, ambos anotados com números. Qualquer planeta no mesmo signo e navamsha é visto como forte.
Os dwadashamshas, ou 12 signos, que se estendem por 2°30', são novamente distribuídos pelos 12 signos do zodíaco. São utilizados principalmente para indicações de saúde e desenvolvimento, como expectativa ou crescimento de um bebê no ventre.
Cada trimsamsa, ou grau, é atribuído a um dos planetas-estrela. Eles são particularmente usados em mapas de mulheres para descobrir as perspectivas de casamento e dão detalhes sobre a Casa 12, especialmente de seus carmas passados. E, em geral, considerado como o "mapa da mãe e do pai", pois, segundo a crença hindu, sua escolha dos pais nesta encarnação é o resultado do carma de suas vidas anteriores.
Existe até um mapa para as sessenta partes de 0°30', conhecido como mapa shastiamsha, que é utilizado com freqüencia na astrologia eletiva e para diferenciar os gêmeos. Logicamente, é necessário a hora exata do nascimento, definida na Índia pelo momento da primeira respiração.
Bhavas: as Casas
Assim como na astrologia ocidental, os planetas são colocados não somente nos signos do zodíaco, ou 12 constelações (rashis), mas também nas 12 Casas em torno do círculo da eclíptica. As Casas, conhecidas como bhavas, focalizam as principais áreas de atuação na vida humana. A palavra sânscrita bhava significa tanto "um estado de consciência" como também "um estado da mente".
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Elas representam a condição externa da vida, bem como nosso estado interno da mente; na verdade, elas foram descritas como "os teares cósmicos nos quais os planetas (grahas) tecem a tapeçaria da sua vida com o fio de seus carmas".7
Embora sejam 12, as Casas (bhavas) não se sobrepõem aos signos
(rashis). Enquanto cada signo tem sempre 30° de longitude, uma Casa pode variar de comprimento, dependendo da época do nascimento e da latitude do local do nascimento. Entretanto, vários astrólogos as dividem em 12 setores iguais com 30° cada.
Cada Casa é medida a partir do Ascendente do seu horóscopo, conhecido como lagna em sânscrito. O seu Ascendente é o grau do zodíaco interceptado pelo horizonte oriental no lugar e horário do seu nascimento.
Portanto, ele estabelece quais planetas estão localizados nas diferentes Casas no seu mapa natal. A palavra lagna possui um sentido de estar "amarrado": portanto, o Ascendente amarra a posição dos planetas ao local e horário do nascimento.
Os astrólogos divergem ligeiramente quanto ao significado atribuído a
cada bhava, mas em geral são eles: 8
Casa 1: Nascimento, corpo, aparência
Casa 2: Família, morte, riqueza, visão
Casa 3: Inteligência, irmãos, irmãs
Casa 4: Felicidade, educação, mãe, terra, veículos
Casa 5: Filhos, memória, discernimento
Casa 6: Débitos, doenças, miséria, inimigos
Casa 7: Esposo(a), anseio, viagens, morte
Casa 8: Acidentes, herança, perda, morte
Casa 9: Religião, virtude, pai, guru, sorte, viagens ao exterior
Casa 10: Ocupação, fama, conhecimento filosófico
Casa 11: Ganhos, desejos
Casa 12: Perdas, má sorte, moksha
Embora o significado das bhavas seja similar ao das Casas da astrologia ocidental, a ênfase espiritual é particularmente indiana. As bhavas revelam os quatro objetivos fundamentais na vida conhecidos como dharma, artha, kama e moksha. As Casas do dharma são 1, 5 e 9. Elas apontam seu caminho na vida. Dharma é geralmente traduzido como "dever", mas significa na realidade "fazer aquilo para o qual você nasceu".9
O dharma de um rio é fluir, o do Sol é brilhar. As Casas de artha são 2, 6 e 10. Elas indicam seus prováveis recursos, incluindo a riqueza.
As Casas de kama são 3, 7 e 11. Kama significa "desejo", não em termos sexuais, mas atingir as aspirações pessoais.
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Finalmente, as Casas de moksha são 4, 8 e 12. Moksha significa "liberação", isto é, ser liberado das cadeias da ilusão e da escravidão do mundo material. Envolve ir além dos mundos condicionais e limitados do dharma, artha e kama e atingir a Realidade Absoluta.
Embora os significados da Casa 8 sejam semelhantes aos da Casa 6, a primeira é geralmente mais longa e mais intensa que a última. A Casa 9 é a mais avançada delas, aponta o caminho espiritual. Enquanto ela representa o ápice da experiência do dharma, a Casa 10 é o máximo do artha, o zênite da experiência humana. A Casa 11 é o ápice de kama. A Casa 12 representa moksha, a complementação da vida na Terra e o início da próxima vida.
Mas isso não é tudo. Existem ainda outras classificações atribuídas às
Casas na astrologia indiana. Os planetas variam de força dependendo das Casas em que estejam.
As Casas 4, 7 e 10 são conhecidas como kendras ou angulares (no Ocidente são chamadas de quadrantes). Elas indicam as ações conscientes, as decisões adotadas. Os planetas que regem as Casas kendra se tornam benéficos se forem naturalmente maléficos. Por outro lado, os planetas benéficos, ao regerem as Casas kendra, se tornam maléficos.10
As Casas 1,5 e 9 são chamadas de trikonas ou trígonos. Indicam as ações inconscientes. Os planetas que regem essas Casas são sempre benéficos.
As Casas 2, 8 e 11 são conhecidas como panaparas, ou Casas sucedentes.
As outras que restam são apoklinas, ou Casas cadentes.
As Casas 3, 6, 8 e 12, conhecidas como dusshanas, indicam o que é mais provável de causar sofrimento para a pessoa na vida, enquanto as Casas 2 e 7, conhecidas como maraka (matador), indicam a extensão da vida.
Os planetas em trikonas são muito fortes; em kendras, pouco fortes; em
panaparas, ligeiramente fortes, e em apoklinas extremamente fracos.
Os planetas que regem as Casas maléficas (3, 6 e 11) são sempre maléficos, enquanto os regentes das Casas 2, 8 e 12 são neutros.
Naturalmente os astrólogos partilham vários pontos com a astrologia ocidental. Mas achei muito interessante a noção de que os planetas possuem uma "força direcional" (dik bala) — isto é, suas energias crescem quando estão em determinadas Casas no mapa do nascimento.
Cada planeta é forte em uma determinada direção dos quatro pontos cardeais — Marte ao Sul e Vênus ao Norte; Mercúrio e Júpiter ao Leste e Saturno ao Oeste. O Sol cresce no Sul, a Lua, no Norte. A direção de um planeta é definida pela Casa em que ele se encontra: a Casa 1 é o Leste; a 4, o Norte; a 7 é o Oeste; e a 10, o Sul.
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Se, no momento do nascimento, um planeta está na Casa da sua própria direção (a Lua na Casa 4 ou Mercúrio na Casa 1), ele aumenta consideravelmente sua força.
Como no feng shui, os astrólogos acreditam que a direção de uma Casa
pode afetar seus residentes. As portas da frente voltadas para o Norte e o Leste, que são as direções de Vênus e Júpiter, são consideradas auspiciosas.
14 A Família dos Planetas
A influência dos planetas desempenha um papel-chave na formação da personalidade e do destino. A astrologia indiana (Jyotish) não é exceção. Como vimos, os planetas são considerados como forças astrais que podem "se apoderar" do nosso ser.
Eles são agentes da Lei Universal do Carma e nos influenciam através de suas emanações. Um horóscopo pode ser, portanto, descrito como "um mapa dos seus carmas traçado com as especificações dos Nove Dominadores".1
Nove Dominadores? Estes, naturalmente, são o Sol e a Lua, os cinco planetas — Mercúrio, Marte, Vênus, Júpiter e Saturno — e os "planetas invisíveis", Rahu e Ketu (os nodos Norte e Sul da Lua).
A astrologia — tanto no Oriente, quanto no Ocidente — considera o movimento dos planetas como ele é visto a partir da Terra. Ela segue as descobertas da antiga astronomia que assumia que o Sol se movia em torno da Terra e não o contrário.
A rotação da Terra de Oeste para Leste faz parecer que o Sol, a Lua e os planetas passam acima dela de Leste para o Oeste. Isto ocorre todos os dias, sendo chamado de movimento diurno. Ao mesmo tempo, os mesmos planetas parecem mover-se na direção oposta, de Oeste para Leste, através das constelações do zodíaco. Isto é conhecido como movimento adequado.
O movimento diurno é sempre mais rápido que o movimento adequado. Em média, o Sol, Mercúrio e Vênus levam trinta dias para atravessar uma constelação ou signo do zodíaco. A Lua leva dois dias e um quarto, enquanto Marte leva um mês e meio; Júpiter, um ano; e Rahu e Ketu, um ano e meio. O lento Saturno permanece cerca de dois anos e meio em cada constelação.
Os grahas não somente estão associados a deuses, como assumem
características humanas e uma dimensão sexual.
O Sol, Marte e Júpiter são masculinos; a Lua, Vênus e Rahu são femininos; Mercúrio e Ketu são hermafroditas.
O Sol, Marte, Saturno, Rahu e Ketu são chamados de maléficos. Em geral, eles exercem uma influência perniciosa, causando problemas e criando obstáculos, embora seu dano possa ser aliviado.
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Júpiter e Vênus são benéficos. Em geral fazem o bem, mas em determinados relacionamentos são capazes de prejudicar. A Lua é benéfica quando está crescendo, e maléfica quando míngua. Mercúrio é com frequência tida como neutro, assumindo o temperamento do planeta com o qual está associado.
Na mitologia indiana, o sistema solar é muitas vezes visto como a personificação da Pessoa Divina do Tempo conhecida como Kala Purusha.
Os planetas regem partes diferentes do seu ser e são responsáveis pelas diferentes partes da sua personalidade. O ígneo Sol rege a alma e a receptiva Lua rege os sentidos e as emoções. O valente Marte rege o poder e a força. O rápido Mercúrio rege a mente racional e a fala, enquanto o alegre Júpiter rege o conhecimento e a sorte. O jovem Vênus rege os desejos e anseios e o melancólico Saturno rege as tristezas e a má sorte.
Os astrólogos indianos utilizam com frequencia histórias para ensinar o significado cosmológico dos planetas. Uma história deliciosa descreve o caráter dos planetas e relata a maneira como eles vieram a reger as diferentes constelações no zodíaco. A história foi colocada sob a forma escrita em tempos recentes.2
No começo o Sol e a Lua, rei e rainha do céu, regiam as constelações de Leão e Câncer, respectivamente. Não querendo ser deixado de fora, Mercúrio pediu ao Sol (Mercúrio rege a comunicação) um lugar no zodíaco para si.
Tendo uma natureza generosa, o Sol deu a ele Virgem, a constelação próxima a ele. Sendo um companheiro astuto, Mercúrio então esperou pela noite e graciosamente pediu à Lua um outro lugar. O Sol é a alma e a Lua é a mente emocional (que brilha com a luz refletida), mas não gosta de ser superada. Ela disse então: "Se você de fato deseja um lugar, pegue Gêmeos, o ponto próximo ao meu." Desta forma, Mercúrio, a mente racional, adquiriu dois signos: Virgem e Gêmeos.
Então Vênus (o desejo) observou o que acontecera e sentiu-se desejoso de pedir o mesmo. O Sol respondeu que já tinha designado o local próximo a ele, mas Vênus poderia ter o seguinte — Libra. A Lua, da mesma forma, cedeu Touro, próximo a ela. Marte (a ação) não quis ficar de fora e o Sol e a Lua generosamente cederam a ele Escorpião e Áries, respectivamente. E não puderam recusar a Júpiter (a sabedoria) um lugar, que recebeu Sagitário e Peixes. Por fim, até Saturno, que é lento e voltado para a renúncia, recebeu Capricórnio e Aquário, os que restaram em ambos os lados do Sol e da Lua.
O círculo estava completo. Não havia mais planetas (Urano, Netuno e Plutão não tinham sido descobertos) nem mais locais sem dono.
A ordem dos grahas reflete as distâncias dos planetas do Sol como vistos da Terra: Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. Mostra também o regente planetário para cada uma das constelações do zodíaco. Acima de tudo, a história ilustra com beleza a evolução da consciência ao assumir a forma de um corpo, movendo-se da alma (Sol), da mente emocional (Lua), da mente racional (Mercúrio), do desejo (Vênus), da ação (Marte) e, finalmente, para o resultado da experiência e do pensamento — a sabedoria (Júpiter). Um dos aspectos da mente faz surgir o outro.
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O tempo (Saturno) leva todo o processo a um fim até que ele se inicie numa nova vida.
Na Índia os nove planetas, ou navgrahas, desempenham um papel importante nos rituais diários. Templos em toda a Índia são dedicados a diferentes planetas, aonde as pessoas vão, rezam e fazem oferendas na esperança de atrair sua influência positiva para suas vidas. Muitas mulheres usam anéis ou pingentes guarnecidos de pedras que simbolizam os grahas.
Existe também uma mandala chamada Navgraha Yantra que tem
determinada combinação de números que simbolizam as diferentes energias dos planetas.
Assim como nas línguas européias, os dias da semana são baseados nos grahas. A palavra Vaar (dia) é adicionada ao nome sânscrito para cada um deles: Ravivaar (dia do Sol), Somvaar (dia da Lua), Mangalvaar (dia de Marte; em francês, mardi), Budhvaar (dia de Mercúrio, mercredi),
Brihaspativaar (dia de Júpiter, jeudi), Shukravaar (dia de Vênus, vendredi) e Shanivaar (dia de Saturno). No dia dedicado ao planeta acredita-se que suas energias ficam mais fortes; sua força pode ser ainda ampliada por meio de jejuns ou de rituais. Atividades importantes (como uma cerimônia de casamento, início de uma viagem ou abertura de um negócio) raramente são realizadas nos dias dos planetas maléficos — Marte e Saturno. Por outro lado, alguns astrólogos reivindicam que é melhor se mudar num sábado e fazer uma cirurgia na terça-feira.
O Sol
Muitas lendas na Índia estão associadas aos grahas e refletem seu simbolismo astrológico. O Sol (Surya) é compreensivelmente importante.
Sem o Sol não haveria vida. O Sol é Purusha, o princípio masculino do universo, e simboliza a alma eterna. Representa também o pai, a autoridade, a vitalidade e a coragem. Psicologicamente, todos os planetas possuem um lado positivo e um negativo: o Sol pode ser generoso e criativo, mas também orgulhoso e despótico.
O Sol é puro (sátvico), mas pode criar problemas porque é muito ígneo. O mito védico relata que a esposa do Sol o deixou e o Criador teve de reduzir um pouco do seu brilho antes que ela voltasse, porém mesmo assim ele permaneceu muito quente.
Um sol forte em nosso mapa sugere que nosso ser interior e exterior serão harmoniosos e que nós teremos uma consciência muito desenvolvida. Por outro lado, um sol muito forte significa que poderemos ser autoritários e dominadores.
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Um sol fraco implica falta de vitalidade e necessidade de melhorar nossa energia solar, por exemplo, usando tons de vermelho-escuro e jóias feitas com ouro, rubis ou granadas. Viver em um clima quente ou até banhos de Sol também podem ajudar!
O Sol é forte em Leão (o qual rege), neutro em Gêmeos e Virgem; forte nas Casas 3, 6 e 11, e mais forte na 10. É fraco em Libra e na Casa 4.
Na Índia, o dia solar dura do nascer ao pôr-do-sol e o mês solar tem trinta dias solares, com o sol transitando de 0º a 30° de um signo. A Lua (Chandrama ou Soma) não brilha com luz própria, mas é somente um reflexo do Sol.
A Lua
Enquanto o Sol dá vida ao universo, a Lua é responsável pela vida na Terra.
Ela é Prakriti, o princípio feminino, a mãe cósmica. Controla a vida e a morte, nascimento e renascimento. Na literatura védica, a Lua é Soma, um deus (não uma deusa). Embora ele tenha uma energia feminina, gosta de se divertir e possui 27 esposas (as mansões lunares, ou nakshatras). E o melhor é que ele pode ser receptivo e imaginativo; no lado pior, será hipersensível e com reações fortes.
Enquanto o Sol representa a alma, a Lua simboliza a mente personificada. Quando forte no mapa, pode superar vários problemas. Mas ela também cresce e míngua, e quando sua luz diminui, nossos desejos e apetites podem tomar conta de nós. Ela representa o aumento e a diminuição dos nossos sentimentos no dia-a-dia durante o ciclo do mês lunar. Sua guna é sátvica.
No ciclo lunar, uma Lua percorre 13°20' a cada dia, e leva dois dias e um quarto para transitar em uma Casa ou signo do zodíaco (30°).
Circunda a eclíptica, atravessando todos os signos do zodíaco, e retorna à sua posição original em 27 dias. Mas como aparentemente o Sol se moveu, a Lua requer outros dois dias e meio para chegar até ele e originar uma outra Lua Nova.
Um mês lunar tem, portanto, 29 dias e meio. No almanaque indiano, um mês lunar tem trinta dias, sendo chamado de tithis. A fase crescente da Lua é considerada como um período para melhorar a energia social, enquanto durante a lua Minguante ela diminui e se introjeta. Os cinco dias da Lua Cheia são o período em que a mente está no seu ponto máximo.
Na astrologia, a Lua Crescente é considerada benéfica; a fase minguante é maléfica. A Lua representa a mãe. Uma lua forte em nosso mapa sugere que fomos bem cuidados por nossa mãe; uma fraca implica um relacionamento difícil com nossa mãe, e uma tendência à depressão e agitação.
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Isto pode ser neutralizado pela meditação e rodeando-nos com a luz branca, a cor da Lua, ou com o uso de jóias feitas de prata, pérolas ou pedras da Lua. Ela também representa as emoções, os líquidos e o mar.
A Lua é forte em Caranguejo (o qual rege) e quando está a 72° distante do Sol. É fraca em Escorpião e a menos de 72° do Sol. É forte nas Casas 5, 9 e 11, porém mais forte na Casa 4.
Marte
Como no Ocidente, Marte (Kartika) é um guerreiro. Segundo o mito, o demônio Taraka estava aterrorizando o mundo. Dizia-se que o único ser que poderia destruí-lo seria o filho de sete dias do Senhor Shiva. Kamadeva, o deus do amor, atingiu Shiva com uma flecha que o despertou, Shiva ficou furioso e matou o deus com seu terceiro olho.
A semente que foi produzida era tão quente, que teve de ser esfriada no Rio Ganges. Na época, as Krittikas (sete estrelas, conhecidas como Plêiades no Ocidente) estavam se banhando nas águas e foram fertilizadas pelo sêmen de Shiva. Elas produziram Kartika (Marte), que realizou a profecia matando o demônio Taraka quando se encontrava com sete dias de concebido.
Como um planeta masculino, Marte representa a ação e suas qualidades são a coragem e a força. Embora bem-intencionado e exaltado, ele pode ser também irritável e impaciente. Ele significa a posição dos irmãos no mapa natal; tradicionalmente indica, como no Ocidente, o parceiro masculino no mapa de uma mulher. Sua presença é vista geralmente como maléfica, criando problemas na vida. Mas o valor e a perseverança marcianos podem ajudar a superar os obstáculos no caminho para a iluminação e a realização pessoal.
Um Marte forte indica um bom relacionamento com os irmãos e determinação para atingir os nossos objetivos. Na Casa 7, contudo, pode significar uma tendência para o domínio; se for o caso, uma música calma e cores frias podem contrabalançar.
Um Marte fraco, por outro lado, sugere que nossa energia pode ser facilmente bloqueada ou dissipada. Neste caso, vestir tons vermelhos brilhantes e usar coral pode ajudar.
Marte é forte em Áries e Escorpião (os quais rege); forte nas Casas 3, 6 e 11, porém mais forte na 10. É fraco em Caranguejo e na Casa 4.
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Mercúrio
Enquanto o Sol representa a alma individual (atmã) e a Lua, a mente (manas), Mercúrio (Buddha) representa a conscientização (buddhi). Juntos, eles produzem ahamkara, o ego pessoal. Mercúrio é filho da Lua e da estrela Tara, esposa de Júpiter.
Soma, o deus lua, seduziu Tara, mas Júpiter a desejou de volta e declarou guerra a ele. Os deuses ficaram do lado de Júpiter, enquanto os demônios optaram por Tara, e o conflito resultante ameaçou destruir o mundo. Brahma, o Criador, temendo as consequências, obrigou Tara a voltar para o marido, Júpiter, mas ela já tinha concebido Buddha. Júpiter finalmente o aceitou. A história relata simbolicamente como o encontro entre a alma pura de Tara e a mente emocional de Soma produziu o intelecto racional.
Como sua órbita é próxima do Sol e entra em conjunção com ele três vezes por ano, Mercúrio é considerado o mensageiro dos deuses. A literatura védica o descreve como um eunuco; ele é andrógino.
Representa a infância e como muitas crianças é rápido, mutável e cativante. É caracteristicamente rajásico, isto é, repleto de vitalidade dinâmica. Um Mercúrio forte sugere uma inteligência aguçada e uma habilidade para a comunicação, porém se for forte demais poderá indicar falta de emoção. Sua astúcia e inteligência podem degenerar em indiferença e oportunismo. Um Mercúrio fraco pode significar que somos facilmente persuadidos e muito confiantes em nossos sentimentos.
Isto pode ser neutralizado desenvolvendo-se o intelecto por meio da
meditação e do yoga e usando a sua cor, o verde.
Mercúrio é forte em Gêmeos e Virgem (os quais rege) e nas Casas 2, 4, 5, 9, 10 e 11, porém mais forte na Casa 1. É fraco em Peixes e nas Casas 6, 8 e 12, e mais fraco na Casa 7.
Júpiter
Júpiter (Brihaspati) é o mestre (Guru) dos deuses. É um Brahmin, isto é, aquele que conhece Brahma, o Criador. Representa crescimento, expansão, jovialidade e sabedoria. É o mais benéfico dos planetas; se tivermos um Júpiter forte em nosso mapa, seremos capazes de sobrepujar as dificuldades que surgirem em nossas vidas. Além disso, ele sugere que teremos a prosperidade material que nos capacitará a nos voltarmos para o nosso desenvolvimento espiritual.
No mapa de uma mulher, Júpiter representa os relacionamentos e um filho.
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Sua posição é cuidadosamente estudada, pois ele oferece respostas para duas perguntas feitas com frequência pelos clientes na Índia: Vou me casar? Terei um filho?
Representando a expansão, ele também rege a obesidade! Um Júpiter forte implica em conhecimento superior e capacidade de utilizá-lo para o bem-estar dos outros. Um Júpiter fraco pode sugerir dificuldades nos relacionamentos e uma possível tensão entre os seus ideais e a vida do dia-a-dia. A cobiça e a extravagância podem estar presentes. Isto pode ser neutralizado com o uso da cor amarela, do ouro, topázio ou citrino, e com o trabalho desinteressado pelos outros.
Júpiter é forte em Sagitário e Peixes (os quais rege) e nas Casas 5, 9, 10 e 11. Porém mais forte na Casa 1. É fraco em Capricórnio e na Casa 7.
Vênus
Vênus é o guru dos demônios, assim como Júpiter é o dos deuses.
Os demônios são almas evoluídas que perderam seu rumo; Vênus tenta trazê-los de volta para o caminho verdadeiro. Entre todos os planetas, ele é o único que possui o segredo da imortalidade.
Embora masculino Vênus possui energia feminina; é benéfico e rajásico. Ao mesmo tempo, representa o refinamento, o amor e a gentileza. Mas, embora possa nos ajudar a realizar nossos desejos materiais, ele não pode assegurar sempre o contentamento. Pode nos trazer fama e popularidade, mas não a paz da mente. E o pior é que ele pode encorajar a vaidade e a corrupção. Isto é bem ilustrado pela história da filha de Vênus, que se apaixonou por um rei e insistiu que seu pai arrumasse o casamento. O noivo em perspectiva se sentiu incapaz de recusar, mas já estava apaixonado por outra mulher e não conseguiu demonstrar afeto pela nova noiva.
Um planeta Vênus forte atrairá o sexo oposto e trará graça e luxo para a vida. Um Vênus fraco poderá tornar os relacionamentos difíceis.
Para reforçar nosso Vênus precisamos desenvolver nosso amor-próprio e usar nosso potencial o máximo possível. Usar branco ou cores variadas e nos enfeitarmos com prata, diamantes ou safira branca também ajudará.
Em todos os mapas, Vênus representa o casamento; em um mapa masculino, Vênus representa a esposa.
Vênus é forte em Touro e Libra (os quais rege) e nas Casas 1, 5, 9, 11 e 12, porém mais forte na Casa 4. É fraco em Virgem e nas Casas 6, 8 e 10.
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Saturno
Saturno (Shani) representa restrição, limitação e responsabilidade pesada, sendo portanto considerado maléfico. É o mais temido dos planetas na Índia.
Na literatura védica, Saturno é o filho do Sol e da sua sombria esposa Chayya. A história diz que um dia Chayya foi visitar seus pais em segredo e deixou sua sombra em seu lugar; o Sol pensou que fosse a verdadeira Chayya, fez amor com ela e o resultado foi Saturno. Quando o Sol compreendeu seu erro, rejeitou tanto a esposa quanto o filho.
Não causa surpresa o fato da relação entre o Sol e Saturno ser problemática. Se Saturno estiver junto ao Sol na Casa 9, isto implica um rompimento com o nosso pai. A relação mais carregada, entretanto, é com a Lua. Se estiver conjunto com a Lua ou nas Casas 2 e 12, e longe da Lua, Saturno poderá criar solidão, melancolia e rigidez.
Sua cor é o preto e suas pedras são safira e lápis-lazúli. Sendo fraco ou forte, Saturno traz dificuldades. Um Saturno fraco é pior. Então ele será mais bem tratado com jejum e meditação.
Saturno causa separação sempre que está presente. Porém, enquanto ele faz surgir frustração e sofrimento, os obstáculos que coloca na jornada da vida podem nos auxiliar a nos desvencilhar dos apegos do mundo e a nos transformar. Movendo-se mais lentamente que os outros planetas, ele oferece tempo suficiente para resolvermos o carma das vidas passadas. Se formos cuidadosos, poderemos emergir da experiência mais fortes e mais completos.
Saturno é forte em Capricórnio e Aquário (os quais rege), forte nas Casas 3,6, 10 e 11, porém mais forte na Casa 7. É fraco na Casa 1.
Rahu e Ketu
Os dois últimos grahas, Rahu e Ketu, são os nomes dados aos nodos Norte e Sul da Lua. Os nodos são dois pontos na eclíptica separados por 180°, onde o caminho da Lua em torno da Terra atravessa o caminho aparente do Sol ao redor da Terra. O eixo, algumas vezes chamado de eixo cármico, passa pelos signos do zodíaco em movimento retrógrado, levando cerca de 18 anos para completar o ciclo.
Rahu e Ketu são conhecidos como planetas da sombra (chayya grahas),
embora não tenham uma realidade física. São considerados os grahas mais poderosos no zodíaco porque, acredita-se, "engolem" o Sol e a Lua durante os eclipses.
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Os eclipses solares (na Lua Nova) acontecem numa faixa de 0 a 18° do eixo nodal; os eclipses lunares (na Lua Cheia) ocorrem numa faixa de 0° a 11°. Durante este período, as três influências mais significativas em nossas vidas — o Sol, a Terra e a Lua — se aproximam em alinhamentos fortíssimos.
Trabalhando em uníssono em dois pontos opostos no zodíaco, Rahu e Ketu, perturbam nossas vidas para nos auxiliar a realizar nosso potencial interior.
É dito que Ketu contém o conhecimento das nossas vidas passadas, enquanto Rahu abre nossas fraquezas cármicas, ajudando-nos desta maneira a transcendê-las. Assim, estes dois grahas têm sido chamados de controladores finais do destino.3
São poderosos e também potencialmente perigosos. O símbolo védico de Rahu é Naga (a serpente), que representa o conhecimento que, como o veneno, pode tanto matar como curar. Enquanto nos relembra nossa mortalidade, a maneira como cobra solta a sua pele é também um símbolo da morte e do renascimento, de deixar o invólucro do nosso corpo mortal para encontrar uma vida nova em outro corpo.
Segundo o mito, Naga Vasuki era um demônio em forma de cobra que governava o submundo. Na guerra entre deuses e demônios pelo controle do universo, Vasuki primeiro auxiliou os deuses. Eles o colocaram em volta da montanha cósmica Mandara e utilizaram seu corpo para agitar o oceano — uma referência ao seu papel de fazer os planetas e estrelas girarem no firmamento. Enquanto isso, os deuses saíram em busca de amrita, o néctar da imortalidade. Eles deram vinho, mulheres e cantos aos demônios para mantê-los ocupados, porém o astuto Vasuki não foi enganado. Secretamente, ele bebeu do néctar dos deuses e tornou-se também imortal.
O Sol e a Lua se queixaram ao Senhor Vishnu, o Criador do Universo.
Furioso com Vasuki, Vishnu arremessou uma roda, conhecida como Sudarshan chakra (a eclíptica), em sua direção que cortou seu corpo em duas partes. Como Vasuki era imortal, Rahu (a cabeça) e Ketu (a cauda) permaneceram para sempre nos céus. E lá estão, movendo-se constantemente para trás, um lembrete para os outros deuses, e para nós também, do lado escuro da nossa natureza, que devemos superar para atingir a imortalidade.
Ao agitarmos o oceano dos nossos sentimentos, temos a capacidade para o bem e para o mal. Enquanto Rahu simboliza nosso apego ao mundo material, Ketu representa a liberação e a realização pessoal (moksha).
Como os dois pólos do eixo cármico, Rahu e Ketu sempre se localizam com seis Casas de diferença entre si e enaltecem as áreas da nossa vida nas quais devemos lutar para superar as consequências do nosso carma passado.
Juntos, eles representam a energia Kundalini em nós — também simbolizada por uma cobra — que, quando desperta, pode nos destruir ou nos conduzir à iluminação. Seu poder deve ser sempre levado a sério e precisa ser canalizado cuidadosamente, e seus efeitos podem ser transcendentais.
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Rahu é forte em Virgem e fraco em Escorpião e Sagitário. Ketu é forte em Peixes e fraco em Touro e Gêmeos. Eles são incapazes de agir por conta própria, e tendem a adotar as características do planeta que rege o signo no qual estão. No seu aspecto positivo, Rahu pode trazer originalidade e independência; no negativo, confusão e neurose. Ketu pode levar à espiritualidade e compaixão, mas pode também encorajar o fanatismo e a violência.
Planetas nas mesmas Casas dos nodos indicam o carma que trazemos para esta vida e que precisa ser trabalhado. Rahu em geral amplia a qualidade essencial dos planetas, enquanto Ketu os obscurece. Rahu rege a ágata, Ketu, a turquesa. O Sol e a Lua sofrem particularmente quando em conjunções com Rahu e Ketu, pois foram muito hostis ao demônio-cobra Naga Vasuki. Entretanto, como Rahu amplia as qualidades do Sol, se eles estiverem em conjunção em nosso mapa, provavelmente deixaremos nossa marca no mundo.
Aspectos Planetários
Para melhorar sua interpretação de um horóscopo, o Jyotishi indiano explorará os aspectos ou relações entre os planetas, suas combinações (yogas) e considerará suas influências em períodos diferentes (dashas) na vida de uma pessoa. Este conjunto foi desenvolvido em uma arte profunda e sutil.
O astrólogo Minaraja do século XIV escreveu: "Diz-se que um planeta tem um [tipo] de força num signo ou navamsa que rege, ou no qual está exaltado, ou que é regido por um amigo; ou quando aspectado por um benéfico. A Lua e Vênus são fortes nos signos femininos, e os outros nos signos masculinos."4
Na verdade os planetas podem ser amigos, inimigos ou simplesmente
neutros.5 Podem ser até, como muitos de nós, amigos em algumas ocasiões e inimigos em outras.
Marte, por exemplo, tem Júpiter, a Lua e o Sol como amigos, Mercúrio como inimigo e Saturno e Vênus como neutros.
Vênus têm Mercúrio e Saturno como amigos, a Lua e o Sol como inimigos e Júpiter e Marte como neutros.
Alguns ocidentais podem pensar que os homens são de Marte e as mulheres de Vênus, mas no esquema indiano de astrologia ambos são masculinos e indiferentes entre si!
A Lua, que representa a mente e a água, não possui inimigos.
Porém amizades e inimizades nem sempre são firmes entre os planetas, assim como acontece com os seres humanos, e formam relações temporárias.
Aqueles encontrados nos segundo, terceiro, quarto, décimo, 11° e 12° signos do zodíaco com qualquer outro planeta tornam-se amigos temporários do último.
Os outros passam a ser inimigos.
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Para complicar ainda mais, os astrólogos indianos acreditam em relações mistas ou compostas. Estas são formadas pela combinação de relações naturais e temporárias: quando uma amizade natural fica misturada com uma amizade temporária, o resultado é, o que não surpreende, uma grande amizade; a inimizade e a amizade cancelam uma à outra e surge uma influência neutra; e uma relação neutra e uma amizade significa amizade.
Estas relações temporárias e mistas espelham as mudanças que ocorrem no caráter dos planetas no mapa de um indivíduo em particular. As relações que um planeta forma com outros alterarão sua influência habitual. Um planeta maléfico como Marte pode exercer um efeito benéfico se sua relação for positiva; o oposto pode ocorrer com um planeta benéfico como Júpiter, se este estiver mal relacionado.
As relações existem também entre os planetas e os signos. Os quatro tipos mais importantes de relação são as de regência, exaltação, exílio (bem conhecidos dos astrólogos ocidentais) e mooltrikona (uma especialidade indiana).
Primeiro, a regência. É dito que determinados planetas "possuem" ou
"regem" determinados signos. Outra maneira de dizer é que um planeta é o senhor de um signo. Significa que eles possuem uma afinidade especial entre si. Um planeta em seu próprio signo é reforçado para fazer o bem.
O Sol rege Leão; a Lua, Caranguejo. Marte rege Áries e Escorpião; Mercúrio rege Gêmeos e Virgem; Júpiter rege Sagitário e Peixes; Vênus rege Touro e Libra; Saturno é o senhor de Capricórnio e Aquário.
Em seguida, a exaltação. Quando, num determinado signo, é dito que um planeta está exaltado, ele está no seu ponto máximo. Acredita-se que ele está na sua melhor posição. Seu poder para fazer o bem é maior quando ele está exaltado do que quando está no seu próprio signo. Fica ainda mais poderoso em um determinado grau no signo; então é dito que ele está na sua exaltação máxima.
Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus, Saturno, Rahu e Ketu estão em exaltação máxima nos seguintes graus: Áries, 10°; Touro, 3º;
Capricórnio, 28°; Virgem, 15°; Câncer, 5o; Peixes, 27°; Libra, 20°; Touro, 20°; e Escorpião, 20°, respectivamente.6
Um Sol exaltado em Áries, por exemplo, torna a pessoa culta, religiosa, forte, plácida e caridosa. A Lua em Touro torna pessoa rica, perseverante e criativa.
Em contraste, o exílio — um enfraquecimento das energias — ocorre quando os planetas estão situados em oposição à posição ideal de exaltação, isto é, a 180° de diferença. Nesta situação, os planetas produzem os resultados opostos aos da exaltação. Rahu e Ketu estão exaltados em Touro e Escorpião, e em exílio em Escorpião e Touro respectivamente.
Por fim, a intrigante mooltrikona. São as posições dos planetas em uma
faixa de graus nos signos onde estão bem. Ela se estende de 4º a 20° de longitude.
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A mooltrikona do Sol é Leão (0º a 20°); a Lua em Touro (4º a 20°); Marte em Áries (0º a 12°); Mercúrio em Virgem (16° a 20°); Júpiter em Sagitário (0º a 10°); Vênus em Libra (0º a 15°); Saturno em Aquário (0° a 20º).7 O efeito da mooltrikona é semelhante ao da exaltação: reforça o poder do planeta para o bem, embora não seja tão forte quanto a exaltação.
Os regentes dos signos que são o segundo, quarto, quinto, oitavo, nono e 12° do signo mooltrikona dos planetas serão amigáveis, e os regentes dos outros signos serão inimigos. Se os planetas regem mais de um signo e formam uma relação amigável e também inimiga, ela se torna neutra.
A força de um planeta diminui quando ele se afasta da exaltação, através da mooltrikona, para o exílio, e aumenta na direção oposta, como o crescer e minguar da Lua. Se os planetas estão em exaltação, mooltrikona ou em seus próprios signos num mapa natal, isto revela uma maturidade considerável à medida que o ser passa por reencarnações diferentes no ciclo de nascimento e morte. É possível trabalhar suas forças relativas, tanto positivas quanto negativas, estando os planetas exaltados ou debilitados, em relações positivas ou negativas.
Embora o movimento diurno dos planetas nunca altere sua direção (de Leste para Oeste para um observador na Terra), o movimento correto (o movimento aparente dos planetas pelos signos do zodíaco de Oeste para Leste) muda. Além do Sol e da Lua, todos os planetas parecem diminuir sua velocidade e depois se mover para trás antes de acelerar e viajar em movimento direto pelas constelações. Isto é tecnicamente conhecido como retrogradação ou movimento retrógrado. Falando em termos mais precisos, este movimento retrógrado é uma ilusão vista da Terra por causa do movimento elíptico dos planetas. Contudo, os astrólogos indianos, como seus colegas ocidentais, acreditam que os planetas em retrogradação possuem forte significado simbólico. Suas exaltações e exílios normais ficam também invertidos. O eixo de Rahu e Ketu sempre viaja na direção retrógrada.
Como se isso não fosse suficiente, existem dez estados conhecidos como avasthas nos quais os planetas se convertem quando ocupam determinadas posições nos signos e Casas. Se for em exaltação (deeptha), virão riqueza e bons resultados; se for na sua própria Casa (swastha), haverá fama e felicidade; e se for em uma Casa amigável (muditha) pode-se esperar boa disposição e boa esposa. Quando um planeta está em divisões auspiciosas (santha), surgirão força, coragem e felicidade. A retrogradação (sakta) também trará coragem, riqueza e reputação.
Por outro lado, se um planeta estiver no último quarto de um signo
(peedya), o resultado será o mal. Se estiver em uma Casa não amigável (deena), pode-se esperar preocupação e doença. Quando em exílio (khala), ocorrerão perdas e discussões.
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Em aceleração (bheetha), o resultado será perdas e hábitos medíocres. E quando os planetas estiverem bem próximos do Sol e ficarem fora do alcance da visão por causa da ofuscação, uma condição conhecida no Ocidente como combustão, doença, desgraça e perda dos filhos.
Em sânscrito é dito que eles estão em um estado de astam, que significa "ter estabelecido".
Como no Ocidente, os aspectos têm um significado importante na interpretação do horóscopo indiano, pois a posição de qualquer planeta em um mapa exerce um efeito particular sobre os planetas em outros pontos do mapa. Diferente da astrologia ocidental, contudo, o aspecto está ligado a um signo como um todo e não somente a uma parte dele. Vênus a 14° de Áries está em oposição e aspectando com todo o signo de Libra, e fará aspectos em qualquer ponto da Casa ocupada por Libra. Em geral, um planeta só fará aspectos com os signos que estão à frente e em torno do círculo zodiacal a partir do signo que ele ocupa, como Vênus em Áries formando aspectos com Libra no exemplo acima.
Todos os planetas lançam um aspecto de cem por cento, ou de "visão total" no sétimo signo a partir dele (contando como a Casa 1, onde o planeta está localizado).8
Os aspectos podem ser bons ou maus, dependendo da relação entre o corpo que faz o aspecto e o aspectado. Todas as Casas possuem um valor de aspecto de 25 por cento; as Casas 5 e 9 (aspectos de trígono na astrologia ocidental), de cinquenta por cento; e as Casas 4 e 8, de setenta por cento (quadratura).
Ocorre um aspecto especial quando os planetas estão em conjunção, isto é, quando dois ou mais planetas estão localizados no mesmo signo do zodíaco. O resultado dependerá de os planetas serem amigos ou inimigos. Se dois planetas estão com 1º de afastamento entre si (conhecido como yudh bala) é declarado um estado de guerra, e o planeta no grau menor ganhará, absorvendo a energia do vencido para os seus próprios fins. Entretanto, a Lua escapa desta batalha.
Saturno, Júpiter e Marte possuem aspectos especiais. Saturno faz aspectos poderosos nas Casas 3 e 10; Júpiter, nas Casas 5 e 9; e Marte, nas Casas 4 e 8.
É bom quando os planetas benéficos possuem aspectos entre si. Um planeta que faz um aspecto com sua própria Casa, seja pelo aspecto da Casa 7 ou por um aspecto especial, aumenta sua influência. A oposição (Casa 7) torna-se muito boa quando é formada por Júpiter e pela Lua. Esta oposição é capaz de produzir resultados bons ou maus, assim como com a conjunção, dependendo da natureza dos planetas envolvidos.
É também digno de mencionar que cada planeta é um indicador, ou karaka, de uma determinada relação ou atividade. O Sol é karaka do pai; a Lua, da mãe; Marte, do irmão; Mercúrio, da profissão; Júpiter, dos filhos; Vênus, da esposa ou marido; Saturno, da longevidade; Rahu, das relações maternas; e finalmente Ketu, das relações paternas
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Yogas e Dashas
Um elemento singular na astrologia indiana é a importância dada a certas combinações dos planetas conhecidas como yogas (que significa "união").
Facilitando ou atrapalhando nosso caminho pela vida, elas revelam o desenvolvimento da nossa personalidade e alma. Nem todas as pessoas as terão em seus horóscopos. As mais procuradas são as extremamente raras, panchamahapurusha yogas — panch significa "cinco", mahapurushas significa "pessoas elevadas". Elas são formadas quando os cinco planetas —Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno — estão em seus próprios signos ou em exaltação na Casas kendra (Casas 1,4,7 e 10). Se estiverem em conjunção com Rahu ou Ketu, elas se tornam muito poderosas, mas também imprevisíveis.
A Raja Yoga é uma combinação favorável dos regentes das Casas 5 e 9
com os regentes das kendras. Raja significa "rei"; uma pessoa com raja yoga provavelmente terá muito sucesso. Entretanto, seus efeitos podem ficar enfraquecidos ou cancelados. É criado um Kal Sarpa Yoga quando todos os planetas num horóscopo ficam entre Rahu e Ketu. Neste caso, isto não indica nem sucesso nem fracasso, mas uma luta com forças cármicas fortes do passado. Existem várias outras yogas que complicam e enriquecem a leitura de um horóscopo.9
Outro elemento único na astrologia indiana é o dasha.
Dasha significa "direção". Diz-se que planetas diferentes "regem" períodos diferentes de nossas vidas que são conhecidos como dashas.
O sistema introduz uma dimensão do tempo nos mapas e prevê eventos em sua vida. Os dashas são consecutivos, porém os seus períodos não têm a mesma extensão.
O Sol governa por seis anos; a Lua, por dez; Marte, por sete; Rahu, por 18; Júpiter, por 16; Saturno, por 19; Mercúrio, por 17; Ketu, por 7; e Vênus, por 20.
O ciclo completo dura 120 anos, a suposta duração natural da vida de uma pessoa na época de Os Vedas, quando o sistema foi elaborado. Se nascermos durante um dasha de Rahu, os dashas seguintes serão obviamente de longa duração. Existem até subdashas, e subsubdashas, que colocam em destaque períodos mais curtos. Em qualquer momento escolhido existem geralmente três planetas afetando nossas vidas, e sua influência dependerá dos signos, aspectos e Casas em que se encontram.
Enquanto o mapa natal destaca certos elementos do nosso carma e caráter, o sistema dasha mostra quando eles ficarão proeminentes em nossa vida. O primeiro dasha no ciclo de 120 anos é decidido pela posição da Lua no nascimento. Para calcular o padrão dasha é necessário descobrir qual o período dasha em que você nasceu.10 O primeiro é o dasha mais importante a ser examinado, pois ele indica o que está destinado para depois em sua vida.
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Os trânsitos (gocharas) são sempre considerados em relação aos dashas. Naturalmente, o horóscopo mostra a posição dos planetas no momento do nascimento, mas eles estão continuamente circulando no zodíaco durante a vida da pessoa e vão interagir com o mapa natal. A maioria dos trânsitos é considerada a partir da posição da Lua. Existem trânsitos rápidos com os planetas de movimento rápido, como o Sol, Lua, Mercúrio, Marte e Vênus, e que podem colocar assuntos passageiros em destaque.
Os planetas de movimento mais lento, Júpiter e Saturno, terão efeitos mais profundos e mais abrangentes, o primeiro trazendo boa sorte e oportunidade e o último, luta e desafio. A Lua, que é o planeta mais rápido, leva dois dias e meio para atravessar um signo zodiacal e 27 dias para atravessar o zodíaco inteiro; Saturno leva dois anos e meio e 29 anos e 10 meses, respectivamente. Um trânsito de um planeta dura do momento em que ele entra no signo ao momento em que ele o deixa. Como um planeta ocupa Casas diferentes, ele dará destaque a áreas diferentes da sua vida. A Lua é o trânsito mais observado: poucas pessoas na Índia iniciarão um novo projeto quando a Lua estiver minguando e várias adaptarão suas vidas ao seu ritmo mensal.
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Mansões Lunares
Enquanto a Astrologia Ocidental dá grande destaque ao nosso “signo solar" (o lugar do Sol em nosso mapa num determinado signo do zodíaco), os astrólogos indianos, como os chineses, dedicam atenção especial às "mansões lunares" (a localização da Lua em determinada constelação). Desde os tempos antigos, os rituais religiosos indianos têm sido realizados em determinados dias do mês lunar, especialmente após a Lua Nova ou Cheia.
Foi o movimento anual do Sol em torno da eclíptica que inspirou os primeiros astrólogos indianos a utilizar as 12 constelações (signos) do zodíaco e as 12 Casas, como também as 12 unidades de tempo do dia. A Lua circunda a eclíptica a cada mês. Seguindo o curso da Lua pelas estrelas, os primeiros astrólogos indianos isolaram 27, ou 28, constelações que chamaram de nakshatras, ou "mansões lunares". Elas são similares aos sieu chineses, mencionados pela primeira vez no século III a.C. mas podem na verdade ser bem mais antigas e possivelmente sua fonte original. O primeiro texto astrológico indiano que sobreviveu, escrito por Lagadha em torno de 400 a.C. estabelecia regras para calcular as posições do Sol e da Lua em termos das nakshatras.
Naksha significa "aproximar", tra significa "em guarda" e a palavra inteira significa originalmente "uma estrela". A primeira referência conhecida ao grupo completo de 28 nakshatras está em uma passagem do Atharva Veda que começa de modo romântico: "Maravilhosas todas juntas, e brilhantes no céu são as serpentes ligeiras do Armamento! Desejoso da amizade das 28, reverenciei em meu canto o céu e os dias."1 Cada nakshatra está associada a uma estrela em particular, em geral a mais brilhante na sua constelação, considerada uma deidade observando a vida humana. Elas são descritas como noivas da Lua.
As primeiras autoridades utilizaram 28 constelações para as mansões lunares, sem dúvida se espelhando no fato de que existem quatro semanas de sete dias em um mês, o que soma um total de 28 dias. O padrão de 27 nakshatras usado atualmente divide, de modo mais conveniente, os 360° do zodíaco, criando um arco de 13°20' para cada nakshatra.
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A regência das 27 nakshatras pode também ser distribuída uniformemente entre os nove grahas ou planetas. E fica mais próximo do mês lunar no qual a Lua leva 27 dias, 7 horas, 43 minutos e 11 segundos e meio para voltar para 0º de Áries, de onde inicia sua jornada em torno do círculo do zodíaco. Finalmente, as 27 divisões das mansões lunares se ajustam com o navamsha (nono signo) do vargas, conhecido no Ocidente como "subdecanato", reconciliando as 12 divisões do zodíaco com as 27 divisões das mansões lunares.
Os 108 navamshas correspondem aos signos do zodíaco repetidos nove vezes.
Um calendário indiano tradicional seguia as divisões nakshatra do mês. No Mababharata, por exemplo, um homem diz: "Eu saí com a Lua em Pushya e retornei com a Lua em Sravana."2 Pushya aqui é a sexta constelação contando a partir das Plêiades, e as suas estrelas principais são Gama, Delta e Teta Cancri.
Sravana é a 21ª, marcada pelas estrelas Beta e Gama Aquilae. Isto significa que o homem esteve fora por cerca de meio mês sideral — isto é, o período de tempo que a Lua levou para dar uma volta completa em torno da Terra, medida entre duas conjunções sucessivas com uma determinada estrela.
A unidade básica do calendário indiano é o mês lunar medido pela órbita da Lua em torno da Terra. Um mês intercalado, entretanto, é adicionado quando necessário para impedir que o calendário se afaste demais do ano solar. Os meses têm nomes retirados dos nakshatras, nos quais a Lua é Cheia. Para a maioria dos hindus na Índia, o mês começa com a metade clara, enquanto para os budistas a metade escura vem primeiro e a Lua cheia marca os principais festivais.
Atualmente, o ano lunar começa com Chitra, enquanto o ano solar abre com Vishakha. Os hindus dizem que a atual Era de Kali começou na Lua
Nova em Phalguna (os dois Phalgunis), em 3102 a.C., quando todos os sete planetas estavam em conjunção. A atração do calendário luni-solar indiano é que a medida do tempo está ligada às mudanças observadas nos céus. Quando vemos a Lua Cheia nas Plêiades, por exemplo, sabemos que estamos na mansão lunar de Krittika.
Para complicar ainda mais, os astrólogos indianos utilizam algumas vezes um calendário baseado em um mês lunar de trinta dias conhecido como tithis. Isto é para fazer coincidir o calendário lunar com o solar: a Lua circunda a eclíptica em 27 dias e meio, mas como o Sol parece ter se movido, é necessário para a Lua mais dois dias e meio para alcançá-lo e formar uma Lua Cheia, que resulta da luz do Sol refletida em sua superfície.
Um dia lunar é, portanto, o tempo necessário para a Lua atravessar um tithi de um nakshatra, enquanto um dia solar é o tempo entre um nascer do Sol e o seguinte.
Existem também 27 yogas (combinações) solar-lunares derivadas das posições do Sol e da Lua entre si. Elas são calculadas somando-se os graus das suas posições.
Ao examinar um mapa natal, a maioria dos astrólogos indianos considera a natureza do nakshatra ocupado pelo Ascendente, pois ele é considerado a base do caráter do indivíduo. Em seguida, eles considerarão o nakshatra ocupado pela Lua, pois ele representa as tendências mentais e emocionais.
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Os nakshatras são também utilizados nos trânsitos, ligando as relações sutis entre o nakshatra do nascimento da pessoa e outros nakshatras no ciclo mensal.3
Os astrólogos indianos modernos com frequência traçam um mapa da Lua chamado de candralagna, para estabelecer o desenvolvimento do perfil de personalidade de uma mulher.
Como a maioria dos casamentos na Índia ainda é acertada por acordos, os mapas da Lua são particularmente consultados em mapas de sinastria para verificar se um casal é compatível. Por fim, eles são empregados na astrologia eletiva para descobrir o dia mais auspicioso para um ritual ou evento específico, como um casamento ou mudança de casa.
Nos tempos antigos, parece que as mansões eram numeradas a partir de Krittika, as Plêiades, mas quando o sistema do zodíaco foi introduzido, elas passaram a ser numeradas a partir de Ashvini: a primeira mansão Krittika passou a ser a terceira mansão lunar.4
Os nakshatras ainda mantêm um elo íntimo com as estrelas.
As mansões lunares são também usadas para determinar a natureza dos diferentes períodos na vida conhecidos como dashas. E dito que os nove planetas regem, cada um, três nakshatras.
Cada uma das 27 nakshatras personifica sua própria parte na rica tapeçaria do simbolismo e da mitologia, independente daqueles dos signos e planetas.5 Elas representam a jornada da alma pela vida. Eu tentei listar suas qualidades essenciais.
1 A minha Lua está em Ashwini (0o—13°20' Áries)
Eu sou a cabeça do cavalo
Os meus deuses são os Ashwini Kumaras, os curadores milagrosos,
Sou regido por Ketu.
Eu reclamo
Sou convencido
Sou inteligente
Eu aceito.
2 A minha Lua está em Bharani (13°20'—26°40' Áries)
Sou a vagina
Meu deus é Yama, o que lida com a morte,
Sou regido por Vênus.
Sou saudável e feliz
Cresço na escuridão
Dou à luz
Eu prospero.
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3 A minha Lua está em Krittika (26°40' Áries—10° Touro)
Sou a navalha
Minha deusa é Agni, a ígnea,
Sou regido pelo Sol.
Eu penetro de modo duro e suave
Sou dourado
Sou conhecido
Eu incendeio.
4 A minha Lua está em Rohini (10º—23°20' Touro)
Sou a carruagem
Minha deidade é Brahma, o Criador do mundo,
Sou regido pela Lua.
Busco a perfeição
Sou passional
Sou vermelho
Eu me movo.
5 A minha Lua está em Mrigasira (23°20* Touro—6°20' Gêmeos)
Sou a cabeça do veado
Minha deidade é Soma, o deus lua,
Sou regido por Marte.
Busco a experiência
Sou corajoso
Sou astuto
Eu supero.
6 A minha Lua está em Ardra (6°40'—20° Gêmeos)
Sou a jóia
Minha deidade é Rudra, o destruidor,
Sou regido por Rahu.
Expando minha mente
Absorvo energia
Sou verde
Sou orgulhoso.
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7 A minha Lua está em Punarvasu (20° Gêmeos—3°20' Caranguejo)
Sou o arco
Minha deidade é Aditi, a mulher infinita,
Sou regido por Júpiter.
Trago o céu para a Terra
Ensino o caminho
Sou reto
Eu brilho.
8 A minha Lua está em Pushya (3°20'—16°40' Caranguejo)
Sou a flor, a flecha e o círculo
Minha deidade é Brihaspati, o conselheiro dos deuses,
Sou regido por Saturno.
Sou completo em mim mesmo
Eu expando e contraio
Sou puro e sagrado
Eu cresço.
9 A minha Lua está em Ashlesha (16°40' Caranguejo —0° Leão)
Sou a serpente
Minhas deidades são as Nagas, as serpentes,
Sou regido por Mercúrio.
Eu mato e curo
Solto a minha pele
Eu luto
Eu vejo longe.
10 A minha Lua está em Magha (0°—13°20' Leão)
Sou a casa e o palanquim
Minha deidade é Pitris, o antepassado
Sou regido por Ketu.
Sou poderoso e grande
Sou generoso
Sou idealista
Eu persevero.
184
11 A minha Lua está em Purva Phalguni (13°20'—26°40' Leão)
Sou a cama e a lareira
Minha deidade é Bhaga, o ser da sorte,
Sou regido por Vênus.
Sou rico e feliz
Falo bem
Trago presentes
Eu vagueio.
12 A minha Lua está em Uttara Phalguni (26°40' Leão—10° Virgem)
Sou as quatro pernas do telheiro Minha
deidade é Aryaman, o líder, Sou regido
pelo Sol. Permaneço na Terra Sou
sortudo Sou ereto Eu crio.
13 A minha Lua está em Hasta (10o—23°20' Virgem)
Sou a palma da mão
Minha deidade é Savitar, o deus sol,
Sou regido pela Lua.
Sou os cinco elementos
Sou os 12 signos
Sou dono do meu destino
Eu cavalgo.
14 A minha Lua está em Chitra (23°20' Virgem—6°40' Libra)
Sou a pérola
Minha deidade é Tvashtar, o arquiteto celeste,
Sou regido por Marte.
Acabo com a ilusão
Quebro o encantamento
Atraio outros
Eu transformo.
185
15 A minha Lua está em Swati (6°40'—20° Libra)
Sou o coral
Minha deidade é Vayu, o deus do vento,
Sou regido por Rahu.
Reproduzo a mim mesmo
Adquiro riqueza
Respiro profundo
Eu equilibro.
16 A minha Lua está em Vishakha (20° Libra—3°20' Escorpião)
Sou a roda do oleiro e o chefe do caminho
Minhas deidades são Indra, o deus dos deuses, Agni, o deus do fogo
Sou regido por Júpiter.
Estou no limiar
Sou esperto com as palavras
Volto-me para o meu centro
Eu observo.
17 A minha Lua está em Anuradha (3°20'—16°40' Escorpião)
Sou o lótus
Minha deidade é Mitra, o deus da luz,
Sou regido por Saturno.
Vicejo no lodo
Atinjo o Sol
Uno os opostos
Sou renascido.
18 A minha Lua está em Jyeshta (16°40' Escorpião—0°Sagitário)
Sou o guarda-chuva e o brinco
Minha deidade é Indra, o deus dos deuses,
Sou regido por Mercúrio.
Uno céu e Terra
Sei para onde ir
Sou feliz
Eu fluo.
186
19 A minha Lua está em Mula (0°—13°20' Sagitário)
Sou a cauda do leão e o aguilhão do elefante
Minha deidade é Nritta, a deusa da morte,
Sou regido por Ketu.
Vou à raiz das coisas
Mostro a minha ira
Busco o poder
Eu desfruto.
20 A minha Lua está em Purvashadha (13°20'—26°40' Sagitário)
Sou o abano e a peneira de joeirar
Minha deidade é Apas, o deus da água,
Sou regido por Vênus.
Sou sábio e invencível
Mudo rápido
Almejo o máximo
Eu limpo.
21 A minha Lua está em Uttarashadha (26°40' Sagitário—10° Capricórnio)
Sou a tromba do elefante
Minhas deidades são os Vishwedevas, os deuses universais,
Sou regido pelo Sol.
Sou um local difícil para repousar
Tenho bons amigos
Conheço a mim mesmo
Sou modesto.
22 A minha Lua está em Shravana (10o—23°20' Capricórnio)
Sou a orelha e a flecha
Minha deidade é Vishnu, o preservador do universo,
Sou regido pela Lua.
Vejo com clareza
Sento-me em silêncio
Eu ouço.
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23 A minha Lua está em Dhanishta (23°20' Capricórnio —6°40' Aquário)
Sou o tambor
Minhas deidades são os oito Vasus, os deuses do sol,
Sou regido por Marte.
Sou rico e generoso
Sou vazio por dentro
Sou corajoso
Eu luto.
24 A minha Lua está em Shatabhishak (6°40'—20° Aquário)
Sou um cavalo e uma flor de mil pétalas
Minha deidade é Varuna, o deus do oceano,
Sou regido por Rahu.
Sou formidável
Sou iluminado
Mergulho fundo
Eu floresço.
25 A minha Lua está em Purva Bhadra (20° Aquário—3°20' Peixes)
Sou a espada
Minha deidade é Aja Ekapada, a Cabra Perneta,
Sou regido por Júpiter.
Supero os obstáculos
Ataco e defendo
Sou abençoado
Eu semeio.
26 A minha Lua está em Uttara Bhadra (3°20'—16°40' Peixes)
Sou os gêmeos
Minha deidade é Ahir Budhyana, o deus da água,
Sou regido por Saturno.
Crio a escuridão
Busco o universal
Apoio os outros
Eu deixo seguir.
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27 A minha Lua está em Revati (16°40'—30° Peixes)
Sou o peixe
Minha deidade é Pushan, o deus sol,
Sou regido por Mercúrio.
Percebo a verdade
Sou o fim
Concedo o nascimento
Eu transcendo.
Descobri que a nakshatra mais interessante é Hasta, cujo símbolo é a palma da mão.
A quiromancia é utilizada com frequência junto à astrologia para refinar uma interpretação. Para os indianos, as mãos são cheias de simbolismo. As mãos direita e esquerda são energias masculina e feminina, assim como forças positiva e negativa em todo o universo. A mão espelha o sistema solar. As juntas dos quatro dedos representam os 12 signos do zodíaco. As juntas dos polegares e dos dedos de ambas as mãos mostram os trinta dias do mês solar e os trinta tithis do mês lunar.
Isso não é tudo. Os dedos e os polegares de uma das mãos simbolizam os cinco elementos (água, terra, céu, ar e fogo) e os cinco sentidos (visão, audição, paladar, olfato e tato). O dedo médio é o dedo do destino, utilizado nos pranayamas do yoga para regular o sopro da vida. Os quatro dedos são também as quatro direções da bússola — Norte, Sul, Leste e Oeste. Acima de tudo, eles representam as quatro grandes motivações da vida espiritual indiana {artha, kama, dharma e moksha) e o objetivo final de toda a verdadeira astrologia indiana — o caminho para a iluminação.
16 Yogastrologia
Enquanto visitava Varanasi, encontrei um astrólogo que não somente me esclareceu a respeito da dimensão espiritual da astrologia indiana, como também demonstrou como os seus princípios são colocados na prática.
Swami Yogi Prakash viveu nos ghats no bairro Kamachha, em Varanasi.
Seu cartão mostrava a figura de um homem nu meditando sobre uma flor de lótus com a serpente desenrolada da energia Kundalini surgindo da sua virilha, indo até sua cabeça. Os símbolos dos planetas se enfileiravam em ambos os braços, formando um triângulo.
Swami Yogi Prakash descrevia a si mesmo como "Astrólogo, Especialista em Yoga, Tantrista, Conselheiro, Curador e Naturopata". Seu negócio, como dizia o cartão, era a "Yogastrologia".
Swami Yogi Prakash vivia em duas salas simples no terceiro andar de um bloco de apartamentos, cuja construção ainda não havia sido terminada. Um jovem abriu a porta e me pediu que tirasse os sapatos. Seu mestre era um homem de tamanho mediano, de meia-idade, ligeiramente gorducho, com uma longa barba preta e cabelos negros flutuantes que começavam a recuar nas têmporas. O local era pouco mobiliado, com uma cama e uma mesa baixa. O único luxo era uma grande televisão escura colocada em um recanto. Por trás de uma cortina havia um local para meditação com um altar para Shiva, o terceiro deus da trindade hindu, o Destruidor, que portava um tridente para escorraçar os maus espíritos.
Após obter um grau de mestrado em filosofia, Swami Yogi Prakash me disse que trocara a vida acadêmica pela espiritual. Com 18 anos tinha recebido uma revelação que mudara sua vida e agora devotava todo o seu tempo à busca da iluminação. Seu guru pessoal era Swami Naryab Tirth, que vivia nos Himalaias, onde se dizia que alguns homens santos viviam por duzentos anos.
Swami Yogi Prakash era cordial e alegre, mas podia rapidamente ficar sério. Parecia se ajustar à descrição de Varahamihira (que morreu em 587) do astrólogo ideal:
190
Um astrólogo deve ser de boa família, de aparência amigável, e se vestir de acordo com o padrão; verdadeiro e não maligno. Deve ser bem proporcionado, compacto e com membros bem proporcionados, sem defeitos físicos e ser um homem bom (...) além disso, deve ser regular na adoração aos deuses, em suas observâncias e jejuns; deve ser capaz de elevar o prestígio da ciência pela perfeição maravilhosa do seu ramo de estudo e resolver satisfatoriamente qualquer questão, exceto nos casos em que as agências sobrenaturais malogram os cálculos humanos; finalmente, que saiba tanto o texto quanto o significado dos trabalhos sobre astronomia, matemática, astrologia natural e horóscopo.1
O meu astrólogo se sentou com as pernas cruzadas sobre um tablado de madeira atrás da mesa baixa, que tinha sobre ela um pequeno retrato do Senhor Rama, mandalas e yantras, símbolos usados para a meditação.
— Você não deve se sentar diretamente sobre o chão — observou. — Não deve fornecer muita terra para o seu prana, e sim mantê-lo em seu interior.
Se dirigir seu prana para dentro, entrará no reino de Deus que está dentro de você.
Perguntei a ele sobre a melhor maneira de atingir a realização espiritual, o objetivo final de toda a astrologia indiana.
— Existem dois caminhos em direção à iluminação e salvação. Um é negar, negar, negar. O outro é aceitar, aceitar, aceitar. A tradição védica nega; a tântrica, aceita. Ela aceita os fenômenos imanentes e aquilo que você é como uma forma do divino. O tantra engloba o mundo como um todo.
— E o corpo? Ele é considerado um mal?
— O corpo não é um fim em si mesmo, mas um meio. Por que Deus lhe deu um corpo? Ele é somente uma escada para elevar sua consciência.
— E como isso é possível?
— O tantra acredita em uma energia cósmica suprema escondida no homem sob a forma conhecida como Kundalini. Ela é representada como uma serpente feminina com a boca apontando para baixo para a junção da medula espinhal. Por meio de certas disciplinas, pela graça de um guru ou deidade, a energia cósmica pode ser desperta e subir pela medula espinhal através dos sete chacras até o coronal na cabeça. Enquanto ela sobe, vai purificando todos. Isto o capacita a atravessar a fronteira da natureza, para que você se liberte do mundo empírico e atinja o reino do céu.
— Ficamos transformados com esse processo?
— Naturalmente que sim. Quando você caminha para o Objetivo Final, seu ser interior é transformado. Seu corpo astral, espiritual, é purificado. Você deixa seu corpo físico, causal.
191
Quando seu destino se torna limpo, você entra em samadhi, a iluminação.
— Isso leva muito tempo?
— Quando existe vontade, existe um caminho. Você precisa da intensidade da vontade para atingir a consciência. Eu verto toda a minha energia para realizar a mim mesmo. O yoga é um caminho bem prático. Os chacras podem sempre ser purificados. Embora leve uma vida caseira e tenha consciência do mundo, não sou apegado a ele. Se você entregar sua vida ao divino, ela nunca será em vão.
— O horóscopo determina a extensão da sua vida?
— Ao nascer, a duração da sua vida lhe é passada, mas você pode decidir como utilizá-la. Se usar sua respiração de maneira apropriada, poderá prolongar sua vida e decidir quando morrer.
Você pode até inverter o ritmo do seu corpo e cruzar a fronteira da morte — continuou Swami Yogi Prakash. — Em samadhi, o ritmo do corpo pára, mas não deteriora. Nem todos podem fazer isso.
— E como conseguiu isso?
— Existem três maneiras de atingir o samadhi e ter uma rápida visão do
Senhor: pelos mantras, pela meditação e pela medicina. Ao repetir os mantras, você ora sem cessar para não se esquecer do Senhor. Na meditação, você dirige o fluxo da energia que está no seu interior. Na karma yoga sua consciência é una com o Senhor.
Eu ainda encontrava dificuldade para enquadrar a idéia do livre-arbítrio na de nascer com um número predeterminado de respirações.
— Podemos escapar ao determinismo? — perguntei. — Então sua vida não seria fixada no nascimento pelo seu horóscopo?
— É como um programa de televisão — disse Swami Yogi Prakash com um sorriso amigável, apontando para a caixa-preta inerte em um canto acima da sua cabeça. — Quando entramos no mundo dos fenômenos, é como um roteiro da vida de alguém que foi escrita e filmada. Mas você pode sair do roteiro. Pode escapar deste círculo de dependência, pode se libertar de sansara, a roda dos renascimentos, purificando sua energia e atingindo a consciência cósmica.
— E quanto ao futuro? O que prevê para o futuro?
— Uma época muito perniciosa está se aproximando para a humanidade
— profetizou Swami Yogi Prakash. — Logo chegará, em dez ou 15 anos.
Estamos fora do equilíbrio; as mulheres estão sendo usadas e os homens são tratados como coisas. Existe uma busca crescente por dinheiro e sexo.
192
— Isto significará o fim do mundo?
— O mundo não vai acabar, mas cerca de dois terços perecerá. Então, haverá um novo começo. Tenha fé!
Swami Yogi Prakash lembrava bem um guru da Índia moderna, que conhecia a filosofia e a religião tanto ocidental quanto indiana, pronto para adaptar sua antiga sabedoria às necessidades dos ocidentais.
Traçando o Mapa
Minha companheira de viagem, Elizabeth, estava ansiosa para ter seu horóscopo traçado e passou para Swami Yogi Prakash o dia e a hora do seu nascimento — 20 de julho de 1950, 22h. Voltamos no dia seguinte.
Ele tinha convertido a hora do nascimento do horário sinódico ocidental para o horário sideral indiano, das 22h para 12h32, levando em consideração o efeito de Ayanamsha, ou Distância Precessional.
A maioria dos astrólogos indianos ainda não utiliza os computadores e faz cálculos extensos. O horóscopo final apresenta os resultados sob a forma de um mapa dos planetas "ligados" pelo Ascendente, ou lagna. Enquanto a astrologia ocidental destaca o signo solar, a Jyotish acredita que a posição do Ascendente fornece maiores esclarecimentos sobre a vida da pessoa.
São usadas duas formas diferentes de mapa no Norte e no Sul da Índia.
Os horóscopos no Ocidente têm geralmente a forma circular, mas na Índia eles são quadrados.
Mapa do Norte
A forma do Norte, que era praticada por Prakash, utiliza triângulos e diamantes (rombo) dentro de um quadrado. O lagna (ascendente) determina a casa 1, que é todo o signo Ascendente, no mapa o diamante mais alto. Os signos-casas se sucedem na direção contrária aos ponteiros do relógio, a partir do signo Ascendente (casa 1). Eis o mapa de Elizabeth:

No mapa, os números indicam as Casas. O Ascendente é toda a Casa 1. Os planetas do horário de nascimento de Elizabeth estão distribuídos segundo os seus signos. Vênus e Ketu, por exemplo, ocupam a Casa 10 e o signo (Áries).
Mapa no Sul
No Sul da Índia, os signos do mapa são fixos e sempre representados pelos mesmos quadrados. O signo Ascendente é geralmente marcado com uma linha diagonal (ou Lg, representando lagna) onde começa a Casa 1, e o restante das Casas segue na direção do movimento dos ponteiros do relógio.
Vemos então que Áries está na Casa 10, como no formato do Norte.
193

194
Diferente do mapa ocidental, poucos são os detalhes traçados nos mapas indianos. As informações são listadas ao lado e o astrólogo trabalha os aspectos segundo as regras mencionadas anteriormente.
Interpretando o Horóscopo
Ao interpretar o horóscopo de Elizabeth, Swami Yogi Prakash estava feliz e me permitiu ficar e tomar notas sobre a consulta. Primeiro ele enfatizou a importância da Lua em seu mapa: regia não somente o signo Ascendente, Caranguejo, como também ocupava a Casa 7, que tradicionalmente se refere ao marido e à morte.
— O efeito total da Lua — disse — é sentido ao fazer você feliz em uma
noite enluarada. Durante os dois dias antes da Lua Cheia você fica alegre. O princípio da Lua é mudar: você gosta de atividade e deseja mudar sua vida. Gosta de viajar atravessando o mar muitas e muitas vezes. Deveria viver próximo de um lago ou da água, e não em um primeiro ou segundo andar de um edifício.
Tudo isso era surpreendentemente verdadeiro: Elizabeth vivia próximo a
um grande rio e tinha iniciado uma viagem de barco a vela de longa
distância. Também gostava de viajar e de mudar.
— Você atrai o sexo oposto com muita facilidade — continuou. — Gosta
de romance; romance no qual suas emoções sejam enriquecidas e não exista somente o amor sexual. O lado emocional é para você mais importante que o passional.
Puxando alegremente os cabelos, Prakash brincou:
— Você nunca ficará sem um parceiro! Seu destino é não ficar sem um
parceiro.
No Leste a indulgência (permissão) sexual ocorre somente dentro do casamento, mas sei que é diferente no Ocidente. Sua primeira ligação terminou em desastre.
Marte é um planeta inferior no seu mapa, Saturno na sua Casa 1 atrasa o processo, mas você finalmente encontrará uma pessoa que ficará na sua vida: o seu sétimo marido! Você tem muitos amigos.
Perguntei a mim mesmo se eu seria o sétimo amor na sua vida...
Prakash então se voltou para a questão da saúde. Examinando a mão de Elizabeth com uma lente de aumento, disse:
— Você tem uma fraqueza nos intestinos. Deve ter cuidado com as
operações. Examinando cuidadosamente as unhas, acrescentou:
— Não deve se exaurir. Você tem uma fraqueza nervosa, tanto mental
quanto física. Havia boas-novas a respeito das suas perspectivas de
trabalho:
195
— Você nunca ficará sem emprego. Trabalhará sempre com algum vínculo e não como free lancer.
Era verdade que Elizabeth tinha passado a maior parte da sua vida como conferencista e agora teria um lugar permanente se quisesse. Voltando para o futuro, ele declarou:
— Com o Sol na Casa 9 e um bom aspecto entre as Casas 5 e 9, seu futuro é brilhante como o Sol. Deve praticar o sadhana: meditação e adoração.
Deverá ter muita fé e virtudes para a próxima vida. Deveria praticar o bhakti yoga, a devoção, usando suas emoções para o romance com o divino. Possui um signo oculto chamado de "cruz mística" que mostra sua capacidade e potencialidade escondidas para desenvolver suas qualidades místicas.
Para terminar, Prakash repetiu:
— Seu futuro é brilhante. Nunca ficará sem dinheiro. Tem um bom
casamento entre o Sol e a Lua. Poderá desenvolver a faculdade da
imaginação para fazer os sonhos acontecerem.
Passou para Elizabeth um pedaço de papel enfeitado com o seu símbolo de meditação yogue rodeado pelos símbolos dos planetas. Continha um desenho do seu mapa com duas sugestões:
A primeira era para usar branco e uma pérola de quatro quilates em um anel de prata no dedo anelar da mão esquerda. A segunda era para praticar um relaxamento yogue profundo todos os dias por algum tempo.
Ao término, Elizabeth e eu meditamos em um pequeno quarto ao lado diante de um altar dedicado a Shiva. Quando saímos, Swami Yogi Prakash nos abraçou com carinho no fim do corredor do seu edifício inacabado, elevando a voz acima do ruídos do prédio e da rua. Foi um momento emocionante. Ambos sentimos que tínhamos encontrado uma pessoa muito especial. Comprei o anel para Elizabeth. A próxima vez que vi Swami Yogi Prakash foi na televisão britânica explicando para milhões de pessoas o significado do grande festival de Kumbh Mela.
17 Crise e Salvação
Eu não tinha feito um horóscopo na Índia, por isso, ao voltar à Ingraterra decidi entrar em contato com Komilla Sutton, co-fundadora e presidente da British Association for Vedic Astrology e autora de The Essentials of Vedic Astrology, Vedic Love Signs e The Lunar Nodes. Eu a encontrei em Hampshire, Sul da Inglaterra. Era uma mulher na faixa dos quarenta anos, vestida com um sari verde-escuro e com uma pequena pedra vermelha entre as sobrancelhas. Usava um pequeno colar de ouro com Ganesha, o deuselefante, pendurado e possuía uma grande estatueta do deus em sua sala de estar — Ganesha é o deus hindu da astrologia, dos obstáculos e dos começos.
Nascida em Nova Délhi, Komilla tinha sido atriz por 12 anos em
"Hollywood", o equivalente indiano de Hollywood em Bombaim (agora
Mumbai). Dividia seu tempo entre a Índia e a Inglaterra, e viajava pelo
mundo como conferencista e consultora de astrologia védica.
Na quietude da sua casa no subúrbio, cheirando a incenso, ela explicou
como a astrologia ainda fazia parte da vida na Índia e que muitas famílias tinham seu astrólogo. As pessoas consultavam com frequência os astrólogos quando tinham algum problema. Muitos tinham seu mapa atualizado todos os anos — a cada aniversário — para verificar o que estava destinado para eles.
Nas aldeias da Índia rural o astrólogo sempre fora respeitado como um
homem sábio. Ele dava conselhos sem pedir qualquer pagamento, embora isto estivesse mudando atualmente. O conhecimento era passado pela tradição oral de geração em geração. Só há pouco as mulheres tinham se tornado astrólogas.
— A astrologia — acrescentou Komilla — é conhecida como o Olho dos
Vedas. Está ligada a tudo. É preciso ter o conhecimento das estrelas e dos movimentos planetários para compreender os Vedas, a Ayurveda e até a dança na Índia.
Perguntei a ela quais eram as principais diferenças entre a astrologia
indiana e a ocidental.
198
— A diferença principal é que ser um astrólogo védico é uma vocação.
Respeito totalmente o meu trabalho e não vou contra o meu sistema de
crença. A astrologia védica não é somente um passatempo ou um sistema de interesse como a astrologia no Ocidente.
— Quais são os seus objetivos principais?
— A astrologia védica se preocupa, em primeiro lugar, em definir seu
propósito de vida e, em segundo de que maneira o momento do seu
nascimento o afeta e como você poderá realizar seu propósito da melhor maneira possível. Há uma grande profundidade e responsabilidade.
Em geral, ela observou, as pessoas chegam a ela com uma pergunta em
particular.
— O fato de você ter vindo hoje às duas horas é muito interessante. Você chegou quando Júpiter está surgindo no céu, e Júpiter rege livros,
conhecimento e sabedoria!

Ela puxou o meu mapa no laptop que estava diante dela. Em vez de usar o zodíaco tropical da astrologia ocidental, que mostra a relação da Terra com o Sol, o programa védico de computação utiliza o zodíaco sideral, que relaciona os planetas contra um fundo das estrelas.
199
Isto possui implicações importantes para seu signo solar e para seu mapa como um todo. Como já vimos, por causa do complexo fenômeno conhecido como precessão dos equinócios, o ponto equinocial em relação às estrelas se move com lentidão para trás, de Leste para Oeste.
285 d.C.
Os zodíacos tropical e sideral se sobrepuseram em 285 d.C,
porém desde então eles têm se distanciado gradualmente. A diferença
longitudinal, conhecida como ayanamsha, significa agora que segundo o sistema Lahiri, usado por Komilla, o primeiro grau de Áries na astrologia ocidental está próximo dos 7° de Peixes na astrologia védica. Portanto, os astrólogos ocidentais colocam a data do meu nascimento — 23 de agosto — no fim de Leão, e algumas vezes até no início de Virgem, enquanto os astrólogos indianos o determinam firmemente em Leão.
Como a astrologia védica leva em consideração a precessão dos equinócios, seu mapa reflete com mais precisão a posição atual dos planetas no céu do que a astrologia ocidental.
Dando uma olhada na tela do laptop, Komilla começou sua interpretação:
— Sabe, você tem um mapa muito interessante. Tem Escorpião como
Ascendente e também uma situação incomum conhecida como Kal Sarpa Yoga. A maneira como os nodos da Lua estão situados é extremamente profunda. Todos os seus planetas estão em um dos lados do eixo nodal.
Os nodos lunares Rahu e Ketu são muito importantes na astrologia védica e representam o carma e a luta para descobrirmos nosso ser verdadeiro. Kal significa tempo e Sarpa significa cobra. É quase como se uma cobra tivesse se entrelaçado ao seu redor. Em geral, uma cobra é um símbolo de memórias e assuntos de vidas passadas.
Isso me pareceu sinistro, mas felizmente eu não estava sozinho —
Nelson Mandela, Paul McCartney e Harrison Ford todos tinham um Kal
Sarpa Yoga em seus mapas!
— Esta yoga — continuou Komilla — significa que um tipo de bloqueio
divide sua vida. Nos primeiros anos, metade da sua vida foi vazia. Você deve ter enfrentado uma rejeição quando era bem pequeno.
Isso fez disparar uma lembrança. Assumi a rejeição no fato de o meu pai ter deixado minha mãe quando eu tinha menos de dois anos e nunca mais ter me procurado.
— Até você encontrar seu ser espiritual, com uns quarenta anos —
prosseguiu Komilla —, você sentiu muita rejeição interna.
Talvez, embora eu nunca a tivesse vivenciado desta maneira. Mas havia
alguns elementos positivos:
— Com o seu Ascendente em Escorpião, você é um grande idealista. Um
ponto de sorte no seu mapa é que ambos os nodos estão exaltados, o que indica uma busca por moksha, a salvação.
200
Quando se nasce às 16h, Ketu também está surgindo acima do horizonte oriental, assim como Júpiter agora, o que cria um tipo de energia mística, embora você não pudesse compreendê-la quando jovem. Isto certamente era verdade no meu caso.
— Especificamente — disse Komilla, buscando o meu mapa na tela —,
acho que a década de 1990 foi uma das épocas mais profundas da sua vida.
Foi a época do seu dasha Ketu. Deve ter agitado suas emoções, mas
também o capacitou a descobrir quem você era e o que buscava na vida.
Mais uma vez me pareceu correto. Eu havia me separado da minha
esposa na década de 1990 e tinha atravessado um longo e difícil período de busca espiritual e reajustamento, durante o qual assumira um caminho mais espiritual. O fator que desencadeara isto fora minha pesquisa sobre alquimia e astrologia.
— O mapa me sugere que os relacionamentos são importantes para
você, mas você pode ser perfeccionista em excesso. Aspira ao idealismo, moksha, até no amor!
Parece que haveria uma grande mudança a caminho em minha vida. A
partir do ano 2000, e pelos próximos vinte anos, eu estaria sob a influência de Vênus, que estaria regendo a minha Casa 7, que é a Casa dos relacionamentos pessoais.
— Antes do ano 2000, você poderia ter desistido de tudo — sugeriu
Komilla —, mas desde então você desenvolveu um novo relacionamento.
Pela primeira vez na sua vida você encontrou a parceira certa! Era verdade que a partir daquela época eu tinha planejado minha vida
com Elizabeth. Mas nem tudo seria luz e tranqüilidade. Haveria desafios à espera. Parecia que minha principal curva de aprendizagem estaria nos relacionamentos.
Komilla prosseguiu:
— No seu mapa você tem uma conjunção Marte-Vênus, que ocorre no
signo de Virgem. Na astrologia védica, Virgem é muito idealista — é a
Virgem —, o que sugere que você deseja um relacionamento perfeito.
Você tem Rahu na Casa 7, o que também é uma busca pela perfeição. Mas existe uma possibilidade definida de parceiras múltiplas, mesmo agora. É um grande problema para você assumir um compromisso!
Isto certamente acontecera no passado, e eu achava que já tinha
mudado.
— Você precisa de uma parceira que compreenda sua necessidade de
viajar e que fique a seu lado naquilo que você fizer. Você é um viajante por natureza: a sua nakshatra lunar é Punarvasu (em Gêmeos), o que significa um outro lar. Deseja viajar em níveis diferentes de consciência e diferentes níveis da sociedade. Gosta de estar em casa, mas também de sair. Se tiver uma parceira muito possessiva, encontrará dificuldades de se relacionar com ela. Precisa de alguém semelhante a você. Todo o seu mapa me diz que os seus relacionamentos serão seu maior desafio até 2020.
201
A sexualidade é uma parte importante de você; seu Ascendente é Escorpião, que é o signo da sexualidade. Terá que se resolver com ele. A boa notícia é que será possível para você encontrar a felicidade.
— E o que acontecerá após 2020, quando o meu dasha Vênus terminar?
— Após esta data, o Sol será bem poderoso para você aos 74 anos. O que se segue é bom, uma espiral ascendente para atingir as aspirações, atingindo aquilo que você deseja.
Esta era uma previsão a longo prazo; os próximos dois anos seriam
cruciais. Eu estaria entrando num período conhecido como sade sati, período em que Saturno transitaria pela minha Lua. Seus efeitos já se faziam sentir e culminariam no próximo mês de julho. Isto acontece três vezes em uma vida normal, a cada 24 anos mais ou menos.
— Em geral, ele sugere alguma mudança ou transformação maior,
particularmente na sua maneira de pensar — explicou Komilla —, e eu
costumo aconselhar meus clientes que esta não é uma época de tomar
decisões! Existe uma grande pressão para mudar tudo rapidamente. E se tomarem decisões impulsivas, como sair do emprego ou mudar de casa, em geral se arrependerão de alguma forma!
— E pode ser perigoso?
— Não há necessidade de ter medo ou de se preocupar. Sade sati é como um aviso de tempestade. É uma situação astrológica problemática, mas se você estiver atento a ela, será mais fácil de lidar. Simplesmente permaneça bem consciente das suas escolhas. Saturno é o planeta de movimento mais lento e representa a pressão e o estresse, enquanto a Lua é o planeta de movimento mais rápido. Quando um toca o outro, a mente pode ficar muito agitada, ocorrendo mudanças súbitas.
— Eu achava que uma pessoa espiritualmente desenvolvida seria capaz
de neutralizar a influência das estrelas e permanecer calma em todas as
circunstâncias.
— Não penso assim. As estrelas o influenciam, você tem o livre-arbítrio,
mas o destino, o resultado do seu carma passado, pode intervir quando você acha que está planejando cuidadosamente sua vida. Tudo aquilo que você fez no passado, terá de lidar com ele agora, e tudo que fizer agora, refletirá no que acontecerá no futuro. O seu livre-arbítrio é sua habilidade de enfrentar os trânsitos, mas seu destino se faz sentir quando você faz algo impulsivo e cria problemas enormes para si mesmo! Por exemplo, estou cem por cento segura de que o próximo mês de julho será difícil para você — é algo tecnicamente preciso —, mas você poderá melhorar a situação em até oitenta por cento, dependendo da maneira como encarar o desafio. Fazer yoga ou
meditação poderá ajudar muito.
— Pode me explicar um pouco mais o que significa carma?
— O seu carma consiste das escolhas que você fez em vidas anteriores,
mas no momento em que o cordão umbilical é cortado, a memória das
escolhas é perdida.
202
O seu carma é um grupo de memórias subconscientes das suas próprias ações passadas. Na filosofia indiana, o carma é de sua própria responsabilidade.
Você não pode culpar sua mãe, seu pai ou alguém mais. Você agiu de uma determinada maneira no passado e terá de lidar com isso nesta vida. Quando se conscientizar do seu carma, poderá aprender a como lidar com ele. Se agir com sabedoria, terá um mínimo de dor; se agir no impulso, simplesmente repetirá os antigos padrões. Somente você pode fazer a escolha.
— Você pode, então, aconselhar o que as pessoas devem fazer?
— Posso dar uma orientação, mas no fim, você terá de fazer suas
próprias escolhas. Posso apenas dizer a época e aquilo que as estrelas dizem, mas não assumo a responsabilidade por fazer uma boa previsão ou não. No fim, a responsabilidade é sua. É como receber um mapa para você mesmo colorir.
— Você já errou alguma vez?
— A época é sempre certa, mas a resposta nem sempre é clara. A
situação planetária intensa no início de março de 2003 sugeria, por exemplo, uma guerra no Oriente Médio, mas a situação pode ser desencadeada de várias maneiras. Em vez da guerra declarada, vimos protestos pela paz em todo o mundo.
Komilla insistiu comigo que eu pelo menos não parasse de escrever,
qualquer que fosse a intensidade do meu sade sati que se aproximava:
— Com Ketu no Ascendente, você possui o conhecimento intuitivo, e
quando escreve sobre o seu assunto, pode ser bem intuitivo. O seu estilo só poderá ficar melhor.
Tendo lidado com minhas vidas passadas, relacionamentos e trabalho,
Komilla então se voltou para um dos temas favoritos de todas as astrologias, inclusive a indiana: as finanças.
Fiquei surpreso, embora não totalmente convencido, ao ouvi-la dizer:
— Dinheiro não é um problema no seu mapa. Você tem muita sorte com
dinheiro. Parece ter um talento para fazer dinheiro quando ele é necessário. Seu mapa sugere que você é bom para lidar com dinheiro.
— Acho que o meu banco não concordaria com isso.
— Você pode achar que não é, mas na verdade é. Não pode mentir para
um astrólogo. Financeiramente será bom para você.
Por fim perguntei a Komilla qual era a natureza geral do meu mapa. Era
bom?
— Você tem um mapa... — E então fez uma pausa tentando encontrar a
palavra certa. — que é muito cármico.
— É uma maneira educada de dizer que ele indica muitos problemas?
— Você tem muito potencial, mas ainda não o realizou por causa do seu
Kal Sarpa Yoga. No momento do seu nascimento, o seu Sol estava na sua própria Casa, na 10, o que é uma posição muito poderosa.
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Quando se nasce às quatro horas, o Sol também está no Meio do Céu, por isso ele é realmente poderoso. Isto lhe traz uma grande carreira. Você tem de ser bem-sucedido!
Então as perspectivas eram boas em geral. Eu deveria ser cuidadoso com os meus relacionamentos e logo as situações ficariam intensas, mas a longo prazo eu não deveria me preocupar com o meu trabalho ou com as finanças. Na verdade, a felicidade era possível.
Quando estávamos para terminar nossa conversa, Komilla começou a
enfatizar a natureza espiritual da astrologia védica. Segundo Os Vedas, ela explicou, existe uma Alma Universal (literalmente "o ventre do veado" em sânscrito) da qual emerge a Alma do Mundo ligada ao tempo, que por sua vez faz surgir a alma individual (atman). Como todos nós estamos ligados à Alma do Mundo e à Alma Universal, se uma pessoa decidir mudar algo, ele ou ela poderá fazer uma grande diferença para o universo como um todo.
— Quando a alma penetra no corpo? — perguntei a ela. — Alguns dizem
que é no momento da concepção.
— Certamente algumas pessoas na Índia consultam astrólogos para decidir sobre o momento certo para a concepção, mas eu acredito que a alma penetra no corpo com a primeira inspiração e o primeiro choro. Antes do nascimento, a alma pode penetrar no ventre, mas pode não ficar ali, como no caso de um aborto. Cada alma é responsável pela escolha do seu próprio corpo.
Eu ainda tinha algumas perguntas importantes sobre a astrologia indiana. Perguntei se ela achava que a astrologia era uma arte ou uma ciência.
— É uma ciência — insistiu Komilla. — É muito técnica e precisa. Posso
saber onde estarão os planetas daqui há cem anos, ou em dez mil anos. Mas existe uma arte na análise da situação e da previsão.
— Uma ciência inexata?
— Sim. O conhecimento é perfeito, mas a interpretação é inexata. No fim do dia, o astrólogo deveria estar bem, com a mente calma e totalmente desligada, mas todos nós cometemos erros.
— Você pode me dizer quando eu morrerei?
— Não gosto de falar da morte. É como brincar de ser Deus. Na Índia,
entretanto, as pessoas lhe dariam dez datas diferentes.
— Como você acha que os planetas nos influenciam? É através de algum
tipo de magnetismo ou de raios estelares como dizem alguns astrólogos?
— Acho que existe algum magnetismo. A Lua influencia a Terra todos os
dias; ela influencia os animais e as marés. É algo que não conseguimos
compreender. Não podemos quantificar, porém não tenho dúvidas de que a influência está lá.
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Eu venho de uma tradição que simplesmente a aceita. Eu já a vi em ação várias e várias vezes, exatamente no momento preciso, como acender ou desligar uma lâmpada.
— Pode me dar um exemplo?
— Na semana passada havia uma oposição que tornava a vida difícil. Eu
pude ver o processo. Você sabe o momento, sabe que terminará no sábado. Todos a sentem, mas somente se você conhecer astrologia saberá de fato o que está acontecendo.
— E isso se aplica também a eventos mundiais?
— Sim. Quando temos uma conjunção de Marte com Saturno, temos
queimadas na América e terremotos na China. Pode predizê-lo com
cinquenta ou cem anos de antecedência.
Retornei para o meu motivo original de viajar centenas de quilômetros
para estar com Komilla e perguntei a ela:
— Como a astrologia indiana pode ajudar uma pessoa a entender a si própria?
— A astrologia o ajuda a compreender as influências que você traz de vidas anteriores que estão cristalizadas no mapa.
— O mapa é um mapa da psique, como chamam alguns astrólogos?
— Sim. O mapa da sua vida mostra suas restrições.
— E possibilidades...?
— Cada mapa mostra os negativos e positivos de cada alma. Mas as
possibilidades são infinitas. Isso é Kundalini, o poder latente dentro de você que está adormecido como uma serpente enrolada. Se você compreender seu próprio poder, poderá ir numa direção diferente. Poderá caminhar contra o fluxo, como uma serpente em movimento espiral ascendente se desenrolando.
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